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3. STATUS OG DELTAKELSE

3.4 I NKLUSJON OG INTEGRASJON

O presente estudo avaliou o comportamento dos grupos tipológicos de esquema de gênero em relação à percepção e tolerância à dor aguda. Os principais resultados evidenciaram que os grupos tipológicos de esquema de gênero diferem quanto à sensação do estímulo doloroso e a supratolerância ao mesmo. Também se verificou uma diferença significativa no comportamento de homens e mulheres, e atletas e não atletas frente ao estímulo doloroso quanto à percepção, sensação e tolerância ao mesmo.

Até o presente momento nenhum estudo comparou o comportamento dos grupos tipológicos de esquema de gênero do Modelo Interativo frente à dor aguda.

As controvérsias entre os resultados podem ser atribuídas às características da amostra, a metodologia adotada para classificação dos sujeitos e a temperatura da água para realização do teste visto que, os estudos que avaliaram as contribuições do gênero na dor, utilizaram outros instrumentos para classificar os sujeitos amostrais quanto aos aspectos da masculinidade e feminilidade, e a indução da dor variou entre estímulo térmico quente (FILLINGIM, EDWARDS, POWEL, 1999) e estímulo térmico frio (MYERS et al, 2001; SANFORD et al, 2002). Essa variação interfere nas respostas de percepção, sensação e tolerância à dor, pois estimulam receptores diferentes e as fibras nervosas também reagem de forma diferente a cada estímulo térmico (GUYTON, HALL, 2002).

Os resultados em relação à percepção da dor demonstraram que a dor é percebida (latência), quantificada (intensidade) e a tolerada de forma semelhante entre indivíduos HM, ISO e HF. Esses resultados corroboram com os estudos de Fillingim, Edwards e Powel (1999) e Myers et al (2001) que não encontraram uma relação entre o gênero e a percepção da dor.

Por outro lado, Sanford et al (2002) encontraram que quanto maior o grau de feminilidade, menor a tolerância à dor. Essa relação foi verificada somente na supratolerância (tolerância à dor máxima), onde indivíduos HM e ISO toleraram por mais tempo a dor máxima do que os indivíduos HF. A tolerância à dor é um traço relacionado à masculinidade, que possui outras características psicológicas como a coragem, o estoicismo, força, resistência, autoconfiança, capacidade mental de resistir ao esforço, etc., sendo, portanto, mais consistente ao esquema masculino (CONNELL, 2000; SILVA, 2000; CUSTÓDIO, GIAVONI, 2007; GOMES, NASCIMENTO, REBELLO, 2008).

O presente estudo foi o único que avaliou a supratolerância e essa diferença entre os tipos pode ser explicada através das características psicológicas pertinente a cada grupo tipológico (HM, ISO, HF). Dessa forma, como o estímulo (tolerância à dor máxima) foi consistente ao esquema dos indivíduos HM e ISO, a percepção, o julgamento da situação e o comportamento / respostas foram condizentes com a estrutura do esquema.

Os resultados em relação à sensação de dor demonstraram que os indivíduos HF relatam uma sensação desagradável de dor maior que os HM e ISO. Não foram encontrados estudos experimentais que comparassem os esquemas de gênero em relação às sensações de dor.

Entretanto, Robinson et al (2001) verificaram que segundo relato de homens e mulheres, a mulher típica é mais disposta a relatar a dor. Já no estudo de Bernardes, Jácome e Lima (2008) as mulheres percebiam o homem típico e a mulher típica igualmente sensíveis e dispostos a expressar a dor, enquanto os homens percebiam a mulher típica mais disposta a expressar a dor.

A sensibilidade é um traço relacionado à feminilidade, que possui outras características psicológicas como fragilidade, emotividade, etc., sendo mais consistente ao esquema feminino. Dessa forma, o conteúdo do esquema feminino rege a maior vontade de relatar a dor, que também está associada ao menor limiar e tolerância à dor e maior sensação desagradável de dor (ROBINSON et al, 2001; CUSTÓDIO, GIAVONI, 2007).

