Analisando o poder em sua estreita relação com a verdade, Foucault (1979) caracteriza o poder não apenas como repressivo, mas também como disciplinador e normalizador, fruto de uma rede de relações de poderes moleculares que se propaga na sociedade. Os aspectos fundamentais do poder estão presos aos rituais das novas práticas sociais e aos procedimentos detalhados das instituições sociais e políticas. Com esse entendimento, Foucault (1979, p. 14) diz que: “A verdade está circularmente ligada a sistemas de poder, que a produzem e apóiam, e a efeitos de poder que ela induz e que a reproduzem. ‘Regime’ da verdade”. Os aspectos essenciais do poder estão presos aos rituais das novas práticas sociais e aos procedimentos minuciosos das instituições sociais e políticas que produzem esse regime de verdade. A concepção tida como verdade não necessariamente deve ser aceita mas apresentada como algo fornecido para experiências ou comprovações futuras.
Desse modo, cada sociedade tem a possibilidade de formular sua política geral de verdade, sendo propagada entre os sujeitos. Significa dizer que ela produz e faz funcionar tipos de discursos tornando-os verdadeiros. No entanto, para o funcionamento das tidas verdades, precisa-se observar, cuidadosamente, os mecanismos, as instâncias, as técnicas e os procedimentos que as validam em determinada sociedade. Foucault (1979, p. 13) destaca as cinco características historicamente importantes na concretude dessa política:
[...] a ‘verdade’ é centrada na forma do discurso científico e nas instituições que o produzem; está submetida a uma constante incitação econômica e política (necessidade de verdade tanto para a produção econômica, quanto para o poder político); é objeto, de várias formas, de uma imensa difusão e de um imenso consumo (circula nos aparelhos de educação ou de informação, cuja extensão no corpo social é relativamente grande, não obstante algumas limitações rigorosas); é produzida e transmitida sob o controle, não exclusivo, mas dominante, de alguns grandes aparelhos políticos ou econômicos (universidade, exército, escritura, meios de comunicação); enfim, é objeto de debate político e de confronto social (as lutas ‘ideológicas’).
Verifica-se que a especificidade política da verdade não se centra no intelectual ou mesmo em suas produções científicas, mas aparece como um ser ocupante de uma posição
específica e se encontra exercendo um papel na propagação do dispositivo de verdade em nossa sociedade. Para Foucault (1979), o intelectual possui uma tripla especificidade que se relaciona à sua posição de classe ligada ao capitalismo, suas condições de vida e de trabalho, bem como sua especificidade da política de verdade (como encaminha os debates políticos para concretude das verdades). Nessa perspectiva, Foucault (1979, p. 13) apresenta o combate no processo de construção da verdade:
Há um combate ‘pela verdade’ ou, ao menos, ‘em torno da verdade’- entendendo-se, mais uma vez, que por verdade não quero dizer ‘o conjunto das coisas verdadeiras a descobrir ou a fazer aceitar’, mas o ‘conjunto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui ao verdadeiro efeitos específicos de poder [...]’.
De modo mais amplo, é válido afirmar que não se trata de um combate que privilegie somente a verdade, mas em torno do estatuto da verdade e do papel econômico-político que ela concretiza na sociedade contemporânea. Nessa perspectiva, os intelectuais encontram-se envolvidos em problemas políticos que não privilegiam especificamente os termos ciência e
ideologia, mas sim verdade e poder. Nesse caso, a dicotomia entre os termos retoma um
antigo questionamento entre o trabalho manual e intelectual, bem como a contribuição destes na configuração da verdade no processo de elaboração e propagação da verdade. De maneira especifica, Foucault (1979, p. 191) critica a compreensão do poder enquanto corpus puramente repressor, considerando que “o uso da noção de repressão como carro-chefe da crítica política fica viciado, prejudicando de antemão pela referência – jurídica e disciplinar – à soberania e à normalização”. Em suas análises, Foucault (1979) procurou superar a noção de repressão (baseada na teoria marxista) e ampliar a noção de poder como um mecanismo, fruto das relações de forças silenciosas. Para ele, o poder não está reduzido aos meios repressivos. Desse modo, o poder impede o devir, ele também é uma possilidade de criar novos devires, por meio dos movimentos de resistência que lhe são próprios, pois a mecânica do poder possui reflexos muito mais amplos. O que deve observar são os efeitos do poder que condicionam as práticas sociais.
