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3 Teoretisk rammeverk

4.2. Innsamling av data

Na terceira etapa, Pedro assegurou que sabia ler e que aprendeu a ler lendo e o fez sozinho porque ninguém lhe ensinou. Afirmou também que não gostava de escrever porque

“Cansa o braço”. Expressou seu gosto por ler livros, tais como: “Quem tem medo de dragão” e “Quem tem medo de escuro” e “Quem tem medo de fantasma”. Demonstrou preferências e gosto pela leitura ao recusar livros que classificou de “infantis”, porque são do grupo III:

P: Uhum, e:: a professora que passa LIvro pra você ler em casa? Tem histórias pra ler em casa e no colégio?

Pedro: ( ) Tem P: Tem?

197 P: Uhn?

Pedro: Só que eu não leio

P: Só que você. Por quê que você não lê? Pedro: Não gosto

P: Por que que você não gosta?

Pedro: Por que as histórias são infantil. Tudo do grupo III P: Ah::: uhn:: ... (ENTREVISTA Individual em 09 /11 /2009).

Na quarta etapa, reafirmou que sabia ler e escrever e conceituou, que ler - “é

juntar as paLAvras... e ainda que aprendeu “estudando as letras, eu juntava letra com letra e formava uma palavra...aí eu consegui ler...”.

Mencionou que gostava de ler gibis da Turma da Mônica e que conseguia esses materiais na biblioteca da escola. Sobre a apropriação e função social da escrita, disse que aprendeu sozinho e que deve servir para alguma coisa. (ENTREVISTA Individual em 06 /10 /2011).

A criança apresenta escrita alfabética desde a segunda etapa, como se pode verificar nos testes seguintes:

Tabela 38 - Evolução escrita nas etapas 2, 3 e 4 Figura 31 - Evolução escrita na

etapa 2 - 2008

Fonte: Produzida pela autora

Figura 32 - Evolução escrita na etapa 3 - 2009

Fonte: Produzida pela autora Teste:

Flor/jardim/tulipa/margarida O jardim é colorido

Figura 33 - Evolução escrita na etapa 4 - 2010

Fonte: Produzida pela autora Teste:

flor/rosa/tulipa/jardineiro A rosa é perfumada. Fonte: Produzida pela autora

Na segunda etapa, a criança desenhou as personagens da história e depois solicitando-nos que escrevesse seus nomes. Pedro apresentou escrita alfabética nessa atividade, porém não aceitou escrever textos.

Na terceira etapa, ele continua avançando na aprendizagem do sistema ortográfico. Na grafia da primeira palavra, faz correção, pois havia trocado a segunda letra, e grafa corretamente a palavra seguinte, flor. O desafio que enfrenta é relativo à ortografia, pois

198 a grafia da palavra dissílaba é igual nas palavras soltas e no contexto da frase (jardin) com n no final. Foneticamente, não há diferença na palavra se com m ou n. Assim, a criança precisa se apropriar das convenções ortográficas e não fonológicas. Outras convenções relativas ao uso de maiúsculas no início da frase e espaçamento entre as palavras escritas também foram observadas nessa produção textual, havendo ocorrências de junção de palavras no texto da quarta etapa em virtude de na emissão oral não haver espaçamento, nas expressões “por

favor” (porfavor) e “vá lá” (vala), por exemplo, que são escritas sem espaçamento, pois, na

oralidade, se fala junto, o que não ocorre com outras palavras.

Na quarta etapa, apesar de Pedro já haver se apropriado do sistema de escrita alfabética, parece que o uso da letra cursiva dificultou a terminação das palavras femininas; desse modo, ele grafa todas as palavras do teste de escrita, finalizando-as com a letra “o” ,quando deveriam ser concluídas com a letra “a”, pois são substantivos femininos, à exceção

da palavra “jardineiro”.

Na quarta etapa, o texto narrativo escrito contempla a Orientação com todos os detalhes. Inicia a Complicação com encadeamento lógico causal, mas sua produção é interrompida por falta de tempo, ao final do turno de aula46.

Além disso, a criança expressa discurso direto e indireto, a pontuação adequada como os dois pontos (:) e o travessão (-) na alternância entre narrador e personagem. No discurso indireto, reelabora de modo singular o discurso para não ser repetitivo: “A aia disse a

mesma coisa quando ela pediu água...” Uma vez que o evento se repete duas vezes e ele já o

havia narrado, então, ele recupera o sintetizando-o: “a mesma coisa”.

A produção escrita de Pedro na quarta etapa se sobrepõe à oralidade. A criança prefere escrever a recontar a história. Seus textos escritos das histórias de Chapeuzinho Vermelho e de A Bela e a Fera produzidos na quarta etapa são longos e completos, além de demonstra capacidade de síntese na escrita.

46Uma das características peculiares dessa criança é a lentidão. Ele escrevia uma palavra, no máximo duas, e

parava para pensar, enquanto olhava para o teto, para as mãos. Sentava-se todo encurvado sobre o texto. Um pequeno pensador.

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Figura 34 - Etapa 4 - Escrita - A Guardadora de Gansos - 28/10/10

Fonte: Produzida pela autora

Tabela 39 - Etapa 4 - A Guardadora de Gansos ( transcrição do manuscrito acima) ORIENTAÇÃO ...era uma vez uma priseza que ia se casar e ela tava

indo embora com a aia mas antes disso

sua mãe cortou o dedo e pegou um pano e colocou três pingos de sangue e deu para ela quando ela esta indo

COMPLICAÇÃO ficou com sede e disse para a aia: porfavor dessa i pege um copo de agu- a para mim a aia disse: - não e você que quer agua pos vala e epege eela pegou o pano e ele disse: - se tua mãe soubesse disso seu coração

se partiriam depois ela ficou com sede de novo se se esquecendo se doque lhe tin- a dito perguntou porfafor pege um pouco de água para mim A aia disse a mesma co-

isa quando ela pediu água o pano saiu e o rio levou e a aia (...)

RESOLUÇÃO SITUAÇÃO FINAL CODA

Fonte: Produzida pela autora com base no reconto da criança pesquisada

Pedro não se dispõe contar a história na primeira etapa, mas, desde a segunda, escreve alfabeticamente, quando sua produção oral é a mais extensa de todo o processo e mostra mais detalhes da estrutura narrativa. Na terceira etapa, suas produções orais e escritas

200 são reduzidas. Pedro parece mais retraído nessa fase. Na quarta etapa, ao final do processo avaliado, decide não recontar a história, mas somente escrevê-la.

Vejamos no gráfico a evolução da sua produção narrativa escrita:

Gráfico 9 - Evolução da estrutura narrativa escrita - CASO 8 - S5E1 - PEDRO

Fonte: Produzido pela autora

Assim, somente da segunda para a terceira etapa, podemos observar que há redução na quantidade de sua produção oral, visto que, na quarta etapa, ele decide não oralizar a história, no entanto, opta por fazer atividades mais complexas, como escrever e ler o texto de sua autoria. A produção escrita da quarta etapa se sobrepõe à oralidade. Ele prefere escrever a recontar a história.

A situação de Pedro é muito particular. Ele não aceita a nossa motivação para realizar a atividade, como aconteceu, sobretudo, com crianças da E3; em vez disso, decide o que fazer; e o faz. Esse fato pode estar relacionado com traços de personalidade da criança, que se mostra, desde a creche, líder no grupo de reconto coletivo e que, nessas etapas posteriores, demonstra autonomia pela capacidade de recusar e dizer ao adulto o que está ou não disposto a cumprir das solicitações que lhes são feitas.