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3 Teoretisk rammeverk

4.3. Analysemodell for analysetrinn 1

Piaget e Inhelder22 (1974) enfatizam que a passagem de um estágio do desenvolvimento23 para o outro, acontece também de acordo com o meio social no qual o sujeito esteja inserido. Sendo assim, para eles, quatro fatores são imprescindíveis para que ocorra a evolução mental no homem: o crescimento orgânico (maturação), a experiência na ação sobre os objetos, as interações (transmissões sociais) e o processo de equilibração, sendo o último preponderante sobre os demais.

Segundo os autores, nenhum desses fatores é suficiente por si mesmo para fazer avançar a inteligência humana, construir novas estruturas mentais.

Mesmo o fator maturacional do desenvolvimento, amplamente divulgado no âmbito da educação como o principal fator para Piaget, não é suficiente para a construção da

inteligência humana, pois segundo ele próprio, “se a maturação orgânica constitui, sem

dúvida, fator necessário, que desempenha, principalmente, papel indispensável na ordem invariante de sucessão dos estágios não implica todo o desenvolvimento e não representa

senão um fator entre outros”. (PIAGET; INHELDER, 1974, p. 133).

Para nós, é necessário trazer a perspectiva e importância que Piaget e seus colaboradores deram às interações sociais na tentativa de elucidar essa polêmica que ainda persiste em alguns centros acadêmicos e entre professores de Educação Infantil, que conhecem apenas o fator do desenvolvimento maturacional estudado pelo teórico, e acabam por reproduzir em seus discursos essa versão empobrecida do que Piaget pesquisou.

Nesse mesmo sentido, Castorina (1995) esclarece que tal versão das contribuições de Piaget sobre a interação e outros fatores que não a maturação, devem-se a leituras

22 Um dos principais colaboradores nas pesquisas realizadas por Piaget sobre a epistemologia genética.

23 Os estágios do desenvolvimento elaborados por Piaget encontram-se descritos no livro: Seis estudos de psicologia (1971).

superficiais, em alguns casos dogmáticas e em outros simplesmente errôneas, dos textos clássicos do autor.

A experiência com o objeto, segundo Piaget e Inhelder (1974, p. 133) é outro fator que contribuirá para o desenvolvimento do homem, sendo “essencial e necessário, até na formação das estruturas lógico-matemáticas. Mas é um fator complexo e não explica tudo.” Novamente, os autores reafirmam a importância de mais este fator, mas também a sua incompletude para o desenvolvimento dos sujeitos, sem os demais fatores.

Ao afirmarem que este fator é complexo, os autores justificam:

É complexo, porque existem dois tipos de experiência: a) A experiência física, que consiste em agir sobre os objetos para deles abstrair as propriedades (por exemplo, comparar dois pesos independentemente do volume); b) A experiência lógico- matemática, que consiste em agir sobre os objetos, mas para conhecer o resultado das ações (por exemplo, quando uma criança de 5-6 anos descobre empiricamente que a soma de um conjunto é independente da ordem espacial dos elementos ou de sua enumeração). (PIAGET; INHELDER, 1974, p. 133).

Sendo assim, as experiências físicas e lógico-matemáticas as quais a criança deverá ter oportunidade na instituição escolar serão valiosas para o seu desenvolvimento integral, e fator insubstituível para a formação das estruturas mentais, segundo Piaget.

Outro fator do desenvolvimento, imprescindível segundo o autor, é o papel das interações sociais, fundamental para compreendermos também o papel da linguagem na teoria de Piaget (1983; 1986; 1999; 2009), assim como percebermos a importância delas para o desenvolvimento da linguagem oral no contexto da creche.

Segundo Midlej (2011), registra-se uma presença da dimensão social na obra de Piaget datada principalmente dos trabalhos produzidos entre 1923 a 1945. Nesse período,

como ela afirma, para Piaget “é impossível negar [...] que a pressão do meio exterior desempenha um papel essencial no desenvolvimento da inteligência [...]”. (PIAGET, 1978

apud MIDLEJ, 2011, p. 106).

Vale salientar que, conforme Piaget e Inhelder (1974, p. 134), “de um lado a socialização é uma estruturação, para a qual o indivíduo contribui tanto quanto dela recebe

[...]”, o que aponta o quanto os autores enfatizam a importância do aspecto social na

constituição do sujeito, acreditando que este também constrói as relações sociais.

As interações e as transmissões sociais são fatores preponderantes na aquisição da linguagem pela criança, pois esta se dá primordialmente pela relação com o outro que já possui essa forma privilegiada de comunicação.

Todas as conquistas do desenvolvimento humano, durante os diferentes estágios de vida, se dão, segundo Piaget, através do mecanismo interno denominado de equilibração, o fator de desenvolvimento considerado por ele o mais importante, porque

[...] a cada instante, pode-se dizer, a ação é desequilibrada pelas transformações que aparecem no mundo, exterior e interior, e cada nova conduta vai funcionar não só para restabelecer o equilíbrio mais estável que o do estágio anterior a esta perturbação. A ação humana consiste nesse movimento contínuo e perpétuo de reajustamento ou de equilibração. (PIAGET, 1986, p. 14).

Piaget (1974) deu enorme visibilidade ao processo de equilibração, enfatizando que este é necessário para conciliar as contribuições da maturação, da experiência com os objetos e das interações sociais nos sujeitos. Assim, evidencia-se o quanto os três fatores dependem do fator da equilibração para se conciliar de forma harmônica e eficiente ao longo da vida dos indivíduos.

Se para Piaget, o processo de equilibração é o principal responsável pelas transformações que ocorrem no desenvolvimento da inteligência do homem, o movimento de equilibração e desequilibração é fundamental na constituição e avanço da linguagem, que se dá através da acomodação e da assimilação de novos significantes e significados, outros dois conceitos basilares da teoria psicogenética.

Para o estudioso, “o desenvolvimento mental é uma construção contínua,

comparável da edificação de um grande prédio que, à medida que se acrescenta algo, ficará

mais sólido [...]”. (PIAGET, 1986. p. 12). Tal afirmação revela o quanto a equilibração, a

maturação, as interações sociais e a experiência com objeto, fatores do desenvolvimento do homem, são necessários na constituição deste, sendo que para este obter um maior desenvolvimento, depende da qualidade e quantidade de experiências que vai ter ao longo de sua vida.

Assim, o ambiente escolar, mais especificamente da creche, será um dos primeiros espaços no qual as crianças poderão vivenciar diferentes situações intencionais para ampliar a qualidade e harmonia entre os fatores do desenvolvimento, que já estão presentes no sujeito desde que nascem, mas que precisam ser desafiados, estimulados pelo meio e pelos outros.

Piaget (1986) nos traz os estágios do desenvolvimento, que marcarão os momentos da vida dos sujeitos. Tais estágios expressam o resultado da ação dos fatores do desenvolvimento mental, já discutidos, os quais possibilitam a construção de estruturas

estruturas originais, cuja construção o distingue dos estágios anteriores.” (PIAGET, 1986, p. 13).