Para conseguir lidar com a situação da deficiência auditiva, algumas das mães entrevistadas, apresentaram sentimentos ambivalentes, em busca de marcas de normalidade na criança. Outras mães demonstraram, com o tempo, uma boa adaptação à situação de se ter um filho com surdez, conseguindo conviver com a situação da melhor forma possível. Neste sentido, o diagnóstico da deficiência é uma experiência que altera não somente os sentimentos maternos, mas a dinâmica de todos os elementos da família (SILVA, ZANOLLI, PEREIRA, 2008).
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“[...] Ah! Outra coisa, igual aos outros. Hoje nossa! Aquela coisa dentro de mim, que ninguém ia conseguir entender, ela apagou. Mas ficou umas marcas, porque você viu o começo, aquela dificuldade. Você achando que você não ia conseguir e aí hoje eu olho assim e falo: Meu Deus, que bom! Eu apostei, acreditei que ela ia conseguir e ela conseguiu. Hoje ela tá bem desempenhada[...]. [...] Eu quero que ela termine os estudos, que ela faça uma faculdade, que ela tem vontade de ser professora e case e tenha os filhos dela. Acredito que os filhos dela deva ser normal, com certeza, né! Ah! espero um futuro bom pra ela, muito bom”. (Mãe A2)
As expectativas das mães das crianças com deficiência auditiva são relativamente melhores. As mães A2, A4 e A5 demonstram que antes suas preocupações voltavam-se principalmente em relação à escolarização, mas como as crianças estão em uma boa escola, com bolsa de estudo garantida, sentem-se mais aliviadas em saber que as crianças terão um futuro mais promissor.
“[...] Agora eu vejo, a hora que chamaram aqui eu falei: Meu Deus! Graças a Deus, ta num bom caminho agora”.(Mãe A5)
O depoimento da mãe A6 é controverso, pois ao mesmo tempo em que diz não tratar o filho como uma criança deficiente, afirma que não deixa a criança fazer algumas coisas que eram permitidas ao irmão ouvinte, na mesma idade.
A maioria das mães, tendo passado pelo sentimento de tristeza, consegue admitir mais rapidamente a surdez de seu filho e suas possíveis limitações. A mãe
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A mãe A4 traz em seu relato, que o filho é uma criança normal, como um ouvinte,
“ele pode tudo”, negando algumas limitações impostas pela deficiência auditiva, como
por exemplo, o fato da língua de sinais se tornar uma barreira na comunicação com ouvintes em situações corriqueiras do dia a dia. Porém ressalta que tendo força de vontade as dificuldades podem ser superadas.
Já a mãe A1, percebe que o fato de seu filho ser surdo, não faz dele uma criança incapaz, pelo contrário, percebe o garoto com uma criança inteligente e com muitas capacidades.
As mães de crianças com síndrome de Down em seus depoimentos, de um modo geral, relatam progressos e um desenvolvimento satisfatório, pois não acreditavam, ao verem seus bebês hipotônicos e com as dificuldades iniciais, que estes fossem andar, falar ou brincar. A forma que o diagnóstico foi comunicado dificultou esse entendimento. É importante que os profissionais, relatem também aspectos positivos relativos ao desenvolvimento da criança, assim a família vai aos poucos criando perspectivas mais otimistas (KLAUS, KENNEL, 1992).
