3. STATUS OG DELTAKELSE
3.2 M EDBORGERSKAPETS ULIKE DIMENSJONER
MATERIAIS E MÉTODOS
Este capítulo será apresentado em duas seções: 3.1) Elaboração da Escala Fatorial de Dor Aguda (EFDA); e 3.2) Avaliação da percepção e tolerância à dor aguda dos grupos tipológicos de esquemas de gênero.
3.1 - ELABORAÇÃO DA ESCALA FATORIAL DE DOR AGUDA (EFDA)
Inicialmente foi realizada uma ampla revisão da literatura a fim de avaliar os instrumentos psicométricos pré-existentes para avaliação da dor aguda. Os instrumentos existentes não atendiam às necessidades do presente estudo, pois não estavam traduzidos e validados para língua portuguesa (Proxy Pain Questionary (PPQ), Initial Pain Assessment Inventory (IPAI), Pain Percpetion Profile (PPP), Multidimensional Pain Inventory (MPI), Descriptor Differential Scale (DDS)), ou avaliavam os aspectos da dor aguda e da dor crônica simultaneamente (Questionário de dor McGill,). Dessa forma optou-se por elaborar uma escala baseada em itens que descrevessem a dor aguda.
Como alicerce para elaboração da escala utilizou-se o questionário de dor McGill (PIMENTA, TEIXEIRA, 1996), uma vez que o mesmo encontra-se adaptado para língua portuguesa.
O questionário de dor McGill é composto por 78 descritores de dor aguda e crônica, que avaliam a dor nas dimensões sensitiva-discriminativa, afetiva-motivacional, cognitiva- avaliativa e miscelânia. Os descritores são agrupados em 20 subgrupos, cada um composto por descritores qualitativamente semelhantes que variam em intensidade (MELZACK, 1975; PIMENTA, TEIXEIRA, 1996).
3.1.1 - Formulação inicial dos itens
A formulação dos itens foi baseada na escala de dor McGill. Formou-se uma comissão de sete fisioterapeutas do Distrito Federal, especialistas na área de ortopedia e traumatologia para análise de juízes. Todos receberam uma lista composta por 78 descritores e foram
orientados a selecionar os descritores que melhor descreviam a dor aguda. Além da avaliação realizada pela comissão, os descritores foram contrastados com a literatura de dor induzida pelo frio. A tabela 1 apresenta a seleção dos 18 descritores correspondentes à dor aguda após a análise de juízes.
Tabela 1: Percentuais extraídos para os descritores após análise de juízes.
Descritor Comitê Descritor Comitê
Adormece 57% Formigamento 63% Agulhada 85% Forte 38% Ardor 25% Fria 25% Coceira 13% Irradia 57% Cortante 57% Latejante 85% Dolorida 38% Penetra 57% Esmagamento 38% Pontada 63%
Ferroada 63% Que incomoda 25%
Fisgada 25% Queimação 57%
Considerou-se como descritor da dor aguda todos aqueles que apresentaram concordância mínima de quatro juízes (percentual maior ou igual a 57%) e estavam de acordo com a literatura de dor induzida pelo frio.
Foram excluídos oito itens devido à baixa concordância da comissão (ardor, coceira, dolorida, esmagamento, fisgada, forte, fria, que incomoda) e dois itens tiveram a nomenclatura modificada: o item “ferroada” foi substituído por “picada” e o item “penetra” por “profunda”.
3.1.2 - Criação do protótipo da EFDA
A versão final do protótipo foi composta por 10 sensações descritoras de dor aguda: adormece, agulhada, cortante, picada, formigamento, irradia, latejante, profunda, pontada e queimação (Apêndice 1). A intensidade de cada sensação foi avaliada por meio de uma escala de cinco pontos (0-4), na qual o escore 0 (zero) indicava uma ausência de sensação e o escore 4 (quatro) indicava uma sensação muito forte.
3.2 – METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO E TOLERÂNCIA À DOR AGUDA DOS GRUPOS TIPOLÓGICOS DE ESQUEMAS DE GÊNERO
3.2.1 - Amostra
Para realização do estudo foi selecionada uma amostra de conveniência composta por jovens e adultos de ambos os sexos, praticantes ou não de alguma modalidade esportiva.
Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), os atletas podem ser classificados de acordo com as competições que participam: atletas estudantis (competições escolares/ universitárias), nacionais (competições em âmbito nacional), internacionais (competições internacionais) e olímpicos/paraolímpicos (participam dos Jogos Olímpicos).
