3 Metode og materiale
6.2 Konklusjon og oppsummering av funn
O estudo também determinou algumas variáveis de controle que comporão os modelos das associações entre as BTD Anormais e a Qualidade dos Resultados Contábeis. Essa ação é uma maneira de controlar os efeitos naturais das características das empresas e ainda contribuir para a literatura nacional, que pouco se utiliza de variáveis de controle nas pesquisas sobre as BTD e Earnings Quality.
Foram selecionadas variáveis de controle que influenciam as qualidades dos resultados contábeis das empresas analisadas no Brasil, pois são as variáveis dependentes dessa tese. No intuito de delimitar e direcionar essas variáveis, o estudo optou por dimensões variadas que afetam essas características de Earnings Quality, sendo: porte das empresas (Tamanho), rentabilidade (ROA), estrutura de capital (Endividamento), oportunidades de crescimento (Variações nas Receitas de vendas) e governança corporativa (Auditoria). Além disso, para os modelos que envolviam valores do mercado de capitais adicionou-se a variável Market-to- Book, que indica a valoração das empresas pelo mercado em comparação aos seus valores patrimoniais. As explicações, justificativas e relações esperadas com essas variáveis são mostradas a seguir.
Para o estudo, aplicou-se a variável Tamanho (TAM) calculada pelo logaritmo dos ativos totais das empresas. Essa variável é controversa na literatura e apresenta associações positivas e negativas com as proxies de qualidade dos resultados contábeis. Segundo Van Tendeloo e Vanstrelen (2005), as empresas maiores e menores possuem diferentes incentivos para a evidenciação das informações. Por um lado, os custos políticos, a imagem das firmas e os riscos de litigação podem induzir às empresas maiores a divulgarem corretamente os seus resultados (LAFOND; WATTS, 2008). Por outro lado, nas empresas de maiores dimensões são esperados elevados custos de agência devido aos incentivos dos gestores para a assimetria de informações e o oportunismo (JENSEN; MECKLING, 1976). Além disso, a complexidade operacional das grandes firmas pode induzir às distorções nas performances e resultados reportados (LOBO; ZHOU, 2006).
Nas firmas menores também há a contrariedade quanto aos efeitos sobre a qualidade dos resultados contábeis. Armstrong et al. (2010) indicou que os custos e a quantidade de informações reportadas por pequenas empresas são menores, o que pode induzir a adequada
evidenciação das operações e resultados das firmas. Já Simpson (2013) argumentou que as empresas menores são mais negligenciadas pelos reguladores, o que pode incentivar a manipulação e a baixa qualidade dos resultados contábeis (ABHIJEET, 2014). Diante disso, o estudo não estabelece a relação entre Tamanho (TAM) e as proxies da qualidade dos resultados contábeis devido às contrariedades observadas na literatura.
A variável de rentabilidade (ROA) é representada no estudo pelo quociente entre os lucros líquidos e os ativos totais das empresas. Em geral, essa proxie de performance é associada positivamente como as persistências dos resultados contábeis e os tributários, value relevance e o conservadorismo contábil. Em contrapartida, a relação é positiva ou negativa com o gerenciamento de resultados. Liu e Sun (2015) indicaram que firmas rentáveis são indícios para lucros futuros persistentes, maiores lucros, retornos e preços das ações. Essas constatações apontam para a maior qualidade dos resultados contábeis (BARTH; LANDSMAN; LANG, 2008).
Em relação ao gerenciamento de resultados, há duas tendências na literatura que explicam os efeitos da rentabilidade. Liu e Sun (2015) argumentaram que firmas mais rentáveis têm mais incentivos para a discricionariedade e manipulação dos reportes financeiros e contábeis. Hayn (1995) concorda com esse cenário e adiciona que esse comportamento é devido a pressão do mercado para as empresas atingirem certas metas e resultados, incentivando a distorção dos resultados. Em visão oposta, Abhijeet (2014) indicou a associação negativa entre a rentabilidade e o gerenciamento de resultados. Para o autor, firmas menos rentáveis têm problemas de liquidez, o que as incentivam para a manipulação dos resultados para a obtenção de recursos com terceiros.
A utilização das variáveis endividamento (LEV) e oportunidades de crescimento (GTW) refletem a volatilidade das operações nas firmas (LYU et al., 2014). A métrica LEV calculada pelo quociente entre o exigível total e ativo total das empresas indica a estrutura de capital obtida com terceiros. Já GTW calculada pela razão entre as variações das Receitas de Vendas em t e t-1 e as Receitas de vendas em t-1 aponta para as oportunidades de crescimento das firmas (Growth).
