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Inicialmente, é importante se ater ao aspecto do crescimento populacional decorrente, principalmente, da relação entre as taxas de fecundidade e mortalidade dos municípios. Foram estas que compuseram, num primeiro momento, os principais referenciais

básicos para incremento populacional. Portanto, o avanço das condições de vida, aliada à melhoria de saneamento e de saúde pública reduziram a mortalidade e começaram a aumentar as taxas de crescimento vegetativo.

O numero de filhos por mulheres começou a cair após a década de 1970. Esta queda se deu de forma diferente nos municípios da região. Alguns valores merecem destaque. Considerando a taxa de fecundidade (por mil mulheres entre 15 e 49 anos), os valores mais elevados, em 1970, eram os de Jaguariúna (130,10), Santo Antônio de Posse (117,85) e Monte Mor (116,03). Enquanto que, em 2010, as taxas mais elevadas encontravam-se em Holambra (61,92), Engenheiro Coelho (57,90) e Monte Mor (56,42). Comparativamente, Campinas registrou 99,66 e 47,68, respectivamente, em 1970 e 2010.

Os valores referentes aos nascidos vivos e aos óbitos gerais dos municípios da região metropolitana, também, auxiliam na compreensão da dinâmica populacional (tabela 19). Ressalte-se que, posteriormente, o fortalecimento das atividades – em seus diferentes setores – atraiu migrantes nacionais e internacionais, gerando mudanças significativas no quadro demográfico.

Tabela 19: Números absolutos de nascidos vivos, óbitos e diferenciais do crescimento dos municípios,

com sedes as cidades pequenas, da Região Metropolitana de Campinas, entre 1970 e 2010.

H ola mb ra Eng enheiro Co elho S. Ant ônio de Po ss e Ja gu ar na Pedre ira Art ur No gueira M onte M or 1970 a 1980 Nascido vivo - - 2743 4032 4657 2490 2819 Óbito - - 733 946 1328 721 658 Diferença - - 2010 3086 3329 1769 2161 1981 a 1990 Nascido vivo - - 3131 4473 5366 4132 4893 Óbito - - 804 1207 1630 1071 1066 Diferença - - 2327 3266 3736 3061 3827 1991 a 2000 Nascido vivo 1207 1220 2894 5279 5210 5249 7259 Óbito 236 282 999 1577 2028 1417 1859 Diferença 971 938 1895 3702 3182 3832 5400 2001 a 2010 Nascido vivo 1727 2116 2899 6058 5233 5974 7517 Óbito 430 556 1268 2050 2512 1800 2500 Diferença 1297 1560 1631 4008 2721 4174 5017

Fonte: Fundação SEADE, Séries Históricas. Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

A tabela 19 registra, para o período compreendido entre 1970 e 2010, os valores referentes aos nascidos vivos e aos óbitos gerais de cada município estudado. A tendência geral foi a de aumento no número de nascidos vivos, ao passo que no que se refere aos valores dos totais, pode-se identificar algumas particularidades. Nota-se que nem todos os municípios

se comportaram da mesma maneira, resultando em situações nas quais os valores oscilaram, como em Santo Antônio de Posse, enquanto outros tiveram aumento, como Monte Mor.

Quanto aos óbitos, os valores são crescentes para todos os municípios, porém não interfere no aumento da diferença entre nascimentos e mortes. Nos municípios recém- emancipados nota-se que a diferença entre nascidos vivos e óbitos é crescente. O mesmo se nota, num período mais longo, em Jaguariúna, Artur Nogueira e Monte Mor, sendo que o último teve seu valor diminuído na última década. Já Santo Antônio de Posse e Pedreira apresentam dois momentos bem definidos: o primeiro entre 1970 e 1990 no qual se vê um modelo caracterizado pelo crescimento; enquanto, no segundo (pós 1990), houve uma diminuição nos valores, justificado, principalmente, pelo aumento do número de óbitos.

