5 EN OVERSIKT OVER RADIKALE ISLAMISTISKE GRUPPER
5.4 TRANSNASJONALE GRUPPER (OPERASJONSOMRÅDE
5.4.2 Harakat-ul-Jihad-i-Islami, Harakat ul-Mujahideen, Harakat ul-
A pergunta pelo papel informativo da dedução parece sem sentido, se recordarmos a definição de dedutibilidade33. Entretanto, isto está longe de ser verdade. A definição original de lógica, de Aristóteles, passando por Kant, até Gentzen, é o estudo das leis do raciocínio. Jean-Baptiste Joinet em seu artigo Proofs, Reasoning and Metamorphosis of Logic, onde propõe o resgate da lógica como teoria do processo intelectual de raciocinar, afirma que a lógica dedicou-se atualmente muito mais em desenvolver a noção de prova (prova-teoreticamente), do que a noção de raciocínio (PEREIRA, 2014. p.52). Desta forma, construindo um paradigma bem diferente do que poderia significar a lógica como estudo e expressão do raciocínio (reasoning). O raciocínio é um processo dinâmico, o que parece ser o
oposto do legado formalista da lógica. Ainda que se defenda que ocorra uma representação da dinâmica do raciocínio, do passo a passo da atividade dedutiva, apenas esta ocorrência não é suficiente para “assimilar a dinâmica envolvida no processo complexo geral pelo qual um indivíduo delibera, deduz e modifica seus ou suas representações abstratas e julgamentos concretos.” (ibidem. p.55)
Uma crítica semelhante vale para a semântica. Para ele, deve-se mudar da semântica das sentenças para a semântica das provas. Esta última se encontra circunscrita entre dois polos, a semântica denotacional e a semântica operacional. A primeira determina as interpretações quase exclusivamente por extensão, desconsiderando o caráter dinâmico das provas. A segunda opera com a descrição do conjunto de todos os passos computacionais de uma prova, sem compromisso com a denotação. Para Joinet, a melhor semântica é o meio termo dos polos, a semântica de interação (interaction semantics). Ela é baseada numa semântica de jogos (game theory), onde a dinâmica é interpretada como uma interação estruturada num jogo entre processos (ibidem. p.57). Neste sentido a semântica deve ser revista sob uma nova perspectiva. Esta perspectiva é de uma semântica inferencial que ponha em evidência a pragmática da linguagem.
Seguindo este argumento, podemos pensar a construção de uma sequência de prova, não como uma ação que deva ser executada exclusivamente por um agente (indivíduo, entidade, sistema, etc) em um único passo (exceto para aquelas deduções que são consequência imediata). Mas, processos que possam ser executado reiteradamente por e entre vários agentes, dotados de diferentes estruturas, com processos ocorrentes em diferentes níveis de abstração, a fim de obter uma conclusão satisfatória.
Ao pensarmos o conceito de informação como manipulação de probabilidade de representações e pensarmos a implicação entre duas sentenças como o conteúdo representacional de um que está contido no conteúdo representacional de outro (ou a probabilidade de uma está contida na probabilidade de outra), em que estas representações encerradas nas sentenças já estão dadas completamente pelas primeiras, fica difícil enxergar como o fato de um processo de extração de uma representação do interior de outra representação pode ser relevante (informativo), se a segunda já está dada em função da primeira, mesmo que não admitíssemos às criticas de Austin e outros filósofos.
Para que seja possível enxergar uma saída, é necessário mudar radicalmente os pressupostos da semântica empregada pelos filósofos estudados anteriormente. Em primeiro lugar, é necessário mudar a ordem de explicação filosófica do papel de uma sentença como agente representacional (ou informativo). Isto é, devemos mudar “representamos para deduzir”, por “deduzimos para representar”. A motivação deste argumento é tornar explícitas e informativas expressões que digam respeito à própria forma adequada de apresentação. O que chamei anteriormente de dimensão ontológica da informação.
Em segundo lugar, a representação e toda discussão dos seus componentes semânticos (usualmente, sentido e referência) se constitui um subconjunto muito restrito do que podemos fazer com a linguagem, como foi aludido com a breve citação de Austin no final do capítulo passado. Já que o procedimento de prova (a dedução) é por excelência um fazer, uma atividade recursiva em que cada premissa, em cada etapa dedutiva, desempenha um papel relevante para a conclusão, nada mais justo do que rever o próprio papel da semântica em vista da dimensão pragmática da linguagem (Cf. BRANDOM, 1994. p.83).
A revisão começa com a pergunta: o que significa uma proposição (expressão, afirmação)? Ora, pensá-la como um médium de referência a algo na realidade, como vimos, nos deixa sem resposta sobre de que forma cada parte subsentencial contribui para a informação contida na proposição. Neste sentido, é mais vantajoso definirmos uma proposição como um lance em um espaço de lances proposicionais (tal como um lance em um jogo de linguagem), inspirado no que foi proposto por Wittgenstein (cf. WITTGENSTEIN, 2009). Cada proposição é uma ação linguística que pressupõe o comprometimento do falante com uma rede de pressupostos que validam a afirmação da proposição feita e informa seus interlocutores sobre as consequências desta tomada de posição, o andamento do jogo, dos conceitos evidenciados e de que modo estes interlocutores podem se comportar (agir) a partir de tal afirmação. Neste sentido, a validade dos lances é modificada localmente, a partir de certas regras materiais compartilhadas entre os falantes. O que corresponderia à dimensão meta-epistêmica da informação que aludi no capítulo anterior.
Em terceiro lugar, é necessário dar relevância para a dimensão epistêmica da informação. A definição puramente representacional de informação diz respeito apenas à satisfação de determinada expectativa sobre as coisas (i.e. qual é o estado
de coisas atual). Como apontam Sagüillo (cf. SAGÜILLO, 2014.), Hempel (cf. HEMPEL, 1945.) e Bremer (cf. BREMER, 2003.), há outros modos de pensar a informação semântica além de transmitir o conhecimento acerca de estados de coisas (ou estados informacionais). Neste sentido, a informação semântica deve ter seu escopo alargado, permitindo ser extraída de contextos não-representacionais e, ainda assim, inferenciais que marcam a expressão como informativa, segundo cada indivíduo que faz uso ou que endossa a afirmação.
Para satisfazer esta mudança paradigmática irei adotar a filosofia da linguagem de Robert Brandom e, com isto, seu programa de análise pragmática da linguagem, sua semântica inferencialista e sua concepção expressivista da lógica.
3.2 A Filosofia da Linguagem de Brandom: Análise Pragmática, Semântica