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2. Introducing the case of small-scale dairy development

2.3 Introducing the case study

Educação e gestão descentralizada surgem com a Constituição de 1988. A Carta Constitucional veio contribuir para legitimar as tensões sociais, garantidas no texto legal. A Educação, com previsão de verbas descentralizadas, foi um desses direitos incluídos em 1988, e que fora excluído da Constituição Federal desde 1946. Na década de 1990, eclode, em Pernambuco, legislação específica sobre Conselho Escolar no âmbito estadual e municipal37. Essa descentralização na Educação foi concebida por

       

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Conferir Anexo N - Publicação D.O. em 02.10.2009 na página do Governo do Estado.

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Conferir Anexo M - Publicação no D.O em 01.12.2010 na página do Governo do Estado.

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A Primeira Lei nº 15.709 do Conselho Escolar no Município do Recife data de 26 de outubro do ano de 1992, na Gestão do Prefeito Gilberto Marques Paulo. A Gestão Democrática é incorporada no texto da criação do Sistema Municipal de Ensino do Recife – SMER, através da Lei nº 16.768/2002, na Gestão de João Paulo, no período 2001/2004.

meio dos Conselhos Escolares (CE), Unidades Executoras (UEx) e Projeto Político- Pedagógico (PPP).

A UEx é definida no Manual de Orientação para Constituição da Unidade Executora38 como sendo “uma sociedade civil com personalidade jurídica de direito

privado, sem fins lucrativos, que pode ser instituída por iniciativa da escola, da comunidade ou de ambas”. Pode receber a denominação de Caixa Escolar, Associação de Pais e Professores, Associação de Pais e Mestres, Círculo de Pais e Mestre e Unidade Executora. É instituída por meio de Assembleia Geral e tem estatuto próprio.

Suas atribuições são meramente financeiras e se referem à administração dos recursos transferidos por órgão federais, estaduais, distritais e municipais, gerência de recursos de doações comunitárias e entidades privadas, controle de recursos provenientes de campanhas escolares, deliberação na aquisição de materiais e prestação de conta aos órgãos investidores dos recursos repassados, arrecadados e doados.

Para exercer tal finalidade, a UEx tem sua inscrição no Cadastro Físico de Pessoa Jurídica – CNPJ e deve ter seu registro no Cartório de Pessoa Física e Jurídica da Comarca a que se institui, possuindo uma conta financeira aberta junto às instituições bancárias.

A política de descentralização brasileira se inicia na década de 1990, pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (FNDE), do Programa de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (PMDE), alterado posteriormente para Programa Dinheiro Direto na Escola (PPDE). Esse programa consistia no repasse de dinheiro direto para as escolas públicas e organizações não governamentais que atendem a educação, visando à assistência financeira para o custeio e a manutenção das unidades escolares.

Para que as escolas pudessem receber esse recurso, constituiu-se exigência do MEC a constituição da UEx, uma entidade jurídica de direito privado, que apresentou e se mantém na atualidade com a função de administrar os recursos disponíveis para a

       

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escola, tanto de fontes governamentais (União, Estado e/ou Município), como de outras fontes que a escola arrecada.

Essa política de repasse de recursos às escolas públicas foi apresentada pelo Governo Fernando Henrique Cardoso como forma de eliminar o ritual burocrático, que dificultava e até impedia a chegada do dinheiro até as escolas. O Programa definia que os recursos seriam utilizados para a melhoria das instalações físicas e a aquisição de materiais escolares e de consumo. Os recursos deveriam ser utilizados em projetos pedagógicos e de desenvolvimento de atividades educacionais.

