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Hvordan ble analysen gjennomført?

In document MASTEROPPGAVE Samfunnsernæring 2014 (sider 47-52)

3. Metode

3.8. Analyse

3.9.1. Hvordan ble analysen gjennomført?

Uma semana mais tarde encontrei Aline um pouco antes do início do grupo. Ela queria saber se eu havia conversado com Heitor. Dois dias depois do último encontro, Aline participou de uma Audiência Pública sobre a Lei Maria da Penha na Câmera dos Vereadores de Niterói. Depois de vários depoimentos sobre os desafios institucionais para a atenção às vítimas (tema frequente na maioria dos encontros de caráter acadêmico e político), Heitor tomou o microfone e se apresentou como “um agressor”, que considerava injusta a lei, pois não atendia aos casos nos quais o homem era vítima. Aline não acreditava que ele se apresentasse desse modo. “Ele foi massacrado pelas feministas” e foi acusado de ser um machista que minimizava a situação de medo da sua ex-esposa, comentava Aline. Ela achou corajosa a participação de Heitor e

considerou que elas foram injustas com alguns dos seus comentários. Depois dessa breve fofoca, tomando um café, Aline chamou os homens para entrarem na sala a fim de continuar o tema emergente no último grupo: “canalizar a raiva” para que não vire violência.

Josué assegurou que não tinha raiva, com sua conversão ao judaísmo ele aprendera a “não se deixar afetar por pessoas ou situações exteriores”, que estariam dominando seu proceder: “a raiva não é mais do que provar para a pessoa que ela ainda manda em você, essa pessoa está dentro de você, na verdade você não está vivendo, está vivendo a pessoa”. Para Aline, era bom “deixar fluir a raiva sem controlar”, diferentemente de Maykson, que preferia evitá-la, reprimindo-a em última instância. Aline lhe recomendou fazer alguma atividade física e “praticar a tolerância”, para não acumular a raiva, dar abertura à palavra e entender o ponto de vista do outro.

Havia transcorrido quase uma hora do encontro quando Heitor entrou na sala. Ele queria se despedir de Aline e dos outros homens. Após sua participação na audiência pública, Aline solicitou que ele viesse para encerrar o processo. Depois do último encontro de que ele participou, Heitor refletiu sobre a raiva e começou ler o livro O poder da gentileza. O modo

como você trata as pessoas determina quem você é, da psicóloga espírita “especialista em

relacionamentos e autoestima” Rosana Braga23. Lendo trechos do livro, Heitor descrevia um

ideal ético de pessoa “assertiva”, “objetiva” e “convicta de seus ideais”, que devia praticar a “determinação”, a “firmeza” e, sobretudo, a “gentileza” para não perder a “capacidade de indignação”, argumentar sobre seu ponto de vista e se afirmar com “respeito e delicadeza”. Estes eram os atributos de personagens históricos, como Jesus, Buda ou Ghandi. Depois de ler o livro, Heitor começou “um exercício diário de rever várias coisas da minha vida”, para cada vez em que ele estava “acelerado”, ele se abraçava para se desarmar antes de falar. Ele agora respirava melhor e dizia: “[não deixo] me afetar quando a pessoa está me cutucando”. Tudo isso ele conseguiu com a colaboração da sua atual esposa, que sempre lhe falava: “calma, vamos parar um pouco, vamos alinhar nossos pensamentos, vamos achar o caminho”. Todo mundo comentava: “essa mulher aí é boa!”.

“Muito bom!”, afirmava Aline contente, “sobre isso estávamos falando”, da importância de praticar a paciência e de elaborar a raiva para transformá-la em palavra: “toda vez que falta a palavra o caminho é a agressão”. Eles escutavam com boa disposição. Aline distribuiu algumas folhas de papel em branco e solicitou desenhar alguma coisa para alguém de quem eles gostassem muito. Ela colocou música relaxante para meditar e esperou uns minutos. Com

voz suave, Aline mencionou que o exercício era para pensar a raiva e a maneira como eles lidavam com ela. Alguns se recusaram a desenhar, como Maykson. A pessoa de quem Edinaldo mais gostava era sua mãe, para Heitor era sua filha. Josué desenhou um dragão para a sogra, Herbert, uma flor para a filha. Henrique desenhou para sua família. Enquanto eles desenhavam, Aline comentava que era necessário elaborar a raiva para não deixar marcas na alma dos outros. Essas marcas eram “violência psicológica”. Para ela, era possível construir novos laços com “uma palavra que vira gentileza e cuidado”.

Antes de finalizar o encontro, Heitor solicitou ler Desiderato, que para ele continha uma descrição daquilo a que ele devia aspirar como um “homem gentil”. Com tom calmo e olhando para todos na sala, ele leu o texto.

Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam. Fale a sua verdade, clara e mansamente. Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história. Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito. Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo. Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar. Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja, ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos. Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas. Mas não fique cego para o bem que sempre existe. Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira, pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva. Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude. Cultive a força do espírito e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa. Não se desespere com perigos imaginários: muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão. Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino. Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que você lhe der. No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz. Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito. Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade24.

“É mesmo”, dizia Henrique. Todos agradeceram a leitura. Antes de se despedir, Heitor deu de presente o livro de Rosana Braga para Aline, que agradeceu por ter vindo para se despedir, sabendo que ele não precisava mais comparecer ao juizado.

24 Existem várias traduções do Desiderato para o português, todas com algumas pequenas variações de palavras.

É possível que a versão aqui apresentada não seja exatamente igual à lida por Heitor. Esta versão pode ser consultada no site: http://www.luzdegaia.org/oracoes/audio/desiderata.htm

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