5.2 Phase 1: The Lamfalussy Reform (2000-2002) – Soft Microprudential Coordination
5.2.3 The Lamfalussy Framework (2000-2002)
Ensinar é tarefa complexa e, para exercê-la, é preciso que se tenha conhecimento e habilidades para compartilhá-las de maneira positiva, possibilitando que os alunos possam aprender e mudar sua maneira de se posicionar diante dos desafios cotidianos.
O que é ensinar? Do latim in + signare: in = na direção, ou na intenção de, e signare = assinalar, marcar, de “singum” = sinal, o ensino é um processo entendido como ação sistemática, ordenada e intencional de transmissão de conhecimento e experiências e a aprendizagem é a resultante dessa ação (SILVA, 2003, p. 23). Nesse modo de pensamento, o professor é simplesmente um transmissor de conhecimento e o aluno é considerado um receptor passivo. Já para Fernandes (1996, p. 248) “ensinar é dar instrução sobre; mostrar com ensinamento; fazer conhecer; demonstrar; instruir; dar preleções; ministrar conhecimento (a alguém) sobre as regras e preceitos que constituem (alguma ciência ou arte) adestrar; mostrar; indicar; repetir como quem ensina; doutrinar; instruir; educar”. E é desse modo que o aprender é concebido por este autor (p. 59), “dar instrução sobre; mostrar com ensinamento; fazer conhecer; demonstrar; instruir; dar preleções; ministrar conhecimento (a alguém) sobre as regras e preceitos que constituem (alguma ciência ou arte) adestrar; mostrar; indicar; repetir como quem ensina; doutrinar; instruir; educar”.
No entanto, ensinar, na perspectiva piagetiana é utilizar o método ativo, por meio do qual a criança vai reconstruir e reinventar, não somente transmitir informações ao aluno. Desse modo, o professor não deve se limitar ao conteúdo específico de sua disciplina, mas deve conhecer como ocorre o desenvolvimento psicológico da inteligência humana. Todo o processo de ensino deve estar alicerçado na experimentação por parte do aluno. A educação não deve se prestar a moldar o aluno de acordo com um modelo condizente com as gerações anteriores, mas em formar-lhe a personalidade.
A escola é o local onde as diversas aprendizagens acontecem. Mas, afinal de contas, o que é aprender? Aprender significa adquirir a propriedade sobre conceitos de maneira contextualizada, estabelecendo relações e construindo autonomia, de forma a habilitar-se para a busca, a aquisição e o uso de novos conhecimentos, ao longo de toda a vida (KAMII, 2005). Pode-se apontar aí um dos grandes equívocos da educação atual. Os alunos não estudam para um aprendizado ao longo da vida, estudam para satisfazer as exigências do momento. Estudam para tirar notas suficientes para serem aprovados. E, infelizmente, a escola é uma das responsáveis por essa equivocada cultura.
Considerando que o ato ensinar e aprender é o foco principal da presente pesquisa, buscou-se apreender as concepções de professores acerca desse processo. Os resultados sobre as concepções do ensinar podem ser observados na tabela 39:
TABELA 39 – CONCEPÇÕES SOBRE O ENSINAR
CONCEPÇÕES APRESENTADAS. QUANT. %
RELACIONADAS À TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS 25 50,0
* É a arte de repassar conteúdos, que a cada dia se torna mais difícil, me deixando frustrada e decepcionada com a educação. Passar novos conhecimentos buscando o interesse e a participação dos alunos para se tornarem cidadãos críticos e inseridos na sociedade. Passar os meus conhecimentos e orientar os alunos nos conhecimentos que têm. Assim, ensinar é transmitir conhecimentos. É transmitir conhecimentos e indicar caminhos para que o aluno siga. É contribuir para que o educando possa desenvolver e aprimorar seus conhecimentos. Instruir doutrinas dirigindo a formação dos alunos. Passar para o aluno todo o conhecimento que temos que sirva para seu dia-a-dia. Transformar informações em conhecimentos de forma significativa. É transmitir conhecimentos teóricos do livro didático e formar
um cidadão crítico.
