• No results found

4.1 Nativisme slik det kjem til syne i partiprogrammet vedteke i 2013

4.1.2 Integreringspolitikk

No escritos sobre defectologia, Vygotski (1924/1997a) comenta: “a rigor, a linguagem não só é um instrumento de comunicação, mas também um instrumento do pensamento; a consciência se desenvolve, sobretudo, com ajuda da linguagem e surge da experiência social”79 (p. 88). E ainda: “A linguagem nasce da necessidade de comunicar e de pensar; o pensamento e a comunicação são resultados da adaptação às condições complexas da vida”80 (VYGOTSKI, 1924/1997a, p. 90).

Essas afirmações de Vigotski colocam que os instrumentos do organismo – pensamento e linguagem (fala) – se desenvolvem da experiência social, das condições complexas da vida. No livro Psicologia Pedagógica o autor coloca o seguinte: “o fator decisivo do comportamento humano não é só o fator biológico, mas também o social,

79“En rigor, el lenguaje no solo es un instrumento de comunicación, sino también un instrumento del

pensamiento: la conciencia se desarrolla sobre todo con ayuda del lenguaje y surge de la experiência social” (VYGOTSKI, 1924/1997a, p. 88).

80“El lenguaje nace de la necessidad de comunicar y de pensar; el pensamiento y la comunicación son

que confere componentes novos à conduta do ser humano” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 63). Lembremos que, para Vigotski (1926/2003, p. 82), “o comportamento é a forma superior de adaptação ao meio”.

Para Vigotski (1926/2003, p. 79), “o meio não é algo de fora imposto ao ser humano. Também não é possível discernir onde terminam as influências do meio e onde começam as influências do próprio corpo”. O caminho de análise dessa combinação ativa, dessa ativa relação organismo-meio passa pelo processo de formação das reações. No caso, comenta: “o processo de formação das reações depende do desenlace do combate entre o organismo e o meio” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 79).

Para tanto, é preciso retomar importantes discussões de Vigotski (1926/2003). No caso, o autor comenta que as facetas intrumentais do próprio corpo – pensamento, fala, atenção, memória, etc. – são reações psíquicas ativas às influências estimuladoras complexas da vida, que não resulta linear.

Mas, se considerarmos que, para Vigotski (1926/2003), o comportamento individual expressa condições sociais, isto é, se expressa como uma experiência social, o que importa é examinar que tipo de consciência e autoconsciência de sujeito se refrata pelo meio social, e de que meio social se trata. Os textos de Vigotski sobre Defectologia, contidos no período reflexológico, nos ajudam a examinar mais de perto essas questões.

Vigotski afirma: “O fundamental é isto. A cegueira é um estado normal e não patológico para a criança cega, e ela o percebe só indiretamente, secundariamente, como resultado de sua experiência social refletida nele”81 (VIGOTSKI, 1924/1997a, p. 79, grifo no original). Para nós, essa afirmação nos coloca diante da interpretação social do problema da cegueira que, por sua vez, influencia uma forma de conscientização desse problema.

Para adentrarmos mais nessa discussão, é preciso voltar aos comentários de Vigotski sobre a mediação dos reflexos psíquicos. O autor comenta o seguinte:

O que faz a ordem, na qualidade de sistema de excitantes condicionados, é provocar previamente os reflexos de orientação necessários que determinarão o curso ulterior da reação e os reflexos de orientação dos mecanismos

81“Esto es lo fundamental. La ceguera es un estado normal y no patológico para el niño ciego, y él lo

percibe solo indirectamente, secundariamente, como resultado de su experiencia social reflejada en él” (VYGOTSKI, 1924/1997ª, p. 79).

transmissores, precisamente aqueles mecanismos que se colocarão em jogo no curso do experimento82. (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 11, grifo no original)

No experimento, como analisado por Vygotski (1926/1991a), a série de perguntas é o próprio experimento, ou seja, “o interrogatório não é uma superestrutura do experimento, mas o mesmo experimento que ainda não está terminado, e que prossegue” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 11), mantendo-se seu exame como objeto de análise até o fim. Para Vygotski (1926/1991a), a Palavra quando ouvida é excitante, mas, pronunciada, é um reflexo que cria esse mesmo excitante.