O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem. O
poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centro de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles (FOUCAULT, 1979, p. 183).
Portanto, o sujeito, ao utilizar o próprio corpo, gestos, discursos e desejos, expressa os efeitos do poder. Nesse caso, o que sobressai são os efeitos do poder. O sujeito participa como centro de transmissão, exercendo-o ou mesmo sendo submisso a este. Assim, o poder só se constitui ou se materializa em relações sociais determinadas por crenças que são originadas das relações de força entre os sujeitos, considerando primordialmente as condições para sua produção. Trata-se das relações de forças silenciosas que podem ser expressas em estratégicas e táticas utilizadas pelos sujeitos. Foucault (1979) ainda critica a ideia de que o conhecimento é poder, afirmando que o conhecimento só servirá para o poder, se o sujeito recebê-lo e souber utilizá-lo para intervir nas relações sociais. Complementando as concepções de Foucault (1979), Popkewitz (1997, p. 38) ressalta que: “O poder circula através da macroestrutura do Estado e da microestrutura do indivíduo”. Melhor dizendo, o Estado possui uma dimensão de atuação maior (intervindo, e, muitas vezes, determinando a vida de inúmeras pessoas), enquanto que, no campo individual, um sujeito atua em uma dimensão bem menor interferindo, apenas, entre os mais próximos. Ao considerar o pensamento de Foucault (1979), Popkewitz (1997, p. 38) diz que:
[...] o poder está inserido nos sistemas governantes de ordem, apropriação e exclusão, pelos quais as subjetividades são construídas e a vida social é formada. Isso ocorre em múltiplos níveis da vida diária desde a organização das instituições até a autodisciplina e regulamentação das percepções e experiências que regem os atos individuais.
Significa assegurar que o poder acontece não apenas em ambientes onde as relações de poder estão mais evidentes, como é o caso do Estado, mas também nas relações diárias entre os indivíduos, que são movidos por relações de forças silenciosas. Tal aproximação reflexiva leva a compreender que as concepções individuais e a vida social são construídas a partir das relações entre os sujeitos, que podem ser propagadas, formando e determinando as práticas sociais e individuais de outros. Ao exercer poder, o sujeito não precisa apenas possuir determinados recursos, mas também saber utilizá-los, orientando-os de acordo com
seus interesses, estímulos ou motivações. Foucault vê o poder como instância criadora em constante processo de regulamentação das ações impetradas pelos sujeitos. Para a compreensão ampla do poder, deve-se considerá-lo como uma prática social constituída historicamente e não apenas um objeto natural imposto aos sujeitos.
Ainda é lícito ressaltar que, para Foucault (1995), o exercício do poder como forma de ação sobre as ações dos outros inclui um elemento importante: a liberdade, ou seja, ele é efetivado pelos indivíduos livres. Uma vez livres, não há relação de poder em que as determinações estão saturadas, como na escravidão, referentes a uma relação física de coação e não de uma relação de poder. A liberdade emerge, portanto, como condição de existência da relação de poder, e não como contraditória a ela.
A concepção foucaultiana apoia-se na visão de que a verdade e o poder encontram-se mutuamente interligados por meio de práticas contextualmente específicas. Essa relação entre a verdade e o poder, por sua vez, está atrelada à produção do discurso que se torna regulado, selecionado, organizado e redistribuído, acumulando poderes e perigos em qualquer organização social. Deve-se, ainda, considerar as relações de classes que impõem aos sujeitos determinadas posições políticas e ideológicas, instituindo formações discursivas influentes entre si, que restringem o que pode e o que não pode ser dito (particularmente no âmbito da política e da sexualidade). Vale salientar que, nos campos sociais da política e da sexualidade, os discursos são mais controlados, por isso definem de maneira mais específica o que pode e não pode ser anunciado no discurso. Foucault (2009b, p. 8-9) faz uma reflexão sobre a produção do discurso:
[...] suponho que em toda sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjugar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, equivocar sua pesada e temível materialidade.