RELACIONADAS À TROCA DE EXPERIÊNCIAS 12 24,0
* Repassar aos alunos conhecimentos adquiridos e adquirir conhecimentos trazidos da vivência dos alunos. É transmitir o que sabe buscando levar em consideração o que tem na bagagem do aluno. É valorizar as experiências individuais, trazidas por cada um, aproveitando-as no processo. É tentar transmitir um conhecimento e ao mesmo tempo dividir experiências e ao mesmo tempo aprender, e novamente ensinar. É um processo que só acontece quando há uma grande interação entre
aluno e professor
RELACIONADAS À RECONSTRUÇÃO E RESSIGNIFICAÇÃO DE
EXPERIÊNCIAS 10 20,0
* É abrir horizontes dando suporte e permitindo que o aluno descubra suas respostas. Ajudar o educando a construir o seu conhecimento. É fazer a criança perceber o mundo que a cerca indo além do currículo escolar. Favorecer o processo de aprendizagem, promovendo uma interação social onde possa se formar cidadãos autônomos, capazes de participar e modificar a sociedade. Orientar e coordenar ações para que os alunos construam o seu conhecimento de forma organizada, objetiva, atraente e criativa. Abrir caminhos para que os alunos possam descobrir seus próprios horizontes. Ser mediador do conhecimento fornecendo ao aluno "liberdade" para formular, pesquisar, dialogar, interrogar sobre o assunto a ser ensinado. Ensinar é muito mais que transmitir informações. É preciso compreender como os alunos aprendem, aproximando-se dos conhecimentos que eles têm buscando atingir os objetivos. Ensinar é vida. Ensinar é prazer. Ensinar é tudo. Oportunizar o crescimento do aluno, fazendo-o perceber
novas questões.
RELACIONADAS AO PREPARO PARA A VIDA 3 6,0
* É levar o aluno a construir suas competências e habilidades para sua vida social e profissional. Conduzir numa certa direção para que ocorra mudanças de comportamento, troca de experiência e consequentemente aprendizagem. É poder influenciar pessoas para que encontrem o verdadeiro conhecimento, não só o
conhecimento disciplinar, mas também, sua ampliação da visão de mundo.
TOTAL 50 100,0
FONTE: Idem – Questão 01 – V Secção
Obs.: As porcentagens foram calculadas a partir do total de definições explicitadas e não a partir do números de professores pesquisados.
As avaliações e os trabalhos acadêmicos nem sempre são ferramentas eficazes para levar o aluno a aprender, de fato. Elas funcionam como instrumento de
poder, dentro do contexto da sala de aula. O aprender fica relegado. Quando os alunos são submetidos a exames que buscam medir apenas rendimento conteudista, não são capazes de demonstrar quase nada. Os últimos resultados do ENEM, do SAEB, da Prova Brasil e do PISA, reforçam essa afirmação. A escola parece não estar cumprindo o papel determinado pela LDB 9394/96, que é de tríplice natureza “o pleno desenvolvimento do educando, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o mercado de trabalho”, conforme salienta Carneiro (2002, pp. 33-34).
Se, para um número significativo de professores pesquisados, o ensino relaciona-se, sobretudo, à transmissão do conhecimento, para a sociedade, aprende-se estudando numa boa escola, tendo bons e preparados professores. O conhecimento surge mediante a aprendizagem.
De acordo com Assmann (2004, p. 40):
(...) o aprender não se resume em aprender coisas, se isto fosse entendido como ir acrescentando umas coisas aprendidas a outras, numa espécie de processo acumulativo semelhante a juntar coisas num montão. A aprendizagem não é um amontoado sucessivo de coisas que vão se reunindo. Ao contrário, trata-se de uma rede ou teia de interações neuronais extremamente complexas e dinâmicas, que vão criando estados gerais qualitativamente novos no cérebro humano.
Assim, para Assmann (2004), quando alguém aprende algo novo, não é apenas esse elemento novo, lingüístico, conceitual, etc. – que se acrescenta ao que supostamente já foi adquirido, mas ocorre uma reconfiguração do cérebro/mente, enquanto sistema dinâmico.