Considerou, neste estudo, somente a categoria dos atletas universitários. Foram considerados atletas universitários, todos os participantes de modalidade esportiva (individual ou coletiva), devidamente matriculados em uma instituição de ensino superior (IES), que participem dos treinos da equipe e representem a IES em competições universitárias de âmbito regional (Jogos Universitários do Distrito Federal), nacional (Olimpíadas Universitárias - JUBs) e internacional (Universíade).
Para definição operacional de atleta utilizou-se ainda as seguintes variáveis: duração do treinamento, freqüência semanal, participação em treinos físicos, técnicos e táticos. Dessa forma, além do vínculo institucional, para ser considerado atleta universitário, era necessário que o mesmo participasse dos treinos físicos, técnicos e táticos com a equipe no mínimo três vezes por semana e duração diária de no mínimo duas horas por dia.
Como critério de exclusão adotou-se a presença de qualquer lesão osteomioarticular dos membros superiores em fase de reabilitação, lesão nervosa central e/ou periférica, doença e/ou lesão vascular, hipertensão arterial, doenças reumáticas, hipersensibilidade ao frio, perda de sensibilidade tátil e/ou térmica, queimadura, feridas abertas e déficit cognitivo.
A amostra foi constituída por 314 indivíduos, sendo em sua maioria graduandos (87%), pós- graduandos (9%), residentes no Distrito Federal, sendo 55% do sexo masculino. A média de idade geral foi de 22,95 ± 4,29 anos (16-45 anos). Foram excluídos da amostra dois indivíduos que apresentavam diagnóstico de hipertensão arterial, não atendendo aos critérios de inclusão do estudo.
Por ser um estudo do tipo duplo cego, a classificação dos indivíduos em grupos tipológicos de gênero ocorreu somente após a conclusão da coleta de dados. Sendo assim, a
amostra final foi composta por 312 indivíduos subdivididos em quatro grupos: a) Grupo 1: Homens atletas (n=85); b) Grupo 2: Homens não atletas (n=86); c) Grupo 3: Mulheres atletas (n=52) e d) Grupo 4: Mulheres não atletas (n=89).
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Católica de Brasília, sob o N. CEP/UCB 80/2007, e todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice 2).
3.2.2 – Instrumentos
Para classificação dos grupos tipológicos de esquemas de gênero e avaliação dos aspectos da dor, foram utilizados os seguintes instrumentos:
a) Avaliação dos grupos tipológicos de esquemas de gênero.
Para classificar a amostra nos grupos tipológicos foram utilizados o Inventário Masculino dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IMEGA – Apêndice 3) - (GIAVONI, TAMAYO, 2003) e o Inventário Feminino dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IFEGA – Apêndice 4) – (GIAVONI, TAMAYO, 2005).
O IMEGA mede os esquemas masculinos e femininos do autoconceito e foi desenvolvido por Giavoni e Tamayo (2003) para classificação dos sujeitos do sexo masculino em grupos tipológicos de esquema de gênero (HM, HF, ISO). O IMEGA é composto por 71 itens, sendo 41 da escala masculina e 30 da escala feminina, classificados em sete fatores, sendo três fatores da escala masculina: Egocentrismo, Ousadia, Racionalidade; e quatro fatores de primeira ordem da escala feminina: Integridade, Sensualidade, Insegurança e Emotividade, e um fator de segunda ordem: Sensibilidade. Cada item é avaliado utilizando-se uma escala de cinco pontos, onde o 0 (zero) indica que o item não se aplica e o 4 (quatro) indicando que o item aplica-se totalmente.
O IFEGA mede os esquemas masculinos e femininos do autoconceito e foi desenvolvido por Giavoni e Tamayo (2005) para classificação dos sujeitos do sexo feminino em grupos tipológicos de esquema de gênero (HM, HF, ISO). O IFEGA é composto por 75 itens, sendo 36 da escala masculina e 39 da escala feminina, classificados em seis fatores, sendo três fatores da escala masculina: Arrojamento, Egocentrismo, Negligência; e três fatores da escala feminina: Sensualidade, Inferioridade e Ajustamento Social. Cada item é
avaliado utilizando-se uma escala de cinco pontos, onde o 0 (zero) indica que o item não se aplica e o 4 (quatro) indicando que o item aplica-se totalmente.
b) Avaliação da intensidade da dor
A Escala Visual Analógica (EVA), segundo Knight (2000), é um meio concreto, sensível e reproduzível de expressar a magnitude da dor e consiste em uma linha reta de 10cm desprovida de números, com indicações nos extremos de “ausência de dor” e “dor insuportável”, permitindo uma auto-avaliação da intensidade da dor (Apêndice 5).
