3.5 Developing a scoring system
3.5.2 Economic, Environmental and Social aspects (B)
Nota-se que a temática acerca das cidades pequenas é difundida, com maior ênfase, por alguns estudiosos, como é o caso de Bernardelli (op. cit.), Endlich (op. cit.), Gomes et al. (op. cit.), Kallabová (op. cit.), Paradis (op. cit.), Roma (op. cit.), Oliveira (op. cit.). Certamente, fruto de pesquisas mais aprofundadas, os resultados divulgados por eles contribuíram com as reflexões sobre o tema e induziram a novos questionamentos.
Olhar a cidade pequena a partir da rede urbana ou da produção do espaço abrange várias possibilidades temáticas como foi mencionado. No entanto, a maioria destes estudos está pautada em regiões não-metropolitanas. Isto estimula a refletir sobre os papéis urbanos, a dinâmica demográfica e a produção espacial em cidades pequenas localizadas em áreas metropolitanas. Nesta direção, a fim de avançar e contribuir para o entendimento destas realidades urbanas, é que se insere o desenvolvimento de uma pesquisa em cidades pequenas localizadas em espaços metropolitanos, mais precisamente na Região Metropolitana de Campinas.
Trata-se, portanto, de um conjunto de cidades envolvidas numa região mais dinâmica no cenário econômico, bem como uma rede de cidades mais articulada por fluxos constantes de pessoas, informações e mercadorias. Além disto, apresenta espaços urbanos, muitas vezes, já conurbados e relações de intensa dependência das cidades ao entorno da cidade central. Por
conta disto, tende a contribuir para a investigação das particularidades presentes em cidades pequenas localizadas em áreas metropolitanas, que dão suporte para seu entendimento tanto no tempo quanto no espaço.
Para tanto é preciso aceitar que existe uma diversidade de interpretações sobre o o que é uma cidade pequena. Considerando o caso de uma área metropolitana, parte-se do ponto incicial de tamanho (demográfico e territorial). Porém, o desenvolvimento da análise indica as particcularidades existentes entre aquelas de tamanhos similar, bem como suas interações com as demais cidades da região, muitas vezes direta com a cidade central, sem necessidade de intermediação. Da mesma forma, as características de cada uma indicam as diferenças dos papéis que elas assumem na composição da rede urbana revelando, em determinados casos, que elas não são sinônimas de cidades locais. A ênfase na análise é considerar os aspectos qualitativos e quantitativos que possibilitem identificar, de um lado, as diferenças entres as cidades no âmbito regional e, de outro, as particularidades que uma cidade pequena possui diante do contexto de metropolização, que introduz novas forças de mudanças.
A hipótese é de que devido a localização e outros atributos, relacionados à dinâmica demográfica, aos papéis urbanos, ao dinamismo econômico e ao grau de dependência em relação a cidades maiores, permitam identificar particularidades. De tal sorte que, de um lado, complementa os estudos acrescentando um novo perfil de cidades e, de outro, identifica questões que permitam tanto a comparabilidade quanto notar lógicas comuns às cidades pequenas.
Para isto, reafirma-se a necessidade de incluir as duas abordagens descritas anteriormente, como complementares e indissociáveis. Pois, a compreensão da rede urbana tal qual o entendimento da produção do espaço urbano são fundamentais e devem ser considerados, também, nas análises efetuadas em cidades pequenas localizadas em uma região metropolitana.
Além dos aspectos históricos que contribuíram para sua formação territorial, diversas questões despontaram nesta pesquisa. Elas se referem, tanto à metrópole e ao processo de metropolização, quanto ao fenômeno de expansão da urbanização e da população. Paradoxalmente, este recorte espacial abrange uma área densa, que é a região metropolitana em si, e cidades pequenas, em termos demográfico e espacial. Uma leitura que, também, contém o caráter institucional delas e suas definições geográficas.
Em resumo, os objetivos deste capítulo estiveram centrados em dois aspectos principais. Primeiro, por meio do tratamento da bibliografia, mostrar o interesse da Geografia pelo estudo das cidades pequenas, identificando as limitações empíricas, metodológicas e
teóricas. O segundo, abrangeu as reflexões pautadas, principalmente, em cidades pequenas localizadas em áreas não metropolitanas.
Isto cria um novo desafio à pesquisa científica. Não foi encontrado registro de estudo cujo objeto e objetivo eram cidades pequenas em regiões metropolitanas. As transformações na organização espacial do país, no contexto da reestruturação produtiva e da redefinição da rede urbana, ampliou a necessidade de compreender os papéis e significados assumidos por núcleos urbanos de diferentes portes, o que favoreceu a retomada do tema das cidades pequenas, pela ciência. Porém, a Geografia precisa expandir para novos horizontes. É preciso avançar em pesquisas em contextos regionais diferenciados: regiões metropolitanas, regiões de fronteiras, regiões ribeirinhas, entre outros. Pesquisas teórico-conceituais e empíricas, em diferentes contextos, podem fornecer tanto abordagens comparativas quanto ao estabelecimento de uma agenda comum para a compreensão das cidades e da vida urbana. Apesar dos avanços, a questão ainda permanece em aberto.
É sob esta perspectiva que se pretende contribuir com os estudos acerca das cidades pequenas. O tema é altamente relevante, quer no contexto da ciência; no âmbito dos administradores locais/regionais; e da própria sociedade. No primeiro, simboliza grande dificuldade em definir conceitualmente e delimitar critérios, para classificar ou denominar uma cidade como pequena. No segundo, têm-se os desafios na gestão pública. Afinal, no contexto da descentralização, os governos locais, muitas vezes, sofrem com a falta de recursos para suprir suas carências e não se veem muitas articulações de políticas entre os diferentes níveis de governo. No último, ganha relevância social por se tratar da maioria das cidades no país, as quais abrigam parcela considerável da população e correspondem, em geral, a extensas áreas.