4.4 Populisme slik det kjem til syne i partiprogrammet vedteke i 2017
4.4.1 Krav om direkte demokrati – folkerøysting
Vigotski (1926/2003) comenta que “os marcos da educação nunca se abriram tão amplamente como agora, quando a revolução empreende a reeducação de toda a humanidade e cria na própria vida uma orientação clara para a educação” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 302, grifo nosso).
O termo reeducação tem importância tanto política quando pedagógica. No âmbito político, a formação de um novo homem para uma nova sociedade. No âmbito pedagógico, a formação da personalidade social da criança, ou a reeducação de suas reações e tendências sociais, conhecendo-se cientificamente as reações, a conduta.
Vigotski (1926/2003) considera que a criança, como um organismo em crescimento, não pode ser deixada ao sabor do jogo dos estímulos sociais diversos. A educação formal é uma instituição social que deveria intervir nesse processo cotidiano de formação de reações que vem desde o início da vida da criança.
A educação nunca se inicia em um terreno vazio, nunca começa a forjar reações totalmente novas, nunca realiza o primeiro impulso. Ao contrário, sempre parte de formas de comportamento já dados e preparados e se refere apenas às suas modificações, sempre tende a modificar, porém, nunca a criar algo totalmente novo. Nesse sentido, a educação é a reeducação do que já foi realizado. Por isso, a primeira exigência de qualquer educação é o conhecimento absolutamente preciso das formas de comportamento herdadas, pois sobre elas se erigirá a esfera pessoal da experiência. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 283, grifo nosso)
Vigotski parte de uma análise interessante para discutir esse assunto. Comenta que, na linguagem popular, o termo reeducação tem o sentido de “reelaboração profunda, a reorganização dos sistemas de reações já existentes” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 81). Assim sendo, comenta que precisariam de reeducação um delinquente, um portador de doença mental, etc. No entanto, cientificamente, apresenta outra compreensão desse assunto:
Por outro lado, do ponto de vista científico, em todos os casos seria mais acertado falar precisamente de reeducação, porque, psicologicamente, estamos diante da formação de vários vínculos novos dentro de um sistema de comportamento previamente formado. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 81-82) Vigotski (1926/2003) comenta que tanto a um delinquente quanto a uma pessoa fazendo o curso de datilografia, pode-se aplicar a palavra reeducação, conforme seu entendimento psicológico acima esboçado.
Temos, portanto, uma compreensão ampla de reação. Não se trata somente de aprendizagem ou formação de novos hábitos, mas, de formação humana. No caso, o comportamento está diretamente ligado ao processo de interação das pessoas ao meio em que vivem. A reeducação é uma parte importante do processo de desenvolvimento da criança.
Vigotski coloca que o terreno da vida é amplo, e sua extensão formadora é complexa. Nele a criança vai formando suas condutas de maneira diversa. Sobre isso, Vigotski tem sua opinião:
Portanto, não concordamos com o fato de deixar o processo educativo nas mãos das forças espontâneas da vida. Nunca poderemos calcular antecipadamente que elementos da vida predominarão em nosso educando, para que este não termine como uma caricatura da vida, isto é, como uma coleção completa de seus aspectos ruins e negativos. Em nossas ruas há muita escória e lama ao lado do belo e sublime, e deixar o desenlace da luta pela via final da criança no livre jogo dos estímulos é tão insensato quanto se lançar ao oceano e entregar-se ao livro jogo das ondas pra chegar à América. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 77)
Os primeiros anos da Revolução de Outubro, em termos de conjuntura política e social, foram bastante tumultuados.
Mas, vemos uma postura filosófica e política de Vigotski que realça a defesa da Escola como ambiente intencionalmente orientado para a formação de novas reações no comportamento da criança; da educação como seleção social na formação da personalidade da criança. Nota-se, também, que Vigotski evoca Sherrington ao falar do desenlace da luta pela via final, em face do jogo dos estímulos da vida.
