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4.1 Nativisme slik det kjem til syne i partiprogrammet vedteke i 2013

4.1.1 Innvandringspolitikk

Vigotski estabelece uma visão biopsíquica e social do processo educativo, congruente com o que vimos apontando desde o início do capítulo, no seguinte aspecto:

A psicologia analisa até as formas mais complexas de nossa consciência como formas particularmente sutis e imperceptíveis de movimentos. Portanto, a psicologia está se transformando em uma ciência biológica, pois estuda o comportamento como uma das formas mais importantes de adaptação do organismo vivo ao ambiente. Por isso, considera que o comportamento é o processo de interação entre o organismo e o ambiente, e o princípio de utilidade biológica do psiquismo passa a ser seu princípio explicativo.

Entretanto, o comportamento do ser humano se desenvolve no complexo contexto do ambiente social. O ser humano só entra em contato com a natureza através desse ambiente e, por isso, esse meio é o fator mais importante que determina e organiza o comportamento humano. A psicologia estuda o comportamento humano social e as leis conforme as quais esse comportamento se modifica. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 39, grifo do autor)

No prólogo ao livro de Thorndike, Vigotski comenta:

O meio (no caso do homem concretamente o meio social, porque para o homem de hoje até o meio natural só pode ser parte do meio social e não pode haver nexo algum fora das relações sociais) leva implícito em si, sua organização, as condições que conformam toda nossa experiência.77

(VYGOTSKI, 1926/1991c, p. 157)

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“El medio (concretamente el medio social en el caso del hombre, porque para el hombre de hoy incluso el medio natural solo puede ser parte del medio social y no puede haber nexo alguno fuera de las relaciones sociales) lleva implícito en sí, en su organización, las condiciones que conforman toda nuestra experiencia” (VYGOTSKI, 1926/1991c, p. 157).

Vigotski comenta que, na visão reflexológica, o meio “é fonte de todos os excitantes que atuam sobre o organismo”78 (VYGOTSKI, 1926/1991c, p. 157). O autor coloca que o meio, assim definido, pode ser controlado como se controla o ambiente de estímulos em um experimento de laboratório para se estabelecer rigorosamente suas influências no comportamento de um animal em estudo. Nesse sentido, a organização controlada do meio é um fator experimental fundamental.

Mas, Vigotski (1926/2003) afirma que, no caso do homem, um controle do tipo construído num laboratório para o estudo do comportamento animal, não consegue abarcar toda a influência do meio sobre a organização do comportamento humano, especialmente se considerarmos a dinâmica do meio social humano. O autor comenta que, na conduta humana, o tipo de reação é mais complexo e sua compreensão requer considerar essa complexidade junto a influência do meio social que também tem sua complexidade e fluidez. Além disso, Vygotski (1926/1991c) comenta que as ciências naturais de seu tempo acabam estabelecendo, em seus experimentos, conclusões sobre o comportamento construídas a partir do exame da formação da experiência individual desse comportamento em laboratório. Como colocado por Vigotski (1926/2003), o homem entra em contato com a natureza através do meio social.

Vigotski (1926/2003) comenta que o conceito de adaptação é fundamental na biologia moderna, e o será também na área pedagógica, afirmando: “por isso, também dizemos na área da pedagogia que o objetivo final de toda educação consiste na adaptação da criança ao ambiente em que lhe toca viver e agir” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 197). Mas, o autor coloca que é preciso considerar que a adaptação ao ambiente pode ser de diversa índole e de que a criança está adaptada ao ambiente em diversos graus concernentes ao seu desenvolvimento. Junto a essas questões, coloca que “não devemos conceber o ambiente como um todo estático, elementar e estável, mas como um processo dinâmico que se desenvolve dialeticamente” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 197).

