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7.3.10 § 10 Lønn ved overgang til annen stilling

Os resultados

A dispersão geográfica do voto foi intrigante e revelou um RU profundamente dividido. Como mostra a Figura 16, apenas três regiões votaram, com maioria absoluta, a permanência, sendo elas Londres (59,9%), Escócia (62%) e a Irlanda do Norte (55,8%). Londres torna-se o caso mais interessante no sentido em que é nesta cidade londrina que existe uma maior concentração de população imigrante. Todas as restantes regiões votaram, na maioria, pela saída do RU da UE, sendo que se destacaram a região do West Midlands (59,3%), East Midlands (58,8%) e North

East (58%). Numa participação eleitoral de 72,2%, o resultado deu vitória ao Leave com 51,9%

espanto e choque por todo o mundo e mesmo pelos próprios britânicos e dirigentes que, como aconteceu com David Cameron, apresentou a sua demissão.

Figura 16 - Resultados do referendo do brexit no Reino Unido (vermelho - Leave; azul - Remain)

Fonte: Coles et al., 2016 in press

Comparação com os resultados do referendo de 1975

É interessante comparar os resultados do referendo de 2016 com os do referendo de 1975. Neste referendo, pedido pelos trabalhistas (Swales, 2016), uma geração mais nova destes eleitores teve de optar acerca da permanência no Mercado Único. Note-se que este referendo tomou lugar apenas dois anos passados da adesão do RU à então CEE, o que realça bastante o euroceticismo sempre presente na mente dos britânicos. A escolha, neste referendo, foi a permanência (Clarke

et al., 2017), com 67% dos votos. Contudo, todo o panorama político e socio económico era díspar

do vivido em 2016, e mesmo a cobertura dos media à época foi diferente já que concedia o seu apoio à permanência (Swales, 2016). Na Figura 17 verifica-se que as percentagens, mesmo nas regiões que votaram a permanência em 2016 foram bastante diferentes das da permanência em 1975, isto é, quem votou a permanência em 1975 votou com muito mais afinco do que quem o fez em 2016.Segundo Clarke et al. (2017), a decisão pela permanência em 1975 foi determinada por dois fatores, relacionados com a situação de estagnação económica caracterizada pelo elevado desemprego, inflação, baixa produtividade e pelo clima de agitação na indústria e com a lealdade dos britânicos para com os partidos políticos (Clarke et al., 2017), situação que não se verificou

em 2016 (os próprios partidos estavam profundamente fragmentados e o voto mostrou-se disperso).

Figura 17 - Resultados por regiões do referendo de 1975 Fonte: Henderson et al., 2016

As características dos eleitores

Apenas aos cidadãos britânicos foi permitido o voto, excluindo os imigrantes que não tivessem adquirido cidadania britânica. Neste referendo, a participação eleitoral foi elevada, o que não acontece em muitas eleições. Os mais velhos tendem a revelar uma participação eleitoral superior aos grupos mais jovens, e o mesmo acontece com os eleitores com mais rendimentos (Swales, 2016). Partindo destas afirmações é possível concluir que, sendo os mais velhos, tendencialmente, mais conservadores do que os jovens, é previsível que o voto tenha sido superior no Leave. Os mais velhos, estando mais dispostos a votar, também tenderam mais a votar o Leave, ao passo que os jovens tenderam a votar a permanência (Meleady et al., 2017). Já no que se refere às qualificações, estatuto, recursos económicos e rendimentos dos eleitores, aqueles cujas qualificações são inferiores, que auferem salários mais baixos e que residem em bairros sociais têm mais probabilidade de votar a saída (Swales, 2016) e, por outro lado, aqueles cujas qualificações são mais elevadas tendem a votar a permanência. A justificação desta dicotomia deve-se ao facto de os mais qualificados possuírem mais capital humano, sendo, portanto, os que tiram mais proveito da integração europeia por meio da mobilidade livre e das poucas barreiras em termos comerciais (Clarke et al., 2017). Estes eleitores, por se verem na mesma situação que muitos imigrantes europeus, a usufruir da livre circulação europeia, são mais tolerantes e aceitam a imigração. Simultaneamente, os menos qualificados e de estatuto mais baixo dão por si a competir com os imigrantes para os mesmos postos de trabalho, o que faz com que tenham uma

