5.2 S TRATEGIER I CASE A
5.2.3 Hukommelsesrelaterte strategier
O surgimento da lâmpada elétrica no final do século XIX gerou o interesse do homem pela produção e utilização da luz artificial. Isto permitiu a execução de tarefas noturnas, como a realização de cirurgias, além de notável mudança na percepção espacial de ambientes internos, como observado nas edificações hospitalares.
O avanço tecnológico do século XX produziu melhorias nos atendimentos médicos, a partir da utilização de novos aparelhos hospitalares dependentes da energia elétrica. Fato que acarretou na necessidade de lâmpadas que emitissem menos calor e proporcionassem iluminação com maior eficiência energética, sendo as fluorescentes o símbolo desse progresso (COSTI, 2002).
Tais preocupações com o desenvolvimento das tecnologias de lâmpadas em escala de aplicação geral, não apenas em hospitais, consideravam até pouco tempo os aspectos quantitativos da iluminação. Entretanto, nas últimas décadas, a qualidade passou a ser tema de discussões de entidades mundiais de iluminação, como a CIE, que organizou em 1998 o primeiro simpósio em Qualidade de Iluminação (First CIE Symposium on Lighting Quality), em Ottawa, Canadá. Dando continuidade às discussões sobre o tema, foram promovidas as
conferências Lighting Quality and Energy Efficiency, (CIE 2010), em Viena, Áustria, e em Hangzhou, China (CIE 2012). E em abril de 2014, haverá a Lighting Quality and Energy Efficiency, em Kuala Lumpur, Malásia.
Já a IESNA, na nona edição do seu Lighting Handbook, em 2000, apresentou um modelo de qualidade de iluminação, que é alcançada pela interseção dos aspectos econômicos e ambientais, da arquitetura e das necessidades humanas, que é consistente com os debates do First CIE Symposium on Lighting Quality (1998) (VEITCH, 2006; IESNA, 2008) (figura 2).
No enfoque dos aspectos econômicos e ambientais, a iluminação deve maximizar a economia e a eficiência energética, considerando a conservação de recursos naturais. Na perspectiva da arquitetura, o projeto luminoso deve integrar-se apropriadamente com os elementos arquitetônicos. Já a iluminação, a partir do panorama das necessidades humanas, deve não apenas garantir as condições físicas adequadas para a visão, mas também assegurar a manutenção da boa saúde e do bem estar, além do desempenho da tarefa, da comunicação interpessoal e da apreciação estética (VEITCH, 2004; IESNA, 2008).
Figura 2: Interseção dos aspectos da Qualidade de Iluminação segundo a IESNA. Fonte: Adaptado de IESNA (2008).
O modelo da Qualidade de Iluminação (figura 2) representou uma grande mudança no pensamento a respeito do projeto de iluminação e sobre os domínios do desempenho visual como o objetivo principal para a instalação de iluminação (VEITCH, 2006). A visibilidade (ver detalhes finos) continua a ser uma parte essencial de qualquer instalação, porém não é o único propósito, a boa qualidade do espaço luminoso inclui a iluminação para a saúde (VEITCH et al., 1998, apud. VEITCH, 2004; VEITCH, 2006 ).
No relatório do Comitê Técnico 6-11 da CIE (TC 6-1114), foram apresentadas evidências de como esse modelo poderia ser aplicado. Trata-se da primeira revisão da literatura sobre luz, iluminação e saúde, além de ter sido formulada nele a primeira tentativa de iluminação saudável, junto com as sugestões preliminares para alcançá-la dentro do contexto da boa qualidade de iluminação (VEITCH, 2006).
14 TC 6-11 - Comissão Técnica que elaborou o relatório Systemic Effects of Optical Radiation on the Human, feito a partir da conferência: Ocular lighting effects on human physiology and behavior (CIE 158: 2004).
Os princípios da iluminação saudável, promulgados pela CIE nesse relatório, foram baseados na revisão de evidências disponíveis até 2003, que abrangeu a fotobiologia fundamental, aplicações terapêuticas e da iluminação em geral (VEITCH & GALASIU, 2012). Foram cinco os princípios da iluminação saudável estabelecidos pela CIE (VEITCH, 2004; VEITCH & GALASIU, 2012):
A dose de luz diária, recebida por pessoas em países ocidentais, pode ser muito baixa;
Luz saudável está indissociavelmente ligada à escuridão saudável;
Luz para a ação biológica deve ser rica em regiões do espectro em que o sistema não visual é mais sensível;
A relevância na definição da dose luminosa é a luz recebida no olho, tanto diretamente da fonte de luz como refletida em superfícies circundantes;
O tempo de exposição à luz influencia os efeitos da dose, pois, a sensibilidade do sistema circadiano à exposição da luz varia significativamente durante o dia de 24 horas.
Esses princípios da prática da boa iluminação deve ser o ponto de partida para o projeto de iluminação, podendo ser modificados, a partir do conhecimento sobre o que constituem melhorias da luz saudável, que em seu sentido mais amplo deve ser também ecologicamente correta (VEITCH, 2004).
Veitch (2004) sugeriu caminhos para a exposição à luz saudável ser alcançada, por meio de modificações nas boas práticas de iluminação existentes. Sendo eles os seguintes:
Oferecer condições para aumentar a exposição à luz, através do uso adequado da luz natural. Aproveitando, para tanto, o uso de elementos arquitetônicos, que forneçam eficiência energética, luz de alta intensidade e com um espectro balanceado para os sistemas visual e circadiano;
Fornecer luz biologicamente ativa onde o olho está, não por todo o espaço, evitando a criação de ofuscamento desconfortável. Ao contrário de proporcionar maior
iluminação ao longo do ambiente, aumenta-se a exposição à luz nas áreas de tarefa e/ou de interesse visual do usuário;
Usar o controle local quando possível e, especialmente, quando houver luz natural disponível no espaço interno. Iluminâncias mais altas durante todo o dia não são necessárias para o efeito biológico, por razão da menor sensibilidade do sistema circadiano em certos pontos no ritmo.
Seguindo o caminho do equilíbrio entre os sistemas visual e não visual, van Bommel (2005) afirma que só se pode esperar desempenho visual, saúde e bem estar otimizados, quando for possível projetar e instalar a iluminação, que resulte nos efeitos visuais e biológicos adequados. E tratando-se de ambientes de trabalho, isso significa a associação de benefícios de melhor desempenho de tarefas (rapidez), menos erros, melhor segurança (menos acidentes) e menor abstenção de funcionários (van BOMMEL, 2005).
Os parâmetros para uma boa qualidade de iluminação continuam em constante modificação, pois os avanços científicos nas últimas décadas, as crescentes pesquisas e publicações sobre os efeitos da iluminação na saúde e no bem estar do homem têm impulsionado a comunidade de iluminação, junto com outras disciplinas do conhecimento, como fotobiologia e psicologia, a buscar resultados que atendam às demandas dos sistemas visual e circadiano.