Crítico de uma pedagogia bancária, destacamos Freire (1996), grande defensor da escola não como transmissora de conhecimento, “mas local onde se criam possibilidades para a sua própria produção, ou a sua construção” (p. 47). Assim, para Paulo Freire, a sala de aula deve ser um espaço de diálogo e de indagações que façam desabrochar a curiosidade, as perguntas e suas inibições, proporcionando, assim, um ser crítico e inquiridor.
Monteiro (2005) mostra, em suas pesquisas, em relação ao clima emocional predominante em sala de aula, a predominância do autoritarismo e da agressão verbal do(a) professor(a), configurando a violência simbólica. Ela ainda aponta que para o processo de ensinar e aprender acontecer, é necessário um clima de amizade e respeito em que as trocas afetivas sejam naturais, pois, para a autora, apoiando-se em Piaget, a afetividade é a energia geral subjacente às ações, e não se pode discutir afetividade e cognição separadamente, já que ambas regulam os processos de interação entre o aluno e os conteúdos da aprendizagem. Os resultados podem ser observados na tabela 40:
TABELA 40 - ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS EFETIVADAS
ESTRATÉGIAS APRESENTADAS QUANT. %
RELACIONADAS À AULAS EXPOSITIVAS 11 23,4
* Aulas expositivas, gincanas, participação dos alunos. Exposição oral e discussão coletiva. Explicação oral e no quadro-de-giz. Exposição oral da realidade e incentivo à pesquisa. Aulas expositivas e resolução de situações- problemas. O castigo (sem recreio) para aqueles que não fizeram a atividade
na sala. Aulas expositivas e estratégias de trabalhos individuais.
RELACIONADAS AO CONTEXTO SÓCIO-CULTURAL 6 12,8
* Gosto de utilizar notícias de rádio e televisão para um conhecimento contextualizado. Situações-problema relacionado ao dia-a-dia do aluno. Textos ilustrativos e trabalhados de forma contextualizada. Não tenho uma estratégia definida. Cada dia troco experiências com colegas e vejo o que pode ser aplicado, busco ser bastante amiga de meus alunos. Procuro aquelas estratégias que irão ajudar a transferir conhecimentos que eles precisam
adquirir.
RELACIONADAS À ATIVIDADES DIVERSIFICADAS 29 61,7
* Aulas expositivas, atividades em grupos, filmes, documentários. Leituras diversas, problematização, conversas informais, atividades em grupo. Atividades mimeografadas. Utilização de cartazes para demonstração das atividades em grupos. Utilização de cartazes para demonstração das atividades em grupos. Leitura silenciosa de textos e em voz alta e resolução de situações-problemas. Jogos didáticos, dinâmicas, trabalhos com música, vídeo e trabalho em grupo. Jogos pedagógicos, quadro-giz, filmes, cartazes. Brincadeiras, jogos, dinâmicas, filmes, conversas informais e músicas. Leitura e interpretação de panfletos de lojas, contas de água, luz, etc. Trabalhos em grupo, musicalidade, filmes, produções de textos, representações teatrais, etc. Cantinho da leitura, filmes, jogos, material concreto, leitura dirigida, etc. Interpretação, dramatização, experiências e reflexão. Caça-palavras,
cruzadinhas, tabelas, gráficos, charges e enigmas, etc.
RELACIONADAS À RECONSTRUÇÃO E RESSIGNIFICAÇÃO DE
EXPERIÊNCIAS 1 2,1
* Construção e resolução de atividades pelos alunos.
TOTAL 47 100,0
FONTE: Idem – Questão 02 – V Secção
Obs.: As porcentagens foram calculadas a partir do total de definições explicitadas e não a partir do números de professores pesquisados.
Piaget (2002b) nos mostra a necessidade imperativa da transformação no modo de ensinar, a partir do entendimento da forma lógica de aprender dos alunos, a aptidão do aluno para determinados saberes deve ser levada em consideração,
pois dependendo da adaptação ao tipo de ensino que lhe é oferecido, o fracasso escolar está ligado à rápida passagem que os professores fazem do aspecto qualitativo (lógico) para o quantitativo (numérico). Tomando por base essas afirmações, buscou-se verificar as principais estratégias didáticas comumente utilizadas, pelos professores, para efetivação da prática pedagógica.
