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5.5 Subjektive disposisjoner. Motivasjon og barrierer for idrett

5.5.2 Idretten som sosialt fenomen

Repete-se a miudo e com carradas de razão que o Barão de Humboldt mereceu pela vastidão de seus conhecimentos, variedade e profundeza de investigações e erudição, que se revele a cada passo em suas produções litterarias, ser equiparado aos grandes genios da pensadora Allemanha; poucos sabem, porem, que o auctor do Cosmos andou pelo Brazil em pesquizas scientificas e menos ainda que elle escapou de ser encarcerado... Barão de Studart (1888, p. 81). Desde tempos que naturalistas aportavam nas terras brasileiras, comprovando nos artigos das Revistas do Instituto do Ceará. Barão de Studart, em 1888, descreveu detalhes da expedição científica de Humboldt6 pelo Brasil.

Fato pitoresco e original ocorrera, exatamente, em sua passagem pelo Norte do país, próximo ao Maranhão e imediações do Ceará: passou a ser procurado pelas autoridades locais, cuja alegação vinha de um documento expedido pela Coroa Portuguesa, em que afirmava serem os objetivos de Humboldt não científicos. Esse fato foi descrito no artigo do Barão de Studart (1888, p. 82), por meio de relato no livro “Ensaio Estatístico” do Senador Thomaz Pompeu (1864, 2º volume, p.280), onde registrou dessa forma:

Officio Circular do Governador Bernardo Vasconcellos às Camaras e mais autoridades da Capitania remettendo por copia uma carta regia reclamando com especial empenho a prisão de um tal barão de Humboldt, súbdito prussiano, como homem perigoso, que viajava percorrendo o interior da America e do Maranhão, sob o auspecioso pretexto de fazer observações geographicas, topographicas e scientificas, mas com o fim real de surprehender e tentar por meio de novas ideas e capciosos princípios os animos dos fieis vassalos, sendo essas viagens pelo territorio de S. M. sumamente prejudiciaes aos interesses da coroa.

6 Alexandre de Humboldt e Karl Ritter foram considerados os fundadores da geografia

moderna, ligados às classes dominantes de sua época, segundo René Clozier (1950, p.81-82) e Manuel Correia de Andrade (2006, p. 80-81). A obra mais conhecida de Humboldt foi o

Cosmos, livro recordado pelo Barão de Studart. Essa obra foi incompleta, escrita em quatro

volumes entre os anos de 1845 e 1858. Outra obra importante foi o Atlas Físico de Berghaus. Humboldt era considerado uma enciclopédia ambulante e apesar de naturalista, sobretudo da botânica, tinha grande curiosidade pela compreensão do papel do Homem e sua organização social e política, achando ele que esta relação era íntima com as condições naturais, conforme os pesquisadores supracitados.

O artigo de Studart e outros registros não relatam a prisão do nobre naturalista e pesquisador alemão7 da geografia no Brasil. O fato é que as

expedições científicas dos naturalistas nem sempre foram realizadas a contento da coroa portuguesa, que se sentiu invadida e temerosa com a presença do naturalista prussiano.

Há que se destacar que, o final do século XIX foi um tempo de expansão dos territórios europeus, criação das sociedades científicas, unificação do território alemão e sistematização da Geografia científica. O Brasil ainda continuava na lista dos territórios a serem explorados. Para tanto, a coroa portuguesa lançou decreto, informando que somente seria permitida expedição científica no Brasil, após autorização expressa de Ordens Régias ou com as licenças dos Governadores das respectivas Capitanias. Do contrário, seria visto como invasão.

Assim verificamos peculiaridades das relações estabelecidas pelos pesquisadores estrangeiros no Brasil. Os naturalistas nem sempre tão bem vistos, mas foram responsáveis pela formação do banco de dados do que viria a se constituir como saber geográfico. Afinal, esses naturalistas podem ser considerados geógrafos ou somente amantes da natureza?

A princípio, interessante lembrar o que se considerava ser o geógrafo para termos parâmetros de comparação. Conforme explicação de Pessanha Mary (2010, p. 16), por todo o século XIX e parte do século seguinte, a geografia seria a narração dos progressos e das técnicas cartográficas. Lembrou que até aos anos dos setecentos a profissão de geógrafo estava atrelada a figura do rei, “os geógrafos do rei”, “incluindo nesse rol, os engenheiros cartógrafos, encarregados de levantamentos topográficos, especialistas na confecção de globos e cartas, cabendo aos mesmos desenhar, traçar e comentar mapas”.