De maneira geral, observa-se que o crescimento vegetativo apresentou papel diferenciado no aumento populacional destes municípios. Vale ressaltar que, se de um lado, as melhores condições de vida e o acesso a serviços de saúde, têm levado ao aumento da longevidade, por outro, o acréscimo da mortalidade pode ter relação direta com o processo de envelhecimento populacional. Este corresponde ao resultado de duas variáveis demográficas: a queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida ao nascer.

Uma abordagem integrada da dinâmica demográfica e de todas as suas facetas implica em considerar a estrutura da população em sua distribuição por idade e sexo. Ela é o resultado, em um dado momento, do efeito conjunto de nascimentos, mortes e migrações, ou seja, representa um produto destes referenciais demográficos.

Vale, portanto, inicialmente apresentar a pirâmide etária da Região Metropolitana de Campinas. Além de mostrar os números relativos, a distribuição por sexo e idade, ela embuti em si concepções sobre o presente, o passado e o futuro da população. Assim, com base na figura 14, além de visualizar a distribuição da população da região pelas diferentes classes de idades, também é possível observar as tendências relacionadas à evolução das taxas de natalidade, a expectativa de vida ao nascer e até mesmo a migração.

Figura 14: Pirâmide de idade da Região Metropolitana de Campinas nos anos de 1970 e 2010.

Fonte: Censos demográficos 1970 e 2010 – IBGE. Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

Na região em estudo, bem como no estado de São Paulo, verifica-se uma mudança de perfil. Há uma tendência à queda da fecundidade que gera uma diminuição do número de nascidos e um crescimento relativo da população idosa. Em relação à proporcionalidade entre os sexos, há uma ligeira predominância de homens nas primeiras faixas etárias que vai, posteriormente, perdendo espaço para o número de mulheres.

O quadro geral da região metropolitana representa uma síntese total dos municípios. Diante deste cenário é relevante observar a estrutura etária dos municípios que tem como sede as cidades pequenas. Em ordem de tamanho populacional são apresentados as pirâmides etárias de Holambra (figura 15), Engenheiro Coelho (figura 16), Santo Antônio de Posse (figura 17), Pedreira (figura 18), Jaguariúna (figura 19), Artur Nogueira (figura 20) e Monte Mor (figura 21), para as décadas de 1970 e 2010. Exceção aos municípios de Holambra e Engenheiro Coelho que se emanciparam em 1991 e que, portanto, apresentam para comparação apenas dados de 2000 e 2010.

Figura 15: Pirâmide de idade de Holambra nos anos de 2000 e 2010. Fonte: Censos demográficos 2000 e 2010 – IBGE.

Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

Figura 16: Pirâmide de idade de Engenheiro Coelho nos anos de 2000 e 2010. Fonte: Censos demográficos 2000 e 2010 – IBGE.

Figura 17: Pirâmide de idade de Santo Antônio de Posse nos anos de 1970 e 2010.

Fonte: Censos demográficos 1970 e 2010 – IBGE. Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

Figura 18: Pirâmide de idade de Pedreira nos anos de 1970 e 2010. Fonte: Censos demográficos 1970 e 2010 – IBGE.

Figura 19: Pirâmide de idade de Jaguariúna nos anos de 1970 e 2010. Fonte: Censos demográficos 1970 e 2010 – IBGE.

Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

Figura 20: Pirâmide de idade de Artur Nogueira nos anos de 1970 e 2010. Fonte: Censos demográficos 1970 e 2010 – IBGE.

Figura 21: Pirâmide de idade de Monte Mor nos anos de 1970 e 2010. Fonte: Censos demográficos 1970 e 2010 – IBGE.

Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

Em geral, estes municípios apresentam um perfil semelhante àquilo que ocorre na região metropolitana, apesar de variações entre elas. O recorte temporal propicia a comparação e o entendimento da evolução populacional nestes municípios. São constatadas mudanças significativas na estrutura sexo/idade da população. Pode-se observar uma tendência à queda da fecundidade que gera um estreitamento na base da pirâmide e o crescimento relativo da população em idade mais avançada.