A influência do esquema de gênero na dor pode ser evidenciada observando-se o comportamento dos Isoesquemáticos na percepção (latência, tolerância, supratolerância e intensidade) e sensação de dor. Em geral, eles apresentaram comportamento intermediário, ou seja, entre os HM e HF. Uma justificativa plausível é que esses indivíduos possuem esquemas proporcionais e detectam tanto os estímulos relacionados à masculinidade quanto a feminilidade.

Confirma-se a hipótese que os HM apresentam maior tolerância a dor máxima quando comparados aos demais grupos, já que tolerar o estímulo doloroso é uma resposta consistente ao esquema masculino, que neste grupo é bem desenvolvido. Em relação à sensação de dor concluiu-se que os HF relataram maior sensação desagradável de dor quando comparados aos demais grupos. Entretanto, as demais hipóteses não foram confirmadas visto que o comportamento dos grupos (HM, ISO e HF) foi semelhante na latência, intensidade e tolerância à dor.

Diferentemente dos estudos que abordam gênero e dor, existem diversos estudos abordando o comportamento de homens e mulheres frente ao estímulo doloroso (UNRUH,

1996; VALLERAND, POLOMANO, 2000; KEOGH, HERDENFELDT, 2002; SANFORD et al, 2002; WIESENFELD-HALLIN, 2005). No presente estudo observou-se que as mulheres diferiram dos homens na percepção (latência), intensidade e supratolerância a dor.

Os resultados encontrados indicaram que as mulheres possuem menor latência que os homens. Esse resultado também foi observado por Fillingim, Edwards e Powell (1999), Keogh e Herdenfeldt (2002), Manning e Fillingim (2002), Wise et al (2002) e Wiesenfeld- Hallin, 2005.

Em relação à tolerância, homens e mulheres apresentaram comportamento semelhante, entretanto, as mulheres apresentaram menor supratolerância que os homens. Como a supratolerância não havia sido estudada até o momento, nossos resultados foram respaldados nos estudos que avaliam a tolerância à dor (JAKCSON et al, 2002; MANNING, FILLINGIM, 2002; WISE et al, 2002; WIESENFELD-HALLIN, 2005; JACKSON, 2007), e corroboram com o fato das mulheres tolerarem menos a dor que os homens.

Estudos demonstram que as mulheres possuem menor percepção de controle da dor, maior tendência a catastrofização e adotam diferentes estratégias para lidar com a dor (UNRUH, 1996; KEOGH, HERDENFELDT, 2002; BERNARDES, JÁCOME, LIMA, 2008). Consequentemente, as mulheres experimentam uma sensação de dor mais intensificada visto que a interpretação do estímulo doloroso tende a ser pior do que ele realmente é e às técnicas utilizadas no controle da dor não são eficazes. Dessa forma a tolerância à dor máxima tende a ser menor que dos homens.

Em relação à intensidade de dor as mulheres relataram uma maior intensidade que os homens, o que também foi observado por Unruh (1996), Vallerand, Polomano (2000) e Manning e Fillingim (2002).

O fato das mulheres relatarem maior intensidade de dor pode ser atribuído à vulnerabilidade emocional e a catastrofização, ou seja, uma má adaptação à dor que leva a experiência de dor intensificada e maior sensação dolorosa. Aspectos sociais e culturais também podem ser destacados uma vez que a minimização da intensidade da dor por parte dos homens é visto como um sinal de virilidade (UNRUH, 1996).

Homens e mulheres relataram de forma semelhante às sensações de dor aguda. Os resultados são controversos aos encontrados por Fillingim et al (1999), Vallerand, Polomano (2000), Keogh e Herdenfeldt (2002) e Wise et al (2002). Esses autores encontraram que as mulheres apresentavam melhor sensibilidade para discriminar a dor e relatavam mais sensações desagradáveis que os homens, sendo mais sensíveis à estimulação dolorosa aguda. No presente estudo não comprovou essa diferença entre homens e mulheres.