Assim, a Secretaria de Educação Fundamental buscou incentivar a criação das Unidades Executoras, desenvolvendo campanhas publicitárias, que explicitavam as vantagens que as escolas teriam com a sua criação. As matérias apresentadas nos levam a perceber que a intencionalidade na criação dessas unidades era a de promover o desenvolvimento de uma gestão baseada na diminuição de gastos, principalmente por meio do empenho da comunidade local na superação dos problemas vivenciados pela escola. A participação valorizada nesse programa é a de caráter funcionalista. A caracterização dos Conselhos Escolares em Unidades Executoras buscava, por parte da política governamental, garantir certa padronização institucional, delegando a responsabilidade da gestão dos recursos públicos descentralizados para uma instituição de natureza privada (PERONI, 2007, p. 258-159).

A ênfase destes conselhos se dá em relação aos aspectos procedimentais com a prestação de contas junto ao Tribunal de Contas da União (TCU); isso leva a uma super valorização da dimensão técnico-operacional, relegando a um plano secundário a dimensão política dos processos coletivos. A ampliação da participação reduziu-se ao exercício de tarefas gerenciais (PERONI, 2007 p. 259).

Esses conselhos foram registrados em cartório e se tornaram entidades jurídicas. Com isso, os conselheiros passaram a acompanhar a aplicação dos recursos repassados às escolas pela Secretaria de Estado e pelo Governo Federal, para a manutenção e os reparos da unidade escolar.

[...] a proposta de transformação dos Conselhos Escolares em unidades executoras assumiu um caráter de disputa política entre diferentes segmentos da educação. O dilema vivido pelos sistemas relacionava-se à opção em alterar a natureza jurídica dos Conselhos Escolares, transformando-os em unidades executoras, cuja consequência seria a instalação de uma instituição

de direito privado na esfera da gestão da escola ou, de outro modo, o fortalecimento do Círculo de Pais e Mestres (COM), estrutura análoga às Associações de Pais e Mestres (APM), tradicionalmente menos democráticas e, em muitos casos, não subordinadas ao controle do colegiado gestor (ADRIÃO; PERONI, 2007, p. 260).

Diferentemente da UEx, o Conselho Escolar – CE é órgão colegiado, que, por meio da participação da comunidade escolar (professores, funcionários, alunos, comunidade e pais de alunos), objetiva integrar a comunidade nos processos administrativos, disciplinares e financeiros da gestão escolar. Para exercer tal função, constam, em sua base legal, funções normativas, deliberativas39 e de fiscalização

escolar.

Tratando a descentralização:

[...] como um processo de distribuição do poder que pressupõe, por um lado, a distribuição dos espaços de exercício de poder ou dos objetos de decisão, isto é, das atribuições inerentes a cada esfera do governo e, por outro, a redistribuição dos meios para exercitar o poder, ou seja, os recursos humanos, financeiros e físicos (UGA, 1991, p. 97).

A descentralização concebida com base nessa perspectiva estabelece a intervenção de toda comunidade escolar e seus representantes frente ao poder decisório. De acordo com Batista e Codo (1999, p.189):

Educação não é obra de solista: ou se orquestra, ou não ocorre. Entre os professores tem de haver coordenação, diga-se cooperação em torno de objetivos comuns, entre funcionários (todos) e professores, tanto quanto entre alunos e corpo de professores e funcionários; é preciso construir, de alguma forma, uma comunidade de destino, por último, comunidade direta e indiretamente envolvida na escola precisa, de alguma forma, participar do processo.

Participar do processo envolve eleição democrática para direção e órgãos colegiados. A ação participativa da gestão democrática envolve a deliberação do coletivo nos assuntos escolares. Nessa direção, lembra Dourado (1998, p.35) que:

Assim, partimos da premissa de que a participação não deve ser confinada apenas à dimensão política do voto, mas a esta deve associar-se o constructo da participação coletiva por meio da criação e/ou aperfeiçoamento de instrumentos que impliquem a superação dos vícios clientelísticos e das práticas autoritárias que permeiam as práticas sociais.