No caso da educação, Vigotski entende que criança deixada por ela mesma no jogo dos estímulos da vida, é um descuido social com sérias consequências na formação da personalidade social da criança, de suas reações aprendidas. Nesse ponto, vale citar novamente como Vigotski define educação escolar:
Portanto, a educação pode ser definida como a influência e a intervenção planejadas, adequadas ao objetivo, premeditadas, conscientes, nos processos de crescimento natural do organismo. Por isso, só terá caráter educativo o estabelecimento de novas reações que, em alguma medida, intervenham no processo de crescimento e os orientem (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 82)
Para Vigotski a educação assume um caráter diretivo na formação e no desenvolvimento da criança, na sua relação com a vida, atuando tanto no seu desenvolvimento natural, intervindo no sistema de suas reações formadas ou em formação. Em sua psicologia pedagógica, Vigotski tem uma perspectiva própria dessas questões:
É verdade que educamos para a vida, que esta é o árbitro supremo, e que nossa meta não é inocular virtudes escolares especiais, mas comunicar hábitos e capacidade de viver. [É verdade que] a incorporação à vida é nosso objetivo final, mas na vida existem hábitos muito diferentes e essa incorporação pode ter características muito diversas. Não podemos assumir uma atitude indiferente nem igual com relação a todos os seus elementos, nem podemos
dizer que sim a tudo, só porque isso existe na vida. Portanto, não concordamos com o fato de deixar o processo educativo nas mãos das forças espontâneas da vida. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 77)
Para Vigotski (1926/2003), o processo educativo precisa se valer de leis, de conhecimentos científicos específicos sobre o fato educativo, para melhor cumprir sua tarefa de formação humana.
O contexto histórico reforçava o conhecimento científico, incluindo seu debate no campo da teoria educacional. Vigotski estava atento a isto:
À medida que, no mundo dos conhecimentos científicos, o próprio processo pedagógico está se transformando, modifica-se também a noção relativa ao fundamento e à natureza da educação. Acima de tudo, amplia-se o próprio conceito de educação (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 301).
As práticas educativas surgidas nas primeiras décadas do século XX estavam voltadas para um homem novo, para o crescimento da democracia e da participação social, para a renovação das instituições formativas, para o desenvolvimento da criança, para a necessidade da escola pública, leiga e obrigatória em função do crescimento das indústrias e da explosão demográfica, para a ampliação do ensino, para a diversidade das profissões técnicas, para o uso de modernas técnicas na educação, etc. um importante fator nesse processo foi a contribuição das ciências. No caso, a produção pedagógica, que teve sempre forte influência das ciências humanas, vê surgir a questão da cientificidade da educação (MATEO, 1991; ARANHA, 1996; CAMBI, 1999).
Às expectativas de Vigotski, apontadas mais acima, colocam-se nesse cenário histórico em geral, e ao processo histórico da pedagogia soviética em particular, naqueles anos pós-revolucionários.
Para Lindemberg (1977, citado por C. R. FREITAS, 2009, p. 112), a etapa da educação soviética que vai de 1923 a 1927, compreende um período de estabilização e de realizações práticas.
Nesse período, correspondente a implantação da NEP, o aparelho escolar soviético tornou-se um instrumento efetivo de socialização da juventude soviética e de formação dos quadros econômicos e políticos, segundo os modelos soviéticos. (C. R. FREITAS, 2009, p. 112)
Do ponto de vista da revolução socialista da Rússia, enfrentar os problemas do país, nesse período, significava também criar novas condições sociais e culturais para o povo. Para tanto, era preciso organizar a escola para uma nova sociedade, o que implicava em ações práticas, efetivas, junto às questões políticas e sociais do momento.
Segundo Cruz (1984), Aranha (1996) e Cambi (1999), a crença na educação de base socialista foi reforçada com a visão marxista-leninista sobre o homem, tendo Vladimir I. Lenin (1870-1924) papel muito importante nesse sentido, especialmente na base das primeiras realizações escolares do período pós-revolucionário que se estendeu de 1917 a 1930, e que foram “caracterizados por um forte entusiasmo construtivo e por uma vontade de profunda renovação das instituições” (CAMBI, 1999, p. 558).
Capriles (1989) comenta que a essência desse processo de mudança consistiu na criação da cultura socialista e na democratização da vida espiritual da sociedade.
A revolução socialista de outubro de 1917 provocou mudanças radicais na organização da instrução pública. A escola privada desapareceu, e o sistema escolar adquiriu um caráter democrático. Todos os povos da jovem União das Repúblicas Socialistas Soviéticas obtiveram o direito de desenvolver sua própria cultura em suas próprias escolas. (CAPRILES, 1989, p. 28)
Isso não se conseguiria com uma educação livresca ou por simples reprodução de frases de ordem, mas unindo-se vivamente teoria e prática, e tornando-se orgânica a relação entre bases materiais e educação. A cultura, a ciência e a técnica fariam parte desse processo. Isso significava não apenas ter acesso ao conhecimento científico e técnico, mas também produzi-lo em prol da orientação de uma nova sociedade comunista, de uma educação de modelo socialista e do desenvolvimento social, industrial e econômico do país (PAVÃO, 2009; BITTAR e FERREIRA JR, 2011).
