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Finansdepartementet

In document (2020–2021) (sider 82-85)

2. Forslag under det enkelte departement

2.13 Finansdepartementet

As transformações no domínio da intimidade e nas questões de género, de que se tem vindo a dar conta, tiveram implicações no modo como os/as jovens, especialmente as jovens mulheres, vivem a sua sexualidade. Muito marcada a meio da década de 50, do século XX, a assimetria entre homens e mulhees em relação à iniciação sexual atenua-se nas gerações mais jovens, embora mais no sentido de uma reformulação do que de um apagamento (Bozon, 2008 a)). Como referido no capítulo anterior, os contextos de sociabilização das jovens mulheres e os seus namoros mantém-se mais controlados do que no caso dos jovens homens. Ainda assim, jovens homens e mulheres encontram-se em situações mais igualitárias do que no passado. Deste modo, se no passado as mulheres tinham, geralmente, as suas primeiras experiências sexuais com um futuro conjugue ou com o conjugue, após o casamento, e os jovens homens iniciavam-se, frequentemente, pelo recurso à prostituição, atualmente a sexualidade juvenil, apesar de ainda ser permeada por algumas controvérsias, tornou-se um período próprio, socialmente aceite, fazendo parte das suas vivências quotidianas e das diversas transições pelas quais

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os/as jovens passam (Aapola et al., 2005; Aboim, 2010 a); Aboim et al., 2011; Almeida et al., 2004; Bozon, 1993, 2005 [2002], 2008 a); West, 1999; Heilborn, 2006; Pais, 1998; Vieira, 2009).

5.2.1. Namoricos, namoros, curtes e outros que tais: relacionamentos sexuais

e/ou amorosos e trajetórias dos/as jovens

Um dos aspetos que caracteriza este período de experimentação sexual juvenil é a existência de uma difusão dos beijos e das carícias, entre os/as jovens, no contexto dos seus relacionamentos sexuais e amorosos (Lagrange, 1998). A prática de beijos e carícias, sem que haja necessariamente uma relação sexual, faz parte das relações interpessoais dos/as jovens, num contexto em que as saídas podem significar a partilha de momentos íntimos e a possibilidade de ter contactos físicos afetivos. Estas primeiras experiências sexuais constituem, assim, um novo período de autonomia social, condicionado, sobretudo por normas e modelos de conduta criadas pelo grupo de pares (Bozon, 2005 [2002]; Lagrange, 1998). Sendo uma novidade contemporânea, o carácter gradual da passagem para uma sexualidade genital, implica, atualmente, um modelo de exploração física e relacional por etapas: com o beijo, as carícias corporais e por fim a penetração genital, que é, geralmente, feito com parceiros/as diferentes e associado a diferentes significados. Assim, a distância temporal entre as primeiras experiências sexuais e a “primeira relação sexual é permeada por “outros relacionamentos e contactos afetivos e sexuais” (Ferreira, 2010 d): 259). Antes do primeiro relacionamento sexual e amoroso “sério” e duradouro, os/as jovens têm agora uma fase de experimentação sexual, o que não acontecia no passado, sobretudo, no caso das jovens mulheres (Bozon, 2005 [2002]; Caltabiano, 2010; Ferreira, 2010 c); Lagrange, 1998; Pais, 1998).

Este tipo de progressão de práticas e de relacionamentos sexuais e/ou amorosos é bastante comum entre os/as jovens adulto/as entrevistados/as neste estudo. Assim, em criança começam a ensaiar-se os primeiros beijinhos, a participar-se nos primeiros jogos sexuais, como o bate pé, e a ter os/as primeiros/as namoradinhos/as230. Com o início da adolescência os beijos tornam-se mais profundos e surgem as curtes, de algumas horas ou de alguns dias. O avançar da idade traz consigo os primeiros namoros a sério, uma maior exploração do corpo dos/as jovens e as primeiras relações sexuais. Apenas um pequeno grupo de jovens iniciam as suas experiências sexuais quase ao mesmo tempo que têm a primeira relação sexual. Para este grupo, a iniciação sexual é, geralmente, mais tardia do que para os/as outros/as jovens, em face de uma inibição das práticas sexuais, que tende a estar relacionada, por um lado, com as interdições da família de origem nos tempos e/ou espaços de lazer e de sociabilização, e, por outro lado, com a identificação com uma orientação não heterossexual, não assumida perante os outros, nem por vezes para si próprio/a.

