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Hvilke funksjoner kan gestaltingene innordnes i?

6.2 Del 2 – Analyse av indisk sigøynermusikk

6.2.2 Hvilke funksjoner kan gestaltingene innordnes i?

A ação neste estudo engloba tanto aquelas desenvolvidas por e entre cada geração, em específico, dentro dos cenários escolares e comunitários, quanto aquelas anunciadoras da etnicidade dos Tremembé. Ambas, mobilizadoras e mobilizadas pelo tema da espiritualidade. Para seguir nessa discussão acerca da ação de narrar e narrada, volto-me para a perspectiva sociocultural, pautada nos princípios identificados por Vigotski acerca da constituição do humano, principalmente, nas elaborações tecidas por Wertsch sobre a mediação. A partir de Wertsch (1998) encontro um nexo entre ação, sujeito e mediação em sua proposta de pesquisa sociocultural. Nela, o autor busca entre outras coisas, formular um enfoque a superar o que ele identifica como a antinomia indivíduo-sociedade e a funcionamento mental-contexto sociocultural. Tais dicotomias, segundo Wertsch (1998), fazem-se presentes em boa parte dos estudos que passam a deter-se em um dos pólos em detrimento do outro. Para não reproduzir tais cisões, próprias do projeto da modernidade, esse autor indica um caminho alternativo para realização da análise de fenômenos que contenham os pólos acima sinalizados:

que o funcionamento mental e o contexto sociocultural sejam entendidos como momentos dialeticam ação ente interativos, ou aspectos de unidade mais inclusa de análise – a ação humana. Como se entende aqui, a ação não é conduzida nem pelo indivíduo nem pela sociedade, embora hajam indivíduos e movimentos sociais para qualquer ação. Pelas mesmas razões um relato da ação não pode se originar do estudo do funcionamento mental ou do contexto sociocultural em isolado. Em vez disso, a ação fornece um contexto dentro do qual o indivíduo e a sociedade (bem

como o funcionamento mental e o contexto sociocultural) são entendidos como momentos inter-relacionados (WERTSCH, 1998, p. 60).

Para adotar essa linha integrativa de indivíduo e sociedade, psiquismo e contexto sociocultural, o autor ancora-se nas reflexões de Vigotski acerca da unidade dialética entre sujeito e ferramentas psicológicas (dos sistemas numéricos aos trabalhos de arte) e suas repercussões no modo de realização da ação humana. Dessa concepção Wertsch (1998) indica a existência de “uma tensão irredutível entre os meios mediacionais e os indivíduos que empregam esses meios” (p. 62). Por conta de tal imbricação, é infrutífero para a pesquisa sociocultural adotar uma noção a dicotomizar essas relações. Com isso, a idéia de agente

passa a assumir um outro sentido, distinto da imagem moderna de um indivíduo detentor do agir, mas vista como “indivíduo-que-opera-com-meios-mediacionais”. A ideia de mediação

proporciona uma mudança no modo com que se concebe os pólos da antinomia a ser superada. Assim, os sistemas simbólicos e as ferramentas técnicas (enxada, livro etc) não podem ser entendidos em uma análise a separá-los dos agentes concretos que os mobilizam e manuseiam. São, de modo similar, “meios mediacionais-que-operam-com-e-por-sujeito”.

Ao estudar as expressões simbólicas de uma unidade de geração, adentro, portanto, no modo com que elas são operadas e operam com/pelos e nos sujeitos. A essa tensão fundamental, não posso escapar, salvo queira manter-me nas dicotomias relatadas, a convergir, e por isso nem sempre questionadas, com a razão moderna ocidental. O cerne é que, ao pensar a unidade necessária para superação das antinomias citadas, Wertsch (1998) identifica na ideia de mediação abordada por Vigotski, o elo original para o enfoque das pesquisas socioculturais.

