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4.3 Gitar- og bassgruppens arbeid

4.3.1 Matematiske kompetanser i gitar- og bassgruppens arbeid

Ao comparar a sinalização final (quadro 24) e inicial (quadro 20) dos alunos, percebemos também que, nesse segundo momento, a forma de sinalização utilizada modifica-se em alguns aspectos estruturais, como podemos ver no quadro 25.

Observa-se, nesse quadro, que o uso da Libras pelos alunos se modifica bastante desde a primeira sinalização do texto por R e T em suas carteiras até a sinalização e encenação do texto para toda a turma, depois das explicações da professora e da interação sobre o texto.

Podemos então considerar que, nesta sala, as práticas de leitura são iniciadas pelos alunos através da leitura e/ ou sinalização do texto. Além disso, pode-se notar na ação da professora ao se antecipar perguntando ao grupo palavras que possivelmente eles não conheçam, a preocupação com o conhecimento do vocabulário. Essa preocupação inicial com o vocabulário parte também dos alunos que, antes da explicação da professora, em outros eventos nesta sala, perguntam a ela o sinal referente a uma dada

palavra. Sendo assim, pode-se dizer que, neste grupo, outra prática comum é o reconhecimento inicial do vocabulário que, muitas vezes, aponta para o uso flagrante do português sinalizado e para a falta de familiaridade com a estrutura da LP. Assim, neste momento da leitura do texto, a competência comunicativa para se participar do evento é a simples relação sinal-palavra.

QUADRO 25

Diferenças linguísticas entre Libras e LP

LP escrita Forma mais comum em LS

R e T sinalização inicial espaço interacional – aluno e

aluno em suas carteiras

R e T sinalização final espaço interacional – alunos e turma no espaço à

frente do quadro Troca de turnos

marcada pelo uso de travessão e pelo espaçamento e troca de linhas.

Troca de turnos marcada através de várias estratégias – movimento do corpo no espaço, uso de verbos dicendi, etc.

Troca de turnos marcada no espaço, verbos com flexão (dicendi) e uso de expressões faciais.

Os alunos encenam a troca de turnos.

Forma de registro das horas em formato 24 horas, marcado com dois- pontos e com o item lexical horas.

Indicação de horas em formato 12 horas, com incorporação do movimento, sem necessidade de se usar o item lexical “HORAS”.

Os alunos realizam o sinal referente ao numeral e ao item lexical correlato de horas.

Os alunos realizam com incorporação em TRÊS (no qual é possível a incorporação).

“Tudo bem com você?” – expressões de saudação- classificadas como expressões fixas e semi-fixas.

Toda essa expressão pode ser realizada em Libras através do sinal (“JÓIA”), direcionado ao interlocutor e com expressão facial interrogativa.

O aluno não consegue lidar com o fato de tais expressões não poderem ser sinalizadas palavra por palavra e sinaliza usando português sinalizado, inclusive realizando um sinal relativo a “estar junto” para a preposição “com” que, neste caso, não traz essa carga semântica.

Já não realizam mais a preposição com e tentam se aproximar da estrutura da Libras, usando as duas formas - o português sinalizado e a forma mais comum em Libras.

Uso do vocativo é comum nas línguas orais.

Nas línguas de sinais, pela modalidade, não se usam vocativos.

O aluno sinaliza o vocativo usando o sinal de identificação pessoal do colega.

Os alunos não utilizam mais o vocativo.

Uso de verbos de ligação como na expressão “Eu estou ótimo”.

Na Libras, não há verbos de ligação.

O aluno oscila entre não atribuir um sinal ao verbo “estar” num primeiro momento e em atribuir um sinal que seria relativo a estar, no sentido de permanecer num lugar.

Os alunos não usam mais o verbo em Libras para se referir ao verbo de ligação em LP.

“Que horas?” – usa- se o pronome interrogativo “que” na pergunta.

