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Kap. 2421 Innovasjon Norge

In document (2020–2021) (sider 67-71)

2. Forslag under det enkelte departement

2.9 Nærings- og fiskeridepartementet

2.9.3 Kap. 2421 Innovasjon Norge

Embora o amor não seja sempre associado ao modo como a sexualidade é representada, esta, como se irá ver ao longo das várias páginas deste trabalho, é sobretudo valorizada em termos relacionais. Tendo em conta a importância que o amor adquire nas sociedades ocidentais atuais, este resultado não é de estranhar. Como referido no capítulo II, na sociedade ocidental contemporânea, o amor é considerado como algo fundamental. Perante o processo de individualização destas sociedades, em que o aumento das relações impessoais e a extensão da autonomia e da possibilidade de escolha podem levar a sentimentos de solidão e de perda de estabilidade interior, as relações íntimas e amorosas podem ser consideradas como um refúgio, um lugar de procura de estabilidade, de diálogo interpessoal, de reconhecimento e recompensa (Beck and Beck-Gernsheim, 1995; Kauffmann, 2007

204 Neste sentido, Johnson (2005) argumenta que o amor é construído como sexual. A relação sexual torna-se um veículo da intimidade que é criada com o outro, sendo necessária para a consolidação do amor. O autor (Johnson, 2005) vai ainda mais longe defendendo que a sexualidade é organizada à volta da ideia de amor. Também Jackson e Scott (1997, 2010) consideram que, durante o século XX, à medida que a atividade e o desejo sexual se foram tornando valorizados como meio de cimentar os relacionamentos heterossexuais, o “bom sexo” (Jackson e Scott, 1997: 558) passou a ser percebido como fundamental para o seu sucesso. Neste contexto, o sexo foi incorporado nos significados do amor. Assim, ao mesmo tempo que os laços entre sexualidade e reprodução se tornam mais frágeis, o sexo adquire novos objetivos, como a realização pessoal ao serviço da manutenção do casal heterossexual (Jackson e Scott, 1997, 2010).

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Referência ao livro de Gabriel Garcia Márquez: “O amor em tempos de cólera”, em que o autor fala da vivência do amor na velhice. Aqui quer falar-se também nos significados de amor e paixão, mas numa fase da vida diferente, em que os/as jovens percorrem as suas trajetórias para a vida adulta.

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[1993]; Jackson, 1993; Weber in Bertilsson, 1986; Weeks, 1995). O amor torna-se, assim, num meio através do qual as experiências e necessidades individuais são reconhecidas e validadas, tendo a potencialidade para transformar os indivíduos (Weeks, 1995).

No caso dos/as jovens entrevistados/as, apesar dos significados diferenciados que assume, percebe-se, em primeiro lugar, que o amor, não é um sentimento que se tem unicamente pelos/as parceiros. Ama-se também a família, os/as amigo/as, as coisas que se possuem, as atividades que se fazem, as pessoas de quem se está rodeado e a si próprio/a. Mas acima de tudo, o amor é representado como algo de muito importante, como um sentimento bom, mesmo maravilhoso; sentimento este que é considerado como essencial para as suas vidas. Indo de encontro ao referido por autores/as, como Beck and Beck-Gernsheim (1995), Jackson (1993), Kauffman (2007 [1993]) ou Weeks (1995), este é percebido uma fonte de bem-estar pessoal, de felicidade, algo que completa e que preenche o indivíduo. O amor é ainda percebido como tendo o poder de resolver problemas e de remover obstáculos, entre parceiros/as (Torres, 2000, 2004).

Mas quando se trata de explicar o seu significado a tarefa torna-se mais difícil, mesmo porque o amor é percebido, frequentemente, como algo complexo e inexplicável. Quando os/as jovens se aventuram a defini-lo por palavras, as caraterísticas apontadas tendem a remeter para questões: de temporalidade, de intensidade e da qualidade da relação com o/a parceiro/a. Assim, em primeiro lugar, tem-se que o amor é percebido como um sentimento duradouro, continuado no tempo, que vem, geralmente, depois da paixão. É construído através da partilha de experiência e tende intensificar-se com o tempo. Em termos de intensidade, o amor é percebido como um sentimento profundo, sério e verdadeiro, sendo também considerado como um sentimento forte para alguns e suave para outros, desta feita por oposição à fogosidade da paixão. Por seu turno, a relação com o/a parceiro/a é percebida como uma mistura de amor romântico e de relação pura (Giddens, 1996), onde o acento na intimidade revelada (Jamieson, 2005 [1998]) é claramente visível. Assim, se, por um lado, se sublinham os sentimentos para com o/a parceiro/a, a importância da presença deste/a e a união de ambos, por outro lado, assinala-se a importância do respeito, do sentimento de bem-estar com este/a, do altruísmo e da partilha.