Nesse sentido, Vygotski (1926/1991a) comenta sobre um importante grupo de estímulos: o dos estímulos sociais que procedem de outras pessoas. Esse grupo de estímulos se destaca por sua característica de serem reversíveis, ou seja, capazes de serem reproduzidos pela própria pessoa para determinar sua própria conduta, como se tivessem sido propriamente seus, como se identificassem com a própria pessoa. Esse processo é visto pelo autor tanto como de contato social quanto de influência da consciência. A fala constitui esse sistema de reflexo social. Na fala reside a fonte do comportamento e da consciência.

Estes reflexos reversíveis, que formam uma base para a consciência (entrelaçamento de reflexos), servem de fundamento a comunicação social e à coordenação coletiva do comportamento, o que indica, entre outras coisas, a origem social da consciência. De toda massa de excitantes, destaca-se claramente, para mim, um grupo: o dos estímulos sociais que procedem de outras pessoas; e se destacam porque eu mesmo posso reproduzir esses excitantes, porque para mim se convertem, prontamente, em reversíveis e, por conseguinte, em comparação com os demais, determinam meu comportamento de forma distinta. Eles me fazem parecer que são meus, a me identificar comigo mesmo. No amplo sentido da palavra, é na fala onde reside a fonte do comportamento e da consciência. A fala constitui, por um lado, um sistema de reflexos de contato social e, por outro, o sistema preferencial dos reflexos da consciência, quer dizer, que servem para refletir a influência de outros sistemas83. (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 12)

82“Lo que hace la consigna, en calidad de sistema de excitantes condicionados, es provocar previamente

los reflejos de orientación necesarios que determinarán el curso ulterior de la reacción y los reflejos de orientación de los mecanismos transmisores, precisamente de aquellos mecanismos que se pondrán en juego en el curso del experimento” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 11, grifo do autor).

83 “Estos reflejos reversibles, que originan una base para la conciencia (entrelazamiento de reflejos),

sirven de fundamento a la comunicación social y a la coordenación colectiva de comportamiento, lo que indica, entre otras cosas, el origen social de la conciencia. De toda masa de excitantes, destaca claramente para mí un grupo: el de los estímulos sociales, que proceden de las personas; y se destacan porque yo mismo puedo reproducir esos excitantes, porque para mí se convierten muy pronto en reversibles y, por consiguiente, en comparación con los restantes, determinan mi comportamiento de forma distinta. Ellos me hacen parecerme a mí mismo, me identifican conmigo mismo. En el amplio sentido de la palabra, es

No livro Psicologia Pedagógica Vigotski (1926/2003) também comenta essa questão. No caso, 2 passagens nos parecem especialmente importantes:

Mas o mais curioso para a psicologia da linguagem é o fato de que a linguagem raliza duas funções totalmente diferentes: por um lado, serve como meio de coordenação social da experiência das pessoas; por outro lado, é o instrumento mais importante de nosso pensamento.

Sempre pensamos em alguma linguagem, isto é, conversamos conosco mesmo e organizamos nosso comportamento interno da mesma maneira que organizamos nosso comportamento de acordo com o comportamento das outras pessoas. Em outros termos, o processo de pensamento evidencia facilmente seu caráter social e indica que nossa personalidade está organizada conforme o mesmo modelo que as relações sociais, e que a noção primitiva sobre a psique como um duplo que vive dentro do ser humano é a mais próxima dos nossos conceitos. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 171)

Vimos que a própria compreensão ou tomada de consciência de nossos atos surge como vínculo entre as excitações internas e, como qualquer vínculo de caráter condicionado, emerge da experiência, no processo de coincidência de diversas excitações. Portanto, a criança aprende primeiro a compreender os outros e só depois, segundo esse mesmo modelo, aprende a se compreender. Seria mais correto dizer que nos conhecemos à medida que conhecemos os outros ou, ainda mais exatamente, que só nos conhecemos à medida que somos outro, algo estranho a nós mesmos. Por isso, a linguagem, esse instrumento de comunicação social, também é um instrumento de comunicação íntima do homem consigo mesmo. Ao mesmo tempo, o caráter consciente de nossos pensamentos e atos deve ser entendido como esse mesmo mecanismo de transferência de nossos reflexos para outros sistemas ou, para utilizar os termos da psicologia tradicional, como uma reção circular [um feedback]. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 171-172).

As citações acima colocadas vão ao encontro do entendimento de Vygotski (1925/1991b, p. 58) de que a consciência é um caso particular da experiência social.