A palavra “adaptação” é retirada por Vigotski da visão biológica, mas é preciso atentar para o fato de que, ao falar sobre isso, Vigotski (1926/2003, p. 39, grifo nosso), “considera que o comportamento é o processo de interação entre o organismo e o

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ambiente, e o princípio de utilidade biológica do psiquismo passa a ser seu princípio explicativo”. A nosso ver, o sentido explicativo biológico de adaptação se desenvolve, na psicologia de Vigotski, com um caráter mais voltado para sua visão de psique e de sujeito ativo frente aos estímulos do meio. Nessa discussão Vigotski (1926/2003) considera decisiva a forma de interação aos estímulos do meio social.

Por exemplo, Vigotski comenta que, enquanto um arrivista domina os estímulos sociais para sua satisfação própria reagindo adequadamente às demandas vitais do ambiente, um revolucionário se acerca da dinâmica e não da estática do meio social, entrando em choque com o meio. Assim, comenta: “por este motivo, a adaptação ao ambiente pode implicar a mais dura luta contra seus diferentes elementos, denotando sempre inter-relações ativas com este” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 197). Portanto, a análise é dialética e não mecânica, e adaptação indica um processo psicológico ativo de relação com as características vitais do meio.

O autor comenta que o processo educativo tem grande responsabilidade nesse sentido, dizendo: “Portanto, no mesmo ambiente social pode haver orientações sociais totalmente diversas do indivíduo, e toda a questão reside em saber em que direção essa atividade será educada” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 197).

Para Vigotski (1926/2003), o meio social é dinâmico e dialético, ou seja, tem elementos que entram em contradição entre si. Mas, ao comparar o processo de conduta do arrivista com o do revolucionário, Vigotski nos parece conferir uma leitura também dialética da organização dos processos internos, da direção da conduta individual num meio social. Quer dizer, o homem, com suas reações, também é um sujeito ativo em sua história com as influências desse meio. Essa discussão é complexa, mas bastante rica para uma análise da formação escolar, se se considerar que ela nos ajuda a analisar e comparar uma escola de formação ativa transformadora do ambiente social, com uma escola que apenas ajuda no mero ajuste de interesses individuais aos mecanismos vitais do meio.

É importante frisar que Vigotski coloca que a base psicológica do processo educativo é a mesma para se educar tanto um arrivista quanto um revolucionário, contudo ela serve para alertar cientificamente sobre que condições psicológicas a educação deve promover seus objetivos. O autor comenta:

A natureza psicológica do processo educativo é a mesma se desejarmos educar um fascista ou um proletário [revolucionário], se prepararmos um acrobata ou um bom funcionário. A única coisa que deve nos interessar é o próprio mecanismo de formação das novas reações, seja qual for o objetivo final desejado.

No entanto, nesse problema existe certo aspecto formal que só pode ser considerado do ponto de vista psicológico. Na área da psicologia não se pesquisam quais são os objetivos particulares da educação, mas que tipo de objetivos, em geral, devem ser propostos ao processo educativo, do ponto de vista científico. O problema de saber quais são as condições a observar para que nossos objetivos estejam de acordo como o processo educativo só pode ser resolvido pela teoria psicológica da educação.

Vemos então que o processo educativo é totalmente concreto. Ele consiste em estabelecer novos nexos, que são materiais e concretos em todo caso (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 80)

Vigotski (1926/2003) comenta que se conhecendo o caráter determinado das reações, o sistema de conduta, pode-se traçar objetivos e atividades a se realizar no processo educativo que, por sua vez, não se reduzem ao ponto de vista psicológico. Contudo, as relações internas entre os estudos psicológicos dos mecanismos da conduta e o estabelecimento dos objetivos da educação, não devem ser ignorados.