Uma suposição subjacente de tal pesquisa é que os humanos têm acesso ao mundo somente de forma indireta ou mediata, do que diretamente ou imediatamente. Isso se aplica tanto com relação a como os humanos obtêm informações sobre o mundo e como agem sobre ele – dois processos que geralmente são vistos como estando fundamentalmente entrelaçados (ALVAREZ, RÍO, WERTSCH, 1998, p. 27-28). Esse entendimento básico da mediação orienta uma alternativa de resolução para as dicotomias ressaltadas pelo autor. Pela propriedade mediadora das ferramentas culturais, é possível religar as ações e seus agentes, e, sobretudo, tais ações e sujeitos com as instituições e as situações sociais e históricas a permear seu viver. Pela mediação é que se estabelece o laço inquebrantável a aludir a tensão entre sujeito e ferramentas culturais. Como efeito desse vínculo, afirmo o caráter relacional e contextual da ação que só adquire, nesta perspectiva, o adjetivo “humana” quando integrada no “indivíduo-que-opera-com-meios-mediacionais”.

Mas quais as características da mediação dentro do debate da perspectiva sociocultural, fundada na obra de Vigotski, acerca da ação humana? Alvarez, Río e Wertsch (1998), ao apreciarem distintas produções dentro desse horizonte, identificam, basicamente, às seguintes: um processo dinâmico; sua capacidade transformatória; envolve fortalecimento e limitação e sua assunção como subproduto. O primeiro aspecto delineador do que vem a ser chamado pelos autores de mediação, refere-se à processualidade e à dinamicidade com que incide na ação humana. Essas qualidades vão nos advertir da impossibilidade de uma fragmentação do seu fluxo ou de suas propriedades. Quanto a isso, os autores indicam que:

Mesmo a mais sofisticada análise dessas ferramentas não pode, por si só, nos dizer como elas são aceitas e usadas por indivíduos para conduzir a ação. Em vez disso, a mediação é melhor entendida como um processo envolvendo o potencial das ferramentas culturais para modelar a ação, por um lado, e o único uso dessas ferramentas, por outro (ALVAREZ, RÍO, WERTSCH, 1998, p. 29).

Em sua processualidade, a mediação instaura um fluxo integrador entre o agente e as

ferramentas na ação. De modo que qualquer análise ao concentrar-se somente em um dos pontos perde dessa tensão constituinte da ação a sofrer tanto a força modeladora de cada ferramenta específica, quanto as marcas dos modos de manuseio peculiares de cada sujeito e grupo social. Daí, decorre a dinâmica do teor comum inerente a cada meio mediacional em uma ação e a unicidade relativa aos sujeitos e às circunstâncias em que realizam seu manuseio. Uma implicação dessa primeira característica da mediação para pensar a ação humana, em especial para este estudo, aquela protagonizada por e entre grupos geracionais, é a identificação existente e encontrada entre certas ferramentas culturais e esses sujeitos.

Conforme abordado, a ideia de geração alude a uma situação e a uma posição social, que não prescinde, em si, de um grupo concreto, diferentemente de uma comunidade religiosa por exemplo. Então, na formação de uma geração, ao comungar experiências, proporciona-se o enlace dos tempos biográficos e históricos, e, mais que isso, produz-se significados partilhados e visões de mundo. Estes últimos emergem na e pela mediação, em que sujeitos e ferramentas culturais configuram-se em uma tensão dinâmica, inventiva e complexa (permeada de contradições e ambiguidades). Assim, a análise intergeracional pode ser exercida por meio da identificação e compreensão de que ferramentas culturais são apropriadas por cada grupo etário, de como elas integram suas ações e relações, e a peculiaridade inerente ao seu manuseio conforme os sujeitos em suas situações, interações e posições sociais. Ao que se refere à espiritualidade, volto-me neste estudo aos modos com que se inscreve nessa dinâmica entre o efeito “modelador” das ferramentas sobre a ação desenvolvida nos cenários escolares e comunitários, e a singularidade de cada sujeito e grupo

geracional em seus usos. As ações mediadas em que essa temática é objeto e afeto mobilizador, dizem das apropriações e experiências de cada e entre as gerações. Sigo, nesta explanação, com a segunda característica indicada por Alvarez, Río e Wertsch (1998) acerca da mediação, que vem a ser a sua potência transformatória. Sobre esse aspecto os autores partem de uma premissa de Vigotski:

ao ser incluída no processo de comportamento, a ferramenta psicológica altera todo o fluxo e a estrutura das funções mentais. Assim se faz ao determinar a estrutura de um novo ato instrumental, semelhante à ferramenta técnica que altera o processo de uma adaptação natural ao determinar a forma das operações de trabalho (VIGOTSKI apud ALVAREZ, RÍO, WERTSCH, 1998, p. 29).

