6 Forhandlingsordningen i staten
7.2 Lokale bestemmelser .1 Parter .1 Parter
Em maio de 2015, Theresa May, já líder dos Conservadores, declarou que “quando a imigração é muito elevada (…) é impossível construir uma sociedade coesa. É difícil para as escolas, para os hospitais e para as infraestruturas principais como a habitação e os transportes lidarem [com a situação]” e, por sua vez David Cameron, no mesmo mês, referiu “quando se tem imigração descontrolada, tem-se pressão descontrolada nos serviços públicos” (Alfano et al., 2016), acrescentando ainda que afetavam o emprego e os salários dos nativos.
A imigração afeta o emprego e os salários dos nativos?
Não. O desemprego é o resultado da relação imperfeita entre a procura e a oferta de mão de obra. A oferta de mão de obra é resultado direto das tendências demográficas, tendências essas que incluem a emigração e a imigração, bem como a participação no mercado de trabalho (Ritzen
et al., 2017). Assim, havendo uma maior oferta de mão de obra devido a um maior número de
imigrantes, é expectável que a imigração faça reduzir os salários em termos gerais (Wadsworth, 2015), da mesma maneira que se espera que nos locais onde existe uma maior concentração de imigrantes, as taxas de desemprego dos nativos sejam superiores. Contudo, estas situações apenas seriam reais se houvesse um número fixo de postos de trabalho e se os imigrantes competissem entre eles e com os nativos apenas para um determinado tipo de trabalho, o que não se verifica (Wadsworth et al., 2016b). O que realmente acontece é que, por um lado, os imigrantes, consumindo também bens e serviços locais, fazem aumentar a procura que, por sua vez, faz aumentar as perspetivas de emprego daqueles que os produzem e, por outro, sendo simultaneamente responsáveis por um aumento populacional, têm o mesmo efeito na maior procura. Assim, pelo contrário, a imigração induz, ainda que indiretamente, a criação de emprego. Num contexto de crescimento populacional, o número de imigrantes cresce ao mesmo ritmo que a geração de emprego, fazendo com que a percentagem de imigrantes em novos empregos seja sensivelmente a mesma que a percentagem de imigrantes no conjunto da população em idade ativa. Assim sendo, não é correto dizer que todos os (novos) empregos criados são tomados pelos imigrantes (Wadsworth, 2015).
Quando se refere que a imigração é responsável pela redução dos salários dos nativos é também uma perceção infundada. A verdadeira responsável pelos cortes dos salários, bem como outros cortes que se verificaram no NHS e noutros serviços públicos, foi a crise de 2008, o período de recessão económica posterior e as consequentes medidas de austeridade (Wadsworth et al., 2016a). Neste sentido, os efeitos negativos nas taxas de emprego tiveram, igualmente, origem na recessão e crise europeia (Clarke et al., 2017) e não na imigração, até porque, como referem Alfano et al. (2016), o emprego tem diminuído bastante nos últimos anos, ao contrário da imigração que tem crescido bastante. Desta forma, a imigração não é responsável pela redução do emprego dos nativos, não havendo nenhuma associação entre a imigração e o desemprego dos nativos (Alfano et al., 2016), nem tão pouco a imigração afeta as perspetivas de emprego e
performance dos britânicos (Wadsworth, 2015; Alfano et al., 2016). Alfano et al. (2016) explicam
que, afetando os imigrantes a oferta de mão de obra do RU, essa pressão exercida nos salários tende a tornar-se cada vez menor, mesmo nos setores mais baixos do mercado de trabalho, ao mesmo tempo que, através da complementaridade das suas qualificações e aumento da produtividade, nos setores mais qualificados, os imigrantes fazem aumentar os salários. Isto significa que a imigração pode ser prejudicial (apesar de haver uma correlação fraca) para os salários dos nativos que competem com os imigrantes e, simultaneamente, pode propiciar o crescimento dos salários dos nativos cujas respetivas qualificações são complementares às dos imigrantes (Alfano et al., 2016) através do aumento da especialização e produtividade que, a um
et al. (2010 cit. por Wadsworth et al., 2016b) que identificam que a um cenário de aumento de
10% do stock de imigrantes pode estar associado um incremento de 2.2% no PIB britânico. Assim, como indicam Alfano et al. (2016), poucas provas existem para suportar o efeito negativo da imigração nos salários e emprego dos nativos.
Outra grande preocupação está, em parte, relacionada com o downgrading no sentido em que, estando os imigrantes dispostos a desempenhar funções abaixo das suas qualificações e em setores mais baixos, desqualificados e mal remunerados, os nativos sem qualificações que os desempenham podem estar em risco (Wadsworth et al., 2016b). Este receio teve origem na perceção de que os alargamentos de 2004 e 2007 trouxeram imigrantes essencialmente desqualificados para o RU e que, segundo Somai (2017), afastou os nativos dos seus empregos pois os imigrantes estavam dispostos a trabalhar em condições que os nativos não estavam. Finalmente, este é um receio real na medida em que, apesar de pouco relevantes, se fazem sentir efeitos negativos da imigração nos setores menos qualificados do mercado de trabalho devido a um aumento da competição entre os nativos desqualificados e os imigrantes (Wadsworth, 2015).