Não é dada a oportunidade, ao aluno, de ativamente, construir, seu aprendizado. O professor continua sendo a peça chave do processo ensino- aprendizagem. Um fator positivo merece destaque nos dados relatados, a questão da contextualização sócio-cultural, que desperta interesse do alunos, faz apelo a situações práticas, que permitem o aluno manipular o objeto do conhecimento e construir uma aprendizagem mais significativa. A tabela 41 apresenta a estratégia pedagógica considerada mais eficaz pelos sujeitos pesquisados.
TABELA 41 - ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA EFICAZ
ESTRATÉGIAS QUANT. %
ESTRATÉGIAS RELACIONADAS À AULAS EXPOSITIVAS 9 20,0
* Aulas expositivas, pois os alunos prestam atenção e, ao mesmo tempo, tiram dúvidas fazendo questionamentos. Troca de idéias e a livre produção de textos. Discussões coletivas antecedendo a resolução de exercícios. Explicação oral. Debates mediados pelos jogos. Castigo, pois no outro dia, os alunos procuram
acompanhar a turma.
ESTRATÉGIAS RELACIONADAS AO CONTEXTO SÓCIO-CULTURAL 6 13,3
* Pesquisas contextualizadas e trabalhos em grupos. As leituras compartilhadas e contextualizadas das atividades do dia-a-dia do aluno e do mundo. Explicação oral e a exemplificação, além do estudo dirigido. Contextualizações da exposição
oral e sua história pessoal .
ESTRATÉGIAS RELACIONADAS À ATIVIDADES DIVERSIFICADAS 27 60,0
* Atividade em grupo. Cantinho da leitura e jogos. Produções e competições. Os alunos amam falar sobre o que sabem e o que pensam. Todas as estratégias em conjunto conduzem o educando à aprendizagem. Diálogo buscando a participação de todos. A eficácia do trabalho está na diversidade de estratégias. Jogos pedagógicos, quadro-giz, filmes, cartazes e trabalhos e grupos. Jogos didáticos estimulam e desenvolvem o conhecimento do aluno física e emocionalmente. Interpretações e dramatizações. Trabalhos em grupos, apesar da indisciplina que causa, desenvolve melhor a aprendizagem. Diálogo, atividades escritas, leitura e interpretação. Leitura e interpretação de gibis, jornais e revistas. Diálogo, atividades escritas, leitura e interpretação. O uso de material concreto e a musicalidade. Quando o professor consegue unir, por
exemplo Artes e Língua Portuguesa.
ESTRATÉGIAS RELACIONADAS À RECONSTRUÇÃO E
RESSIGNIFICAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS 3 6,7
* Aquela que deixa espaço pra o aluno pensar, buscar resposta despertando sua curiosidade. Construção e resolução de atividades desenvolvidas pelos próprios
alunos.
TOTAL 45 100,0
FONTE: Idem – Questão 03 – V Secção
Obs.: As porcentagens foram calculadas a partir do total de definições explicitadas e não a partir do números de professores pesquisados.
Na perspectiva de Piaget (2002b), o problema geral da educação está centrado na preparação dos professores, que é o aspecto de real mudança em qualquer reforma pedagógica. Como este professor, assim formado, poderá ensinar seus alunos se ele mesmo não sabe como acontece a passagem do processo quantitativo para o qualitativo? No entanto, esse paradigma tende a mudar, mesmo que lentamente, uma vez que a tabela 41, demonstrou um pequeno número; 6,7 % (seis vírgula sete por cento) de professores que aplicam e concebem como estratégia pedagógica eficaz aquela voltada à reconstrução e ressignificação de experiências, tema básico deste trabalho.