Nessa perspectiva, a formação do discurso necessita ser observada em meio à submissão das regras que a constituem, tendo o cuidado em não reduzi-lo apenas a um componente ou mesmo procedimento do poder. Assim sendo, a linguagem dos discursos prolifera indefinidamente e disciplina a sociedade. O poder torna-se oculto e muitos de nós não se identificam, na verdade, como ele se constitui. Pode-se correr o risco de um discurso
libertador/emancipador se tornar opressor. Por isso, Foucault (2009b, p. 10) trata de maneira mais ampla a formação do discurso, ao dizer que:
[...] o discurso – como a psicanálise nos mostrou – não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo; é também, aquilo que é o objeto do desejo; e visto que – isto a história não cessa de nos ensinar – o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.
O poder, também, caracteriza-se enquanto objeto de desejo além de satisfazer determinadas vontades, interesses individuais. O discurso configura-se como um objeto de desejo subordinado ao poder que se deseja. Assim, os sujeitos passam a aprender ideias e valores no sentido de ratificar um discurso considerado como válido pela família, pelas instituições, particularmente os estabelecidos escolares. Por consequência, tais discursos têm o poder de ditar aos sujeitos o papel de que necessitam desempenhar na sociedade. A formação do discurso coercivo e universal impõe ao homem um caminho que direciona a verdade; tal caminho deve ser seguido e interessa ao poder. Nessa concepção, o discurso escamoteia a verdade e a que sobressai é a do sujeito que possui o poder, legitimando uma verdade socialmente aceita. Portanto, o discurso encontra-se no paralelo entre o desejo e o poder. Foucault (2009b, p. 10) enfatiza que “por mais que o discurso seja bem pouca coisa, as interdições que o atingem revelam logo, rapidamente, sua ligação com o desejo e com o poder”. A essência do discurso está atrelada ao que se almeja dizer e ao que institucionalmente é permitido revelar.
Na relação entre o desejo e o poder, Foucault (2009b, p. 19) define três tipos de exclusão direcionada ao discurso “a palavra proibida, a segregação da loucura e a vontade de verdade [...]”. Vale ressaltar que o discurso possui uma mecânica interna e externa sendo subsidiado por procedimentos de diversa natureza. Há séculos, os sujeitos orientam-se na busca da verdade como a intensificação de procedimentos externos. De maneira mais ampla, é válido afirmar que nunca cessou essa vontade de verdade; pelo contrário, ela se torna cada vez mais profunda e incontornável e perpassa a seleção e proibição das palavras, bem como a segregação da loucura. Essas últimas encontram-se, cada vez mais frágeis, pois são modificadas e fundamentadas pela vontade de verdade que, ao longo dos anos, se intensificam e aprofundam sua necessidade.
Por consequência, a vontade de verdade está atrelada ao desejo e ao poder, uma vez que pode orientar-se por impulsões politicas e econômicas de certos grupos não reveladoras do contexto social ao qual o discurso da verdade vem sendo formulado. Melhor dizendo, a vontade de verdade pode responder, apenas, aos intentos de determinados grupos de intelectuais que instituem um poder de coerção da realidade social concreta. A vontade de verdade para se tornar realmente reveladora necessita ser contra a própria verdade instituída socialmente. Segundo Foucault (2009b, p. 20):
O discurso verdadeiro, que a necessidade de sua forma liberta do desejo e libera do poder não pode reconhecer a vontade de verdade que o atravessa; e a vontade de verdade, essa que se impõe a nós há bastante tempo, é tal que a verdade que ela quer não pode deixar de mascará-la. [...] só aparece aos nossos olhos uma verdade que seria riqueza, fecundidade, força doce e insidiosamente universal.
