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Este universo necessita de um maior cuidado analítico, pois é um instrumento chave para realizar a descrição de diversos fenômenos que possuem manifestações geográficas. As alterações nas atividades econômicas mudam com o tempo, reorganizando o espaço. Ao longo da história, os padrões de localização são diferenciados. Conforme as cidades mudam seu perfil econômico, por conseguinte, o conjunto das atividades principais que desenvolvem e a configuração de seu espaço intra-urbano, também, tendem a sofrer transformações.

Na figura 25 é apresentado o desempenho dos setores na participação do Produto Interno Bruto (PIB), dos municípios da região, entre 1970 e 2009. Importante advertir que a ausência dos dados referentes a década de 1990, disponibilizados pelo IBGE, apresentaram certa inconsistencia analítica, devido a presença de números imprecisos, e por causa disto não estão presentes na figura. De modo geral, a tônica principal que se desenrolou na região é a de crescimento contínuo das atividades terciárias e a diminuição gradativa da participação do primeiro setor na composição do PIB.

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Figura 25: Participação do PIB, por setor, nos municípios da Região Metropolitana de Campinas, nos anos de 1970, 1980, 2000 e 2009.

Fonte: IBGE.

No setor primário houve uma redução de sua participação na economia em todos os municípios, indiferentemente do porte populacional. Nos municípios que registraram população inferior a 50 mil, na década de 1970, o peso do setor primário diminuiu consideravelmente com a ampliação da taxa de urbanização. Neste setor, os municípios de Monte Mor e Jaguariúna passaram, respectivamente, de 51% e 35%, em 1970, para cerca de 1% cada, em 2009. Enquanto em Artur Nogueira e Santo Antônio de Posse os dados registrados, no primeiro momento analisado eram de 63% e 38%, para cerca de 5% cada, em 2009. Os municípios em que o setor, ainda, mantém certa relevância para a economia são os de menor porte, em especial para aqueles que se emanciparam na década de 1990, com destaque especial para Holambra (22%). Porém, é importante ressaltar que trata-se de uma atividade que envolve alta especialização e tem ligações diretas com o agronegócio.

Com relação à emergência das cidades terciárias, a leitura do crescimento deste setor não pode deixar de contemplar a própria mudança no estilo de vida da sociedade, seja em seu caráter individual ou coletivo. Sua principal característica é a criação de novas demandas cuja produção não é resultado nem da terra e nem da indústria. Daí a complexidade em caracterizar este setor, diferentemente do que se pode fazer com as atividades primárias e secundárias.

A quantidade de serviços requeridos na região metropolitana é variada e imensa. Por um lado, se destaca para dar suporte a um setor industrial forte ou são impulsionadas pela atividade agrícola moderna, especialmente, nas cidades pequenas. Por outro, a demanda por serviços tem relações diretas aos volumes demográficos e a diversidade de necessidades que a população requer. As possibilidades de serviços especializados ou modernos parecem aumentar com o tamanho e o nível funcional da cidade, já indicava Santos (2008). Interessante observar, também, que esta passagem é gradativa em todos os municípios, mas suas raízes são distintas, principalmente por conter diversas atividades dentro deste setor.

Vale incluir uma análise espacial das atividades produtivas. Os setores secundário e terciário apresentam uma dinâmica territorial altamente concentrada na cidade central ou, de maneira diferenciada, nas de porte médio. Numa distribuição que segue condensada no sentido sudeste-noroeste, seguindo a Rodovia Anhanguera, desde Vinhedo até atingir Americana. Lembrando que as demais rodovias também apresentam um elemento central para o entendimento da dinâmica espacial da região como já foi mencionado. Tanto rodovias de importância estadual como a Bandeirantes quanto aquelas de abrangência local como a Jornalista Francisco Aguirra Proença que liga Campinas à Monte Mor, tem representado um fator relevante para as relações entre os espaços regional e intra-urbano.