A imigração pressiona os serviços públicos britânicos?
Outra perceção dos britânicos é que os imigrantes colocam demasiada pressão nos serviços públicos, lotando-os, aumentando-lhes os tempos de espera e diminuindo-lhes a capacidade de resposta. Qualquer mudança na população, a sua diminuição ou o seu aumento graças à imigração, resulta numa alteração da procura dos serviços públicos (Alfano et al., 2016). No entanto, e focando a atenção nos imigrantes europeus, estes são mais novos e estão, na maioria, empregados (quando comparados com os britânicos e com os imigrantes não europeus) e, por isso, tendem a recorrer menos aos diversos serviços públicos (Dustmann e Frattini, 2014 cit. por Wadsworth, 2015).
Os imigrantes europeus também tendem menos a reivindicar os subsídios de desemprego, de habitação e créditos fiscais e a depender menos da assistência social (quando comparados com os nativos) (Centre for European Reform, 2016 cit. por Wadsworth et al., 2016b). Aliás, os recursos que os imigrantes acrescentam à economia britânica podem ser aplicados na melhoria desses mesmos serviços públicos como na educação e saúde (Wadsworth et al., 2016b) e, nesse sentido, é até correto dizer que os imigrantes contribuem para a melhoria do funcionamento e eficiência dos serviços públicos britânicos. O que verdadeiramente pode estar a suceder é que tais fundos possam estar a ser mal aplicados e isso não é, de todo, da responsabilidade dos imigrantes, mas sim do governo e da sua gestão porque, na realidade, os imigrantes geram riqueza para o Estado britânico.
O caso do NHS é particularmente interessante devido ao mediatismo de que foi alvo. Como indica Wadsworth (2015 cit. por Wadsworth et al., 2016b), os imigrantes não beneficiam mais dos hospitais e médicos do que os britânicos e Giuntella (2015 cit. por Wadsworth et al., 2016b) não verificou grande efeito dos imigrantes nos tempos de espera. Neste sentido, também Simionescu et al. (2017b) esclarece que os imigrantes têm um efeito muito reduzido nos gastos com a saúde. O que torna este caso tão intrigante é que o NHS é o melhor exemplo, no contexto britânico, de dependência de imigrantes europeus (Clarke et al., 2017). Os britânicos podem não estar cientes desta dependência do NHS ou simplesmente preferem omiti-la e continuar a culpar os imigrantes pela deterioração dos serviços de saúde. Outro ponto que é preciso ter em consideração, relacionado diretamente com o desempenho essencialmente de profissões qualificadas como no NHS, é o facto de terem sido os países de origem os financiadores da sua educação, sendo que o RU apenas tira proveito do investimento que outros países fizeram nos seus cidadãos (Dustmann e Frattini, 2014).
Van Reenen (2016 in Wadsworth et al., 2016a) refere mesmo que quando o assunto são os serviços públicos, os imigrantes europeus são parte da solução, não parte do problema. Os imigrantes europeus no RU através das suas contribuições fiscais, ajudam a reduzir a carga fiscal aplicada aos cidadãos britânicos (Dustmann e Frattini, 2014) e a diminuir o défice orçamental (por pagarem mais em impostos face à utilização dos serviços de bem-estar social e serviços públicos) (Simionescu et al., 2017b). Dustmann e Frattini (2014) explicam que os imigrantes tendem, no fim das suas vidas profissionais, a regressar para os países de origem, onde acabam por passar os seus anos menos produtivos (Dustmann and Weiss, 2007 cit. por Dustmann e Frattini, 2014), aliviando, por fim, o sistema fiscal britânico.
A imigração aumenta a criminalidade do Reino Unido?
Similarmente, muito devido aos media, os imigrantes europeus, em particular os novos imigrantes europeus, são, muitas vezes, associados a comportamentos desviantes da sociedade britânica. Se, de facto os imigrantes europeus são causadores de perturbação social, é expectável que tal se manifeste nas taxas de criminalidade (Wadsworth et al., 2016b), o que não se verifica, não havendo registo de um aumento das ações criminosas no RU a partir de 2004. No mesmo sentido, Simionescu et al. (2017b) não encontraram qualquer impacto da imigração na taxa de homicídio.
A imigração afeta a oferta e custo da habitação no Reino Unido?
do setor imobiliário do RU, que não teve em conta o aumento populacional derivado ao aumento da imigração. Uma pressão cada vez superior no mercado imobiliário, devido à sua pouca oferta, proporciona o clima ideal para a subida dos custos com a habitação que acaba por prejudicar tanto os britânicos como os imigrantes.