4. Analyse
4.3. Posisjonering i Sylvi Listhaugs Der andre tier
4.3.3. Hva ties det om?
A sexta fase de recolha de dados decorreu entre os meses de Janeiro a Março de 2007 e incidiu em cerca de 93 horas de observação e em quatro apresentações das categorias e do modelo gerado pela aplicação da Grounded Theory de modo a que fossem validados pelos próprios participantes no estudo, para verificar se o fenómeno que se pretende aferir é o que se está, efectivamente, a medir. Com o mesmo propósito, foi ainda utilizada literatura técnica e solicitado a 2 médicos que procedessem à leitura do trabalho e que produzissem comentários, o que não obteve uma adesão positiva justificada pelo excesso de trabalho a que estavam sujeitos.
Em relação à fiabilidade do estudo (i.e., se a forma como o fenómeno está a ser aferido é adequada), como sugerido por Corbin e Strauss (1990) e Bansal (2003), ao longo do processo de investigação, diversificou-se as fontes e os métodos de recolha de dados (e.g., observação; entrevistas), procedeu-se ao seu levantamento em diferentes momentos do tempo e, no tratamento dos dados, efectuou-se a verificação da codificação. Esta triangulação de dados serviu também como um instrumento auxiliar para colmatar a limitação de as observações terem sido efectuadas por um único observador.
Nas observações efectuadas os factos que se destacaram relacionaram-se com diversas queixas relativas ao comportamento dos novos internos, com a verificação da existência de omissões no processo do doente (e.g., não existência do registo da temperatura num caso de um doente transplantado; não existência do registo dos valores
da tensão arterial no caso de cefaleias), omissões que obrigam à repetição do processo de anamenese e que originam demoras no início da terapêutica.
Relativamente a situações clínicas, o quadro geral de patologias manteve-se mas foi possível visualizar, pela primeira vez, a forma de abordagem a um doente que manifestava um surto psicótico com comportamento agressivo.
Quanto a alterações na documentação de apoio à actividade, verificou-se a modificação da referência introduzida nos gabinetes de observação para a anotação da hora da primeira observação no processo clínico, das observações subsequentes, da hora de alta e número mecanográfico do médico. Nas fases anteriores estes avisos só incluíam a chamada de atenção para a inscrição da hora do contacto inicial com o doente. Este é um elemento que evidencia o cuidado colocado no registo da informação (o Anexo 22 apresenta um o painel do gabinete de observação 1, de onde se destaca o aviso).
Constatou-se a existência de indícios que denotam alguma alteração da postura comportamental relativamente aos anos iniciais do internato médico, através de citações como “Muitas vezes decidimos por instinto” (MD46, 10 Fevereiro 07). No entanto, a preocupação com os registos clínicos continua a ser uma presença constante na actuação dos indivíduos, como referiu um dos entrevistados: “Eu tenho sempre de escrever tudo isto no processo” [referindo-se às indicações terapêuticas para um doente] (MD51, 26 Janeiro 07).
Foi possível compreender como os indivíduos utilizam os protocolos de actuação, existindo a referência à indicação de linhas orientadoras e não obrigatórias para conseguirem englobar a adaptabilidade necessária ao desempenho da actividade. Contudo mencionam sempre que há a necessidade de cumprimento de procedimentos internacionais tanto para garantir que estão a agir segundo as normas mais recentes como para defenderem e protegerem o seu desempenho: “Deus nos livre se perante um quadro não pedirmos o exame X, mesmo que não sirva para nada! Como é que justificamos não o ter utilizado se algo corre mal?” (MD40, 19 Janeiro 07).
As apresentações foram realizadas nos dias 23 de Janeiro de 2007 (MD30 e MD32), 21 de Fevereiro de 2007 (MD43), 6 de Março (MD46) e 15 de Março 2007 (MD33) e consistiram na indicação e explicação das categorias resultantes da Grounded Theory, na exposição do modelo delineado, e na discussão da conjugação entre a flexibilidade e a burocratização, procurando aferir a concordância com a influência das variáveis no modelo.