7 Conforme Andrade, ao contextualizar as ações de Humboldt, afirmou que “como era

naturalista, procurava conhecer a natureza física, a fim de chegar à explicação da evolução da sociedade, não se preocupando porém com as relações sócias em si, destinadas pelos seus contemporâneos a outra ciência também em formação, a Sociologia”. (2006, p. 82).

Capel (1981) explicou que no início da geografia, esta ciência estava diretamente vinculada às ciências exatas e matemáticas, portanto, a cartografia fazia parte desse contexto. Outro lado da profissão do geógrafo, explicitada por Pessanha Mary (op. cit.), era a da geografia atada à descrição da Terra. Definição comumente difundida entre os saberes, inclusive os escolares, pela própria sociedade. Assim sendo, “o geógrafo era aquele que “sabia ver” e, portanto, “descrever o mundo”.

Dentre o rol de profissões já formalmente existentes, tem-se a presença dos engenheiros8 e militares, que geralmente desenvolviam a

cartografia dos lugares. Confirmando esse fato, tiveram a presença de alguns militares entre os associados do Instituto do Ceará, além de padres teólogos e/ou filósofos que assumiam as cátedras de geografia e história, assim como os advogados, médicos ou pessoas ligadas à área da saúde, que se aventuravam no labor de naturalista.

É fato afirmar que no século XIX a meados do século XX, as oportunidades para a formação superior eram poucas, somente, para os abastados que o nível superior era uma realidade mais acessível, desse modo, assumiam as mais variadas funções liberais.

A partir dessa última afirmativa, questionamos: até que ponto, os naturalistas, que por aqui aportaram, não poderiam ter dado início ao exercício da profissão de geógrafo, tendo em vista as similaridades do resultado dos trabalhos desenvolvidos? Descreviam a natureza que observavam. Neste

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A confirmação da ausência de profissionais ligados à geografia dá-se pelos documentos, em formato de ofício, existentes na coleção do Barão de Studart, presente nos arquivos do Instituto do Ceará, que em 2011 foram digitalizados e disponibilizados ao público acadêmico em geral. “Ofício enviado pelo Governador Sampaio ao Conde das Galveas (31 de janeiro de 1814), informando que na Capitania do Ceará, só existem dois engenheiros, ele próprio e Silva Paulet, que este concluiu a Carta Marítima da costa do Ceará e que está a levantar o mapa geográfico da parte próxima à costa. Por fim, diz que a agricultura e o comércio dos arredores da capital estão em crise”. (INSTITUTO..., 2011). Assim se sucederam inúmeras correspondências, ofícios e documentos que expressam a relação estreita entre o governador Sampaio e a formação da cartografia do Ceará, como mapas portuários, mapas da costa, além de mapas do espaço da vila de Fortaleza. Outros documentos que registram a presença dos militares no Instituto do Ceará são as listas de sócios efetivos, além dos artigos publicados na RIC produzidos por militares.

sentido, compreendamos algumas peculiaridades sobre os naturalistas que pesquisaram sobre o Ceará.

Os naturalistas, em sua maioria, não eram geógrafos por formação, mas assumiam o legado de estudo descritivo da natureza, contribuindo para a formação das ciências naturais em nosso País. Dentre os naturalistas mais representativos e proeminentes para compreensão das bases da geografia do Ceará estão Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, Rodolfo Marcos Teófilo, Francisco Dias da Rocha, Tomaz Pompeu de Souza Brasil Sobrinho, Antônio Bezerra de Menezes, entre outros.

Além de vários naturalistas estrangeiros que contribuíram com pesquisas e expedições científicas pelo Ceará, citamos George Gardner, Albert Löfgren, Emilie Snethlage. Estes e outros são analisados por Paiva, autor de referência na pesquisa bibliográfica dessa temática. A partir da compreensão de Paiva (2002, p.23), consideram-se como naturalistas:

[...] aqueles que se dedicam às ciências da natureza, com maior ou menor grau de especialização, mas sempre com uma visão global e integrada dos fenômenos naturais. Isto exige conhecimento mais diversificado e de amplitude compatível com as dificuldades inerentes à solução de problemas com marcada interdisciplinaridade.