O mecanismo da consciência de si mesmo (autoconhecimento) e do reconhecimento dos demais, é idêntico: temos consciência de nós mesmos porque a temos dos demais e pelo mesmo mecanismo; porque nós somos, com respeito a nós mesmos, o mesmo que os demais com respeito a nós84.

(VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 12)

en el habla donde reside la fuente del comportamiento y de la conciencia. El habla constituye, por un lado, un sistema de reflejos de contacto social y, por otro lado, el sistema preferente de los reflejos de la conciencia, es decir, que sirven para reflejar la influencia de otros sistemas” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 12).

84

“El mecanismo de la conciencia de uno mismo (autoconocimiento) y del reconocimiento de los demás es idéntico: tenemos conciencia de nostros mismos porque la tenemos de los demás y por el mismo mecanismo, porque nosotros somos com respecto a nosotros lo mismo que los demás respecto a nostros” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 12).

Molon (2010) assim analise essas contribuições de Vigotski:

A relação constitutiva eu-outro enquanto conhecimento do eu e do outro (eu alheio) são como mecanismos idênticos, isto é, temos consciência de nós porque temos dos demais, porque somos para nós o mesmo que os demais são para nós, nos reconhecemos quando somos outros para nós mesmos.

A constituição do sujeito passa pelo reconhecimento do outro, mas fundamentalmente pelo autoconhecimento do eu, considerando que esses processos são idênticos, que acontecem pelo mesmo mecanismo, isto é, pelo mecanismo dos reflexos reversíveis. (MOLON, 2010, p. 84)

Voltemos à discussão do início dessa seção do trabalho: para Vygotski (1924/1997a), a cegueira é um conceito socialmente transimitido entre as pessoas, entre consciências. A comunicação é um elemento fundamental nesse processo social de desenvolvimento da consciência. O pensamento também está envolvido nesse processo.

A criança cega passa a perceber seu estado como patológico, como uma experiência social refletida nele, em sua consciência. Mas, é uma construção indireta de significados. A relação eu-outro entra nessa discussão, porque, para Vigotski (1926/2003), o meio social é o conjunto das relações humanas. Esse conjunto de relações tem na linguagem sua via de expressão, sua base.

Nessa altura da análise, é importante voltarmos ao comentário de Vigotski sobre o duo formado entre professor e aluno, na crítica que faz ao livro de Thorndike.

Entendemos que o duo professor-aluno tradicional comentado por Vigotski, se pautado em comunicação social, como vimos abordando até o momento, inclui tanto método de ensino quanto a formação de uma orientação do próprio comportamento em face do tipo de compromisso de conduta que o modelo ou formato social desse duo compreende na relação professor-aluno assim estabelecido. Nesse sentido, entendemos que seria o mesmo que ver o professor como o motor do processo educativo, e nesse discurso pedagógico compreender uma orientação de conduta social em que o professor ensina e o aluno somente ouve.

A pedagogia anterior reforçava e exagerava de forma desmedida o primeiro momento da percepção, transformando o aluno em uma esponja que cumpria mais fielmente sua missão quanto mais ávida e plenamente se impregnava de conhecimentos alheios. Mas o saber que não passa pela experiência pessoal não é saber. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 76).

Nesse sentido, entendemos que a organização desse meio educativo, ou desse discurso pedagógico, dessa refração social escolar, seguiria a seguinte regra: o aluno deveria se esforçar mais no momento de percepção do assunto, pois, este já vinha pronto e processado pelo professor, motor de todo o processo de ensino. Esse formato se fecha na medida em que professor e alunos confirmam essa norma, tomando consciência dela dessa maneira e conformando o comportamento refletido por esse modelo social escolar estabelecido.

Ilustração 9 – Sala de aula em 1920, na cidade de Smolensk (distante 360 Km de Moscou). Fonte: http://www.admin-smolensk.ru/~websprav/web2013/safonovo_2/k4.htm.

Para Vigotski, a linguagem (fala) é instrumento tanto da comunicação quanto do pensamento. Assim sendo, podemos pensar que Vigotski está nos mostrando que esse

duo acaba sendo apropriado pelo professor e pelo aluno como um discurso escolar que

conforma condutas num meio social escolar estabelecido. Evidentemente, estamos tratando do modelo social estabelecido e suas refrações na forma de pensar o papel de cada sujeito no processo de ensino. Evidentemente, esse esquema reforça o método de ensino pautado nesse molde social. Nesse sentido, a linguagem nos parece o veículo dessa experiência social, ou seja, o portador do modelo dessa relação social professor-

aluno, dessa cultura escolar, que, por conseguinte, se firma no modelo de ensino. Para Vygotski (1924/1997a, p. 88), a linguagem é a base e o portador da experiência social.