“O amor, para mim, é a maior força que deveria de haver na terra. Com o amor tudo se constrói, tudo se resolve. [...] Pelo amor fazemos tudo e assim como, se calhar, por amor fazem tudo por nós. Sentimo-nos completos e realizados. [...] Para mim o amor engloba muitas coisas: amizade, sexo, tranquilidade, respeito, um conjunto de coisas. Sexo é só apenas uma pequena parte, só isso não é suficiente.” (Frederico, 25 anos, 12º ano, vigilante)

À primeira vista, o amor tende a contrapor-se à paixão. Se o amor é percebido como um sentimento consolidado, que vai sendo construído e ganhando significado ao longo do tempo, a paixão é vista como um sentimento mais efémero e incerto. Ao contrário do que acontece com o amor, a paixão tende então a remeter para um sentimento inicial por um(a) parceiro/a, que frequentemente não se conhece muito bem, e onde a atracção física e o desejo “carnal” e

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“sexualizado” imperam. À paixão associam-se sentimentos mais superfíciais, em que a ligação com o/a parceiro/a é menor. No entanto, esta é percebida também, por vezes pelos mesmos indivíduos, como um sentimento forte, ardente, arrebatador, pela qual se podem fazer loucuras: “Ok, amor é uma coisa que dura, que vai crescendo. Paixão não tem a ver com aquela atração, com aquele desejo, com aquele fogo” (Mariana, 24 anos, licenciatura, empregada de balcão/barmaid). Paixão e amor não são, contudo, sentimentos que se opõem necessariamente. E, embora para alguns/algumas jovens, o amor seja considerado como mais significativo, existe, sobretudo, a ideia de uma progressão de sentimentos: conhece-se o/a outro/a, a paixão surge, podendo ou não culminar em amor206. Para outros/as jovens ainda, amor e paixão complementam-se, sendo que idealmente ambos os sentimentos deveriam estar interligados.

Não se pense, no entanto, que tudo é positivo no “mundo do amor”. Apesar de toda esta idealização, o amor não passa sem críticas ao escrutínio de alguns/algumas destes/as jovens. Primeiro, porque nem todos/as eles/as consideram que já o sentirem; depois, porque se pode pôr em causa a própria existência de tal sentimento, pelo menos no que diz respeito a um(a) parceiro/a (por oposição ao amor sentido pela família); e, por fim, porque se crê que há um decréscimo de importância atribuída ao amor, nos dias de hoje, naquilo que se pode perceber como um certo saudosismo de um ideal de família duradoura, numa sociedade cujos ritmos e mudanças podem ser sentidos como disruptivos.

5.1.3. Para além das dicotomias: sexo por amor, sexo por prazer e a

multiplicidade dos significados da sexualidade

Ora, apesar de existir uma idealização da sexualidade relacional, os significados e os comportamentos que lhe estão associados são, geralmente, diversos, múltiplos, mesmo complexos e frequentemente contraditórios. Deste modo, a sexualidade pode ter significados diferentes, em diferentes tipos de combinações207. Assim, por exemplo, um(a) jovem pode idealizar envolver-se numa relação amorosa e simultaneamente envolver-se em relações esporádicas, outro/a jovem pode considerar a sexualidade como um instinto natural, uma fonte de identidade e, simultaneamente, associá-la aos sentimentos que tem pelo/a parceiro/a. Os/as jovens tendem então a ter várias representações da sexualidade, e não apenas uma. Para além disso, estas representações tendem a ser dinâmicas, podendo variar ao longo do tempo e/ou do contexto. Os diferentes guiões sexuais existentes na sociedade: romântico, essencialista, hedonista, preventivo..., são usados de acordo com

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Interessante é de notar que alguns/algumas jovens referem que não é possível estar-se sempre apaixonado. A intensidade da paixão e o desligar da vida quotidiana, e da sua rede de relações sociais, pode ser percebido como impossível de manter durante muito tempo.

207 No mesmo sentido, Camolleto (2010), mostra como, atualmente, as maioria dos italianos, tem uma conceção multidimensional da sexualidade, em que se reconhece que esta tem várias funções e significados, como a reciprocidade do prazer entre parceiros/as, a comunicação, o melhorar do relacionamento ou a expressão do Eu.

