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3 Metode og materiale

4.1 Skole A – Hildes undervisning

4.1.2 Implisitt leseopplæring

O Gerenciamento de resultados é uma importante questão contábil para acadêmicos e práticos que vem sendo estudada por um longo período (DECHOW et al., 2011). Ocorreu um crescimento significativo nas pesquisas dessa área, principalmente a partir dos anos de 1980/1990. Os estudos de Healy (1985); DeAngelo (1986); McNichols e Wilson (1988); Schipper (1989); Healy e Wahlen (1999); Jones (1991); Dechow, Sloan e Sweeny (1995) e a preocupação com fraudes e escândalos contábeis contribuíram para essa expansão (MARTINEZ, 2013).

Diante desse cenário, os conceitos sobre essas práticas contábeis e gerenciais foram se delineando. Schipper (1989) esclareceu que o gerenciamento de resultados pode ser entendido como uma intervenção proposital no processo de comunicação financeira externa com o intuito de algum benefício privado.

Healy e Wahlen (1999) definiram que o gerenciamento de resultados ocorre quando os gestores utilizam julgamentos nos reportes financeiros e estruturam transações para alterar as percepções dos stakeholders sobre as performances econômicas das firmas. Ocorrem influências dos gestores nas práticas contábeis.

Fields, Lys e Vicent (2001) explicaram o gerenciamento de resultados abrangendo as escolhas contábeis, ou seja, essas práticas de gerenciar o resultado são originadas por decisões tomadas com o propósito de influenciar as informações geradas pelo sistema contábil, incluindo as demonstrações financeiras e os relatórios fiscais e regulatórios.

Schipper (1989) ainda destacou que para entender os conceitos de gerenciamento de resultados é necessário explorar três principais incentivos para essas práticas: incentivos contratuais; incentivos vinculados ao mercado de capitais e incentivos reguladores.

Em relação aos processos de manipulação dos resultados, Barth et al. (1999) apontaram que os accruals contábeis são os principais influenciadores do gerenciamento de resultados. Esses accruals envolvem um alto grau de subjetividade e são mais prováveis para serem objetos de discrição pelos gestores.

Os accruals contábeis e suas qualidades expõem aos investidores os ajustes e as transformações de seus valores em fluxos de caixa. Relativamente, quando a qualidade dos accruals é baixa, ocorre um aumento do risco informacional das empresas (FRANCIS et al., 2005).

García-Lara, Osma e Penalva (2012) confirmaram os accruals contábeis como principais determinantes nas práticas de manipulação de resultados. Os autores indicaram que

os gestores utilizam seus julgamentos para calcular os accruals e introduzir vieses nos números contábeis para propostas informativas ou oportunisticamente. Essas ações refletem-se nos resultados das firmas, trazendo incertezas para os investidores.

Healy (1985) definiu os accruals como a diferença entre o lucro líquido (regime de competência) e o fluxo de caixa das operações (regime de caixa). Enquanto Schipper (1989) salientou que os accruals podem ser divididos em discricionários ou não discricionários.

Segundo Dichev (2015), a motivação dos accruals não discricionários é derivada por fundamentos das atividades operacionais e as evoluções das atividades nas firmas, enquanto os accruals discricionários são mais subjetivos e, assim, mais sujeitos a vieses e manipulações gerenciais.

Com base nesses conceitos, observou-se que as pesquisas desenvolveram diversas modelagens para mensurar o gerenciamento de resultados e suas distinções de accruals discricionários e não discricionários. No entanto, o estudo apresenta em seguida os modelos recorrentemente utilizados na literatura (Quadro 1).

Quadro 1 – Proposições recorrentes na literatura de gerenciamento de resultados

Modelos Contribuições

Healy (1985) Mensuração inicial do Total de Accruals e suas composições discricionárias e não discricionárias DeAngelo (1986) Considerou os cálculos das medidas propostas por Healy (1985) com a variação entre períodos McNichols e Wilson (1988) Explicou os accruals discricionários por meio de conta específica - provisão para créditos de liquidação duvidosa Jones (1991) Ampliou a apuração dos accruals com modelos mais robustos e a inserção de operações e características econômicas das empresas Dechow, Sloan e Sweeny

(1995) Melhorou o poder explicado de Jones (1991) inserindo as contas recebíveis nas partes não discricionárias Kang e Sivaramakrishnan

(1995)

Ampliaram McNichols e Wilson (1988) com a consideração de diversas contas explicando a composição dos accruals

Dechow e Dichev (2002) Contemplaram a qualidade dos accruals - relação entre accruals e os ajustes nos fluxos de caixa Kothari, Leone e Wasley

(2005) Adicionaram os níveis de performance (ROA) ao cálculo dos accruals

Pae (2005) Indicaram os fluxos de caixa (presente e passado) e a reversibilidade dos accruals na mensuração do gerenciamento de resultados

O Quadro mostra a evolução cronológica e conceitual dos modelos para apuração do gerenciamento de resultados. Nas colunas são apresentados os autores e as contribuições dos modelos para a literatura de earnings management Fonte: Elaborado pelo autor.

