5 Findings, Discussion and Conclusion
5.4 Implications of this study for ME teaching in general and corrective feedback in
Aceitá-lo como significado da existência humana e proclamá-lo como cumprimento das promessas antigas significa professá-lo como Messias salvador do mundo 323. O mistério da encarnação de Deus mediante a historicidade de Jesus de Nazaré significa o centro da história da salvação. O acontecimento histórico que se verificou na Palestina, aproximadamente entre os anos (5 a.C a 28 d.C.) , quando Augusto e Tibério foram respectivamente imperadores de Roma, significa a plenitude da revelação, no qual Deus manifesta o mistério de seu amor e também as verdades fundamentais acerca do sentido da vida humana. O mistério da encarnação de Deus é a mais alta expressão de senso e de significado para a história. Ressaltamos a realidade histórica deste acontecimento justamente para enfatizar a sua objetividade; não se trata de uma experiência subjetiva, mas sim, de um evento acontecido em um tempo e em uma cultura específica da humanidade.
A constituição ontológica de Jesus nos mostra todas as características próprias de uma pessoa humana no sentido completo do termo. Houve a existência corporal no tempo e no espaço em relação com a alteridade, assim como foi inserido perfeitamente nas tradições de seu povo e expressou todas as emoções, como: tristeza, simpatia, medo, dor e morte, cujas características são essencialmente humanas. As possibilidades e os limites que marcam o cotidiano da vida foram vivenciados por Jesus; inclusive o paradoxo fundamental da morte.
O sujeito histórico Jesus de Nazaré é a plenitude da revelação divina ao homem. Esta plenitude deriva do fato de que Ele é o “Filho Unigênito do Pai”, aquele que é absolutamente humano e também absolutamente divino; é o “Verbo de Deus” (Jo 1, 1), Portanto Jesus de Nazaré é Deus, mesmo em pessoa, que vem ao encontro dos homens para nos comunicar as
322 Cf. TORRES QUEIRUGA, Andrés. Repensar a Cristologia: sondagens para um novo paradigma. São Paulo:
Paulinas, 1999. p. 20.
323 FISICHELLA, Rino. Credibilidade. In: LATOURELLE, René; FISICHELLA, Rino (orgs.). Dicionário de
verdades do Reino. A encarnação é a união ontológica de Deus com os homens, que através de seu Filho se doa completamente para revelar plenamente o mistério de Deus e, ao mesmo tempo, o mistério do homem ao homem (Gs 22). Trata-se de um acontecimento único e irrepetível, no qual Deus assume radicalmente os segredos e os sofrimentos de cada homem, no mais profundo de sua individualidade para salvá-lo concretamente 324.
A totalidade do evento Jesus é revelação do Pai, nas palavras e nas obras (Dv 4), é sempre a revelação da imagem definitiva e perfeita do Deus santo e transcendente do Antigo Testamento. A carne e a linguagem humana são assumidas por Jesus que fala, prega, ensina e testemunha aquilo que vive e sabe acerca do Pai. Enquanto pessoa há consciência de si mesmo, se percebe como homem no tempo e no espaço e à medida que vive, revela através dos gestos e comportamentos a própria consciência de si mesmo. Neste sujeito pessoal em que há consciência de si mesmo, habita o “Verbo eterno” (Jo 1, 14), portanto, Cristo em sua experiência humana tinha necessariamente que revelar o Pai em todas as ocasiões de sua vida, porque revelando o mistério de sua interioridade, revela o mistério de Deus, uma vez que na sua interioridade habita Deus, ou melhor, revelando o seu ser, revela o Ser de Deus plenamente encarnado em seu ser 325. Neste sentido é que podemos defini-lo como revelação e revelador de Deus, ou seja, na revelação do mistério de sua interioridade, revela igualmente o Mistério de Deus, justamente porque é o Verbo de Deus.
