3.4 Politics of Ideas and a Revised Failing Forward Argument
3.4.3 The Revised Failing Forward Argument
O discurso norteador, pelo menos teoricamente, é o de que a escola deve proporcionar formação integral (afetiva, moral, social e cognitiva) aos estudantes, nos diversos níveis de educação em que estão inseridos. O desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que um simples cérebro funcionando, pois deve também considerar as emoções e conhecimentos trazidos pelos alunos para dentro da sala de aula.
Piaget (1966), que se apresenta como o grande referencial para o presente estudo, deixa claro que o trabalho de educar crianças não se atém apenas e essencialmente à transmissão de conteúdos, como também ao favorecimento da atividade mental do aluno. Então, para uma prática voltada para a Epistemologia Genética, o mestre de Genebra aconselha que as escolas devam planejar suas atividades, de acordo com os estágios do desenvolvimento cognitivo. A criança de 9 a 10 anos de idade encontra-se no estágio das operações concretas. Daí a importância de atividades que valorizem esta etapa. Mas é importante lembrar que os modelos teóricos são sempre parciais e que, tomando por base os ensinamentos de Piaget, em particular, há a certeza de que não existem receitas prontas para a sala de aula.
A segunda parte do estudo feito com os professores visava levantar as concepções a respeito da prática pedagógica, buscando trazer para discussão a realidade vivenciada pelos 50 (cinqüenta) professores envolvidos na pesquisa. Para coletar dados que embasassem esta parte do estudo, 17 questões objetivas foram aplicadas, orientando o professor pesquisado a marcar a opção de resposta que mais se assemelhasse à sua vivência prática.
A primeira questão desta secção, tinha como objetivo verificar como os professores costumam conduzir diariamente suas aulas. Assim, as respostas explicitadas canalizaram para aulas centradas na exposição oral dos conteúdos, e na resolução de atividades do livro didático. Constatou-se que ao aluno cabe a tarefa de reprodução dos conteúdos livrescos e que o professor é o centro do processo ensino-aprendizagem, conforme os dados dispostos na tabela 5:
TABELA 5 – OS PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS USADOS NAS AULAS, NO COTIDIANO ESCOLAR.
Procedimentos Freqüência % Exposição oral dos conteúdos 36 34,6 Resolução de atividades do livro didático 35 33,7 Trabalhos em grupo 17 16,3 Filmes 7 6,7 Outros 9 8,7 Total 104 100,0
FONTE: Idem – Questão 01 – II Secção
A segunda questão teve como objetivo verificar a freqüência com que as tarefas de casa são passadas para os alunos. Observou-se, nas respostas explicitadas, uma supervalorização das tarefas, pois é comum os alunos realizarem tarefas quase que diariamente. Essa predominância reforça a prática da supervalorização do livro didático em sala de aula. É um fator que, em princípio, poder-se-ia caracterizar como positivo. No entanto, quando se observa o processo ensino-aprendizagem por reconstrução e ressignificação de experiências, com ênfase na orientação para que o aluno seja sujeito ativo do processo, percebe-se que os resultados otimizados não apontam para a resolução das tarefas que têm como objetivo um aprendiz manuseando seu material didático e sendo autor de sua própria aprendizagem. A mudança, portanto, exige uma postura contrária à prática
do aluno como mero expectador e repetidor de conteúdos já prontos e definidos. Os dados estão dispostos na tabela 6:
TABELA 6 – A FREQÜÊNCIA DAS TAREFAS DE CASA
Freqüência Freqüência % 4 vezes por semana 27 54,0 3 vezes por semana 13 26,0 2 vezes por semana 6 12,0 2 vezes por semana 3 6,0 1 vez por semana 0 0,0 Não costumo passar tarefas 1 2,0 Total 50 100,0
FONTE: Idem – Questão 02 – II Secção