“[...] então cada coisa que elas iam me correspondendo pra mim já era, um cisco, pra mim, já uma glória né, porque disso dela falar assim: Essas crianças não aprende, essas crianças, „cê‟ tem que ficar em cima [...] Hoje em dia, tipo assim eu não eu sou aquela mãe que não faz aquela coisa e no fim a criança não corresponde aí você
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quanto mais alto a altura maior o tombo. Então assim, eu vejo assim, se aprendeu bem, se não aprendeu, eu tenho que sempre saber que é pelo, pela dificuldade que ela tem, isso sempre vai acompanhar. Eu não posso falar: Não, ela vai chegar a uma faculdade! Pode ser que sim, pode ser que não, agora tem mãe que pensa assim, meu filho tem que fazer, porque tem que aprender [...] eu gostaria muito de, não ela ta assim lendo né, assim, escrevendo, mas elas conhecem o A, conhecem tudo, sabe contar normal tudo. Mas assim não vou dizer pra você que lá no fundinho, da uma tristeza sim! Mas eu vou ter que nem eu te falei, sempre saber que ela tem um atraso, que tudo é devagar e assim, vou caminhando junto com elas, não posso assim fazer aquele castelo e no fim desmoronar tudo, aí nem corresponder e eu cobrar delas e ficar nervosa, porque tem mãe que é assim né e acha que a criança tem que aprender e acabou a, e esquece lá atrás que a criança tem um atraso, „qué‟ passar por cima de um atraso e achar que a criança tem que conseguir sim e nesse meio tempo a criança não corresponde aquela expectativa, aí eu acho que a frustração é maior né!. [...] assim, eu sempre puxo por elas, tudo assim, é DVD que chama atenção de cores, de quadrado, de retângulo, de musiquinha, de não sei o que, e canto com elas e brinco [...] Então assim graças a Deus só tenho que agradecer a Deus que assim eu „cabei‟ tirando de letra”. (Mãe B6)
Emergem, no relato desta mãe, sentimentos contraditórios porque, ao mesmo tempo em que se mostra feliz com as conquistas das crianças, demonstra estar ciente do atraso que acompanhará as filhas, afirma sentir tristeza, certa frustração, acompanhada pela fala “Mas eu vou ter que nem eu te falei, sempre saber que ela tem
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um atraso, que tudo é devagar e assim, vou caminhando junto com elas”. Possui poucas expectativas quanto à escolarização, mas observa que as crianças aprendem, o que contrapõe ao que uma profissional de saude informou. A mãe demonstra-se consciente dos atrasos em decorrência da síndrome, mas busca estimular e ajudar no aprendizado das crianças.
Nos relatos, é possível observar que algumas crianças superaram o diagnóstico destrutivo que mães receberam, no que compete ao desenvolvimento, por outro lado, levanta-se a hipótese de que esse „olhar positivo‟ seja uma forma de negar as limitações impostas pela deficiência das crianças.
As expectativas por parte das mães de crianças com síndrome de Down se restringem à melhora e avanços em curto prazo (SUNELAITIS, ARRUDA, MARCON, 2007).
As mães B5, B6, parecem demonstrar certo entendimento sobre as limitações das crianças no contexto escolar e futuramente profissional. As demais mães não demonstraram expectativas para um futuro a médio e longo prazo, omitindo-se, como se não quisessem „tocar no assunto‟, e o relato ficou em torno dos resultados já alcançados sobre o desenvolvimento das crianças.
Em relação ao grupo de crianças com paralisia cerebral Schwartzman (2004) aponta que os pais frequentemente querem saber sobre a possibilidade de a criança andar e quando isso vai ocorrer. Resposta essa, que segundo o autor merece cautela, pois é difícil ter dados que permitam uma projeção mais concreta.
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“[...] A cada dia ele surpreende a gente mais, ele é muito inteligente, entendeu. A gente tem orgulho dele, porque ele é uma criança feliz mesmo, feliz e alegre [...]. [...] ele tem seus momentos assim, até pelo problema dele é até normal, tem suas crises de nervoso, mas ele é uma criança muito alegre, muito comunicativo, ele passa muita coisa boa pra gente. Muito alegre mesmo, muito feliz, graças a Deus! [...] o que fica no ar, essa questão dele talvez andar ou não, coordenação motora, mesmo na parte superior, ser normal ou não [...]”. (Mãe C3)
O grupo das mães de crianças com paralisia cerebral possui as expectativas voltadas à melhora nas condições motoras, assim como coordenação, e principalmente ao andar. As expectativas são mais imediatas, quanto à questão física.