1. Innledning
1.2 Plan, metode og mål for evalueringen
1.2.1 Mål og metode for den kvantitative evalueringen
Como já referi, na prática, os termos técnica e tecnologia se confundem devido ao uso trivial que as pessoas (e até autores) fazem deles. Assim, tais termos e as atividades às quais se remetem se relacionam tão fortemente que, quando se faz referência a um deles, invariavelmente os demais são envolvidos, pelo que se torna necessário tentar compreender as sutis distinções entre ciência, técnica e tecnologia, particularizando, o mais possível, o campo de cada atividade.
As origens mais remotas da técnica talvez se devam ao temor que o ser humano sentiu ante os fenômenos naturais e animais ferozes que ameaçavam sua sobrevivência. Paradoxalmente, de um lado, por ser o animal mais indefeso da criação, e por outro, o mais inteligente, deve ter recorrido a toda sorte de expedientes para enfrentar as adversidades. Tudo leva a crer que, com o tempo, as crenças em soluções mágicas e místicas, bem como os rituais religiosos foram sendo substituídos por conhecimentos e habilidades usados na busca por controlar a natureza e garantir sua permanência (e evolução) no planeta.
Portanto, a técnica é tão antiga quanto a civilização humana. Antropólogos encontraram, em muitos sítios arqueológicos, armas e utensílios junto a restos fossilizados de humanos, o que indica ter o homem fabricado instrumentos para se defender dos animais selvagens e/ou melhorar suas condições de vida, alimentar-se e construir abrigos. Assim, Homo Sapiens e
Homo Faber seriam, mais que estágios evolutivos, duas das principais
características que distinguem seres humanos (racionais) dos animais ditos irracionais.
Enquanto a expressão latina Homo Sapiens enfatiza a capacidade humana de conhecer a realidade, estar consciente do mundo e de si mesmo,
Homo Faber remete à habilidade humana de criar artefatos e utensílios, com a
ajuda dos quais o homem interage com a natureza e a transforma. Um breve exame da história permite notar que, durante milênios, algum tipo de técnica foi usada para auxiliar os humanos em seus trabalhos manuais e atividades físicas, permitindo, ao longo do tempo, um aprendizado direto e empírico (por meio de tentativas, erros e acertos) com o meio ambiente e com os demais seres.
Ortega y Gasset (1963:75-78) denominou esta técnica primitiva “técnica do acaso”. Ele explica que quando, por exemplo, os ancestrais conseguiram obter fogo pelo atrito de pedras ou gravetos, chegaram a isso por acaso. Assim, nesse estágio, fabricar instrumentos era um ato natural e não habilidade de apenas alguns indivíduos, mas de todos da comunidade.
Essas técnicas primitivas se originaram provavelmente com a descoberta do fogo, polimento das pedras e cozimento dos alimentos, ainda no período Paleolítico (3,5 milhões a 10.000 a.C.). No Neolítico (8000 a 5000 a.C.) houve uma verdadeira revolução técnica, com a agricultura, pastoreio, domesticação de animais, cerâmica e fabricação do vinho e da cerveja, tornando possível a formação das primeiras comunidades. A descoberta do bronze e do ferro seriam as próximas conquistas técnicas que permitiram às sociedades rurais patriarcais se transformar em cidades. Mas nessa época descobertas eram consideradas dádivas divinas, e o povo acreditava que, de algum modo, agricultores, pastores, sacerdotes detinham poderes mágicos e saberes sagrados e secretos.
Todavia, dos instrumentos primitivos de pedra lascada e pedra polida, o certo é que o saber técnico evoluiu. Os latinos atribuíam à técnica a denominação genérica de artes, nelas incluindo a arquitetura, a medicina, a navegação, a caça, as artes militares e também o direito. As belas artes seriam a escultura e a pintura. Nesse período começam a se delinear também as artes “ocultas” ou “mágicas”, como a mineração e a forjaria. Todas elas eram consideradas techné: saber prático. Sendo a techné este saber prático, saber-
fazer, não dava conta das causas e princípios das coisas.
Porém, a partir do século XVI, a técnica foi gradativamente se tornando mais e mais presente no cotidiano das pessoas, passando a fazer parte das cidades e sociedades modernas. Primeiro foi a tipografia (tipos móveis) aperfeiçoados por Gutemberg, por volta de 1455, que, ao permitir a impressão de livros, popularizou o saber, ajudando a difundir idéias. Depois, já no século XX, surgiram e vieram se aprimorando o telefone, o telégrafo, a fotografia, o cinema, o rádio, a televisão, o computador e as telecomunicações, notáveis avanços técnico-científicos que acabaram por impactar a vida de milhões de pessoas, facilitando a formação do atual mundo globalizado e tecnológico em que vivemos.
Assim, examinando a história, observa-se que o termo tecnologia, além de ser muito recente, é freqüentemente usado como sinônimo de técnica. Por seu turno, o termo técnica historicamente se confunde com arte, habilidade,
destreza ou ofício, método para desempenhar alguma atividade artística, tema relativo à profissão, esporte, ciência ou empresa, podendo ainda designar algo relacionado a uma ocupação ou especialidade. Nesse sentido, quando se fala de arte, habilidade ou destreza, diz-se, por exemplo, técnica de fazer poesias, tocar instrumentos, fotografar ou dançar. E mais: quando se trata de atividade relativa a alguma profissão, as pessoas dizem técnica cirúrgica, esportiva, gerencial, contábil, comercial, agrícola, de armazenagem etc.
Porém, é preciso mais rigor, pois, como lembra Braudel (1985: 115), "tudo é técnica, mas toda e qualquer técnica não é tecnologia". Ora, isso leva à conclusão que, em linhas gerais, embora a tecnologia possa referir tanto o resultado como a extensão de alguma técnica, aquela - a tecnologia - não deve ser considerada nem equivalente nem substituta desta - a técnica.
Destinos idênticos recebem os termos artes e ofícios, embora haja sutis diferenças entre atividades artísticas e técnicas. Grosso modo, artes são técnicas voltadas a algum objetivo estético e/ou prático, mas o contrário não é verdadeiro: nem toda técnica é arte. Se alguém consultar a história da Grécia antiga, verá que, por volta do século VI a.C., a techné designava o fazer humano e aí se incluía o artesanato praticado pelo mestre, que conhecia todo o processo, transmitindo técnicas (compreendidas como passos rumo a um objetivo) aos aprendizes.
Ortega y Gasset (1963:79-81) denomina técnica do artesanato ou
técnica do artesão a esse estágio da techné, identificando-a na antiga Grécia,
na Roma pré-imperial e na Idade Média (corporações de ofício). As atividades artesanais – entendidas como um estágio sofisticado da técnica – eram transmitidas de geração em geração. Ortega inclui como artesanato a invenção e o aperfeiçoamento dos instrumentos. O importante é que, nesse estágio, surgem certos homens dotados de maior habilidade que se encarregam de tais funções técnicas, dedicando-se exclusivamente a elas. São os artesãos, os mestres que ensinam aprendizes. Este tipo de aprendizado evoluiu, e tratados foram escritos para auxiliar o ensino das respectivas técnicas. Tal evolução implica ancorar a técnica em fundamentos epistêmicos (episthéme), o que vai resultar mais tarde na tecnologia, em seu conceito moderno de técnica utilitária
embasada em fundamentos científicos. Por fim, o termo ofício, embora, em certos casos, utilizado como sinônimo de arte e técnica, em um sentido mais estrito, parece particularizar a profissão de técnico ou artesão, mais voltado às atividades industriais e profissionalizantes.