Portanto, confirma-se a hipótese de que os homens apresentam maior limiar de dor, maior supratolerância e relatam menor intensidade de dor que as mulheres. As hipóteses formuladas em relação a maior tolerância à dor e menor sensação de dor não foram confirmadas visto que homens e mulheres apresentaram comportamentos semelhantes.

Em relação à prática esportiva os resultados obtidos no presente estudo demonstraram que os atletas apresentaram maior latência, tolerância e supratolerância a dor que os não atletas. Em relação à intensidade e as sensações de dor não houve diferença entre os dois.

No presente estudo o limiar de dor dos atletas foi maior que dos não atletas, o que também foi observado por Jaremko, Silbert e Mann (1981) e Manning e Fillingim (2002). Entretanto, Azevedo e Samulski (2003) verificaram que o limiar de dor entre atletas e não atletas é muito semelhante.

Como o limiar de dor está ligado a fatores fisiológicos e o treinamento promove uma adaptação das endorfinas e consequentemente na transmissão de informações sobre a dor, os atletas estão mais bem preparados para lidar com a dor do que os não atletas.

Observou-se que os atletas apresentaram maior tolerância e a supratolerância a dor. Resultados semelhantes foram obtidos por Rayan e Kovacic (1966), Jaremko, Silbert e Mann (1981) e Manning e Fillingim (2002) ao avaliarem a tolerância à dor.

Uma possível explicação para a maior tolerância à dor pelos atletas está relacionada à maior experiência de dor vivenciada por eles tanto devido aos treinos e competições, quanto nas lesões. Outro fator importante é que os atletas desenvolveriam características fisiológicas que permitem maior tolerância e melhor controle da dor (AZEVEDO, SAMULSKI, 2003; McARDLE, KATCH, KATCH, 2003). A utilização de técnicas psicologias também é efetiva no controle da dor, mas Azevedo e Samulski (2003) descartaram a influência dessas técnicas para justificar a maior tolerância à dor por parte dos atletas.

A prática esportiva de caráter competitivo impõe ao atleta uma rotina de treinos e competições. Saber como lidar com a dor faz parte dessa rotina. A visão que os atletas desenvolvem da dor pode influenciar na percepção e na tolerância da mesma. Para o atleta, a dor é um obstáculo que deve ser superado, e em momentos decisivos a tolerância à dor e a superação ganham proporções ainda maiores, enquanto os não atletas vêem a dor como uma sensação desagradável (MANNING, FILLINGIM, 2002). Partindo desse princípio, o atleta tende a tolerar mais a dor independente da intensidade, até mesmo para o seu sucesso na modalidade (STRAUB et al, 2003).

Em relação à intensidade e a as sensações de dor aguda os atletas e os não atletas apresentaram comportamentos semelhantes. Os resultados corroboram com Azevedo e

Samulski (2003) avaliaram a percepção subjetiva da intensidade da dor e a escolha da técnica psicológica de controle da dor em atletas e não atletas e encontraram que intensidade média de dor foi semelhante entre os grupos. Jaremko, Silbert e Mann (1981) submeteram atletas de elite e não atletas ao estímulo doloroso isquêmico e térmico e não encontraram diferença significativa entre os grupos na intensidade de dor.

As hipóteses levantadas sobre o comportamento dos atletas em relação à latência, tolerância, supratolerância e intensidade de dor foram confirmadas nesse estudo. Isso porque a prática esportiva, as experiências vivenciadas e a necessidade de superar a dor física, tornam o atleta cada vez mais resistente à dor.

Até o momento analisamos o comportamento isolado dos grupos tipológicos, dos homens e mulheres, atletas e não atletas. Os resultados do estudo também demonstraram uma diferença no comportamento desses sujeitos frente ao estímulo doloroso quando alocados em grupos de acordo com sexo, grupo tipológico e prática esportiva (ex: homens atletas HM).