Os naturalistas eram estudiosos da natureza, possuíam formações diversas, daí a explicação do autor supracitado ao enfatizar a marcada interdisciplinaridade desses pesquisadores que realizaram estudos referentes à natureza do Brasil e do Ceará, tornando-se parte da base de conhecimentos que se difundiriam em saberes escolares e científicos.

Perseguindo a ideologia do cientificismo positivista, os estudiosos se ocuparam no desenvolvimento de diversos temas de análises e com campo de atuação diverso. Estes estudos tinham por propósito esquadrinhar os lugares a busca de recursos naturais que se tornariam matérias-primas para a sociedade industrial que emergia, além do conhecimento dos limites territoriais e suas potencialidades. Nesta perspectiva, ratifica Lencione (2003, p.74):

O conhecimento dos lugares não se constituía, assim, em motivação apenas para viajantes, exploradores e

cientistas. Era de interesse prioritário para o poder político e econômico do Estado-nação. Os interesses hegemônicos deveriam estar garantidos não apenas pelo domínio dos povos subjugados, mas também, no âmbito interno das nações dominantes, pela construção ideológica de que aqueles interesses seriam de proveito de todos. Foi nesse contexto que a cátedra de Geografia foi instituída nas escolas, com o objetivo da construção e afirmação da nacionalidade.

Aqui se trata de um conhecimento produzido com propósitos definidos com o interesse econômico do Estado-Nação, o que contribuía para a geografia entrar em cena, passar a ser investigada e produzida pelos seus protagonistas.

Neste mesmo sentido, Teles e Borges-Nojosa (2009, p.16-17), além de Porto Alegre (2003), enfatizaram as reais intenções da coroa portuguesa em conhecer o território brasileiro para fortalecer-se, mostrando-se como possuidora de terras promissoras. Outro ponto interessante que lembraram os pesquisadores foi sobre a profissão de naturalista. Explicaram ainda que “foi durante o século XIX, já no primeiro quarto de século, na então colônia portuguesa, que os mais diversos naturalistas começaram a chegar através das expedições, dando maior notoriedade para a profissão”.

Muitos estudiosos associam os naturalistas tão somente aos pesquisadores da fauna e flora, sendo de interesse precípuo seus estudos aos biólogos. Contudo, percebemos pelas contribuições dos naturalistas que passaram pelo Ceará, que os estudos eram muito mais abrangentes, daí porque a inquietação em compreender até que ponto naturalistas e geógrafos se assemelham.

No quadro a seguir pudemos observar informações pesquisadas na obra “Os Naturalistas e o Ceará”9, produzida por Melquíades Pinto Paiva10

(2002). Uma obra com densidade de detalhes biográficos, resultado de dez

9

Obra publicada pelo Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico).

10

Paiva é natural de Lavras da Mangabeira-CE. Engenheiro Agrônomo pela Escola de Agronomia do Ceará, Universidade Federal do Ceará-UFC (1930). Doutor em Ciências pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (1972). Cientista ativo, participante de diversas sociedades científicas. Sócio-efetivo do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), desenvolve pesquisas pelo CNPq, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002).

anos de pesquisa. Sendo assim, foi possível sintetizar as principais contribuições de alguns naturalistas brasileiros, dentre eles vários cearenses, e estrangeiros que por aqui passaram, deixando resultados de suas pesquisas, no período que compreendeu o final do século XIX a meados do século XX.

Atentamos que a ordem estabelecida no quadro foi a mesma seguida na obra do autor. Analisamos a origem, formação acadêmica e contribuições para o estudo do Ceará, destacamos aqueles pesquisadores que tiveram significativa atuação pelas terras cearenses:

QUADRO 3

OS NATURALISTAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SABER GEOGRÁFICO

Naturalista/período Formação

acadêmica

Contribuição aos estudos do Ceará João da Silva Feijó

Natural do Rio de Janeiro (1760-1824) Bacharel – engenheiro- Universidade de Coimbra, convidado ao Ceará pelo governador da capitania.

“[...] inventário dos recursos naturais, mapeamento geológico, a coleta dos primeiros fósseis de peixes e avaliação de sua importância, a remessa de plantas e animais cearenses para museus da Europa, a elaboração de um catálogo da flora, a montagem do primeiro laboratório de pesquisa e a descrição geral da capitania – incluindo aspectos econômicos, sociais e políticos” (Paiva, 2002, p.45). George Gardner11 Natural de Glasgow (Escócia) (1812-1849) Doutor em medicina, mas realizava estudos botânicos.