O indivíduo deve marcar um ponto entre os dois extremos para indicar a dor que esta sentindo. A intensidade da dor é quantificada pela distância entre a extremidade esquerda (“ausência de dor”) até o ponto marcado, medido com uma régua (cm).
c) Avaliação da sensação da dor
Escala Fatorial de Dor Aguda (EFDA) foi elaborada para este estudo e encontra-se descrita na seção 3.1.
d) Equipamentos
Para medir a pressão arterial foi utilizado um esfigmomanômetro da marca Mercur e um estetoscópio cardio tipo Rappaport II. A temperatura da mão não dominante foi avaliada utilizando um termômetro digital infravermelho com mira laser da marca Akso e resolução de 0,1ºC. Para avaliar a sensibilidade utilizou-se o estesiômetro, também conhecido como monofilamentos de Semmes-Weinstein, que são monofilamentos de nylon especial.
A estesiometria é um teste padronizado que permite determinar e quantificar a extensão da perda de sensibilidade tátil, térmica e dolorosa. O indivíduo foi posicionado sentado, olhos fechados e o membro superior não dominante apoiado sobre a mesa. Para avaliação da sensibilidade utilizou-se a seqüência de monofilamentos iniciando com o verde (0,05g) que avalia a sensibilidade normal nas mãos até o vermelho magenta (300g), que indica perda severa da sensibilidade. O teste consistiu na aplicação de cada monofilamento, em seqüência, nos pontos indicados na figura 3 seguindo metodologia sugerida pelo fabricante. A sensibilidade foi determinada pelo primeiro monofilamento que o indivíduo sentiu.
Figura 3: Pontos avaliados durante a estesiometria Fonte: Estesiômetro Sorri Bauru
O laboratório de atividades aquáticas (LAQUA) localizado no ginásio II da Universidade Católica de Brasília foi equipado com dois recipientes de isopor de aproximadamente 12 litros cada. O recipiente destinado para a água quente continha aproximadamente 8 litros de água, foi mantido a uma temperatura entre 38°C e 40°C com o auxílio de um mergulhão para aquecer a água. O recipiente destinado para água com gelo continha aproximadamente 5 litros de água e 4 kg de gelo, e foi mantido a uma temperatura entre 0,1°C e 0,3°C (VON BAEYER et al, 2005). A temperatura da água dos dois recipientes foi monitorada utilizando-se um termômetro digital a prova d’água da marca Akso, com resolução de 0,1ºC em cada recipiente.
Para aquisição da latência, tolerância à dor e tolerância a dor máxima, foi utilizado um programa de cronometragem (Xnote Stopwatch) instalado no notebook da marca Toshiba e disparado com um clique no mouse (Figura 4).
Figura 4: Ilustração do cronômetro. Fonte: A autora
O cronômetro era disparado ao clicar no botão “start” e os tempos de: a) latência; b) tolerância à dor, e c) tolerância à dor máxima, foram armazenados ao clicar no botão “snap” em uma planilha própria do programa. A escala de medida do cronômetro foi de centésimos de segundos.
3.2.3 – Procedimentos para realização do teste
Os participantes foram encaminhados ao laboratório, um local tranqüilo e silencioso, não sendo permitido o trânsito de pessoas durante a realização do experimento. Dessa forma, foi possível controlar as variáveis intervenientes e os fatores externos que poderiam interferir na coleta e na percepção do participante.
Ao chegar ao laboratório, os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, preencheram a ficha de anamnese (Apêndice 6) e o IMEGA (homens) ou IFEGA (mulheres). Após o preenchimento, o participante foi encaminhado para um local reservado para realização dos testes.
Inicialmente, o participante foi interrogado sobre a presença de algumas patologias que pudessem interferir nos testes. O teste de hipersensibilidade ao frio foi realizado na face anterior do antebraço do membro dominante, somente naqueles que não souberam relatar a presença da alteração. Em seguida foram mensuradas a pressão arterial, a sensibilidade e a temperatura da mão não dominante. Vale ressaltar que a dominância foi determinada por meio de questionamento e que o monofilamento azul (0,2g) foi adotado como ponto de corte para a sensibilidade, ou seja, se o indivíduo, inicialmente não percebesse o monofilamento verde ou azul, seria excluído do estudo.
Após a qualificação do participante para realização do experimento, o mesmo recebia as instruções para realizar o teste. As informações foram dadas imediatamente antes do início do teste, para que o participante não tivesse tempo de se preparar psicologicamente para o mesmo.
