2. Forslag under det enkelte departement
2.9 Nærings- og fiskeridepartementet
2.9.1 Kap. 900 Nærings- og fiskeridepartementet
Por fim, a sexualidade relacional remete para os significados e importância que a sexualidade adquire no contexto do “casal” e/ou no relacionamento entre parceiros/as. Mas também aqui é possível distinguir entre as representações dos/as jovens que focam mais a questão do amor romântico (Giddens, 1996) e as que sublinham mais a importância da intimidade revelada (Jamieson, 1998)202 ou da relação pura (Giddens, 1996). Embora ambas estejam, frequentemente, articuladas, considerou-se importante separá-las, na medida em que o tipo de representações e práticas que lhes estão associadas nem sempre são coincidentes. Aquilo a que se chamou de sexualidade sentimentalizada está diretamente relacionada com o conceito de amor romântico. Neste contexto a sexualidade está associada ao sentimento amoroso e à afetividade, sendo posta ao serviço da relação (Bozon, 2004). Tem-se relações sexuais porque se “ama” o/a parceiro/a e/ou demonstra-se que se “ama” o/a parceiro/a ao ter relações sexuais. Assim, ao invés de se fazer “sexo” ou ter-se “relações sexuais”, diz- se que se “faz amor” (Marques, 2006), sendo este tipo de relação com o/a parceiro/a que legitima o ato sexual e que o torna “bom”; que permite a confiança com o/a parceiro/a e, deste modo, a abertura ao desejo e ao prazer sexuais: “A sexualidade é fazer relações de amor com uma pessoa em que existe mútuo sentimento” (Andreia, 20 anos, estudante do ensino superior); “Para mim fazer amor com alguém é estar a olhar nos olhos e sentir que essa pessoa é especial [...]. É uma ligação de almas, sem dúvida.” (Teresa, 28 anos, 12º ano, escritora). A relação sexual apenas faz sentido se existir um envolvimento afetivo entre os/as parceiros/as, não se concebendo a sua existência fora deste (Bozon,
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No caso, dos/as jovens entrevistados, a intimidade revelada está fortemente presente ao nível discursivo, sendo usada frequentemente como justificação para o envolvimento em relacionamentos sexuais e a existência de práticas sexuais com um(a) parceiro/a, como se verá ao longo deste capítulo.
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2004). O sexo ocasional, experimental, como busca de prazer momentâneo é encarado com desconfiança e recusado por estes/as jovens.
Já a associação entre sexualidade e intimidade revelada é bastante generalizada entre os/as jovens entrevistados/as. Implícitas aqui estão, sobretudo, as ideias de abertura do eu ao/à parceiro/a, de comunicação com o/a parceiro, de conhecimento profundo do/a parceiro/a203, tanto a nível corporal, como a nível emocional, e de confiança neste/a: “A sexualidade [...] é uma forma de nos descobrirmos, […], de criarmos um laço com a outra pessoa. [...] É uma forma de eu me sentir melhor comigo própria, de conhecer melhor o meu corpo, de conhecer melhor o corpo do meu parceiro, de conseguir ter prazer com ele e ele comigo.” (Patrícia, 20 anos, estudante do ensino superior). Deste modo, a intimidade revelada, se, por um lado, permite aos/às jovens terem relacionamentos sexuais e/ou amorosos, por outro lado, é uma consequência desse mesmo envolvimento íntimo com o/a parceiro/a. Pode dizer-se, então, que, neste contexto, a sexualidade funciona, simultaneamente, como produto e produtora de uma intimidade revelada (Jamieson, 2005 [1998]), criando maior intimidade e união entre os/as parceiros/as. Mas se a intimidade revelada está, geralmente, associada ao amor romântico, nem sempre assim acontece. Deste modo, se o amor romântico está presente, sobretudo, entre as jovens mulheres e os/as jovens mais católicos/as, a intimidade revelada é a justificação dada pela maior parte dos/as jovens para as práticas sexuais. Neste sentido é possível ter relações sexuais com alguém que se conhece e em quem se confie, mas que não se “ama”: “É assim, podemos ter uma sexualidade ativa com alguém que seja nosso amigo [...]. É apenas uma relação de afeto que a gente tem com ela e que pode acontece ter relações sexuais, isso acontece” (Gabriel, 19 anos, 12º ano, procura do primeiro emprego).
Acresce ainda que, de acordo com Bozon (2005 [2002]), a sexualidade assume, nos dias de hoje, um papel inédito na constituição e na manutenção das relações conjugais, tornando-se uma experiência interpessoal indispensável à existência do casal, que serve também de linguagem de base para a relação. Neste sentido, a relação sexual é uma força motora da conjugalidade, sendo que, atualmente, não se concebe a relação de um casal sem atividade sexual. A ausência de relações sexuais é, aliás, tomada como um indício de que possa existir alguma dificuldade ou problema conjugal, podendo mesmo levar à separação. A falta de atividade sexual coloca em perigo a estabilidade da construção conjugal, sendo aceite apenas em situações excecionais, transitórias e não desejadas, e não como algo permanente e voluntário. De forma semelhante, para o contexto italiano, Camolleto (2010) argumenta que, no seio do casal, sobretudo entre os indivíduos mais jovens e mais qualificados, a sexualidade foi assumindo, progressivamente, um papel cada vez mais importante como expressão de cuidado, de compreensão e de construção de intimidade entre parceiros/as, passando de uma função (apenas) procriativa para uma função cada vez mais hedonística.
203 A importância do conhecimento do/a parceiro/a para o desenvolvimento de um relacionamento íntimo é também referido por Camolleto (2010), para o contexto italiano.
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Indo de encontro ao referido por Bozon (2005 [2002) e Camoletto (2010), também para os/as jovens entrevistados/as uma “boa” vida sexual é considerada como o símbolo de uma “boa” conjugalidade, unindo o casal, complementando-o e fortificando a relação. Por um lado, a sexualidade é aqui pensada como um símbolo do amor, para alguns mesmo a base do casal, sendo que, por outro lado, o amor e/ou o casal implicam necessariamente atividade sexual204. A menor frequência de relações sexuais, implica, neste contexto, um afastamento entre parceiros/as. Pelo contrário, a atividade sexual permite e/ou aumenta o conhecimento do/a outro/a, revitaliza a relação, impede que esta caia na rotina e/ou que um(a) dos/as parceiros/as, geralmente, o homem, recorra a prostitutos/as e/ou que tenha relacionamentos extraconjugais. Para além disso, especialmente para alguns jovens homens, a relação sexual serve como uma espécie de “pó mágico” que ajuda a dissolver e/ou a ultrapassar os problemas do casal.
“Para mim, quando, às vezes, um casal está em baixo, está com problemas e são apaixonados, se fizerem amor, se fizerem sexo, não é?, acho que é diferente, fica-se melhor, esquece-se mais os problemas e estamos a ter um momento de prazer.” (Cristiano, 21 anos, 9º ano, desempregado)
“Para mim eu acho que [a sexualidade] é bastante importante. Além de ser um método de aproximação do casal, é um momento íntimo, é um momento mais profundo, é o momento da concretização do amor entre as duas pessoas. Eu acho sem dúvida que ele nunca deve faltar.” (Liliana, 23 anos, 11º ano incompleto, empregada de restaurante)