A incidência de uma outra ferramenta cultural possui a capacidade de transformação da ação medida ou até do surgimento de uma nova. O destaque dado por Wersch (1998) a essa característica é no sentido de que a inclusão de um recurso mediacional apenas facilitaria

uma ação humana, sem alterá-la de modo algum. Afinal, se com a mediação o sujeito e a ferramenta estão integrados de tal forma que sua dinâmica não pode ser fragmentada a fins de análise, seu processo tende a sofrer transformações ao se inserir um novo recurso, pois também muda o manuseio e o próprio sujeito. Ao pensar sobre essa característica inerente à

mediação e suas repercussões para o entendimento das relações intra e intergeracionais, surge-me alguns pontos que menciono aqui como suposições desenvolvidas neste trabalho.

Em especial, a ideia de Mannheim de que é a mudança social a mola propulsora da formação de gerações. Bem, ao entendermos as mudanças decorrentes pela aceleração na produção de novas tecnologias, marca da modernidade industrial capitalista, visualizo que a inserção das mesmas, seja o computador ou celular, seja uma nova língua ou sistema simbólico, implica em experiências e apropriações dos sujeitos que trazem a marca das tensões entre esses e essas ferramentas. Daí a identificação de sujeitos com certas tecnologias representar em parte o impacto da entrada das mesmas em suas relações, ou melhor, de como e em que medida delas se apropriaram. Algumas diferenças geracionais são muito percebidas quando observamos tais modos de apropriação de certas ferramentas como o celular, as redes sociais ou sistemas simbólicos como a religião. Em alguns casos, chega-se a dizer de formas específicas de manuseio de uma mesma ferramenta conforme a faixa etária do indivíduo. Sei que a constituição de uma geração exige muito mais do que a aproximação etária, e é nesses fatores (uma experiência partilhada, apropriações dos acontecimentos vividos) que ilustro essa característica da mediação.

Um grupo geracional, no meu entendimento, imprimirá modos peculiares, não homogêneos, de uso de uma ferramenta cultural, anteriormente inexistente a esses sujeitos,

em distinção ao mesmo processo vivido, simultaneamente, por outra geração. Essa diferenciação não pode ser vista apenas em termo operacionais, de uso, mas quanto aos afetos e pensamentos a constituir o grau de relevância de dado recurso para os sujeitos geracionais.

Nesse sentido, vislumbro que a inserção de uma nova tecnologia pode, quiçá, não apenas modificar uma dada ação humana, mas impulsionar o surgimento de uma nova ação mediada, de cujas experiências e apropriações, sujeitos podem emergir como uma geração outra. Não seria assim o efeito visualizado nos ditos cotidianos geração Orkut em contraste com a posterior geração facebook? Em que se destaca uma faixa etária que passa a ter características identificadas em função do uso de um tipo de tecnologia comunicacional. No que ser refere a esta pesquisa, no que tange à religiosidade e à espiritualidade, a inserção de sistemas simbólicos como a religião, seja qual for, não pode ser pensada sem se considerar a potência transformadora das ações, dos sujeitos e de seus meios mediacionais pré-existentes.

Ao pensar acerca dos Tremembé, a entrada do sistema simbólico da religião católica, via colonos e missionários, representa em si uma mudança significativa para esses e os demais povos nativos. Daí, posso considerar pertinente a possibilidade de surgimento de fenômenos geracionais originados das experiências desses primeiros contatos e, posteriormente, após os conflitos mais agudos presentes no registro histórico dessa etnia. O impacto das mudanças fundadas nas interações primeiras, com os afetos e significações pujantes próprios do encontro entre cosmovisões distintas, deve ter instaurado, entre outros processos, dinâmicas geracionais, que passam a compor as feições de sua etnicidade.