Ainda que todo o destino de Cristo seja um constante revelar-se de Deus, precisamos ressaltar algumas escolhas e decisões específicas dentro da conjuntura geral de sua vida, que são decisivas para a economia da revelação e, principalmente para a realização da redenção dos homens. Se no decorrer da vida, havia sido profundamente solidário com os homens, particularmente com os pequenos, oprimidos e humilhados; no calvário, na cruz, exprime a sua solidariedade com todos aqueles que sofrem. Com a ressurreição redime todos os homens que acolhem o seu projeto.
O evento Cristo é a resposta concreta de Deus às contradições da vida. Na linha de Romano Guardini 326, afirmamos que sem a revelação, a existência do homem seria incompleta; permaneceria aberta às angústias acerca dos limites inerentes à vida, como: a dor, o pecado e a morte. Jesus de Nazaré é a resposta amorosa de Deus à pergunta fundamental
324 Cf. FISICHELLA, Rino. Rivelazione: evento e credibilità. Bologna: Dehoniane, 1985. p. 54.
325 Cf. RAHNER, Karl. Curso Fundamental da Fé: introdução ao conceito de cristianismo. 3. ed. São Paulo:
Paulus, 2004. p. 266.
326 Cf. FARRUGIA, Mario. Romano Guardini. In: LATOURELLE, René; FISICHELLA, Rino (orgs.).
acerca do verdadeiro sentido da vida. Podemos concluir dizendo que o sentido da vida é a possibilidade de encontrar-se com o Filho de Deus que nos traz o amor e a misericórdia do Pai.
2 Reino de Deus
Ele era consciente de ter recebido de Deus uma vocação para anunciar este Reino, e os testemunhos nos mostram que era profundamente dedicado a esta missão de anunciá-la até a morte 327.
No início do seu Evangelho, Marcos nos apresenta um sumário da pregação de Jesus: “Depois que João foi preso, Jesus se dirigiu à Galileia. E proclamava o Evangelho de Deus,
dizendo: completou-se o tempo. Chegou o Reino de Deus. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 14-15). Desde o início Jesus pregou o Reino de Deus. Seria um erro separar o tema do Reino da aceitação do seu destino como vítima. Jesus enxergava o sofrimento e a perseguição como aspectos característicos da vinda do Reino que proclamava insistentemente. A mensagem do Reino anunciava de modo, mais ou menos, direto o mistério da paixão. Essa mensagem comportava provações e sofrimentos: um tempo de crise e de angústia que deveria inaugurar o dia do Filho do homem (Mc 13) e proporcionar a reconstrução de Israel (Mt 19, 28). Portanto, “a prisão, o processo e a crucificação indicavam
aquela realidade a que Jesus se empenhou totalmente: o Reino de Deus que viria através de duras provações” 328.
Na última ceia, Jesus ligou sua morte ao Reino definitivo: “Em verdade vos digo que
não beberei mais do fruto da videira até o dia no qual beberei o vinho novo do Reino de Deus” (Mc 14, 25). Jesus interpretava a morte, colocando-a em relação ao reino futuro? Ele entendia a sua morte como um evento salvífico? O tema do Reino de Deus identifica-se com a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré? Essas questões cristológicas nos são importantes para mostrar de maneira sólida, até que ponto, a proposta do Reino e a trajetória do profeta de Nazaré que culmina no sacrifício da cruz, é a sua opção fundamental e consciente, enquanto Filho de Deus encarnado na história humana 329. Para assim, comprovarmos a tese de Girard e de Schwager que a mensagem do Reino, anunciada pelo Jesus histórico é a ação livre e
327 O’COLLINS, Gerald. Cristologia: uno studio biblico, storico e sistematico su Gesù Cristo. Brescia:
Queriniana, 1997. p. 53.
328 SCHILLEBEECKX, Edward. História Humana: revelação de Deus. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2003. p. 154. 329 Cf. SEGUNDO, Juan Luis. A História Perdida e Recuperada de Jesus de Nazaré: dos sinóticos a Paulo. 2.
consciente do Filho de Deus, que desmascara o mimetismo nocivo e revela a luz da mímesis do amor a partir da justiça do Reino.