• No results found

Pergunta 1: A IES tem outra fontes de recursos além das mensalidades dos alunos?

Quatro coordenadores afirmaram que a única fonte de recursos são as mensalidades pagas pelos alunos. Dois afirmaram que não têm conhecimento. Um deles acredita haver outro tipo de recurso, mas não soube especificar, e o outro afirmou que não há cobrança de mensalidades porque a IES é pública.

Pergunta 2: O estabelecimento faz parceria com entidades governamentais e não governamentais? Em caso afirmativo, quais?

Sete dos entrevistados informaram que as IES fazem algum tipo de parceria com outras entidades. O coordenador que declarou a inexistência de parceria afirma que há uma proposta de convênio a ser concretizada. As respostas demonstraram a importância das parcerias entre IES e entidades governamentais ou não-governamentais.

Dois coordenadores informaram que as parcerias são voltadas para os cursos de pós-graduação. Cinco dos entrevistados informaram que as IES fazem convênios, voltados ao desconto nas mensalidades ou concessão de bolsas de estudo, com entidades interessadas na formação de seus profissionais. Foram citadas como entidades parceiras; o Conselho Federal de Contabilidade - CFC, o Conselho Regional de Contabilidade – CRC, o CNPq, o FIES, alguns cartórios, a Secretaria de Educação do Distrito Federal, e o Exército. Um dos entrevistados mencionou a importância de estabelecer parcerias voltadas ao oferecimento de estágio aos alunos.

Em síntese, as parcerias objetivam captar alunos, financiar projetos e promover a oferta de estágios. Embora não citados pelos entrevistados, existem vários tipos de parcerias das quais as IES podem dispor como patrocínios de atividades culturais e esportivas, prestação de consultorias, prestação de serviços e desenvolvimento de pesquisas em laboratórios, desenvolvimento de atividades de extensão, dentre outras que, deveriam ser melhor aproveitadas.

A prestação de serviços pela IES é definida em Fórum de Extensão das IES Brasileiras (2004: 19) como o trabalho prestado a comunidade interna ou externa, podendo gerar recursos alternativos para a instituição. Apresenta como benefício da prestação de serviços o aprendizado prático dos estudantes, que se envolvem em projetos específicos de cunho institucional, social, técnico e/ou cultural, realizados pelos escritórios técnicos, laboratórios, clínicas, incubadoras, empresas júnior, agências de marketing e/ou comunicação, produtoras, TV e rádio.

Uma das grandes vantagens da parceria é a aproximação da IES com a sociedade, buscando atender às suas demandas pelo conhecimento. O texto do art. 43 da LDB, ao estabelecer a finalidade da educação superior, confirma a importância do elo entre a IES e a sociedade.

Pergunta 3: Caso a coordenação tenha a necessidade de adquirir materiais ou equipamentos, qual o trâmite para que a solicitação seja concedida?

Sete coordenadores disseram que, em regra, as solicitações de materiais ou de equipamentos são atendidas. Já o coordenador de uma das universidades particulares afirmou que os processos para aquisição de materiais não são bem definidos, embora não tenha reclamado de ser ou não atendido.

São várias as formas e os caminhos para o atendimento dos pedidos dos coordenadores. Foram citados os seguintes setores como receptores das solicitações: Departamento de Suprimentos, Setor de Compras, Direção e Diretoria Administrativa. Em uma das IES o pedido é feito pela intranet. Foram citados como setores intermediários que também fazem parte dos procedimentos de compra e disponibilização do uso de materiais: a administração da IES (mantenedora), a área financeira, o almoxarifado da mantenedora, a chefia de campus e a área de patrimônio.

De maneira geral, os pedidos são atendidos e o processo não dispende muito tempo, principalmente se o material solicitado estiver disponível no estoque do almoxarifado.

Na universidade pública, o procedimento foi assim descrito conforme a resposta abaixo:

Há uma dotação orçamentária que a universidade distribui às faculdades, que, por sua vez, distribuem aos cursos. O curso, portanto, possui suas próprias verbas de custeio e investimento. Se houver uma necessidade específica, elabora-se um projeto e encaminha-se a algum órgão de fomento. Por enquanto essas tentativas não alcançaram êxito.

Com base nas informações prestadas pelos coordenadores, pôde-se concluir que a aquisição de materiais ou equipamentos não é o ponto crítico, ou seja, não tem afetado substancialmente o trabalho da coordenação. Porém, se os processos de suprimento forem aprimorados a IES poderá ganhar em eficiência.

Segundo Granemann (2003: 43-57), o processo de compras nas corporações é uma atividade que gera muita polêmica e discussão. Por vezes porque o setor responsável não consegue servir a todos os seus clientes da maneira como eles desejariam e outras vezes porque o processo torna-se excessivamente burocrático. O autor alerta principalmente as IES privadas quanto aos procedimentos de reposição dos estoques de mercadorias necessárias às atividades acadêmico-administrativas. Parcelas substanciais das receitas podem ser reduzidas

se houver otimização dos processos e utilização de métodos científicos reconhecidos no gerenciamento dos insumos necessários ao processo produtivo.

Pergunta 4: Como é feio o processo de contratação dos professores?

Dos oito coordenadores, seis declararam participar sistematicamente do processo de contratação de professores, um afirmou que participa indiretamente como membro do colegiado e o outro não declarou fazer parte deste processo.