Inicialmente é importante ressaltar que nenhum estudo até o momento, avaliou a percepção e tolerância à dor aguda associando variáveis biológicas (sexo), psicológicas (gênero) e a prática esportiva.

No contexto cultural são atribuídos ao esporte traços da masculinidade como: objetividade, racionalidade, competitividade, ousadia, tolerância, força, resistência, determinação, superação, etc. Inicialmente a prática esportiva era privilégio dos homens, pois o esporte fortalecia o espírito do guerreiro masculino (RUBIO, SIMÕES, 1999; GOELLNER, 2007).

Esportes com predomínio de características masculinas, quando praticados por mulheres, desencadeiam a aplicação de estereótipos sexuais (GIAVONI, 2002). Com a prática esportiva, as mulheres atletas desenvolvem um biótipo característico da masculinidade como definição muscular, rigidez, força, potência, agressividade, determinação, entre outros, tornando-se menos atraentes, sensuais, emotivas e delicadas, o que culturalmente são características atribuídas à feminilidade (MELO, GIAVONI, TROCCOLI, 2004).

Baseado nos comportamentos analisados anteriormente, o comportamento das mulheres atletas merece destaque. Os resultados demonstraram uma exacerbação no comportamento das mulheres atletas HM e ISO frente à dor máxima (supratolerância), onde as mesmas toleraram por mais tempo o estímulo doloroso. Porém, não houve diferença significativa quando comparadas aos homens atletas HM e ISO, mas ao comparar com as mulheres não atletas HM e ISO observou-se diferença significativa. O mesmo ocorreu ao comprar as mulheres atletas HM e ISO com as mulheres atletas HF.

Jaremko, Silbert e Mann (1981) encontraram que as mulheres atletas apresentavam maior tolerância a dor que os homens atletas e os não atletas em geral.

O comportamento apresentado pelas mulheres atletas HM e ISO pode ser atribuído à prática esportiva, as modalidade avaliadas (em geral esportes de contato), as experiências de dor vivenciadas e principalmente a presença do esquema masculino mais desenvolvido nesses grupos. Isso porque a prática esportiva além de provocar alterações fisiológicas, leva ao desenvolvimento de traços característicos da masculinidade, e as respostas comportamentais foram consistentes com o estímulo doloroso percebido (MANNING, FILLINGIM, 2002; CUSTÓDIO, GIAVONI, 2007).

Apesar das mulheres atletas HF também estarem inseridas no contexto esportivo, a pouca tolerância à dor máxima pode ser compreendida pela resistência do esquema feminino frente ao estímulo doloroso, visto que o mesmo é inconsistente a essa estrutura.

Em relação aos não atletas o comportamento dos homens, independente do grupo tipológico, foi superior ao comportamento das mulheres. Porém, só houve diferença entre os indivíduos ISO e HF. Observou-se que as mulheres não atletas HM apresentaram uma tolerância à dor máxima semelhante aos homens não atletas HM, o que pode ter ocorrido devido à influência do esquema masculino em superar os limites e obter os melhores rendimentos. Já as diferenças entre os indivíduos ISO e HF podem ser relacionadas às diferenças existentes entre homens e mulheres.

Avaliando as sensações agudas de dor observou-se que entre os homens, os HF relataram sensação desagradável de dor maior que os HM e ISO. Esse comportamento é condizente com indivíduos que apresentam o esquema feminino desenvolvido. A discriminação sensitiva é uma característica predominante no esquema feminino, o que permitiu aos indivíduos HF perceber e relatar mais sensações desagradáveis de dor. Comportamento esse que não foi observado entre as mulheres.

Verificou-se ainda que as mulheres HM relataram mais sensações desagradáveis de dor que homens HM. Wiesenfeld-Hallin (2005) encontrou que as mulheres relatam maior sensação desagradável de dor, sendo mais sensível a estimulação dolorosa aguda do que os homens.

CAPÍTULO 6