Parcela significativa da população destes municípios está concentrada entre as faixas 15 e 39 anos de idade, diferentemente do que se verificava na década de 1970, quando a população infantil predominava. Estas mudanças de perfil, como a redução da população infantil (0 a 9 anos de idade), não simboliza apenas uma alteração no desenho da pirâmide, resulta em desdobramentos sociais e espaciais constantes e significativos. A diferenciação entre os dois momentos analisados, fica mais visível na figura 22. Nesta, é feito um agrupamento da população dos municípios de acordo com a faixa etária.

Figura 22: Agrupamento da população dos municípios por faixa etária, nos anos de 1970 e 2010.

Fonte: Censos demográficos 1970 e 2010 – IBGE. Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

Os dados apresentados no gráfico evidenciam que a tendência é a mesma para todos os municípios. O aumento no número de pessoas na faixa dos 15 aos 59 anos comprova que, no futuro, a população idosa tende a aumentar. Ao mesmo tempo em que se observa uma redução da população infantil.

O estudo da população torna-se mais relevante quando propriedades particulares e especificas o deixa mais significativo, como é o caso da crescente e mutante dinâmica do envelhecimento. No caso das cidades pequenas, o envelhecimento da população é citado por Soares e Melo (2010), como um dos parâmetros qualitativos para a temática. O tema do envelhecimento é produto de uma realidade, cada vez mais, perceptível em todos os lugares. As cidades pequenas não só perdem população, “como também a migração apresenta-se cada vez mais seletiva em termos de sexo e faixa etária” (SOARES e MELO, 2010).

“O estado de São Paulo está assistindo seu envelhecimento demográfico como uma das mais importantes mudanças na história da dinâmica de sua população” (GUIDUGLI, 2012). Deste modo, revisitar a dinâmica demográfica, em especial no que tange a estrutura etária, traz um breve panorama de mudanças no perfil e na composição populacional da Região Metropolitana de Campinas, no geral, e das cidades pequenas, em particular.

O envelhecimento é significativo, como mostra a tabela 20, onde está registrado o percentual de população acima de 60 anos nos municípios que constituem a área metropolitana, bem como o Índice de Envelhecimento18. De modo geral, os dados evidenciam

18 IE = ( P1 ÷ P2 ) x 100; onde P1 (população com idade igual ou superior a 65 anos) e P2 (população com

duas situações: cidades que apresentam envelhecimento significativo e outras nas quais os valores tem menor expressividade, entre os anos de 1980 e 2010.

Tabela 20: Participação relativa da população residente com mais de 60 anos de idade

na população total e Índice de Envelhecimento dos municípios da Região Metropolitana de Campinas, nos anos de 1980 e 2010.

Município % de pessoas com mais de 60 anos Índice de envelhecimento

1980 2010 1980 2010

Holambra - 8,91 - 41,31

Engenheiro Coelho - 7,66 - 30,10

Santo Antônio de Posse 6,94 10,76 20,28 46,27

Pedreira 7,33 11,86 23,25 58,67 Artur Nogueira 5,83 10,10 17,06 43,24 Jaguariúna 6,46 10,66 18,75 50,10 Monte Mor 5,99 9,16 15,90 37,90 Nova Odessa 5,72 10,75 16,15 52,99 Cosmópolis 6,16 9,32 18,13 40,56 Vinhedo 6,44 11,47 19,14 57,52 Paulínia 4,53 8,07 11,76 37,28 Itatiba 7,09 11,12 21,93 54,27 Valinhos 6,53 12,06 20,17 63,82

Santa Bárbara d’Oeste 5,03 10,73 14,40 55,26

Hortolândia - 7,57 - 32,29 Indaiatuba 6,30 10,44 18,63 49,12 Americana 6,02 12,95 19,88 69,46 Sumaré 3,97 8,40 10,04 36,50 Campinas 6,38 12,35 20,05 64,25 Região Metropolitana - 11,00 - 53,84