Se aprender, é construir conhecimento e desenvolver competências e habilidades, também é um dos seus objetivos a ampliação da autonomia do sujeito. No entanto, os resultados da pesquisa demonstraram que a aprendizagem ainda está intimamente centrada na motivação do professor. Se ele é motivado, ensina bem, se não, não é capaz de transmitir o conhecimento, com clareza, a outrem, conforme dados apresentados na tabela 42:
TABELA 42 - CONCEPÇÕES DE APRENDIZAGEM DISCENTE
CONCEPÇÕES QUANT. %
RELACIONADAS À MOTIVAÇÃO DOCENTE 31 49,2
Motivação por parte dos educadores, política educacional adequada e professores bem preparados. Quando tem boas aulas. Precisa de aulas dinâmicas, criativas, etc. O aluno aprende através das experiências, que são transmitidas pelo professor. Ter compromisso profissional respeitando as diferenças. O professor encontra maneiras e técnicas para ensinar atendendo as diferenças individuais. O professor deve insistir e nunca desistir de um aluno. O aluno aprende a ler lendo, escrever escrevendo, os conhecimentos precisam ser enriquecidos pelo professor. Boa formação profissional dos professores e muita dedicação. Preparo do professor, apoio da equipe escolar e apoio familiar. Estratégias e atividades diversificadas. Um professor que respeite a dificuldade do aluno. Motivação, interesse, participação de todos, interação. Disposição, criatividade, iniciativa e desenvolvimento de atividades que desenvolvam o raciocínio lógico do aluno. Professor bem remunerado. Ter alguém disposto a ensiná-lo e aprender com ele. Reconhecer suas dificuldades e superar os obstáculos que impedem a construção do conhecimento. Interesse e um bom conhecimento do professor com as tendências pedagógicas. Bom senso e conteúdos adequados. Professores mais capacitados nas áreas específicas. Aulas significativas e ampliação de conhecimentos. Interação entre professores e alunos.
RELACIONADAS À MOTIVAÇÃO DISCENTE 08 12,7
Em primeiro lugar, interesse do aluno. Motivação, interesse, participação de todos, interação. Tenha sido bem preparado nos anos anteriores. Participação efetiva e interesse do aluno. É preciso que o aluno seja motivado. Interesse e atenção dos alunos nas aulas. Alunos que queiram aprender. Amor, carinho, respeito e inovações. Valorização de seus conhecimentos e apoio familiar. O aluno precisa estar disposto a aprender.
RELACIONADAS À PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA ESCOLA 9 14,3
Quando a família incentiva. Participação da família, afeto, novas descobertas e melhoras didático-pedagógica. A família precisa cumprir seu papel de primeiros educadores e a escola precisa ensinar para formar cidadãos. O sistema é burocrático necessitando reformas inovadoras. A ajuda dos pais é essencial. É acompanhado em casa. Participação contínua da família na vida escolar de seus filhos. A família precisa cumprir sua função e a escola a dela. Participação contínua da família na vida escolar de seus filhos. Mais participação da família e interesse do professor e do aluno. Uma base familiar sólida, que trabalhe em conjunto buscando facilitar o aprendizado do aluno.
EXPERIÊNCIAS
O aluno aprende através das experiências. Ambiente propício, motivação e orientação adequada. Vivencia as múltiplas situações significativas em contextos adequados.
RELACIONADAS AO MATERIAL PEDAGÓGICO 5 7,9
É necessário material conveniente à cada conteúdo proposto. Metodologia adequada para que os resultados sejam satisfatórios. Material didático com bom planejamento, boas aulas, atenção e compreensão do professor. Material didático com inovação de técnicas.
RELACIONADAS À DISCIPLINA/INDISCIPLINA 7 11,1
Menos imposições inúteis da secretaria de educação que desconhece a realidade da escola. Disciplina, interesse, responsabilidade, respeito. Escola bem estruturada e bem administrada. Disciplina da turma e imposição do professor. Aplicação de punições em forma de castigo. Salas com números exatos de alunos.
Total 63 100,0
FONTE: Idem – Questão 05 – V Secção
Obs.: As porcentagens foram calculadas a partir do total de definições explicitadas e não a partir do números de professores pesquisados.
Há vários caminhos para se construir a aprendizagem do aluno. É preciso que cada objetivo a alcançar se dê o tempo e as oportunidades necessárias para que o aluno compreenda, com total clareza, a sua importância. E compreenda ainda como aqueles conhecimentos se articulam com outros saberes e com processos da vida real. Para que ele efetivamente aprenda, é fundamental que se crie a necessidade de aprendizagem, que será a força propulsora da mobilização das energias intelectuais e emocionais do aluno, no processo de construção do seu conhecimento.