Essa perspectiva ideológica requer planejamento, exercício cultural, prática cotidiana que estabeleçam o processo democrático como regra de convivência. Para        

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Glatter (1992, p.146), o processo de planejamento deve conter três fases: a iniciação da ideia; o convencimento visando a sua implementação , destacando-se a importância do processo e a implementação e ou operacionalização. Em todas as fases, deve haver apoio institucional. Ainda nessa determinação (idem, p. 148) e, sob esta prática, é evidenciada a eficácia escolar. A sensibilização do gestor em relação a esses processos deve contribuir na formação de valores cujos objetivos são inerentes à educação e, por consequência, à escola e à comunidade.

O modelo de gestão democrática aponta uma condução inovadora, que enriquece a prática das ações dos sujeitos envolvidos no cotidiano escolar. Segundo Lück et al. (1998, p.23):

O modelo de democracia clássica (o qual considera que) o valor da participação não está diretamente relacionado à produção ou à satisfação do funcionário, mas à institucionalização e preservação da ação e dos direitos democráticos na sociedade como um todo. O modelo de consciência política percebe a participação no ambiente de trabalho como uma forma de desenvolver a consciência de classe em favor da luta pelo socialismo (e busca estabelecer) espaços de participação como manifestação da vontade de grupos ou classe social.

Assim, o trabalho coletivo colabora para a eficácia da aprendizagem, quando indiretamente contribui para a identificação e modificação de processos do trabalho considerados errôneos à qualidade do desempenho. Para Lück et al. (1998, p. 34), as instituições escolares estão a perceber que o envolvimento dos sujeitos no cotidiano do planejamento escolar trazem resultados além de fomentar a motivação. Ainda afirmam que há pesquisas que indicam que o modelo de gestão tradicional, centrado na figura da direção, não está se adequando à realidade das experiências, e que as escolas requerem líderes capazes de trabalhar e facilitar a resolução de problemas em grupo, capazes de desenvolver o trabalho em equipe e capazes de ouvir. Assim, completam os autores que delegar autoridade é dividir o poder (idem, ibidem).

A ação planejada, quando realizada pela centralização administrativa e autoritária, evidencia a alienação política e impossibilita que as ações sejam pensadas coletivamente, favorecendo as ações individualistas. A consequência é tornar autônoma a esfera decisória. A sociedade nessa direção serve à instituição, amplia a regulação pelo discurso do Outro, um discurso estranho que está em mim e me domina: fala por mim. Um imaginário vivido como mais real que o real, ainda que não sabido como tal,

ou mais precisamente porque não sabido como tal (CASTORIADIS, 1975, p. 124, apud GALLO, 1995).

O planejamento participativo é um processo político, que tem propósito coletivo. As deliberações devem ser amplamente discutidas na comunidade, onde possa participar um maior número possível de pessoas de todas as categorias que a constituem. São muitos os defensores do planejamento participativo. Citamos, para efeito de registro, Marcuse, Paulo Freire e Fernando Guillen. Para estes, há valores éticos na participação da população no planejamento de suas necessidades. A emancipação que Freire coloca na ordem das prioridades, por exemplo, diz respeito à construção de uma ética emancipatória. O argumento utilizado é o de que o planejamento tecnocrático, sob o pretexto da neutralidade, segrega o povo das decisões, reduz os homens à condição de objetos e acentua o abismo entre o saber e o poder, fortalecendo, ainda, o poder dos técnicos sobre os demais.

A legislação permite que as escolas constituam UEx e CE de forma separada ou atrelada. No caso de Pernambuco, pelos dados coletados neste trabalho, os CE e UEx atuam vinculados. A experiência observada será discutida no próximo capítulo, na análise dos dados coletados. Antes, porém, gostaríamos de comentar a respeito de três pesquisas que fizemos no decorrer deste trabalho sobre a gestão democrática nas escolas estaduais de Pernambuco.

3.3.2.2 Resultado de Pesquisas Realizadas na Rede Estadual Sobre a