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as circunstâncias e posicionamentos sociais dos indivíduos, os seus relacionamentos interpessoais e as possibilidades que admitem ao nível intrapsíquico. Neste sentido, Johansson (2007) considera que a realidade quotidiana pode surgir, para os/as jovens, repleta de tensões, contendo diferentes representações, com uma moral sexual mais restritiva e repressiva num extremo e uma mentalidade mais liberal e aberta no outro208.

“Sexualidade envolve muita coisa, não é só sexo [...]. É assim a sexualidade não envolve necessariamente amor. Uma pessoa pode ter uma sexualidade com outra pessoa sem gostar ou amar, não é?! Dai existir os preservativos [...]. Até porque uma pessoa tem que aproveitar a vida! [...] Sei lá, envolve o ato sexual, envolve os preliminares, envolve o beijo, envolve muita coisa… envolve a maneira de sentir também, [...] eu acho que se uma pessoa se sentir bem consigo própria, acaba por ter uma sexualidade mais aberta, entre aspas, mais valorizada…” (Joana, 23 anos, licenciatura, desempregada)

A oposição, geralmente, feita entre sexo por sexo e sexo por amor209 é exemplificativa de como mais do que se oporem, as diferentes representações sobre sexualidade, e as práticas que lhe estão frequentemente associadas, podem coexistir nas representações de um único indivíduo, e incorporadas na sua biografia. “Sexo por sexo” e “sexo por amor” tendem, no entanto, a ser praticados com diferentes tipos de parceiros/as e a ter diferentes tipos de sentimentos associados. Assim, se o sexo por sexo é parte do domínio de uma sexualidade individual e hedonista, o sexo por amor pertence ao domínio de uma sexualidade relacional e sentimentalizada. Tem-se sexo por sexo com um(a) parceiro(a) ocasional, com o/a qual pode não se quer ter qualquer relacionamento ou se sentir qualquer tipo de sentimento, e tem-se sexo por amor no contexto de um relacionamento com um(a) parceiro/a; é a diferença entre uma conquista sexual e o apaixonar-se por um(a) parceiro/a sexual (Holland et al., 1996; Maxwell, 2007). Assim, se a sexualidade como forma de prazer envolve o desejo físico pelo/a outro/a, a sexualidade dentro de uma relação envolve o sentimento, o carinho e o afeto que se tem pela pessoa.

“Sexualidade [...] para mim há dois tipos: sexualidade, ou seja, sexo em si, só pelo prazer; e existe depois a parte de sexo [...], quando uma pessoa tem um sentimento por outra pessoa. [...] Por exemplo eu namorei dois anos com uma pessoa [...], fazia sexo com essa pessoa com sentimento, [...] carinho. É totalmente diferente quando uma pessoa conhece uma pessoa e tem vontade, aquele desejo de ter algo físico com essa pessoa. Normalmente é intenso, mas não tem tanto aquela componente do carinho, do afecto, do pensar como é que aquela pessoa se está a sentir [...] Quando existe sentimento, acho que é

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Também Aapola et al. (2005) argumentam que, no caso das jovens mulheres, a sexualidade é uma das esferas da vida mais contestadas, na medida em que estas são frequentemente alvo de mensagens contraditórias. Assim, por um lado, se os discursos mais tradicionais de castidade feminina, vulnerabilidade sexual e perigo ainda existem em relação à sexualidade das jovens mulheres; por outro lado, surgiram novos discursos que enfatizam a centralidade e o significado positivo da sexualidade, assim como uma série de maneiras possíveis em que esta pode ser expressa por [jovens] homens e mulheres.

209 Hockey et al. (2007: 113), para o Reino Unido, referem também que os/as jovens “deslizam” entre uma “linguagem do amor” e uma “linguagem carnal”, quando distinguem diferentes tipos de relacionamentos. Por seu turno, para o contexto brasileiro, Heilborn et al. (2006a, 2006b) dão conta de como as jovens mulheres inquiridas por eles/as representam a sexualidade tanto a um nível individualizado como a um nível relacional, sendo que quanto mais escolarizados/as, mais os/as jovens se referem à sexualidade enquanto uma fonte de prazer. Também Vieira (2009: 183), para o norte de Portugal, refere que os/as jovens por ela inquiridos/as, procuram articular prazer sexual (a sexualidade como fonte de prazer) e relação amorosa (a sexualidade relacional romântica) naquilo que chamam de “sexo amoroso”.

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