230 No mesmo sentido, Vieira (2009: 173) dá conta da verbalização da “existência de práticas, pessoais ou partilhadas, antes da primeira experiência coital, o que aparece como experiências da sexualidade”, por exemplo, ao nível de jogos como o “bate pé” ou a “verdade ou consequência”, ou de práticas como o beijar e o apalpar. De acordo com a autora (Vieira, 2009), estas práticas de exploração vão-se sucedendo progressivamente no tempo, levando a comportamentos mais íntimos.

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Beijinhos, curtes e namoricos

Ora, para uma grande parte dos/as jovens entrevistados/as, a experiência da sexualidade está, de alguma maneira, relacionada com a progressão escolar231. Tende a ser neste contexto232, que se conhecem os/as primeiros/as parceiros/as e que acontecem as primeiras experiências sexuais e/ou amorosas, no que, segundo Nayak e Kehily (1996), resulta de um crescimento dos/as jovens e da tomada de consciência destes/as da sua sexualidade. É assim que, durante os anos da pré-escola e dos primeiros e segundos ciclos do ensino elementar, os/as jovens experimentam os seus primeiros beijinhos e as primeiras carícias, geralmente com os/as colegas de escola, num ato que tende a ser avaliado, aos olhos do presente, como “coisas de criança”, “sem grande importância”. A banalização dos primeiros beijos é expressa no facto destes serem considerados como “nada de especial”, algo feito por curiosidade e/ou para praticar, sem que os/as jovens se lembrem bem deles. Deste modo, o primeiro beijo pode ser considerado como um ato iniciador; uma primeira experiência física relacional e sexualizada para os/as jovens, que acontece, frequentemente, sem que haja um grande investimento sentimental (Lhomond, 1999).

A par destes primeiros beijos, ensaiam-se também os primeiros relacionamentos amorosos e sexuais (frequentemente temporários e de curta duração) – os namoricos ou namoros de criança, contexto aliás em que estes beijinhos têm lugar, e que, tal como estes, tendem a ser considerados como pouco sérios e insignificantes. Esta é, geralmente, uma fase de descoberta e de experimentação, em que os/as jovens referem ainda não saberem o que querem, onde não se sente responsabilidade para com o/a parceiro/a e onde pode não se compreender bem o significado daquilo que se está a fazer.

“Ai, dei os meus primeiros beijinhos, estava na escola, foi a um rapaz, mas era mesmo só um beijinho “muah” assim, porque éramos pequenitos. Éramos pequenos... 11, 12 anos se calhar!?, nem me lembro, já foi há tanto tempo. Era: “és meu namorado”, mas nem era de mão dada nem nada, era mesmo só dizer que éramos namorados. [...] Foi importante e não foi, éramos... eu era miúda, pronto. Sei lá, eu... foi importante porque era uma coisa nova, né?, a gente: “epá, já dei um beijinho”, pronto, mas se eu for a ver hoje, olha, éramos miúdos, os miúdos é normal isso acontecer, pronto.” (Verónica, 21 anos, 9º ano incompleto, empregada de supermercado)

É, essencialmente, pelo seu caracter exploratório e de aprendizagem, que os/as jovens podem conceder (alguma) importância a estes momentos. Contudo, alguns/algumas destes/as jovens referem também a importância que estes/as namoradito/as têm para “crescer” perante os pares, ou a influência destes/as na iniciação das experiências sexuais e amorosas, como se pode ver pelo exemplo do Ricardo.

231 Sobre a comunicação sobre sexualidade e a educação sexual formal e informal nas escolas, ver capítulo 4. 232

No entanto, os/as filhos/as dos/as do/as amigos/as dos pais, os/as vizinhos, ou outras crianças com quem se convive, podem servir também como parceiros/as para estas experimentações relacionais iniciais da sexualidade.

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