Fonte: Censos demográficos 1980 e 2010 – IBGE. / Fundação SEADE Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

O crescimento do percentual de idosos vem ocorrendo, de modo diferenciado, entre os grupos de municípios de diferentes volumes populacionais. O Índice de Envelhecimento, porém, revela um novo cenário para o ano de 2010, bem diferente daquele de 1980. Além de contribuir para a avaliação de tendências da dinâmica demográfica, também, auxilia no acompanhamento da evolução do ritmo de envelhecimento da população.

A análise deste índice, para a região em estudo, revela que não se pode associar o envelhecimento somente às cidades pequenas. Apenas Pedreira possui índice de envelhecimento maior que o valor registrado pela região metropolitana. Trata-se, portanto, de um fenômeno que ocorre em toda região, na qual os valores mais elevados estão em cidades de porte médio, como é o caso de Americana (69,46) e Valinhos (63,82), ou mesmo da cidade central (64,25%). O diferencial mais significativo para as cidades pequenas é que o envelhecimento pode se constituir em agravamento na vida da população desta faixa etária.

Portanto, a percepção numérica é menos importante do que as consequências qualitativas deste fenômeno. Afinal, o aumento do total de idosos reverbera em impactos que a estrutura demográfica gera sobre as políticas públicas. Tal panorama interfere em todas as dimensões da vida e terá impacto profundo nas demandas de todos os setores da sociedade, tais como a educação, saúde, previdência social, etc.

Um exemplo disto são seus efeitos nas políticas sociais e econômicas relacionadas à idade, visto que a demanda para a educação tende a diminuir, o que pode resultar em investimentos em melhor qualidade de ensino, tanto em termos de infraestrutura física quanto de recursos humanos. Ademais, numa análise prospectiva, pode se tornar um fator negativo no mercado consumidor e de trabalho, especialmente no que tange a formação de mão de obra. Da mesma forma a questão do envelhecimento merece destaque, pois não atinge apenas os pontos que envolvem a previdência social e a assistência à saúde. Abrange, também, uma discussão qualitativa, uma vez que muitos possuem renda, boa saúde, representam um mercado consumidor, podem trabalhar etc..

É possível citar, ainda, um exemplo de desdobramento espacial deste cenário. Em geral, a redução dos nascimentos tem sido mais acentuada nas áreas centrais das cidades, mas onde se mantém a população mais idosa. Enquanto que, nas áreas periféricas, principalmente, as mais pobres, está o maior número de crianças. A compreensão deste quadro deve estar vinculada a outros referenciais demográficos que auxiliam no entendimento das mudanças estruturais que ocorrem e que tem manifestações diferenciadas na espacialização da população nas cidades e nas demandas geradas por elas.

Diante disto, Guidugli (2006), questiona a capacidade de governos locais das cidades pequenas suportarem o aumento do número de idosos, que tendem a aumentar com o tempo. As políticas sociais voltadas para esta faixa etária tornam-se cada vez mais importantes para mudar a qualidade de vida e a sociedade destas municipalidades.

A análise da distribuição por sexo é outro aspecto importante no estudo demográfico dos municípios. Em relação à proporcionalidade entre os sexos, de maneira geral, o número de homens e mulheres é equilibrado, com uma tendência irreversível para predominância do número de mulheres. Esta tendência no comportamento demográfico gera diversas consequências, como os efeitos sobre a estrutura familiar, o mundo do trabalho, a saúde das mulheres, o fato da população feminina viver mais e, por conseguinte, o número de viúvas ser maior que o de viúvos, entre outros. De tal modo, a feminização da velhice torna-se, também, um tema relevante e as tendências observadas no comportamento demográfico da população

feminina são subsídios importantes para o planejamento de políticas públicas em esferas variadas.