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3 Potential hazards to biodiversity and native salmonids

3.2 Interaction with native salmonids

Definiu-se esta categoria pelo que a mãe sentiu ao receber a notícia e como reagiu a notícia da deficiência.

Para Petean e Neto (1998) independente do quadro clínico e do diagnóstico os pais sofrem grande impacto ao receber a noticia da deficiência de seu filho.

Praticamente todas as mães dessa pesquisa, passaram por essa gama de sentimentos: susto, desespero, choro, choque, tristeza, raiva, revolta, angústia, negação, preocupação, desorientação, etc.

De acordo com Vash (1988), todos os pais vivenciam o medo e o choque frente à notícia da deficiência dos filhos. Esse sentimento é observado nessa pesquisa, por todos os sentimentos descritos nesta categoria. Os sentimentos não se diferem entre os grupos de mães. O choque, choro, desespero e angústia encontram-se presentes nos três grupos.

A perda do filho sonhado e idealizado, assim como o luto é bastante visível nos depoimentos, A2 e C4 “meu Deus o mundo acabou pra mim”, “a gente via as fotos, as

93 É comum os pais expressarem sentimentos de culpa, julgando-se os causadores da deficiência do filho. Encontrar explicações que os satisfaçam é parte do processo de aceitação e reestruturação dos familiares (PETEAN, NETO, 1998).

“[...] A única coisa que eu fiquei, fiquei desesperada né, porque a gente pensa assim, ai „a gente‟ gero um filho desse jeito, apesar de agora eles falam que não. [...] Quando ela me falou, foi um choque, essa fonoaudióloga, assim eu não queria acreditar, eu falava assim: Nossa senhora! Eu achava porque eu tô velha né, e meu filho nasceu com certa deficiência, né! [...] só que aí depois que ela falou isso, tudo que ela fez, tudo que as „fono‟ falava pra fazer, os médicos falava, os otorrino, eu fazia. Mas eu nunca quis acreditar que meu filho era surdo![...] mesmo sabendo, desde quando ele nasceu que ele era surdo, nunca „queria‟, tudo que você falava: Ah, aquele médico ali é bom, leva ele! Eu levava”. (Mãe A6)

Da mesma forma, há ocorrência de buscas intermináveis de outros diagnósticos que possam ir contra a constatação inicial da deficiência, sendo prática comum consultas a vários especialistas (BATISTA, FRANÇA, 2007).

É importante que os pais vivenciem o processo de luto: choro, choque, tristeza, negação, entre outros sentimentos, para se reorganizarem internamente. Readquirindo o equilíbrio, essas mães aos poucos vão ganhando confiança na própria capacidade de cuidar do filho, estabelecendo aos poucos a vinculação necessária para desenvolver a maternagem (AMARAL, 1995).

94 O nascimento de um bebê com alterações orgânicas afeta principalmente a mãe já que desorganiza as representações que antes eram direcionadas ao bebê idealizado como sadio, implicando no luto pelo filho saudável e no decréscimo da auto estima materna (BATTIKHA; FARIA; KOPELMAN, 2007).

“[...] Quando falou que ela tinha síndrome, aí eu fiquei doida porque eu falei assim. Foi um choque pra mim! Nossa! Um choque, eu chorava, só o que eu sabia fazer era chorar, chorar, chorar. Olhava pra ela, falava: Não, não! Aí eu falei: Como que eu vou falar pro meu marido que ela tem síndrome, ele vai falar que eu que passei doença prá menina. Eu não sabia o que era, eu falei qualquer coisa. [...] Eu achei que eu que tava transmitindo o „pobrema‟ pra ela, então eu passei por muita angústia, eu sofri muito no momento que eu descobri a notícia”.(Mãe B4)

Como mostra o estudo de Sunelaitis et al. (2007), se o diagnóstico tivesse sido comunicado na presença de ambos os pais, a mãe B4, não teria passado por esse momento de ansiedade e angústia em pensar como contaria para o marido a notícia da deficiência da filha.