No interior do jogo social, existem possibilidades de adequar determinado discurso a um contexto específico. Existem discursos excluídos em certo contexto, no entanto é fruto do desejo dos sujeitos. Ao longo dos anos, são instituídos “procedimentos de controle e de delimitação do discurso” (FOUCAULT, 2009b, p. 21). Esses procedimentos e delimitações impostos ao discurso são subsidiados por sistemas de exclusão que direcionam a ordem do discurso colocando em jogo o poder e o desejo. Ainda Foucault (2009b, p. 21) define outro grupo de procedimentos internos que ordenam o discurso.
[...] Procedimentos internos, visto que são os discursos eles mesmos que exercem seu próprio controle; procedimentos que funcionam, sobretudo, a título de princípios de classificação, de ordenação de distribuição, como se tratasse, desta vez, de submeter outra dimensão do discurso: a do acontecimento e do acaso.
Os procedimentos internos para a produção do discurso remetem à dimensão do acontecimento e do acaso para a definição das regras do jogo. Nesse ínterim, o comentário apresenta-se no cotidiano (trocas diárias de falas em nosso sistema de cultura), bem como os originados de atos novos de falas retomadas de maneiras diferentes sempre com suas limitações temporárias. O comentário permite articular de maneira silenciosa o que foi dito
em um texto primeiro. O novo está presente no acontecimento de sua volta, de sua retomada. Segundo Foucault (2009b, p. 29), “o comentário limitava o acaso do discurso pelo jogo de uma identidade que teria a forma da repetição e do mesmo. O princípio do autor limita esse mesmo acaso pelo jogo de uma identidade que tem a forma da individualidade e do eu”. Nesse caso, o comentário é concebido, apenas, como um ponto de partida para proposições novas.
Há outros procedimentos que permitem o controle dos discursos relacionados ao acontecimento e ao acaso. É necessário compreender as condições de seu funcionamento para a produção e o controle dos discursos. Certamente, essas condições estão embrincadas ao acontecimento e ao acaso. No entanto, não significa dominar o poder exercido pelos sujeitos, tampouco os acasos de sua aparição. O controle do discurso impõe aos sujeitos certo número de regras e delimita a acesso a elas, instituindo recursos infinitos para a criação dos discursos. De acordo com Foucault (2009b, p. 37), a “rarefação, desta vez dos sujeitos que falam; ninguém entrará na ordem do discurso se não satisfazer a certas exigências ou se não for, de início, qualificado para fazê-lo”.
Significa submeter-se às regras do jogo delimitadas por determinada disciplina nas condições de acesso ao sistema não podendo permanecer na mera repetição do comentário. O comentário passa a desempenhar um papel de fundamental importância para a reflexão de seu próprio discurso e ampliação destes de acordo com as condições sociais, políticas e econômicas de determinado contexto. A determinação das condições de funcionamento do discurso somente será validada se satisfizer as regras estabelecidas socialmente. Assim, o sujeito, para se inserir na ordem do discurso, precisa, além de reconhecer seus procedimentos, qualificar-se para melhor utilizá-lo.
A ordem do discurso encontra-se atrelada às autorizações sociais dadas para concretização de determinadas falas. A liberdade de fala pode ser reprimida ou mesmo sancionada no interior de instituições sociais, como, por exemplo, escolas e quartéis. O ordenamento funcional historicamente constituído dessas instituições impõe um modelo organizativo baseado no controle, particularmente, coercitivo. Nesses espaços, as ações linguísticas e corporais constituem os mecanismos de definição e de organização da
mecânica do poder. Por consequência, as diversas instituições sociais delimitam a
hierarquização do poder com autorização exercida por determinados sujeitos que impõem uma disciplina organizativa repressora. De acordo com Foucault (2009c), a disciplina bestabelece uma nova anatomia política para a efetivação do exercício do poder utilizado
por determinados sujeitos que se encontram em posição privilegiada (autorização ou qualidades de fala) na instituição social.