O objetivo da terceira questão era o de perceber como se efetivava a construção do conhecimento em sala de aula. Então, observou-se que a exposição oral de conhecimento pelo professor foi novamente ressaltada. Mesmo apresentando certa contradição, a questão 3 evidenciou um número bastante significativo de professores que optou pela resposta, que identifica o ensino praticado com base na reconstrução e ressignificação de experiência, que é a construção dos conceitos realizado pelos próprios alunos, com a orientação do professor, os dados estão dispostos na tabela 7:
TABELA 7 – A CONSTRUÇÃO DOS CONCEITOS
Situação Freqüência % Construídos pelos alunos instruídos por você 27 37,0 Expostos por você e captados pelos alunos 26 35,6 Colocados no quadro-negro e copiados pelos alunos 8 11,0 Oriundos de textos fotocopiados e/ou livro didático 8 11,0 Outros 4 5,4 Total 73 100,0
FONTE: Idem – Questão 03 – II Secção
Como o objetivo principal do questionário era o de apreender a prática pedagógica na disciplina de matemática, a quarta questão buscava identificar os procedimentos usados nas aulas de matemática. O resultado também reforçou a
utilização diária do livro didático. A construção do conhecimento pelo próprio aluno ficou relegada para 2º plano. Aqui se observou que fica reforçada a idéia de que, no plano teórico, o professor supostamente encontra-se bem preparado, mas, na prática, a realidade é outra, conforme indicação dos dados dispostos na tabela 8:
TABELA 8 – OS PROCEDIMENTOS USADOS NAS AULAS DE MATEMÁTICA
Procedimentos Freqüência % Resolução de problemas do livro didático. 26 39,4 Construção de conceitos e fórmulas pelos alunos. 14 21,2 Dedução de fórmulas para aplicação nos exercícios. 10 15,2 Busca de significantes e significados das palavras. 6 9,0 Outros 10 15,2 Total 66 100,0
FONTE: Idem – Questão 04 – II Secção
A pesquisa evidenciou que os alunos, ao resolverem problemas, buscam encontrar soluções, individualmente. O trabalho proposto, em pares, pela reconstrução e ressignificação de experiências não é levado a cabo. Uma forte justificativa, por parte dos professores, é a de que o trabalho em duplas provoca indisciplina e o aluno perde o foco e o objetivo principal da aula, que é a aprendizagem. Esses professores, ao terem essa concepção, perdem um precioso momento de construção e socialização do conhecimento. Em muitos casos, um aluno consegue ajudar bem mais o colega do que o próprio professor, a questão da própria linguagem pode ser um fator decisivo, quando o assunto é aprendizagen. A linguagem usada pelos colegas pode proporciona um aprendizado mais avançado, do que quando centrado somente na figura do professor. A cultura da reprodução foi extremamente valorizada, conforme os dados apontam na tabela 9:
TABELA 9 – RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
Situação Freqüência % Individualmente 33 50,0 Em dupla 19 28,8 Em pequenos grupos 11 16,7 Outro 3 4,5 Total 66 100,0
FONTE: Idem – Questão 05 – II Secção
Buscando encontrar uma resposta para o ensino das frações efetivadas pelos professores do 5º ano do Ensino Fundamental, ficou evidente que os alunos têm a prática costumeira de manusear o material didático, fator extremamente importante para a aquisição do conhecimento. No entanto, percebeu-se que a maioria dos professores ainda privilegia a aula em que o aluno observa as transformações ocorridas no quadro-giz e, em seguida, reproduz o conhecimento no caderno, conforme dados indicados na tabela 10:
TABELA 10 – RECURSOS UTILIZADOS AO ENSINAR FRAÇÕES
Recursos Freqüência % Material concreto que é manipulado pelos alunos 25 32,5 Explicações no quadro de giz 20 26,0 Material concreto20 apresentado pelo professor 10 13,0
Material concreto já pronto e apresentado pelo professor 10 13,0 Material concreto visualizado pelos alunos 8 10,4 Outro 4 5,1 Total 77 100,0
FONTE: Idem – Questão 06 – II Secção