Inicialmente, o indivíduo imergiu a mão não dominante no recipiente contendo água quente (39,44 ± 2,09 graus) com a finalidade de elevar a temperatura da mão até 36º-37º. Ao retirar a mão do recipiente, imediatamente ele imergiu a mão no recipiente com água e gelo (0,32 ± 0,19 graus). Neste momento o cronômetro foi disparado.
Ao primeiro sinal de dor (latência), o participante acionava o botão “snap” do cronômetro com o botão esquerdo do mouse e assinalava na EVA a intensidade da dor inicial. O participante permanecia com a mão dentro do recipiente, e ao chegar à dor máxima (tolerância), novamente acionava o botão “snap” do cronômetro e assinalava na EVA a intensidade da dor máxima. A partir desse momento, o participante deveria permanecer com a mão imersa o máximo de tempo que conseguisse (supratolerância) e clicar novamente no botão “snap” antes de retirar a mão do recipiente (figura 5). Caso o mesmo retirasse a mão do
recipiente durante a realização do teste, o teste era encerrado e o cronômetro parado pela pesquisadora.
Figura 5: Demonstração gráfica da realização do teste Fonte: A autora
Imediatamente após o término do teste, novamente foram avaliadas a temperatura e a sensibilidade da mão. Após esse procedimento, o participante foi instruído a preencher a EFDA.
Todos os dados obtidos durante a coleta foram anotados pela pesquisadora na ficha de coleta de dados (Apêndice 7). As coletas foram realizadas pela pesquisadora e auxiliadas por uma voluntária. Durante a coleta não foi permitido conversar com o participante e nenhum tipo de incentivo ou estímulo foi dado.
É importante salientar que os participantes desconheciam a temperatura da água e o tempo máximo de realização do teste. Nenhum dado em relação ao desempenho no teste ou perfil psicológico foi repassado durante o período de coleta. Toda e qualquer informação / explicação foi feita pela pesquisadora, sem que a mesma interferisse nas respostas dos participantes.
3.2.4 – Delineamento do estudo
Diante do exposto, o quadro 2 apresenta o delineamento do estudo. Utilizou-se como variáveis independentes “sexo”, “grupos tipológicos de gênero” e “categoria”. A percepção e tolerância à dor aguda foram avaliadas através das variáveis dependentes “limiar”, “tolerância”, “supratolerância”, “intensidade de dor inicial”, “intensidade de dor final” e “EFDA”.
Quadro 2: Delineamento do estudo.
VARIÁVEIS INDEPENDENTES VARIÁVEIS DEPENDENTES
Aspectos da dor Intensidade Sensação Grupos
Tipológicos Categoria Sexo Limiar
(min) Tolerância (min) Supratolerância (min) Inicial Dor Máxima Dor EFDA
Homem Atleta Mulher Homem Heteroesquemático Masculino Não Atleta Mulher Homem Atleta Mulher Homem Isoesquemático Não Atleta Mulher Homem Atleta Mulher Homem Heteroesquemático Feminino Não Atleta Mulher 3.2.5 - Análises Estatísticas
Os dados obtidos foram codificados, digitados em Excel e armazenados no formato “xls”. Para realizar as análises, os mesmos foram importados para planilha do programa estatístico Statistical Package for Social Science para Windows (SPSS 10.0).
Inicialmente, foram realizadas as análises descritivas para caracterização da amostra, a avaliação da Skewness para verificar a presença de outliers univariados e da distância Mahalanobis para avaliar a presença de outliers multivariados. Para validação da Escala Fatorial de Dor Aguda (EFDA) foi utilizada a Análise Fatorial e o Alfa de Cronbach.
Para avaliar a fatorialidade da escala foram utilizados os seguintes critérios: a) Kaiser- Meyer-Olkin (KMO); b) Bartlett’s Test of Sphericity; c) Eingenvalues igual ou superior a 1,5; d) variância explicada por cada fator igual ou superior a 5% e e) Gráfico Screeplot.
Utilizou-se a Análise Fatorial, com método Principal Axis Factoring (PAF) e cargas fatoriais iguais ou superiores a 0,40 para validação da escala. Para avaliar o índice de precisão interna de cada fator, utilizou-se o Alfa de Cronbach.
As análises inferenciais utilizadas foram: o teste t pareado para determinação dos grupos tipológicos, a Three-Way ANOVA e a Three Way MANOVA. Para estas análises foi utilizado o teste post hoc Least Significant Differences (LSD). Em todas as análises foi adotado um de 5%.