Healy (1985) foi o pioneiro no estudo do gerenciamento de resultados, ao relacioná-lo com os bônus dos executivos. Posteriormente, DeAngelo (1986) inseriu os accruals totais para investigar os comportamentos dos gestores de empresas de Nova York e da Bolsa de Valores americana que propuseram a compra de todas as ações públicas para torná-las privadas.

McNichols e Wilson (1988) apontaram problemas de más-especificações nos testes de gerenciamento de resultados, impactando as inferências e os achados das pesquisas. Jones (1991) melhorou os modelos anteriores e desconsiderou os accruals não discricionários como constantes. Para os testes de Jones (1991), ocorreu a proposição de modelagens mais robustas,

considerando os accruals discricionários e não discricionários a partir do total dos accruals e das características econômicas das firmas. O autor não se restringiu somente às contas (accruals) individuais.

Dechow, Sloan e Sweeny (1995) discutiram a adequabilidade dos modelos anteriores para os testes de gerenciamento de resultados. Os autores verificaram que o modelo de Jones (1991) era o que apresentava os resultados mais satisfatórios. Diante disso, propôs a inserção de recebíveis (contas a receber) na parte não discricionária do modelo (∆Receitas), permitindo um aumento no poder explicativo dos testes. Essa modelagem foi denominada de Jones modificado.

Por sua vez, outros modelos, como: dos accruals sendo explicados por variações econômicos nas firmas (KANG; SIVARAMAKRISHNAN, 1995); discutindo a qualidade dos accruals (DECHOW; DICHEV, 2002); considerando a performance (ROA) para o cálculo dos accruals (KOTHARI; LEONE; WASLEY, 2005), e indicando os impactos dos fluxos de caixa presentes e passados e a reversibilidade dos accruals na apuração das práticas de gerenciamento de resultados (PAE, 2005) contribuíram com proposições adicionais para as modelagens dessa característica de qualidade dos resultados contábeis.

Há ainda de se ressaltar que, além do gerenciamento de resultados serem mensurados por meio dos accruals, também é operacionalizado nas atividades reais das empresas e na suavização dos resultados (LYU et al., 2014; ECKEL, 1981).

Em relação à suavização dos resultados, Kazemi e Nouri (2012) a apontaram como uma modalidade de earnings management que utiliza instrumentos específicos de gerenciamentos para manter a constância dos resultados. São ações deliberadas para gerenciar os resultados e atender a interesses, ou seja, essas práticas são decorrentes dos julgamentos e necessidades dos gestores.

Já Francis et al. (2004) assumiram que a suavização dos resultados é um comportamento que reflete informações privadas dos gestores considerando a performance futura das firmas. Essa prática é uma maneira de ofuscar a informatividade dos resultados (LEUZ; NANDA; WISOCKI, 2003).

Para o gerenciamento nas atividades reais das empresas, Gunny (2010) explicou as diferenças nas duas formas de gerenciamento de resultados, sendo: nos accruals envolvem-se os julgamentos ou discricionariedades dos gestores por meio dos padrões contábeis para mascarar ou obscurecer a performance econômica da firma. Enquanto, para as atividades reais, os gestores alteram a tempestividade em operações, investimentos e/ou financiamentos para influenciar o sistema contábil (ROYCHOWDHURY, 2006).

Para o estudo, devido às especificidades dos comportamentos dos gestores para a realização de accruals nas BTD Anormais, optou-se pela utilização, somente, dos conceitos e modelos de gerenciamento de resultados.

Diante do exposto, independentemente dos conceitos, modelos ou tipos de gerenciamento de resultados, a literatura (CORMIER; LEDOUX; VILLENEUVE, 2015; LIMA et al., 2015; HESHMAT; NAHANDI; KHANGHAD, 2015; SHAN, 2015; BRAD et al., 2014; CUNHA et al., 2014; JOIA; NAKAO, 2014; FLORES; SILVEIRA, 2013; GRECCO, 2013; LIN; LU; ZHANG, 2012; DECHOW et al., 2011; ZEGHAL; CHTOUROU; SELLAMI, 2011; MINNICK; NOGA, 2010; FORMIGONI; ANTUNES; PAULO, 2009; JEANJEAN; STOLOWY, 2008; BARDERTSCHER et al., 2006; BURGSTAHLER; HAIL; LEUZ, 2006; ADHIKARI; DERASHID; ZHANG, 2005; LEUZ; NANDA; WISOCKI, 2003; MARTINEZ, 2001) indicou que essa prática deteriora a qualidade dos lucros contábeis. Essas pesquisas de outros autores citadas encontraram indícios de que a magnitude dos accruals discricionários é uma “red flag”, mostrando que as empresas estão engajadas na manipulação dos resultados (DECHOW; GE; SCHRAND, 2010).

Além disso, para Rajgopal e Venkatachalam (2011), o gerenciamento de resultados reduz a precisão dos resultados das empresas, aumenta a incerteza, e a informação assimétrica dos investidores e outros usuários das informações.