A variável LEV apresenta relações diferenciadas com as proxies de qualidade dos resultados contábeis (JIANG; PETRONI; WANG, 2008; VAN TENDELOO; VANSTRELEN, 2005). Para Zhang (2008), se as empresas possuem uma situação desfavorável quanto às dívidas, é provável que os gestores são motivados a esconderem os resultados, indicando, assim, para as menores persistências, relevâncias e práticas conservadoristas dos resultados contábeis. Considerando o gerenciamento de resultados, o endividamento induz ao aumento dessas
práticas nas empresas (CLARKSON et al., 2011). Dois efeitos podem ser explorados na relação entre gerenciamentos de resultados e LEV: primeiro, as firmas podem manipular os resultados para cima para evitar a violação das obrigações contratuais (ELAYAN; LI; MEYER, 2008). Segundo, as empresas podem gerenciar os resultados para baixo para evidenciar sua difícil situação financeira e tentar obter melhores termos na renegociação dos contratos de dívidas (CHARITOU; LOUCA; VAFEAS, 2007). Assim, espera-se as associações negativas dessa variável para os modelos de persistência, value relevance e conservadorismo e positiva para as modelagens de gerenciamento de resultados.
Para a variável GTW as explicações também são heterogêneas quanto às suas influências sobre as características da qualidade dos resultados contábeis. Para os modelos de persistências dos resultados, as elevadas oportunidades de crescimento das empresas podem proporcionar menores capacidades preditivas dos lucros. A excessiva quantidade de oportunidades pode atrair competição e decisões precipitadas dos gestores, o que pode reduzir a consistência dos resultados positivos das firmas (FRANKEL; LITOV, 2009). Já para o value relevance e o conservadorismo contábil, a variável GTW indica que os gestores são menos prováveis em distorcer ou manipular os resultados quando as firmas possuem significantes oportunidades de crescimentos e investimentos (DIMITROPOULOS et al., 2013; KUMAR; KRISHNAN, 2008).
Para o gerenciamento de resultados as oportunidades de crescimento, geralmente, são vistas como incentivos para os gestores aumentarem as práticas discricionárias. Essas ações buscam aumentar o valor das ações das empresas com o intuito de atrair mais investidores para as necessidades de capital das firmas (HOUQE et al., 2012). Além disso, alta variabilidade de vendas pode indicar incertezas econômicas para as empresas (ABHIJEET, 2014). Diante do exposto, espera-se associações positivas da variável GTW com o gerenciamento de resultados, value relevance e conservadorismo contábil. Já, para as persistências, a relação esperada é negativa.
Considerou-se a variável auditoria (AUD), que é uma dummy com (1) para empresas auditadas pelas BIG Four, PriceWaterHouseCoopers, Deloitte, Ernst & Young e KPMG, e (0) para empresas auditadas pelas demais firmas especializadas.
Para a escolha dessa variável, Lyu et al. (2014) argumentou que as atividades de governança corporativa nas firmas limitam os incentivos dos gestores para a distorção dos resultados das empresas. Assim, práticas, como a auditoria de empresas reconhecidas, podem favorecer a transparência e a qualidade dos dados contábeis. Chen et al. (2011) confirmam essa
tendência de associações positivas entre as ações de auditoria das empresas BIG Four e a qualidade dos resultados contábeis (LIU; SUN, 2015; SHAN, 2015).
Espera-se associações positivas dessa variável, AUD, com as persistências, value relevance e conservadorismo dos resultados contábeis. Enquanto, para o gerenciamento de resultados, busca-se a relação negativa para amenizar as manipulações dos resultados pelos gestores.
Por fim, foi indicada a variável Market-To-Book (MTB) para os modelos que envolviam informações do mercado de capitais. Essa variável é calculada pela razão do valor de mercado e o patrimônio líquido das firmas e indica valorações positivas do mercado sobre investimentos nas empresas.
Há a expectativa de associação positiva com as proxies de value relevance e conservadorismo, com a demonstração de que essa variável é um indicativo de rentabilidades futuras nas empresas para o mercado (AHMED; DUELLMAN, 2013; HAW et al., 2012; CLARKSON et al., 2011; FILIP; RAFFOURNIER, 2010; BARTH; LANDSMAN; LANG, 2008).