Os sistemas de contratação de docentes nas IES são bem diversificados, não sendo possível fazer uma comparação entre elas. Cada IES possui método de seleção próprio que leva em consideração pelo menos um dos procedimentos a seguir: análise curricular, entrevista, teste, concurso, prova, indicação e aula demonstrativa.

Como exemplo de critérios, a seguir as respostas dos coordenadores das IES 1, 2 e 5:

Para o quadro permanente: através de concurso público professor assistente (mestrado) e professor adjunto (doutorado). Depende de autorização da reitoria que, por sua vez, depende do Governo Federal para autorizar o concurso.

Para o quadro provisório: contratação de professor substituto – a seleção é mais simplificada. Publica-se o edital no Diário Oficial, faz-se uma entrevista e uma prova de 15 minutos sobre um tema previamente selecionado perante uma banca composta por 3 membros, à qual cabe o veredicto final com a anuência do coordenador.

O coordenador indica a contratação de um professor através de formulário que é encaminhado ao Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, que, posteriormente, encaminha para a Pró-Reitoria de graduação. Se autorizado, o professor será contratado. Não há aplicação de teste ao candidato.

O coordenador faz uma primeira entrevista com o candidato e entrega-lhe o plano de ensino para que prepare uma aula dentro do assunto. Posteriormente é marcada uma aula de 30 minutos para uma banca de 3 professores. Se aprovado, a documentação é encaminhada de pronto à área financeira para contratação. A palavra final é do coordenador.

Tashizawa (2001: 210-211) define a sistemática de seleção como a procura em obter informações sobre o cargo a preencher e, posteriormente, promove a avaliação do candidato através da aplicação de técnicas de seleção como: entrevista, provas de

conhecimento/capacidade, testes psicométricos, testes de personalidade e técnicas de simulação. Mais adiante, explica o aperfeiçoamento dos critérios de seleção de pessoal e os classifica em pré-burocrático, burocrático e pós-burocrático. No modelo pré-burocrático de organização, a seleção era feita com base na amizade e nas relações sociais, com enfoque no passado. No modelo burocrático a seleção adota como pré-requisito o treinamento ou a formação específica, valorizando o diploma, com especial enfoque no presente. Já no modelo pós-burocrático, a seleção incorpora como pré-requisito o potencial do candidato, priorizando a formação generalista, com enfoque voltado para o futuro.

Portanto, nota-se que nas IES pesquisadas estão presentes os três modelos de seleção de pessoal. Em algumas o processo chega a ser misto, utilizando mais de um dos modelos.

Pergunta 5: Qual o tempo médio para recebimento ou parecer sobre a solicitação?

O quadro, elaborado de acordo com as respostas dos coordenadores, demonstra que o tempo para aquisição de materiais e equipamentos pode variar de “rápido” a três meses, conforme o valor e o tipo de material solicitado. Em relação à contratação de professores, há maior agilidade no processo, pois sem professor não há aula. As contratações de docentes não ultrapassam uma semana, à exceção da IES 1 que leva em média um mês para contratar professores substitutos e um tempo ainda maior para o preenchimento de vaga do quadro permanente, visto que as contratações se fazem por meio de concurso público e dependem da liberação de verbas.

Quadro 12 – Tempo médio para atendimento à solicitação de materiais e equipamentos e para a contratação de professores

Tempo para:

IES Aquisição de materiais e equipamentos Contratação de professores (após a seleção)

1 3 meses 1 mês para professor substituto

2 2 meses para itens de pequeno valor Imediata

3 1 mês Imediata

4 De mais de uma semana 3 dias a uma semana

5 - Imediata

6 dias até meses -

7 rápida Imediata

8 livros – 15 dias/equipamentos - 2 a 3 meses 3 a 4 dias

Pergunta 6: A política da gestão de recursos financeiros influencia as atividades do coordenador? Como?

Três coordenadores afirmaram que a política da gestão de recursos financeiros não interfere no exercício de suas atividades. Os outros cinco disseram que poderiam melhorar o desempenho na coordenação se tivessem autonomia em relação aos recursos financeiros. O coordenador subordinado ao chefe de departamento disse ter seu trabalho dificultado quando surgem situações urgentes porque nem sempre as solicitações são atendidas diante de outras prioridades do departamento.

Para o coordenador de uma das universidades particulares há prejuízo no trabalho da coordenação, uma vez que não está em suas atribuições a gestão de recursos, visto que o

orçamento é centralizado e autocrático, com previsão para um ano. Geralmente há muitos cortes e às vezes, mesmo com a rubrica aprovada, não há garantia de sua execução. A escassez de recursos às vezes impede a execução do projeto pedagógico.

Os coordenadores de duas faculdades queixaram-se da falta de autonomia financeira porque esta possibilitaria a realização de eventos para professores e alunos, bem como a participação daqueles em eventos externos. O entrevistado de outra faculdade

ponderou que deveria ser disponibilizada ao coordenador uma parcela do orçamento para que pudesse administrá-la livremente.

Pergunta 7: Quais são as prioridades das IES para a alocação dos seus recursos?

Os entrevistados em geral desconhecem sistematicamente as prioridades das IES para a alocação de seus recursos. Porém algumas prioridades foram apontadas, como: melhoria das instalações físicas e da biblioteca, aquisição de equipamentos e contratação de professores, utilizando-se o critério da melhor qualificação. Um dos coordenadores levantou uma questão importante ao reclamar que a área de ciências sociais tem servido de caixa para o investimento em cursos de outras áreas.