Uma das grandes queixas dos professores se refere às salas superlotadas. A sexta questão buscou investigar se, realmente, este é um dos impedimentos para que os professores desenvolvam um bom trabalho pedagógico. Verificou-se que a maioria dos professores ministra aulas em sala com número excessivo de alunos, o que vai de encontro ao disposto na Lei 9394/96, que determina um número máximo de 25 alunos por sala, nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Até que ponto a quantidade de alunos influencia no aprendizado da turma? O resultado desta questão aponta para uma possível necessidade de readaptação do cenário escolar, conforme os dados dispostos na tabela 11:
TABELA 11 – NÚMERO DE ALUNOS NAS SALAS DE AULAS Quantidade Freqüência % Menos de 25 alunos 2 4,0 Entre 25 e 30 alunos 5 10,0 Entre 31 e 36 alunos 24 48,0 Entre 37 e 42 alunos 16 32,0 43 ou mais alunos 3 6,0 Total 50 100,0
FONTE: Idem – Questão 07 – II Secção
Ao fazer o levantamento do número de alunos de cada professor buscava-se constatar se o desempenho acadêmico da turma era influenciado pela quantidade de alunos por sala. Nenhum professor avaliou o desempenho da turma como excelente, assim como nenhum avaliou como insuficiente. Então, pode-se afirmar que, na opinião dos professores, o número de alunos, não influenciou, pois tanto as salas superlotadas quanto as formadas por menor quantidade de alunos apresentaram, na percepção da maioria, o mesmo resultado; muito bom, conforme os dados indicados na tabela 12:
TABELA 12 – AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO ACADÊMICO DA TURMA Avaliação Freqüência % Muito boa 38 76,0 Regular 7 14,0 Ótima 5 10,0 Excelente 0 0,0 Insuficiente 0 0,0 Total 50 100,0
FONTE: Idem – Questão 08 – II Secção
Conforme foi relatado pelos professores investigados, o número de alunos não influencia no desempenho acadêmico da turma. No levantamento das principais dificuldades enfrentadas por eles na sua prática pedagógica, percebe-se um dado já conhecido de todos os educadores; a maior dificuldade enfrentada encontra-se centrada, basicamente, na aprendizagem dos alunos, aliada a uma das principais queixas, a indisciplina, conforme os dados apresentados na tabela 13:
TABELA 13 - MAIORES DIFICULDADES ENCONTRADAS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
Dificuldades Freqüência % Aprendizagem dos alunos 21 36,8 Indisciplina dos alunos 11 19,3 Falta de material didático 7 12,3 Falta de apoio pedagógico 5 8,8 Outra 13 22,8 Total 57 100,0
FONTE: Idem – Questão 09 – II Secção
Um dos pontos a serem investigados neste levantamento refere-se ao conhecimento da história de aprendizagem dos alunos que cursam o 5º ano do Ensino Fundamental, tendo em vista que é comum o professor alegar que o aluno chega até este ano sem pré-requisitos de conteúdos básicos. É comum também, os professores não assumirem as falhas no processo de ensino e muitos ainda garantem que cumprem todo o conteúdo previsto no 5º ano, alegando que o problema nos anos anteriores. Levando em conta essa realidade, a décima questão pretendeu levantar dados para identificar como os professores relatam o desempenho de cada aluno no início do 5º do Ensino Fundamental. Os dados estão apresentados na tabela 14:
TABELA 14 – PREPARO ESCOLAR DO ALUNO NO INÍCIO DO ANO
Situação Freqüência % Razoavelmente preparados 33 66,0 Com grandes deficiências 13 26,0 Bem preparados 2 4,0 Sem qualquer tipo de preparo 2 4,0 Total 50 100,0
FONTE: Idem – Questão 10 – II Secção
Constatado que o aluno chega ao 5º ano do Ensino Fundamental com algumas deficiências, observa-se que a trajetória, do mesmo, na concepção dos professores pesquisados, não é tão cheia de louvores. Vale lembrar que não houve a intenção de encontrar “culpado” pelos índices de aprendizagem encontrados. Ao questionar o professor sobre como os alunos se encontram, do ponto de vista do aprendizado ao final do 5º ano, observou-se que nenhum professor aponta
deficiência, não assumindo, dessa forma, sua participação no fracasso escolar. Essa constatação, reforça, o que a literatura tem mostrado que o professor assume o sucesso e não o fracasso do aluno, conforme os dados apresentados na tabela 15:
TABELA 15 – PREPARO ESCOLAR DO ALUNO AO FINAL DO ANO
Situação Freqüência % Razoavelmente preparados 30 63,8 Bem preparados 17 36,2 Com grandes deficiências 0 0,0 Sem qualquer tipo de preparo 0 0,0 Total 47 100,0 FONTE: Idem – Questão 11 – II Secção
A décima segunda questão buscou evidenciar o método didático mais utilizado pelo professor e investigar sua influencia no aprendizado do aluno. Percebeu-se que não se pratica um método específico. A maior freqüência ficou entre os mais conhecidos dos professores brasileiros, o construtivista e o tradicionalista. Não é possível afirmar, no entanto, se o professor conhece a fundamentação teórica dos métodos citados, sobretudo o construtivismo, bem como seus modos de operacionalização, já que ambos têm suas bases epistemológicas, teóricas e metodológicas diferentes, não sendo possível desenvolver o ensino com ora um ou ora outro. Muitos alegaram que não tiveram oportunidade de conhecer estes métodos na sua formação acadêmica. Os dados estão dispostos na tabela 16:
TABELA 16 – O MÉTODO DE ENSINO MAIS UTILIZADO
Método Apresentado Freqüência % Tradicionalista 6 12,0 Construtivista 4 8,0 Ora um, ora outro 36 72,0 Nenhum dos dois 0 0,0 Outro 4 8,0 Total 50 100,0
FONTE: Idem – Questão 12 – II Secção
Ao fazer o levantamento das palavras que são relacionadas ao construtivismo, verificou-se que a maioria dos professores conhecem, pelo menos teoricamente, as palavras-chave do construtivismo. No entanto, observou-se,
também, que o cenário encontrado apresenta falta de identidade com o método. Houve uma canalização de respostas, em sua maioria corretas, mas, na prática, os procedimentos do construtivismo não são utilizados pelos professores. Muitos podem ter marcado as opções, não porque realmente aplicam o método, mas porque suas características são amplamente difundidas no campo da educação. Os dados estão dispostos na tabela 17:
TABELA 17 – TERMOS GERADORES DO CONSTRUTIVISMO
Termos Freqüência % Interação 29 28,5 Criatividade 25 24,5 Reconstrução e ressignificação de Experiências 15 14,7 Autonomia 13 12,7 Liberdade 11 10,8 Trabalho 6 5,9 Indisciplina 3 2,9 Total 102 100,0
FONTE: Idem – Questão 13 – II Secção
Dialogar, no espaço e no tempo, com as teorias de Piaget, buscando entender seus ensinamentos, é uma coisa. Atuar cotidianamente e estabelecer, na prática, os princípios por ele proposto, com o embasamento necessário, depende, e muito, dos limites, das possibilidades e das condições do professor e do contexto escolar para que se possa dar visibilidade e lugar a tais conceitos e práticas. Ao se fazer o levantamento acerca das concepções sobre essa teoria, tinha-se o intuito de identificar qual a periodicidade da sua utilização em sala de aula. É previsto que seria algo casual, pois havia sido evidenciado que os professores não lançaram mão de um método pedagógico definido. No entanto, os dados coletados apontaram uma grande contradição, pois a maioria do grupo definiu que a teoria piagetiana é parte integrante das suas aulas, demonstrando que o professor mais uma vez foi levado pelo que é difundido no campo da educação e não por sua prática cotidiana, conforme os dados que estão dispostos na tabela 18:
TABELA 18 – UTILIZAÇÃO DA TEORIA DE JEAN PIAGET
Situação apresentada Freqüência % É parte integrante de minhas aulas 30 61,3 É algo distante de minha realidade 13 26,5 Nunca ouvi falar 0 0,0 É pouco Interessante 1 2,0 Outro 5 10,2 Total 49 100,0
FONTE: Idem – Questão 14 – II Secção