perceção mais desagradável da imigração e, por isso, tendam a optar pela saída (Clarke et al., 2017). Nesta lógica, o estatuto elevado dos eleitores indica, geralmente, que apoiam a integração europeia e os de estatuto mais baixo (Gabel e Palmer, 1995 cit. por Clarke et al., 2017; Ford e Goodwin, 2014) opõe-se à mesma. À semelhança desta situação, aqueles que mostram ser mais otimistas acerca das condições económicas apoiam mais a permanência na UE, e o mesmo se verifica relativamente a questões como a imigração, o NHS, a perda de soberania para Bruxelas (Clarke et al., 2017). Por esta razão se refere que o brexit se tratou da revolta da classe trabalhadora (Harris, 2016 cit. por Coleman, 2016). No caso particular das perceções dos eleitores acerca da imigração, Ford e Goodwin (2017) mostram que as experiências locais com a imigração têm impacto no voto, na medida em que nas áreas onde houve mudanças demográficas significativas devido ao aumento da imigração, os eleitores votaram a saída, no entanto tal não se verificou em Londres, sendo que a maioria votou a permanência (Goodwin e Heath, 2016 cit. por Meleady et al., 2017) e podendo essa situação estar relacionada com o facto de muitos eleitores de origem migrante terem adquirido cidadania britânica, votando Remain.

Por outro lado, a identidade, colocada em risco pelo grande fluxo de imigrantes, mostrou ser relevante para o comportamento eleitoral dos britânicos. Aqueles que se identificam mais como sendo ingleses em vez de britânicos concederam um maior apoio ao Leave (Ford e Goodwin, 2017). As motivações para votar influenciaram o comportamento dos eleitores, já que os Leavers, por o brexit representar a mudança, estavam mais motivados do que os Remainers (fator este que foi também apontado como justificativo do insucesso da campanha pela permanência) (Clarke et al., 2017). Oliver (2017b) revela também que muitos cidadãos não se sentiram motivados a votar por considerarem que o seu voto não faria qualquer diferença.

A filiação partidária dos eleitores e/ou a sua descrença nos políticos e na política em geral justificam também a sua decisão no referendo. Com efeito, Clarke et al. (2017) realçam esta questão de os eleitores não estarem filiados nem seguirem as ideias de nenhum partido, o que mostrou ser benéfico para o UKIP que tirou proveito do descontentamento destes eleitores para com os partidos em funções.

A distribuição regional do voto ajuda também a explicar o comportamento dos votantes pois as áreas de carácter mais vincadamente rural e, particularmente, a Inglaterra a registaram um maior apoio ao Leave (Clarke et al., 2017). Efetivamente, Runciman (2016) identifica uma imediata divisão metropolitana/tradicionalista e urbana/rural, sendo Londres contra as regiões, Escócia contra Inglaterra e País de Gales.

Por fim, os media tiveram um papel influenciador incrível na manipulação dos eleitores. Swales (2016) indica que o próprio jornal que os eleitores leem determinou o seu voto, já que as

se pensar que a imprensa deu muito maior destaque à campanha do Leave e mostrou ser mais relevante, no moldar das opiniões dos eleitores, do que a filiação partidária (Swales, 2016).

É possível concluir que os resultados revelaram uma profunda polarização, com os mais velhos, desqualificados, com menos recursos económicos e espacialmente mais isolados a votarem a saída (D’Angelo e Kofman, 2017). Swales (2016) distingue, neste contexto, três grupos responsáveis pela vitória do Leave: primeiro, aqueles que apresentam situações económicas mais desfavoráveis e contra a imigração, nacionalistas e patriotistas; em segundo, os eurocéticos afluentes que, para além de serem contra a imigração também defendem a independência do RU e; em terceiro, as classes sociais mais velhas que, apesar das baixas qualificações e dos baixos rendimentos se preocupam profundamente com a imigração. Porém, como afirmam Clarke et al. (2017), é um erro tamanha generalização, já que o suporte ao brexit proveio de realidades e eleitores com características muito diferentes.