Não pretendo aqui identificar as características de tais grupos etários, mas tão somente sinalizar que a inserção do empreendimento moderno-colonial, em suas quatro feições anteriormente descritas, possivelmente provocou profundas tensões e mudanças sociais. Inclusive, no que se refere às formas de resistência a emergir entre os povos nativos: da aliança com os portugueses, franceses ou holandeses, até à chamada guerra dos Bárbaros. No entanto, no que tange à experiência junto ao sistema simbólico dos colonizadores, a apropriação por parte dos povos nativos, assim como a realizada pelos missionários quanto à espiritualidade daqueles, proporcionou o que Pompa (1990) descreve abaixo a partir de seus estudos acerca desse processo de evangelização quanto aos Tupi e aos Tapuia:

desde os primeiros contatos, criou-se (foi procurado) um patamar comum, uma dimensão de trânsito simbólico que teve no “religioso” sua linguagem de mediação. Os relatos coloniais e missionários refletem um processo de “tradução” em andamento [...] As novas identidades e os novos discursos, pautados pelas categorias do “religioso”, se constroem neste processo de constante interpretação e tradução da realidade colonial em contínua mudança; portanto, são fluídos, negociados e históricos (p. 165),

A ideia de um “trânsito simbólico” entre missionários e povos nativos denota profundas mudanças sociais, das ferramentas culturais desses sujeitos, conforme seus lugares de enunciação. Ao apontar o religioso como linguagem a mediar esses contatos étnicos, Pompa descreve um processo de apropriação, por cada sujeito, de um sistema simbólico, do e em relação a um outro. Assim, pensar a si e o outro, nesse contexto histórico, envolve os meios mediacionais com os quais cada um apreende o mundo. A ação mediada fundamental, nesse processo, é a de tradução e de interpretação, ambas só passíveis de entendimento se considerarmos os agentes, as ferramentas e seus cenários concretos de realização. A negociações a que Pompa se refere se dão nas apropriações dos meios mediacionais do outro e das produções de sentido do mundo de cada um, nesse caso, cabe destacar o que a autora descreve desse período de ebulição pela matriz colonial no que tande aos “indígenas”:

o “outro” indígena realizava sua própria leitura da alteridade colonizadora e missionária, tentando absorvê-la e replasmá-la conforme suas categorias e através de seus instrumentos: o simbolismo mítico-ritual. Nem sempre esta operação foi possível, devido à especificidade das situações históricas em que o encontro colonial se realizou e aos cataclismos sociais e cósmicos que esse provocou. Em alguns casos, a presença do branco e sua superioridade fundaram-se no mito e os missionários foram assimilados a poderosos xamãs; em outros, os rituais católicos foram utilizados para construir um horizonte simbólico nativo e voltado para os nativos, que procuravam eliminar simbólica e fisicamente os brancos (POMPA, 1990, p. 165)

O que me parece fundamental a partir da antropologia histórica da autora, é que, em conformidade com a noção de etnicidade de Barth (com peso na adscrição e autoadscrição do grupo étnico em permanente transformação e contato) e de interculturaldiade de Walsh (a partir de um hibridismo cultural atravessado pela colonialidade), confluem nessas fronteiras

ações de tradução e de interpretação dos sujeitos e de seus meios mediacionais a redefinir suas distinções étnicas e geracionais. Embora tenham formações diferentes, a etnicidade e a geração tiveram em suas mediações a linguagem referente ao campo denominado de

religioso/espiritual. E nesse exercício do ato de traduzir e de interpretar o outro e a si mesmo, a mediação envolve tanto modos peculiares de apropriação das categorias cosmológicas do outro, quanto transformações, com diversas intensidades, das próprias ferramentas culturais, e, consequentemente, das ações expressivas de cada etnia e geração.

Dessa maneira, a potência transformadora da apropriação ou da imposição de uma ferramenta cultural proporciona efeitos sobre as traduções e interpretações. Nisso, ao meu ver, pode ter residido a antropofagia de símbolos do outro, realizada pelos povos nativos, a redefinir os seus próprios sistemas simbólicos, ao negar/adotar/reinventar as categorias do outro. Assim, conforme os modos que cada grupo geracional nativo e colonizador manuseou

os meios mediacionais do outro, ocorreram transformações em suas próprias ferramentas e em suas ações. A gerar outros contrastes tanto entre gerações quanto nas relações interetnicas.

Nesse processo, enxergo os laços indissociáveis dos processos de interculturalidade e de intergeracionalidade, nos quais incidem a colonialidade e as tensões presentes nos fenômenos religiosos/espirituais. Aspectos esses também atravessados e delineadores da etnicidade dos povos, com seus sujeitos, meios e cenários instituintes. Com isso, sintetizo essas ideias no quadro abaixo, que pode ilustrar essas dinâmicas geracionais e étnicas:

Figura 19: Dinâmicas interculturais e intergeracionais

Fonte: Elaboração própria.