Em suas viagens pelo Brasil coletou espécies para composição de herbário.

Descrição de espécies da fauna e flora brasileira desconhecidas até então, compondo estudos da biogeografia. No Ceará, estudou in loco, os depósitos de peixes fósseis encontrados no sopé da vertente cearense da chapada do Araripe, destacando aspectos geológicos, além de estudos descritivos sobre as plantas, vegetação e das espécies da fauna dos carnaubais, das caatingas e vazantes. Participante da Comissão Científica de Exploração no Norte e Nordeste do Brasil, conhecida como “Comissão das Borboletas”. Doutor em Medicina –

Faculdade de

Realizou pesquisas e coletas de espécies da flora, fauna; produziu considerações gerais

11

O relato detalhado das pesquisas de George Gardner encontra-se em sua obra “Viagem ao interior do Brasil”, 1812-1849. Uma descrição densa distribuída em quinze capítulos. O Ceará foi apresentado nos capítulos V e VI.

Francisco Freire Alemão Natural de Campo Grande – Rio de Janeiro (1797-1874) Medicina de Paris. Realizava estudos de botânica.

sobre as atividades agrícolas no Ceará, nas serras, chapadas e faixa litorânea, resultado das expedições da Comissão Científica de Exploração, onde foi nomeado o presidente, como já vimos anteriormente.

Thomaz Pompeu de Sousa Brasil Natural de Santa Quitéria – Sobral/CE (1818-1877) Recebeu ordens sacras no Seminário de Olinda, em 1841; Em 1843 obteve grau de Bacharel pela Faculdade de Direito de Olinda.

Elaborou diversos estudos estatísticos e demográficos do Brasil e Ceará, abordando aspectos da geopolítica regional e nacional; elaborou livros didáticos e científicos sobre o Ceará; pesquisou sobre as secas, fez coletas de dados meteorológicos, e ainda pesquisou sobre a devastação das matas e conservação da natureza cearense. Além de ser Diretor do Liceu do Ceará, atuando como professor de geografia e História.

Rodolfo Marcos Teófilo Natural de Salvador – BA, vindo na infância para o Ceará. (1853-1923) Graduado em Farmácia pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1875.

Foi um dos maiores estudiosos do fenômeno das secas no Ceará, causas e efeitos. Pesquisou sobre a flora regional e na educação de jovens produziu obras didáticas. Sanitarista combatente fabricou a vacina contra varíola, consagrando-o como varão benemérito do povo cearense, além de ser abolicionista. Fez uma monografia sobre a mucunã, denominando-a como o “pão dos famintos” no período das secas.

Albert Löfgren Natural de Estocolmo - Suécia (1854 – 1918) Graduado em Filosofia e Ciências Naturais pela Universidade de Upsala.

Foi chefe da Secção de Botânica da Inspetoria de Obras Contra as Secas, onde realizou estudos das condições do solo e da flora do espaço do semi-árido nordestino, além da flora brasileira. No Ceará realizou coletas e anotações sobre as plantas e vegetação típica. Realizou estudos sobre as possibilidades de reflorestamento e fixação de dunas. Francisco Dias da Rocha Natural de Fortaleza- CE Graduado pela Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará, em 1918.

Professor e cientista. Criador do Museu Rocha com coleções de minerais e rochas, fósseis, vegetais e animais (extinto). Realizou pesquisa sobra a flora e plantas medicinais, além de estudos geológicos, dos fósseis com ossadas gigantes em escavação na Lagoa do Ipu.

(1869-1960)

Adolpho Ducke

Natural de Trieste – Itália

(1876-1959)

Botânico e zoólogo. Era um pesquisador de campo, iniciou seus estudos sobre as abelhas e vespas no Brasil. Em viagens para o Ceará realizou explorações botânicas e entomológicas, considerou que a vegetação cearense compreende três regiões distintas: flora do litoral, do sertão e flora das vertentes setentrionais e orientais das serras.

Philipp Von Luetzelburg Natural de Landsber - Alemanha (1880-1948) Graduado em Farmácia pela Universidade de Munich.

Produziu dois mapas de interesse aos estudos do Ceará. Mapas fitogeográficos, um sobre o Sul do Ceará e outro da serra do Araripe, além de estudos botânicos da vegetação do Nordeste e Ceará.