A transmissão de conteúdos já foi demonstrada como a principal função do Ensino Fundamental por boa parte dos professores. Há aqueles que demonstram que o preparo para os desafios da vida, é a preocupação da escola. No entanto, não deixam de demonstrar a preocupação com os conteúdos, tornando-os foco principal da escola, especialmente no ensino fundamental. Transmitir conhecimentos é, sim, tarefa essencial da escola, mas não é a única atribuição que lhe cabe. Os próprios PCN’s e a atual LDB, Lei de nº. 9394/96, demonstram outras possibilidades, como a formação para a cidadania, para a ética, para a autonomia, dentre outras. Os dados da tabela 43, indica as principais competências e habilidades que a Educação Fundamental deve proporcionar aos alunos na concepção dos professores:
TABELA 43 – COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO ENSINO FUNDAMENTAL
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES APRESENTADAS QUANT. %
RELACIONADAS AOS CONTEÚDOS/CONHECIMENTOS 28 65,1
Capacidade de ler de forma produtiva e criativa. Ler, escrever e interpretar. Resolver as quatro operações. Conhecimentos necessários à sua formação intelectual e emocional. Saber pelo menos ler, interpretar, escrever e resolver cálculos mais simples. Um ponto de equilíbrio para ensinar ou modelar comportamentos, hábitos e atitudes. Dotar o aluno de conhecimentos científicos e preparar para os desafios futuros. Desenvolver as habilidades e inteligência múltiplas, fazendo o aluno a usá-las. Ler e escrever corretamente. Interpretar textos. Disciplina, ética, conhecimentos gerais, compromisso, valores morais, formador de opiniões. Domínio da leitura e interpretação de textos. Proporcionar somente conteúdos que vão servir para o futuro. Proporcionar e assegurar um sólido domínio dos conteúdos desenvolvendo consciência crítica. Conteúdos que vão ao encontro a sua realidade, acompanhando as mudanças sociais.
RELACIONADAS À PREPARAÇÃO PARA A VIDA 7 16,3
Deve proporcionar a melhoria da vida do aluno e da comunidade. O aluno deve estar encaminhado a convivência em sociedade podendo se comunicar, compreender e ser compreendido. Saber interpretar os acontecimentos diários buscando se posicionar de forma prática. Ser um cidadão crítico. Participação social e política.
RELACIONADAS À RECONSTRUÇÃO E RESSIGNIFICAÇÃO DE
EXPERIÊNCIAS 8 18,6
Criar e resolver problemas. Aprendizagem significativa. Que o professor saiba analisar o aluno como um todo, independente de nota. Caminhos para resolução de -problemas. Conhecimento significativo - cidadão crítico - criatividade. Seja capaz de produzir os próprios textos e resolver problemas dos textos criados. Deve proporcionar
aprendizagem significativa.
TOTAL 43 100,0
FONTE: Idem – Questão 07 – V Secção
Obs.: As porcentagens foram calculadas a partir do total de definições explicitadas e não a partir do números de professores pesquisados.
Nesta parte do trabalho, buscou-se apreender as concepções e práticas referentes ao processo ensino-aprendizagem, vivenciadas pelos professores do 5º Ano do Ensino Fundamental. Ficou evidente que houve inúmeros fatores positivos relacionados aos procedimentos pedagógicos adotados por eles durante as aulas. No entanto, alguns fatores evidenciados estão distantes de uma concepção construtivista, do processo ensino-aprendizagem, que visa construção sistemática do aprendizado do aluno. O professor deixa de ser o senhor do conhecimento e passa a ser o orientador do processo. No próximo item, serão demonstrados os resultados da intervenção intencionalmente planejada, na qual os alunos de um 5º ano construíram o conhecimento sobre frações, por meio da resolução de problemas, tendo como referência a Epistemologia Genética.
5.6. Ensino de frações: o processo embasado na própria experiência