Um complemento a avaliação da concentração geográfica na região e que é expressão da alta densidade demográfica, dos níveis de renda e do tipo da estrutura produtiva, refere-se a localização das instituições financeiras sobre o território. O levantamento do IBGE (2008) comprovou que a atividade bancária tende a concentrar-se em áreas com estrutura econômica dinâmica e diversificada. Estas demandam intermediação financeira, possuindo ambiente propício ao desempenho das atividades econômico-financeiras.

O desenvolvimento do sistema financeiro tem sido considerado um instrumento relevante para o processo de desenvolvimento econômico. Dentre o conjunto de serviços financeiros oferecidos, sobressaem a concessão de créditos, as transações comerciais e as tomadas de decisão no mercado financeiro. Santos e Silveira (2010) abordam a financeirização da sociedade e do território na forma de depósitos e de créditos ao consumo.

Na região de Campinas, a concentração geográfica das instituições segue a concentração das atividades econômicas modernas e especializadas, como mostra a tabela 24. Nela são considerados os principais tipos de instituições que atuam no mercado financeiro: bancos comerciais (públicos e privados), bancos de investimento, cooperativas de crédito, “financeiras”, companhias de seguro, bolsas de mercadorias, bolsa de valores, entidades de previdência privada, etc.

Tabela 24: Número de instituições financeiras nos municípios da Região Metropolitana de Campinas.

Municípios No de instituições Municípios No de instituições

Holambra 3 Paulínia 12

Engenheiro Coelho 3 Itatiba 12

Santo Antônio de Posse 4 Valinhos 13

Pedreira 7 Santa Bárbara d’Oeste 15

Artur Nogueira 6 Hortolândia 13

Jaguariúna 9 Indaiatuba 22

Monte Mor 7 Americana 33

Nova Odessa 8 Sumaré 20

Cosmópolis 7 Campinas 239

Vinhedo 11 Total 429

Fonte: Banco Central do Brasil, Registros Administrativos 2010. Org.: Orlando Moreira Junior, 2014.

De acordo com a tabela fica evidente que existe uma clara concentração geográfica das instituições financeiras, sendo que cerca de 55% estão localziadas em Campinas. Isto ocorre não somente como consequência do tamanho demográfico da cidade, mas em decorrência da intensidade de sua dinâmica econômica. Enquanto Campinas ostenta uma diversidade maior de tipos de instituições, com extensas redes de agências e postos de

serviços, as cidades pequenas possuem apenas àquelas agências bancárias de uso múltiplo (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco, Santander e HSBC).

No caso de cidades como Jaguariúna, Monte Mor e Pedreira, por exemplo, elas são mais numerosas, o que permite considera-las relativamente bem integradas ao sistema financeiro regional e nacional. Porém, em Holambra, Engenheiro Coelho e Santo Antônio de Posse, as insitutições têm um âmbito de atuação mais local. Entretanto, é importante ressaltar que os novos instrumentos financeiros estão se territorializando, de modo diferenciado, por todas as partes a fim de atender os interesses mercadológicos. Diante deste cenário, as transações virtuais, também, assumem papel relevante, o qual independe da territorialização.

A complexidade econômica da Região Metropolitana de Campinas tem relações diretas com a proximidade territorial com a metropole paulistama. É importante ressaltar, pelo que foi analisado até este ponto, que se trata de um cenário extremamente dinâmico e diversificado. Mas, também, é multifacetado. Os diversos complexos industriais (automotivo, alimentício, tecnológico, petroquímico, etc.), possuem localizações específicas na região. Ao mesmo tempo em que a polarização universitária e dos serviços especializados (médico- hospitalar, administrativo, jurídico, entre outros) se mantém na cidade central.

A distribuição das atividades econômicas evidencia tanto a concentração daquelas mais avançadas, quanto a polarização de setores diferenciados no conjunto da região. Estas diferenciações terão desdobramentos socioespaciais, atingindo questões referentes ao trabalho e à renda, bem como as necessidades de deslocamentos pendulares que delas emanam.