Em Libras, a pergunta se faz pelo uso do sinal “HORAS”

simultaneamente à expressão facial de interrogação.

O aluno mantém a estrutura da LP realizando dois sinais “O- QUE HORAS”.

Os alunos realizam o sinal e a expressão facial adequadamente. Palavras desconhecidas explicadas pela professora.

Os alunos saltam as palavras desconhecidas.

O alunos incorporam as novas palavras aprendidas nessa sinalização sem usar datilologia.

Ordem dos

constituintes na oração ligada a uma sintaxe mais linear.

Ordem dos constituintes na oração estabelecida por mecanismos no espaço, expressões faciais, etc.

Segue praticamente a mesma ordem dos constituintes em LP.

Segue menos a ordem dos constituintes da LP, aproximando-se mais da Libras (não olham para o quadro).

Apenas num segundo momento, aparece no grupo a preocupação com a sinalização do texto em Libras, como ocorreu na aula acima transcrita, na qual a professora oferece uma sinalização/ explicação do texto, e dois alunos, ao sinalizarem o texto olhando para o quadro e de forma “artificial”, são chamados pela professora para sinalizarem sem usar LP e pela colega, que sugere que os colegas encenem um encontro e comecem a conversar naturalmente em Libras. Podemos então pensar a leitura nesta turma como algo que parte do reconhecimento vocabular em direção à construção de um texto em Libras, eventos diferenciados que exigem dos participantes competências comunicativas diferenciadas ou redefinição de como se deve usar a Libras para ler-sinalizar os textos.

Constatamos que há diferenças na sinalização final do texto, que podemos relacionar a vários fatores, tais como: a mudança do espaço interacional; a explicação da professora (apropriação de novas palavras, tradução da expressão Tudo bem com você?, etc.); a definição de um uso “natural” da Libras; o fato de os alunos não estarem mais olhando- lendo o texto no quadro enquanto sinalizam; entre outros.

Com essa comparação, podemos refletir sobre o que é ser leitor para esse grupo e como organizam as práticas de leitura. Observa-se que a leitura vai-se construindo num processo em várias etapas propostas na aula que vai, desde o registro no quadro até a sinalização final do texto, em algumas aulas.

O processo de reconhecimento do vocabulário é importante para o grupo e a busca por um sinal correspondente é um padrão que se observa nas aulas, o que se observa mais intensamente na leitura-sinalização inicial do texto (alunos em suas carteiras) e no reconhecimento inicial de vocabulário proposto pela professora (ou por alunos, no caso de outras aulas). À medida que a aula de leitura se desenrola, a relação Libras e LP tende a tornar-se mais complexa.

Da correspondência biunívoca sinal-palavra, os participantes avançam buscando usar elementos linguísticos da Libras, como o faz a professora ao usar o cumprimento mais comum em Libras para se referir à expressão Tudo bem com você?; ou como fazem os alunos e a professora que, ao sinalizarem o texto, utilizam a incorporação na indicação de horas. Assim, ser leitor para os participantes dessa sala de aula significa saber sinalizar o texto de diferentes formas em diferentes atividades propostas pela professora

e pelo grupo, apresentando competência comunicativa para fazer então diferentes usos da Libras ou de sua mescla com a LP.

No entanto, o “conflito” na escolha linguística dos participantes mostra-se claramente, por exemplo, ao utilizarem, para a expressão de cumprimento, tanto o português sinalizado como a forma do cumprimento mais comum em Libras. Parece que os alunos, por estarem cumprindo uma atividade escolar, entendem que devem se apropriar da forma utilizada pela professora, mas ainda não compreenderam que tal forma se refere à expressão inteira, usando a forma do português sinalizado “TUDO B-E-M” até mesmo quando não estão olhando o texto no quadro. Além disso, as escolhas linguísticas dos participantes, inclusive da professora, não são explicitadas, o que dificulta, para os participantes, compreender mais claramente algumas características de uma língua e as da outra.