É por tais questões que sigo para a explanação da terceira característica da mediação:

envolve fortalecimento e obstáculo. Em torno desse aspecto, Alvarez, Río e Wertsch (1998) identificam o seguinte:

Quando se analisa ou planeja novas formas de mediação, o enfoque geralmente está em como esses novos meios mediacionais vão superar algum problema percebido ou restrição inerentes a formas existentes de ação mediada. Porém, um dos pontos que continua inexplicável na visão da ação mediada traçado nesses capítulos é que mesmo se uma nova ferramenta cultural nos liberta de alguma limitação anterior de perspectiva, ela introduz suas próprias limitações (ALVAREZ, RÍOS, WERTSCH, 1998, p. 31).

No que se refere a essa característica da mediação, considero pertinente para o entendimento de alguns aspectos até aqui abordados. De início, recorro à questão geracional, em específico, às diferentes perspectivas de mundo e de ação que cada unidade de geração pode assumir. Nesse ponto, essa ambiguidade inerente a qualquer mediação e ferramenta cultural, impossibilita aos sujeitos escapar da tensão constituinte desse processo e,

Contexto social e histórico

Mediação Cultural

Fronteiras interculturais e intergeracionais Cenários comunitários

Mediação

Zona de disputas, negociações, tradução e interpretação Sujeitos Ações Ferramentas Sujeitos Ações Ferramentas

principalmente, adverte-nos da inexistência de uma suposta natureza superior e universal de algum meio mediacional. Assim, a antropofagia das ferramentas do outro, implicará em fortalecimentos e na aquisição de obstáculos. A inclusão de um sistema simbólico religioso/espiritual não aplacará totalmente as inquietações ou eliminará em absoluto as dificuldades encontradas frente à existência de si e do mundo. Em termos das dinâmicas geracionais, essa discussão é relevante para evitarmos visões evolutivas e lineares entre os grupos etários. Essa concepção produz profundos abalos à perspectiva moderna, sobretudo a relativa ao saber, de exaltação do novo e de descredibilidade do antigo.

O principal elemento dessa reflexão é de que, nos processos de transmissão cultural entre gerações, com suas intrínsecas tensões, os meios mediacionais para tal intercambio e a serem repassados e/ou reinventados, são escolhidos sob critérios relativos a problemáticas que possuem sentido para uma dada geração e não para a outra. Então, o foco para a compreensão desse processo deve estar na relação dos sujeitos com as ferramentas, e não, em um dos pólos somente. Da mesma forma, ao ser inserido um meio mediacional junto a um grupo étnico, ele agregará às suas sociabilidades fortalecimentos e limitações, que serão avaliados como adotáveis de acordo com os seus critérios de adscrição e de autoadscrição. Assim, a rejeição ou o consentimento em torno da nova ferramenta, dependerá dos fortalecimentos e dos obstáculos que ela proporciona nas ações do grupo, sejam essas, inclusive, de interpretação

de si, do outro e do mundo. Cabe ainda destacar um outro viés de entendimento para essa característica aqui abordada por mim como detentora do teor ambíguo da mediação. É o que Wertsch (1998) destaca quanto ao nosso acesso a certos recursos mediacionais, nunca a todos ou a nenhum. É o que ele chama de kit de ferramentas culturais, que, por si só, exprime o alcance (potência e limite) de nossas possibilidades de mediação em função do que está disponível no contexto social e histórico do qual participamos.

Nisso implica a posição geracional que já nos coloca diante de um espectro de acontecimentos, o que denota que nos apropriamos daquilo com que nos deparamos em nossas experiências e, em relação a elas, é que convergimos/divergimos, reproduzimos e/ou criamos. Compreendo, portanto, que o fenômeno geracional, como intersecção dos tempos biográfico e histórico, pressupõe o acesso a um peculiar “mosaico de ferramentas culturais” cuja apropriação expressará a diferença, as disputas, as negociações e interpretações frente a outras unidades de geração. O mesmo cabe para a etnicidade, em certa medida, os critérios de adscrição e de autoadscrição produzem e são produzidos pelo “mosaico de meios mediacionais” de um grupo. A ideia de “mosaico” em distinção a “kit”, busca ir além da visão