Uma das grandes metas da política educacional brasileira é a de acabar com o fracasso escolar. É inadmissível que alguns alunos alcancem determinados níveis de escolarização sabendo muito pouco do que é necessário. A décima quinta questão buscou sondar quais os principais motivos atribuídos ao fracasso escolar. Não foi encontrado nenhum dado novo aqui. Os professores se queixam da pouca participação da família na escola, considerado fator decisivo para o sucesso escolar do aluno. Queixam-se, ainda, que a cada dia está mais difícil ensinar, pois os alunos encontram-se desmotivados e desinteressados. Um dado, pequeno, porém necessário para análise é o de 2,7% (dois vírgula sete por cento) indicando a participação do professor na produção do fracasso escolar dos alunos. Na visão do professor, há sempre outros fatores mais determinantes do que sua própria atuação. Mais uma vez o professor não demonstrou responsável pelo fracasso do aluno, conforme os dados que estão dispostos na tabela 19:
TABELA 19 – CAUSAS ATRIBUÍDAS AO FRACASSO ESCOLAR
Causas Freqüência % Pouca participação da família na escolarização do filho. 32 43,3 Alunos estão cada vez mais desmotivados e
desinteressados. 20 27,0 A política nacional tem responsabilidade com o fracasso
escolar. 16 21,6 Os professores estão ensinando pouco. 2 2,7 Outras respostas 4 5,4 Total 74 100,0
FONTE: Idem – Questão 15 – II Secção
O aluno é a peça chave do processo ensino-aprendizagem. Os professores apontaram, na décima sexta questão, que uma aula ideal só acontece quando o
aluno é participativo. Dois fatores sobressaíram sobre os demais e foram extremamente valorizados pelos professores pesquisados: a participação e o interesse dos alunos. E, não há como negar, a participação do aluno pode ser fator decisivo de uma aula de qualidade. No entanto, diante de tanta adversidade vivenciada no cenário escolar, o professor não pode ficar preso apenas a essa constatação. Cabe também ao professor estabelecer relações com os alunos de modo a angariar sua simpatia e comprometê-los com o processo ensino- aprendizagem, conforme os dados que estão dispostos na tabela 20:
TABELA 20 - CONCEPÇÃO ACERCA DA AULA IDEAL
Concepções Freqüência % Participação e interesse dos alunos 39 59,2 Trabalho em grupos e produção de aprendizagem 23 34,8 Realização das tarefas exigidas 2 3,0 Silêncio em sala de aula 1 1,5 Outras respostas 1 1,5 Total 66 100,0
FONTE: Idem – Questão 16 – II Secção
Todo profissional de educação, para se preparar para uma função específica, necessita passar pelos bancos dos cursos de graduação. Os motivos que os levam a enfrentar o desafio do estudo são os mais diversos possíveis. Alguns estão motivados pelos salários, que vão aumentar, outros buscam novas estratégias para ensinar. Para os professores investigados, sua formação acadêmica representou, sobretudo, novas descobertas e melhoras na formação didático-pedagógica. Os dados estão dispostos na tabela 21:
TABELA 21 – SIGNIFICADOS ATRIBUÍDOS À FORMAÇÃO ACADÊMICA
Significados Freqüência % Novas descobertas e melhoras na formação didático-
pedagógica 43 69,3 Melhora no salário e valorização profissional 12 19,4 Poucas descobertas, contribuindo pouco na formação
didático-pedagógica 6 9,7 Sem contribuição à minha formação profissional. 0 0,0 Outros significados 1 1,6 Total 62 100,0
Tendo em vista o grande avanço e alcance da tecnologia de ponta, nos dias atuais, ministrar aulas e manter o aluno interessado nos conteúdos desenvolvidos no cotidiano escolar não é uma tarefa fácil. As queixas são inúmeras. De um lado reclamam os professores a respeito da indisciplina e pouco interesse dos alunos e, de outro, reclamam os alunos das aulas “maçantes” e sem atrativos, ministradas pelos professores. Na verdade, não sendo o objetivo da pesquisa, acaba-se canalizando, mesmo que indiretamente, para um culpado pelos resultados ruins encontrados na educação básica. Para o professor do 5º ano do Ensino Fundamental, a situação não é diferente. Alguns chegam a afirmar: “eu queria ensinar de forma diferente, mas preciso cumprir toda a determinação do currículo”. O currículo, então, passa a ser o grande entrave para uma educação humanizadora e libertária, como preconizou Freire (1982). Assim, torna-se interessante apreender, no contexto desta pesquisa, as concepções sobre currículo que os professores pesquisados têm.