Nossa análise do duo professor-aluno volta-se para os textos analisados do período reflexológico, procurando ver conexões entre estes e as críticas de Vigotski ao livro de Thorndike. Portanto, nossa análise está situada no contexto em questão.

No caso, lembramos Molon (2010) quando comenta que, apesar de representar um salto significativo na psicologia de seu tempo, nesse momento de sua obra Vigotski ainda estava bastante próximo da reflexologia, enfatizando o estudo objetivo da consciência como um sistema de transmissão entre sistemas de reflexos.

Voltando às discussões que levantamos sobre a refração do meio social escolar na consciência dos sujeitos, colocamos que, no prólogo ao livro de Thorndike, Vigotski comenta:

Nos antigos liceos, os seminários, os colégios de senhoritas, não eram os professores, as preceptoras, nem os disciplinadores que, em última instância, educavam, e sim o meio social estabelecido em cada um destes centros de ensino. Em consequência, vai desaparecendo a ideia tradicional do professor como o motor principal e quase único do processo educativo.85 (VYGOTSKI,

1926/1991c, p. 159)

No livro Psicologia Pedagógica, o autor comenta:

Nesse sentido, a educação em todos os países e épocas sempre foi social, por mais anti-social que tenha sido [o conteúdo de] sua ideologia. Tanto no seminário conciliar quanto no antigo ginásio, no corpo de cadetes e na instuição para nobres donzelas, nas escolas gregas e nas da Idade Média e do Oriente, os que educavam não eram os professores e preceptores, mas o meio social escolar que foi estabelecendo-se em cada caso. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 75)

Vigotski não faz somente uma leitura ideológica da escola ou da escola como função do regime social, político, mas, também uma leitura psicopedagógica crítica da escola na formação das pessoas, nas formas de estabelecimento do meio social escolar. Mas, é importante frisar que Vigotski também aponta que a visão tradicional estava sendo substituída por uma visão progressita de educação, sinalizando para as mudanças

85

“En los antiguos liceos, los seminarios, los colegios de señoritas, no eran los maestros, las preceptoras, ni los celadores quienes en último término educaban, sino el medio social establecido en cada uno de estos centros de enseñanza. En consecuencia, va desapareciendo la idea tradicional del maestro como el motor principal y casi único del processo educativo” (VYGOTSKI, 1926/1991c, p. 159).

na teoria educacinal, que aconteciam naqueles tempos. O papel do professor entra nessa mudança de perspectiva, o que leva também a se repensar a organização do meio social educativo.

Nessa discussão, Vigotski insere a compreensão de que o papel do professor tradicional precisa ser revisto em função do ambiente social escolar, tido pelo autor, em última instância, como o verdadeiro educador.

Entendemos ainda que o autor coloca que a escola é anti-social quando deposita somente no professor a condução de todo o processo educativo em sala de aula, ou quando se toma o professor como o motor do processo educativo. Nesse sentido, grande parte do meio social educativo estaria organizada dessa maneira, ou seja, depositado na figura do professor como motor do processo educativo, influindo desse modo no processo de aprendizagem dos alunos. Essa perspectiva deveria ser substituída pela compreensão de que o que se aprende e como se aprende, viria bem mais determinado pelo modo de organização do meio social educativo, em que todos fazem parte ativa.

Além disso, o próprio método de ensino exige do professor a mesma atividade e o mesmo coletivismo [espírito de grupo] que deve impregnar a alma da escola. O professor deve viver na coletividade escolar como parte inseparável dela e, nesse sentido, as relações entre professor e aluno podem alcançar tal vigor, limpeza e elevação que não encontrarão nada igual em toda a gama social das relações humanas. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 300)

É necessário, portanto, examinar mais de perto como essa discussão se coloca no plano do fundamento pedagógico-social que Vigotski destaca em sua análise educacional do período. Para nós, a discussão desse fundamento nos traz muitas explicações que ajudam a pensar mais profundamente as questões que levantamos nessa seção do trabalho.

Esse fundamento será tratado a seguir.