Thomaz Pompeu de Souza Brasil Sobrinho (Neto do Senador Pompeu) Natural de Fortaleza- CE (1880-1967) Engenheiro pela Escola de Minas de Ouro Preto, em 1903.

Funcionário público no Ceará na Inspetoria de Obras Contra as Secas. Um dos maiores conhecedores da Geografia do Ceará e de seus problemas de açudagem. Sócio efetivo do Instituto do Ceará. Produziu vasta obra sobre o Ceará com temas que variavam da fisiografia, o problema das secas, açudagem, indústria pastoril, história do Ceará e antropologia. José Guimarães Duque Natural de Sumidouro, distrito de Lima Duarte, Minas Gerais. (1903-1978)

Agrônomo pela Escola

Superior de

Agricultura de Viçosa (MG), em 1928.

Foi professor do curso de Agronomia da Universidade Federal do Ceará e funcionário do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. Elaborou pesquisas sobre a importância dos solos, das lavouras xerófilas e estabeleceu parâmetros e métodos para os cultivos irrigados, antes desconhecidos. Pesquisador e professor de renome. Raimundo Renato de Almeida Braga Natural de Cruzeiro do Sul, Estado do Acre. (1905-1968) Engenheiro Agrônomo pela Escola de Agronomia do Ceará, em 1927.

Foi professor de Zootecnia Geral da Escola de Agronomia do Ceará, desenvolveu pesquisas sobre as plantas do nordeste brasileiro, principalmente do Ceará, escreveu sobre a Geografia e História do Ceará, além de revelar as atividades e resultados da Comissão Científica de Exploração (1962), que percorreu as terras cearenses no período de 1859-1861.

Antônio Bezerra de Menezes Natural de Quixeramobim, CE. (1841-1921) Autodidata, abolicionista de convicção e apresentava postura conservacionista da natureza.

Foi funcionário público provincial e um dos fundadores do Instituto do Ceará, em 1887. Dentre suas obras, ressalta-se “Província do Ceará: Notas de Viagem”. Uma obra que conta o relato de viagem à região norte do Ceará, iniciada em setembro de 1884, durando seis meses, de caráter oficial, financiada pelos cofres provinciais. Passou por Camocim, percorrendo áreas do Sertão, das praias e pela Chapada da Ibiapaba, em suas vertentes orientais. Realizou o levantamento dos recursos naturais, da presença de jazidas minerais, descreveu os tipos de vegetação e registrou os tipos de animais nativos. Emilie Snethlage Natural de Kraatz, província de Brandenburg – Alemanha. (1868-1929) Ornitologista, doutora pela Universidade de Freiburg (1904). Chegou em Bélem- Brasil em 1905.

Foi uma incansável naturalista viajante do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Percorreu o território brasileiro. Esteve no Ceará em 1910, coletando aves nas cercanias de Camocim, Ipu e na chapada da Ibiapaba. Descreveu a avifauna das caatingas e florestas do Ceará. Interessava-se pelo estudo da zoogeografia e ecologia. Foi pioneira na pesquisa de campo de aves do Brasil.

Fonte: Mendes (2010), adaptado de Paiva (2002).

George Gardner, assim como o Barão de Humboldt, foi um dos ilustres representantes estrangeiros, que por aqui passou. O médico inglês elaborou diversas descrições, segundo seu livro “Notas de Viagem”, realizado entre 1812-1849. Escreveu extenso relato dos aspectos físicos da natureza das províncias que conheceu, sobre a caatinga, a geologia, arqueologia e fósseis encontrados. Além das características das atividades econômicas produzidas na época, com destaque para produção de rapaduras e açúcar mascavo no Ceará. Os relatos demonstram as dificuldades passadas pelas rotas no sertão do Ceará. Para época, não esqueceu de observar as peculiaridades do fenômeno das secas, tão alardeado por todos que por aqui aportaram.

Além de características físicas, nomenclaturas da fauna e flora, George Gardner atentou em registrar características da vida do povo cearense, suas festas religiosas, doenças, comportamento e nível moral, a economia

baseada na carne seca, couro e algodão, inseridas em descrições das cidades como a exemplo de Aracati:

A cidade de Aracati ergue-se na margem leste do rio e consiste quase só de uma rua longa e larga. Tem quatro belas igrejas e suas casas são geralmente de dois andares. A população conta cerca de cinco mil almas, gente paupérrima na maioria. Grande quantidade de carne seca se preparava aqui, em tempos idos, para exportação a outras partes do