As indicações recebidas dos sujeitos a quem foram expostos os resultados preliminares deste trabalho de investigação reforçaram a ideia da necessidade da existência dos procedimentos decorrentes tanto da influência do contexto social como da importância da utilização das delineações terapêuticas mais recentes para prestar melhores cuidados de saúde. Não obstante, os participantes referem ser fundamental ter presente que, muitas vezes, estes procedimentos deverão ser adaptados à realidade dos pacientes que estão a ser sujeitos a avaliação.
Os indícios obtidos permitiram não rejeitar as categorias teóricas obtidas através da Grounded Theory. No entanto, é relevante referir que tanto as categorias como o modelo apresentado foram continuamente aperfeiçoados não só com os dados obtidos através de meios formais de recolha de dados, como pela utilização de informação reunida em conversas informais encetadas no decorrer das observações que forneceram pistas e recomendações para o seu desenvolvimento.
4.9. Sumário do Capítulo
A recolha e análise de dados foi efectuada em diversas fases que tiveram origem no próprio método utilizado nesta investigação. A análise dos dados serviu de base de orientação para a fase subsequente de recolha dos dados. Assim, a questão de investigação foi expandida de modo a acomodar o rumo de investigação fornecido pelos dados.
Este processo, que se estendeu no tempo, permitiu, no início, a familiarização com o cenário de investigação, possibilitou, no seu decurso, o levantamento das preocupações centrais demonstradas nos comportamentos dos participantes, e no seu término conferir credibilidade aos resultados e confirmação de que estes se encontram de acordo com a realidade dos sujeitos do estudo. A Figura 30 apresenta um resumo do tipo de dados utilizados no desenvolvimento deste estudo e a sua utilização na análise e desenvolvimento da teoria.
Figura 30A. Recolha e Análise dos Dados Tipo de Dados Quantidade
de Dados Momento da Recolha Desenvolvimento da TeoriaUtilização na Análise e Observações 200 horas e 35 minutos (66 páginas) Outubro de 2004 a Abril de 2005 64 horas e 5 minutos (15 páginas) Janeiro e Fevereiro de 2006 119 horas e 10 minutos (21 páginas) Julho a Setembro de 2006 Observações no Serviço de Urgência relativas às actividades desenvolvidas pelas equipas médicas. 93 horas e 5 minutos (17 páginas) Janeiro a Março 2007 As anotações foram
utilizadas e revistas de modo a compreender-se o contexto do Serviço de Urgência e as actividades desenvolvidas pelas equipas médicas.
Documentos Públicos Documentos Públicos (e. g., artigos de jornais; relatórios estatísticos) 32 páginas Maio a Setembro de 2005 Abril a Junho de 2006 Acrescentaram profundidade contextual à investigação. Forneceram informação que permitiu validar os
resultados da análise sistemática dos dados. Entrevistas
26 entrevistas
(210 páginas) Março e Abril de 2005 12 entrevistas (72 páginas) Julho a Setembro de 2006 Entrevistas individuais com médicos (especialistas, internos do ano único e complementar) As transcrições das
entrevistas foram utilizadas como auxiliar no
desenvolvimento da questão de investigação.
Posteriormente os conteúdos das transcrições foram reanalisados e trabalhados de modo a desenvolver-se as categorias de dados. A revisão contínua dos dados e dos processos originaram a compreensão do fenómeno sob estudo.
Figura 30B. Recolha e Análise dos Dados Tipo de Dados Quantidade
de Dados Momento da Recolha Desenvolvimento da TeoriaUtilização na Análise e Arquivos
Documentos internos e externos (e. g., afectação das equipas de trabalho; afluência ao Serviço de
Urgência; documentos obtidos na Ordem dos Médicos; documentos obtidos no Sindicato Independente dos Médicos). 55 páginas Documentos internos e externos (e. g., manuais de reanimação e traumatologia). 545 páginas Maio a Setembro de 2005 Abril a Junho de 2006 Acrescentaram profundidade contextual à investigação. Forneceram informação que permitiu validar os
resultados da análise sistemática dos dados.
Apresentações Apresentações a médicos (especialistas, internos do ano único e complementar) 4 apresentações (2 páginas) Janeiro a Março de 2007 Levantamento de informação sobre a autenticidade dos resultados da análise sistemática dos dados.
Total 1.035
páginas Análises iterativas e a leitura de literatura organizacional e médica permitiram o
desenvolvimento do quadro teórico.