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3 Teoretisk rammeverk

4.4. Analysemodell for analysetrinn 2

Piaget (1986), em um de seus célebres livros Seis estudos de psicologia, apresenta através de diferentes estudos realizados com crianças, os estágios do desenvolvimento que os seres humanos passam ao longo da vida.

Pádua (2009) afirma que para compreender a teoria de Piaget é necessário conhecer seus estágios que, resumidamente, apresenta-se a seguir:

O primeiro destes estágios transcorre no âmbito da motricidade; o segundo, na atividade representativa e o terceiro e o quarto no pensamento operatório. Embora, nos dois últimos estágios o desenvolvimento cognitivo transcorra no âmbito do pensamento operatório, a diferença entre eles é constatada pelo fato de que no terceiro, o pensamento operatório ainda esteja ligado ao concreto, enquanto que no quarto, este mesmo pensamento tem ligação ao abstrato e formal. Os quatro estágios foram denominados de sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. (PÁDUA, 2009, p. 28).

Iremos nos deter no primeiro estágio (sensório-motor) e no início do segundo estágio de desenvolvimento (pré-operatório), visto que nosso interesse nesta pesquisa, se constituiu em conhecer as concepções e as práticas de professoras de creche da rede municipal de Fortaleza, relativas ao desenvolvimento da linguagem oral das crianças com as quais trabalham, crianças de um a três anos, aproximadamente.

Para Piaget, a criança inicia uma verdadeira “revolução copérnica24”, ainda no estágio sensório-motor. Este é um período que antecede a linguagem oral e no qual, mesmo

sem ela, a criança bem pequena já apresenta um tipo de inteligência, chamada por ele de

“inteligência prática”. Nesse período da vida, o mundo para criança é conhecido através das

ações e percepções que ela vai experimentando, até aproximadamente, os dois anos de idade. Piaget acreditava que o surgimento da inteligência humana, se inicia no estágio sensório-motor, mesmo quando as crianças ainda não se comunicam verbalmente, sendo uma inteligência não socializada, já que se dá apenas no plano das ações e percepções do próprio sujeito.

24 Termo utilizado por Piaget (1986, p. 16) para uma das conquistas mais significativas realizada pela criança no período sensório-motor, que é conseguir distinguir-se do mundo e dos objetos. Para Piaget, em relação a isso, a

criança nesse período já “se coloca, praticamente, como um elemento ou um corpo entre os outros, em um universo que construiu pouco a pouco, e que sente depois como exterior a si próprio.”

A inteligência aparece, com efeito, bem antes da linguagem, isto é, bem antes do pensamento interior que supõe o emprego de signos verbais (da linguagem interiorizada). Mas é uma inteligência totalmente prática, que se refere a manipulação dos objetos e que só utiliza em lugar de palavras e conceitos,

percepções e movimentos, organizados em “esquemas de ação”. (PIAGET, 1986, p.

18).

As contribuições de Piaget (1986, p. 16), como um dos primeiros teóricos a pesquisar e enfatizar que a criança desde que nasce é ativa em seu processo de desenvolvimento, é de enorme relevância para os estudos que envolvem a Educação Infantil,

pois para ele “o período que vai do nascimento até a aquisição da linguagem é marcado por

extraordinário desenvolvimento mental. Muitas vezes mal se suspeitou da importância desse período.”

Segundo Piaget, esse estágio é de extrema importância, inclusive para a criança ter o que expressar quando surgir a capacidade da linguagem oral, no estágio posterior, pré- operatório. De fato, em várias passagens, Piaget aborda que, mesmo sem a linguagem oral, os

primeiros anos de vida do homem são decisivos “para todo o curso da evolução psíquica” representando uma “conquista através da percepção e dos movimentos, de todo o universo prático que cerca a criança.” (PIAGET, 1986, p. 16).

Para o autor, é possível perceber que desde a mais tenra idade, mesmo no primeiro

dia de nascido até aproximadamente seis meses, a criança apresenta “diversos exercícios, reflexos que são a prenuncia da assimilação mental”, o que será uma forma de construção de

uma inteligência na ação e futuramente na representação. (PIAGET, 1986, p. 17).

Assim, mesmo que apenas no campo da ação, o bebê já consegue generalizar a outras situações e objetos, conhecimentos práticos que desenvolveu através de sua experiência com o mundo e os objetos que existem nele. Sendo assim, o fator das interações sociais merece destaque nesse estágio, visto que os bebês, extremamente dependentes dos adultos que o cercam, necessitam destes para vivenciarem experiências significativas com o mundo, o outro e os objetos.

Nesse contexto, a creche deve ser um espaço que oportunize experiências significativas neste estágio. A partir dos quatro meses de idade, muitas crianças já frequentam estas instituições, passando muitas vezes mais tempo nestas do que com a sua família, o que requer um comprometimento dos profissionais que atuam com as crianças, de promover situações de aprendizagem, desenvolvimento e bem-estar cotidianamente.

O estágio seguinte, denominado de “pré-operatório” caracteriza-se, principalmente, pela inserção da criança no mundo das representações. Piaget (1986)

esclarece que é o surgimento da linguagem que modificará de forma profunda os aspectos afetivos e intelectuais do sujeito.

A partir do estágio “pré-operatório”, ocorre uma passagem sem volta do mundo das ações para o mundo do pensamento. Segundo o autor, essa passagem é perceptível pelo surgimento da linguagem, do jogo simbólico, da imagem diferida, da imitação e do desenho, condutas que expressam a nascente função semiótica, que potencializa o desenvolvimento das estruturas mentais da criança.

Em suas pesquisas com crianças, o teórico percebeu que para que o ser humano

desenvolva a função semiótica é necessário “a evocação representativa de um objeto ou de um acontecimento ausente”, o que envolve a “construção ou emprego de significantes

diferençados, visto que devem poder referir-se não só a elementos não atualmente perceptíveis, mas também aos que se acham presentes.” (PIAGET, 2009, p. 52).

Para Piaget (1986), três consequências primordiais surgem quando as estruturas mentais são potencializadas pela linguagem, são elas:

[...] uma possível troca entre os indivíduos, ou seja, o início da socialização da ação; uma interiorização da palavra, isto é, a aparição do pensamento propriamente dito, que tem como base a linguagem interior e o sistema de signos, e, finalmente, uma interiorização da ação, como tal, que, puramente perceptiva e motora que era até então, pode daí em diante se reconstituir no plano intuitivo das

imagens e “experiências mentais”. (PIAGET, 1986, p. 23 e 24, grifos nossos).

Tais características e tais estágios do desenvolvimento merecem destaque especial em nossa pesquisa, pois as turmas que foram observadas encontravam-se na faixa etária de um ano e quatro meses a três anos e oito meses, ou seja, vivenciando o estágio sensório-motor ou pré-operatório.

Sendo assim, o docente que atua na Educação Infantil, com turmas de creche, deve conhecer estes estágios profundamente, não para rotular as crianças, mas para poder compreender o seu papel no desenvolvimento integral delas e no desenvolvimento da linguagem oral, enfatizando nosso objeto de pesquisa.