Os pais projetam uma criança e fantasiam sobre o que ela poderá ser, como o sexo do bebê, seu desempenho escolar, etc. Já existe um lugar para essa criança entre as expectativas que os progenitores possuem sobre ela. Com a chegada da criança com deficiência os planos para o futuro, são abdicados “e a experiência de parentalidade deve ser ressignificada” (FIAMENGHI, MESSA, 2007, p.239).

95 Essa ressignificação sugere uma adaptação do filho que foi idealizado para o filho real, o filho concreto. É um processo que demanda tempo, recheado de situações e sentimentos conflituosos, que diferem de família para família (SUNELAITIS, ARRUDA, MARCOM, 2007).

“Ah, ai, horrível, horrível, horrível, horrível, porque um filho é uma coisa esperada, mesmo que eu não planejei a gravidez tudo, eu não aceitava a gravidez, só que eu sempre tinha comigo que meu primeiro filho tinha que ser menino, porque eu sou apaixonada por menino, como lá em casa são todas mulheres né, não tinha homem nenhum só meu pai. Aí eu era louca pra ter um menino, então quando eu descobri que ele era um menino, que foi com três meses assim, aí sabe quando muda tudo na sua cabeça, aí eu comecei a aceitar, a sonhar, e meu filho vai jogar bola, meu filho vai fazer isso, fazer aquilo né? Aí vem alguém e fala pra você: Ai não vai ser assim! Ai é difícil, bem difícil assim [...]. Aí eu senti uma tristeza muito grande no dia sabe e em seguida força, porque você tem também que fazer tudo por ele assim, tem que lutar. Vai ser uma criança assim que vai ser pro resto da sua vida né! [...] foi um baque muito grande, foi mesmo, porque você sonha com seu filho né, sonha com tudo e vem falam pra você, não vai ser assim é difícil porque é complicado, você nossa, você para a sua vida pra cuidar da outra pessoa né [...]. (Referindo-se ao marido) [...] Nós dois choramos, choramos muito. Eu lembro que nós choramos bastante. Aí ele falou, ele é mais forte do que eu! Até no começo assim, porque pra mim tinha acabado, quando veio a notícia assim. Eu falei: Meu Deus! Sabe quando parece que sua vida acabou, falei: Meu Deus acabou! Ele falou: Não acabou! Começou! Você tem que lutar por ele, eu não posso, eu

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tenho que trabalhar né, ele vai ter só você nega, pra cuidar dele, porque eu tenho que trabalhar pra por o sustento dentro de casa né, e você tem que lutar por ele! Aí foi, depois de passar o baque, mas eu chorei muito, fiquei em depressão, fiquei acabada. Antes de você começar a correr, tem que cair sua ficha primeiro, porque é difícil! [...] E assim e saber que foi por causa de um erro né, porque meu filho não era pra ter nascido assim, porque eu fiz todos os exames. A Doutora falou pra mim que não foi, que foi na hora do parto mesmo, foi falta de oxigenação no cérebro, entendeu é difícil. Porque pô, não era pra ter sido tudo normal? Porque não fizeram a cesária logo né, porque demoraram tanto pra fazer a cesária dele, mas também acho que tudo acontece porque tem que ser né, não adianta, ele veio pra mim porque era pra ser meu mesmo!”.

(Mãe C4)

O depoimento da mãe C4 demonstra a dificuldade para se aceitar um filho com lesão cerebral, sendo essa uma tarefa muito difícil para pais que sempre desejaram uma criança saudável. A frustração é comum, e a negação fortemente presente, pois entre o filho que foi sonhado e o filho real, há um distanciamento. Esse sentimento leva os pais à culpa e posteriormente à superproteção (ROTTA, 2002).

As mães do grupo C demonstram ainda o sentimento de revolta muito presente. Os problemas médicos, no decorrer do parto são uma constante em casos de paralisia cerebral. Há falta de conhecimento prévio de que algo pode ocorrer no processo de parto, aumentando ainda mais a revolta, culpa e a responsabilidade despejada em cima da equipe médica (SOUSA; PIRES, 2003). As mães C2 e C4 indicaram que tiveram um parto complicado devido à tentativa de parto normal até o último momento. A grande

97 questão é saber quando é o último momento. Nos casos dessas mães o último momento foi quando a criança, já sofria as sequelas de um mau atendimento.