Segundo Bittar e Ferreira Jr (2011), nesse processo, Lenin defendia de maneira dialética aproveitar aspectos da escola do período csarista, em especial a ciência que ela produzia, em prol de uma nova escola, de uma nova educação soviética, aproveitando- se somente o que serviria para a formação comunista.
A crítica à “velha escola” é um dos aspectos principais do discurso. Para Lênin, o socialismo deveria abolir tudo o que dela não servisse aos propósitos revolucionários, como o seu caráter classista e o método autoritário, aproveitando, porém, tudo o que dela fosse útil para a edificação de uma educação a serviço da construção do socialismo na Rússia soviética. (BITTAR e FERREIRA JR, 2011, p. 2)
A visão de Lenin, de uma nova escola, de uma nova educação, implicava aproveitar os conhecimentos produzidos pela ciência burguesa assimilando-os de maneira crítica, superando-os em direção aos princípios de formação de uma sociedade comunista. Essa nova educação serviria também para transformar as condições concretas de vida do povo por meio da ciência, da técnica. Esse esforço envolveria a redução do analfabetismo e o fortalecimento da instrução primária (PAVÃO, 2009; BITTAR e FERREIRA JR, 2011). A essência desse processo de mudança consistiu na criação da cultura socialista.
Segundo Debesse e Mialaret (1974), a pedagogia de inspiração marxista é associada a atividade social e o homem é a fonte e a matéria prima de sua essência. É uma posição que tenta superar tanto o ponto de vista individualista quanto o mero desenvolvimento de qualidades sociais do indivíduo, em busca de uma síntese entre as exigências individuais e as da sociedade. Por isso, transformação da sociedade e educação do homem novo são fatores inseparáveis, reunindo riqueza espiritual, integridade moral e desenvolvimento físico perfeito.
No caso, fortalecia-se a necessidade de uma nova teoria de educação, ensino e instrução. No prefácio escrito por Krupskaya em 1924, para a edição russa do livro organizado por Pistrak (1924/2009) e colaboradores, encontramos:
[...] então, agora, era preciso introduzir conteúdo novo no ensino, ligar a escola, como se fosse possível, fortemente com a vida, aproximar-se da população, organizar uma autêntica educação comunista das crianças... Wladimir Ilich [Lenin] falou muitas vezes que deve ser modificado na raiz todo o conteúdo do ensino, que ele deve ser fortemente ligado com toda a construção socialista, com as tarefas atuais dessa construção. (citado por L. C. FREITAS, 2009, p. 15)
A preparação de uma instrução pública de base socialista foi um projeto importante do período pós-revolucionário para formação dessa nova cultura.
O Partido Comunista apresentou a tarefa: lutar para que as próprias massas trabalhadoras, os operários e os camponeses participem na direção do Estado, resolvam os problemas vitais da vida econômica e política do país. Mas para isso eram necessários conhecimentos, não falando já da elementar alfabetização. Dias depois da vitória da Revolução de Outubro, Lénine inicia um dos seus artigos com as magníficas palavras: “A fim de participar na revolução com raciocínio, consciência e êxito é preciso estudar”.
A Revolução de Outubro destruiu o velho aparelho de Estado do ensino público, que, segundo a expressão precisa de Lénine, servia os objectivos de “obscurecer” a consciência do povo. Foi formado o novo órgão estatal soviético – o Comissariado do Povo para a Educação – que dirigiu a construção cultural do país. (SÓBOLEV, 1980, p. 482-483, grifo do autor).
A revolução cultural refletiu-se na esfera da instrução, através das transformações realizadas pela direção do ensino popular entre 1917 e 1929, denominada, na época, Comissariado do Povo para a Instrução, hoje, Ministério da Educação. (CAPRILES, 1989, p. 28)
Portanto, a educação soviética do período procurou formar essa nova cultura e educar esse novo homem, consoante aos objetivos socialistas que se definiam no período. O livro Psicologia Pedagógica é publicado nesse ambiente político e educacional. Talvez, sua publicação reflita também esse ambiente, esse clamor, no campo pedagógico.
Mas, nesse livro, basicamente, Vigotski conclama ao conhecimento científico das leis da educação e do comportamento humano, sugerindo que, assim como o conceito científico é mediação para a vida moderna, mudaria a própria concepção de educação.
A mediação pelo conhecimento científico da teoria pedagógica se constituiria numa importante questão para a construção de uma visão marxista de sociedade fortalecida pela educação, mas, também se tornaria num importante vetor de mudança da própria concepção do trabalho pedagógico.
A seguir, abordaremos essa discussão, da perspectiva dos comentários de Vigotski.