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Hvem tør der andre tier?

4. Analyse

4.3. Posisjonering i Sylvi Listhaugs Der andre tier

4.3.1. Hvem tør der andre tier?

Dada a conflituosidade entre adaptabilidade e normalização e/ou padronização comportamental procurou-se aferir o que os indivíduos consideravam ser a “boa prática” médica (Figura 29).

De acordo com os entrevistados, a boa prática médica, que incorpora elementos de conhecimento e de empatia pela situação do doente (Dantas, 1999), assenta fundamentalmente no cuidado e atenção colocados na história clínica e exame objectivo do doente. Desta forma são obtidas as informações mais pertinentes relacionadas com o estado de saúde do doente. Como refere um dos entrevistados “…nós temos que ter muito cuidado com a história clínica do doente porque é através dela que vamos chegar a um diagnóstico… a uma terapêutica… [uma manifestação] pode significar muita coisa…” (MD27, 21 Agosto 2006). No caso de o doente estar impossibilitado de

fornecer informações, “…[e se não for possível fazer o levantamento da história clínica porque o doente pode não conseguir transmitir]… temos que fazer um exame de observação clínico… não ter poucos dados de história… então tem de se valorizar a situação do doente e ver os sinais do doente... se estão muito queixosos… aí tem de se ir por outros caminhos…” (MD30, 13 Setembro 2006).

Figura 29. Resumo das Referências Relativas à Definição de “Boa Prática” Definição de “Boa Prática”

Afirmações referentes a: Exemplos

Relevância da história

clínica “…o ter uma boa prática médica é quando temos o doente à nossa frente e fazermos muito bem a história, perguntar pela família… tomar nota dos medicamentos, ter alguma atenção, depois não tirar conclusões à pressa, ver bem o doente, aquilo que ele nos quer transmitir para adaptar a cada situação. Já se sabe se tivermos estes cuidados todos a probabilidade de termos sucesso e fazermos uma boa história clínica é maior.” (MD27, 21 Agosto 2006)

“…é um raciocínio… perante as queixas do doente… que é fundamental… a história clínica é mais de metade… é muito mais… é mais de metade da resolução do problema… o risco é não fazer uma boa história… ou não fazer história nenhuma e começar só fazer exames complementares de diagnóstico…” (MD30, 13 Setembro 2006)

Utilização de protocolos com adaptação ao caso concreto

“…de vez em quando saem mais alterações e as pessoas têm de se adaptar a elas, consoante a especialidade aí aumentam o volume de trabalho, surgem outros casos e vamos pesquisar acabamos por ter em conta estas novas guidelines… e nós modificamos… até porque na medicina nada é estável…” (MD27, 21 Agosto 2006)

“… é claro que isto são normas para o doente em geral… depois há particularidades do próprio doente que têm de ser adaptados…”(MD37, 29 Setembro 2006)

“… eu acho que será a melhor resposta à preocupação do doente específico que nos procura… essa será a boa prática… desde um bom relacionamento empático, profissional… de alguém que tenta responder especificamente ao que trouxe o doente ao seu contacto...” (MD35, 26 Setembro 2006)

A abordagem à situação de um doente em particular é efectuada pela eliminação das hipóteses colocadas perante o quadro apresentado. Como refere um dos entrevistados “…se aquele procedimento não resolve…temos de passar ao seguinte… temos as alternativas… por isso é que se faz sempre… faz-se a história actual… e depois faz-se um resumo… observação do doente… e a seguir são as hipóteses de diagnóstico… devem ser postas sempre por ordem de maior probabilidade… algumas posso excluir já pela clínica… não sendo possível… então vamo-nos socorrer dos exames…” (MD30, 13 Setembro 2006).

A utilização dos exames complementares de diagnóstico, prática corrente na actividade, origina comentários como “…os colegas [com menos experiência] fazem um pedido exagerado de exames complementares de diagnóstico, para poderem ter maior defesa e isso faz com que, muitas vezes, esses médicos passem a ser mais prescritores de exames, e esquecem o doente no todo…” (MD35, 26 Setembro 2006), o que demonstra uma tendência contrária à boa prática da actividade.

A componente variável advém do facto de “… (n)a actividade médica … cada caso é um caso...” (MD28, 24 Agosto 2006). Este elemento modificável encontra-se inserido nos próprios protocolos de actuação, que são designados por linhas de orientação. “…Nós baseamos a nossa prática clínica… fala-se muito nas guidelines… não são mais do que linhas de orientação… e a boa prática é aquela que é baseada nas linhas de orientação… mas eu acho que tem de haver por parte do médico um senso clínico… o senso clínico para tentar… eu não vou fugir às normas gerais… mas também temos de ver a pessoa que temos à frente e tentar adaptar um bocadinho estas tais guidelines…” (MD37, 29 Setembro 2006), que é reforçado por “…depois há uma adaptação…”

(MD27, 21 Agosto 2006) e pela ressalva constante dos entrevistados com mais anos de profissão que mencionam que “…nós temos doenças e temos doentes… não é tudo igual… a mesma doença pode ter um impacto completamente diferente no doente A, no doente B, no doente C… e é com base nisso que depois temos de adaptar estas tais linhas orientadoras de acordo com a pessoa que temos à frente…” (MD37, 29 Setembro 2006).

4.7.3. Recolha de Informação Adicional

Tendo-se prosseguido com a análise (leitura e codificação) de artigos publicados na imprensa escrita relacionados com a actividade médica, através de pesquisa do arquivo e do acompanhamento das edições, foi possível detectar dois artigos com particular interesse para esta investigação. Estes artigos foram publicados no Diário de Notícias a 29 de Setembro de 2006 (Anexo 20) e no Diário Económico a 24 de Novembro de 2006 (Anexo 21). O seu conteúdo referente à disponibilização de um seguro de responsabilidade civil por parte da Ordem dos Médicos, devido ao número crescente de queixas relativas à prática clínica, reforça a criação de uma “rede de segurança” para proteger a actuação do médico em relação a contestações judiciais futuras.

Ainda no decorrer da análise das entrevistas salientaram-se as noções de medicina baseada na evidência, gestão do risco clínico e segurança dos doentes, o que obrigou a efectuar uma pesquisa sobre estes tópicos de modo a estabelecer a relação conceptual com os resultados da aplicação da Grounded Theory.