Consequentemente, quando formulamos de forma científica os objetivos da educação, estamos estabelecendo de forma concreta os objetivos da educação, estamos estabelecendo de forma concreta e exata o sistema de conduta que queremos plasmar em nosso educando. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 80). Como que limite essas relações são produzidas, é um tema que preocupa Vigotski. O autor está preocupado em retirar da análise do processo educativo influências de ideias abstratas da educação, ou as influências de uma psicologia de orientação tradicional ou idealista no campo da psicologia pedagógica. Uma visão científica de educação ajudaria nesse processo, por situaria os problemas da educação no seu campo prático, dos seus fatos. Para o autor, essa discussão também está no problema de se estabelecer os objetivos da educação que influenciarão na formação da conduta. Nessa direção, comenta: “Recordemos que a reação é um complexo processo de inter-relação entre o mundo e o ser humano, que está determinado pela adaptação. O comportamento é a forma superior de adaptação ao meio” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 82).

Para Vigotski (1926/2003), do processo educativo se requer preparar a criança para as múltiplas atividades da vida, considerando sua relação ativa com o meio nos

momentos de seu processo de crescimento e desenvolvimento. Nesse sentido, o processo educativo assume um caráter de intervenção planejada, segundo os objetivos que tiver definido.

Portanto, a educação pode ser definida como a influência e a intervenção planejadas, adequadas ao objetivo, premeditadas, conscientes, nos processos de crescimento natural do organismo. Por isso, só terá caráter educativo o estabelecimento de novas reações que, em alguma medida, intervenham nos processos de crescimento e os orientem. Nem todos os novos vínculos que se fecham [formam] na criança, portanto, serão atos educativos. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 82)

Queremos somar as discussões e análises levantadas nesse capítulo, à seguinte afirmação de Vigotski:

Portanto, o professor tem um novo e importante papel. Ele tem de se transformar em organizador do ambiente social, que é o único fator educativo. Sempre que ele age como um simples propulsor que lota os alunos de conhecimentos, pode ser substituído com êxito por um manual, um dicionário, um mapa ou uma excursão. Quando o professor dá uma aula ou explica uma lição, ele assume só em parte o papel de professor, precisamente na parte de seu trabalho em que estabelece a relação da criança com os elementos do ambiente que agem sobre ela. Mas sempre que expõe apenas fragmentos de algo preparado, ele deixa de ser professor. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 297) A educação tem responsabilidade também com a formação da personalidade social da criança. Se referindo ao filósofo russo Semion L. Frank (1877-1950), Vigotski (1926/2003) coloca que a criança “imagina” ser um bandido, um soldado, etc., cuja aparência realmente encobre uma reserva potencial de forças que não se encaixam objetivamente em sua vida, mas que são “realmente” vividas pela criança ou estão nesse pequeno ser. Nesse sentido, comenta a necessidade de uma espécie de seleção social da personalidade futura da criança, por meio da educação, dizendo:

Potencialmente, a criança contém muitas personalidades futuras; ela pode vir a ser isto ou aquilo. A educação produz a seleção social da personalidade externa. A partir do ser humano como biótipo, a educação, por meio da seleção, forma o ser humano como tipo social (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 82) A nosso ver, isso significa bem mais do que recorrer a um manual pedagógico. Significa realizar pedagogicamente o processo vivo do saber que passa pela experiência pessoal, pelo organismo, pela relação psique e comportamento, e que influencia de

forma duradoura a vida da criança, ou sua formação de personalidade, sua formação humana, sua relação social. O importante é a formação da consciência.

Vigotski indica reconhecer, em seus textos do período, que essas questões eram necessárias para se formar o professor para aqueles tempos de transição pedagógica, para se pensar outra escola para novos tempos – uma escola ativa com uma educação com fundamentos pedagógico-sociais e biopsicológicos influentes para a mudança de cultural escolar que se esperava e para formar um novo homem para a sociedade que se construía. A essas discussões, soma-se a perspectiva vigotskiana da experiência social humana. Nessa discussão, vemos a pedagogia social adotada por Vigotski. Nela vemos, também, de forma espelhada, a importância metodológica que Vigotski confere à interação verbal nos experimentos sobre o comportamento, principalmente a Palavra como estímulo compelto de tipo social.

A essas questões somamos ainda outro importante fator detecado nos textos de Vigotski do período: a interpretação social dos estímulos.

Essas discussões serão tratadas na seção seguinte.