Tradicionalmente, os programas parentais têm sido desenhados para serem
implementados pessoalmente por um profissional treinado, em sessões individuais ou
em grupo. Alguns programas contemplam a participação da criança em todas ou algu-
mas sessões para que os pais possam ensaiar as competências aprendidas ou a observa-
ção da criança noutro contexto em algum momento do programa para discussão poste-
rior com os pais. A investigação tem mostrado melhorias na perceção parental de com-
petência, nas competências parentais, nas competências sociais e na adaptação escolar
das crianças e reduções nos problemas de comportamento e de atenção (Barlow et al.,
2010; Dretzke et al., 2009; T. Taylor & Biglan, 1998). Numa meta-análise recente, foi
encontrada uma dimensão do efeito de 0.43 nas medidas parentais e de 0.30 nas medi-
das da criança (Kaminski et al., 2008). A dimensão do efeito dos programas em diferen-
tes medidas parentais variava, com maiores dimensões do efeito em indicadores de
conhecimentos (0.88) e menores em competências e comportamentos (0.39). Em rela-
ção às medidas de comportamento da criança, foram encontradas dimensões do efeito
maiores para os comportamentos de internalização (0.40) e de externalização (0.25) e
menores para competências sociais (0.13) (Kaminski et al., 2008).
Alguns programas incluem módulos adicionais para além do treino básico em
competências parentais, no sentido de atingir outros fatores de risco da família, como
psicopatologia dos pais ou conflito familiar. A evidência relativa aos benefícios destes
módulos adicionais não é completamente conclusiva (Kaminski et al., 2008; Lundahl et
al., 2006; Sanders, Bor, & Morawska, 2007).
Como referido anteriormente, a maior parte dos programas de treino parental
Capítulo III. Promoção do Desenvolvimento e Adaptação na Infância
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117 117 117 117 117 cos ou clínicos de problemas de comportamento. Um pequeno número de trabalhos
implementou abordagens de prevenção universal. Uma parte deles utilizou programas
intensivos habitualmente disponibilizados para prevenção seletiva ou indicada ou para
tratamento, encontrando reduções na utilização de práticas parentais disfuncionais e nos
problemas de comportamento, aumento da utilização de práticas parentais positivas e
melhorias na saúde mental e relação conjugal dos pais (Hahlweg et al., 2010, 2008;
Zubrick et al., 2005). Outros recorreram a programas menos intensivos, com duas a qua-
tro sessões, encontrando alterações apenas nos indicadores parentais, como menos dis-
ciplina severa e menos expectativas desadequadas em relação ao desenvolvimento da
criança (Bayer, Hiscock, Ukoumunne, Scalzo, & Wake, 2010; Hiscock et al., 2008). Os
autores concluíram que o programa isolado seria insuficiente para prevenir o desenvol-
vimento de problemas de comportamento e que seriam necessárias abordagens mais
intensivas para as situações de maior risco (Bayer et al., 2010; Hiscock et al., 2008).
Mais recentemente, estes autores propuseram uma abordagem combinada, incluindo
intervenção universal e seletiva, no sentido de conseguir um maior alcance, recrutamen-
to e impacto (Hiscock et al., 2012).
Considerando o impacto positivo dos programas parentais, tem sido feito um
esforço para identificar as características dos programas eficazes. Na verdade, embora
os programas parentais tenham uma base comum, diferentes programas distinguem-se
pelos conteúdos que enfatizam, pelos contextos e formatos de disponibilização, pelas
metodologias em que assentam e pelas famílias que abrangem.
Vários autores procuraram identificar os princípios subjacentes aos programas
eficazes. Moore, Ochiltree e Cann (2002) resumiram essas ideias salientando as seguin-
tes qualidades: focado na capacitação (emporwerment) e nas capacidades das famílias;
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“De Pequenino…” Uma abordagem ao desenvolvimento e comportamento da criança pequena
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perceção que a família tem do problema; centrado na família; baseado na comunidade;
sensível à diversidade sociocultural, étnica e socioeconómica; fundamentado em mode-
los teóricos claros e empiricamente validados; abrangente e dirigido a fatores de risco
conhecidos; disponibilizado por pessoas devidamente formadas e supervisionadas. Uma
das características que tem sido apontada de forma sistemática é a utilização de uma
abordagem centrada na família (Powell, 2006). De acordo com esta abordagem, as
intervenções devem dirigir-se para a capacitação dos pais, respondendo às suas necessi-
dades e preocupações (American Academy of Pediatrics, Committee on Hospital Care,
& Institute for Family-Centered Care, 2003). Por outro lado, são salientadas as capaci-
dades das famílias, devendo os programas dirigir-se à promoção do bem-estar e não
apenas ao tratamento de problemas ou prevenção de fatores de risco.
Kaminski e colaboradores (2008) verificaram que programas que incluíam o
treino de competências de comunicação emocional (e.g., escuta ativa, apoiar a criança
na identificação e expressão de emoções) e de interação positiva (e.g., envolvimento em
interações positivas, envolvimento em brincadeiras guiadas pela criança, fornecimento
de atenção positiva por comportamentos adequados) se associavam a maiores efeitos
nos comportamentos parentais. Por outro lado, incluir o treino em interações positivas
com a criança e a utilização do isolamento e resposta consistente aos comportamentos
da criança associavam-se a maiores efeitos nos comportamentos de externalização da
criança. Adicionalmente, programas que contemplavam o ensaio das competências
aprendidas com a criança durante as sessões produziam maiores efeitos nas competên-
cias parentais e comportamentos da criança.
O grande problema apontado aos programas parentais é o alcance limitado, já
que apenas uma minoria de pais beneficia destes programas (Cunningham et al., 1995;
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119 119 119 119 119 parentais não têm estado disponíveis de forma abrangente para a população porque
representam custos consideráveis (Cunningham et al., 1995; Foster et al., 2007) e por-
que não têm sido integrados nas práticas habituais dos contextos clínicos e educativos
(T. Taylor & Biglan, 1998). Por outro lado, têm sido identificadas dificuldades diversas
no envolvimento dos pais, incluindo uma baixa motivação, o receio de estigmatização e
uma série de constrangimentos de natureza logística, como horários, transporte, local
para deixar as crianças, despesas envolvidas (Dumka & Garza, 1997; Elgar & McGrath,
2003; Foster et al., 2007; Heinrichs, Bertram, Kuschel, & Hahlweg, 2005; Spoth &
Redmond, 2000). Desta forma, os programas parentais não têm sido aplicados numa
escala suficiente para permitir um efeito claro ao nível populacional (Spoth et al., 2002).