Encontramo-los em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde nas escolas primárias; investiram lentamente o espaço hospitalar; e em algumas dezenas de anos reestruturam a organização militar. Circularam às vezes muito rápido de um ponto a outro (entre o exército e as escolas técnicas ou os colégios e liceus), às vezes lentamente e de maneira discreta (militarização insidiosa das grandes oficinas) (FOUCAULT, 2009c, p. 134).
A disciplina impõe uma anatomia política que detalha as ações oriundas dos efeitos do poder em um corpo organizativo próprio. Ainda estabelece uma arte das distribuições do poder de maneira minuciosa e, muitas vezes, não perceptíveis, mas com intensos efeitos ideológicos perpetuados ao longo dos anos. Constata-se que a escola apresenta-se como uma instituição social que possui inúmeros mecanismos para concretização da disciplina no interior de um conjunto de elementos obrigatórios. Esses elementos colocados de maneira sutil promoveram, no sistema educativo, uma mutação do regime punitivo, em que as coerções são, muitas vezes, ocultadas, em certas situações ideológicas. Somente serão perceptíveis esses elementos da disciplina se houver minuciosamente a análise detalhada de suas diversas dimensões e efeitos. Desse modo, vale dizer que a disciplina é a anatomia política da análise desses detalhes (FOUCAULT, 2009c).
Para a materialização da disciplina, existe um investimento político sutil com formulação e difusão de técnicas minuciosas que interagem entre si, instituindo uma correlação de forças inerentes à concretude da mecânica do poder com elos inquestionáveis. O detalhe instituído na constituição dessa correlação de forças estabelece técnicas minuciosas que estão relacionadas ao corpo e à elevação de capacidades dos sujeitos. Significa dizer que essas técnicas representam um investimento político e detalhado relacionado ao corpo com o intuito de produzir aptidão aumentada e dominação acentuada. As instituições educativas apresentam diversos mecanismos sutis que instituem correlações de forças próprias da mecânica do poder como, por exemplo, horário definidos, organização própria e rígida baseada na hierarquização das funções, saberes e capacidades de alunos e funcionários. Foucault (2009c, p. 141-142) apresenta os mecanismos presentes nas instituições educativas para a concretude das relações de poder:
[...] conjunto de alinhamentos obrigatórios, cada aluno segundo sua idade, seus desempenhos, seu comportamento, ocupa ora na fila, ora outra; ele se desloca o tempo todo numa série de casas; umas ideais, que marcam uma hierarquia do saber ou das capacidades, outras devendo traduzir materialmente no espaço da classe ou do colégio essa repartição de valores ou dos méritos.
As instituições educativas são conduzidas por um conjunto de alinhamentos obrigatórios correlacionados, com um ordenamento funcional que impõe um modelo organizativo baseado no controle. As relações no sistema educativo são subsidiadas por técnicas de poder e um processo de saber. O processo de saber põe-se em correlação com diversos mecanismos organizacionais, tais como: fileiras, hierarquia e vigilância. Essa correlação institui um sistema de organização que, diversas vezes, promove concretização da “mecânica do poder” em sentido restrito e limitador. De maneira mais ampla, a escola estabelece algumas autorizações sociais pouco questionadas pelos sujeitos. Nesse caso, a escola é considerada detentora de conhecimentos associados, espaços complexos, tempo arquiteturais, funcionais e hierárquicos, impondo ligações operárias (com lugares e valores definidos) ao promover certa obediência aos indivíduos.
Nas instituições educativas, é notória a ênfase atribuída à disciplina, já que é orientada por diversos procedimentos com regras de localizações funcionais e temporais de ações voltadas ao controle das atividades e horários. Ainda se observa que esses mecanismos influenciam outros arranjos que corroboram ações sincronizadas do corpo com gestos para a