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ASPECTOS INTRODUCTORIOS

I. APROXIMACIÓN TEÓRICA

3. MARCO CONCEPTUAL

3.1.1.2 Habilidades comunicativas específicas

Serviço de informações do Eco do Sul

Telegramas importantes. O epílogo

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Estamos com o eminente Guerra Junqueiro, na persuasão intuitiva de que o vandálico atentado do 1o

do corrente atrasará por muitos anos o advento da república em Portugal.

De fato, a tresloucada ideia de fazer brotar de um charco de sangue a árvore da democracia lusitana, foi uma ideia infeliz e oprobriosa que só a mente enfebrecida de um ou mais visionários poderia conceber, num instante de desvario.

Encaminhada como se achava a campanha contra a dinastia de Bragança, o triunfo seria inevitável, se ela continuasse a ter ao próprio serviço a força poderosa do talento representada nessa geração nova, cheia de santos entusiasmos e grandes abnegações, que tudo é capaz de fazer em prol dos princípios levantados impostos pela fatalidade da evolução.

Já se transformava em formidável elemento destruidor do sistema monárquico, pois o trono de El-Rei mal podia resistir à impetuosidade da corrente que o solapava, pertinaz e incessantemente.

A própria atitude do governo de D. Carlos, lançando mão de re- cursos extremos para garantir a estabilidade das instituições, era um magnífico sintoma revelador do próximo triunfo inevitável dessa causa liberal, confiada a uma plêiade de espíritos emancipados, cheios de esperança no futuro da sua nacionalidade.

Tratava-se apenas de uma questão de tempo, a reclamar perseve- rança e renovamento de energias.

Assim pensavam, naturalmente, os evangelizadores da doutrina re- publicana, cônscios de que a evolução pacífica, no terreno absoluto

10Eco do Sul, Rio Grande, 8 de fevereiro de 1908, ano 54, no

33, p. 1-2.

das ideias, é o único agente capaz de destruir, virtuosamente, o que se não coaduna com os moldes da sã moral pública, estabelecida para fonte de administração dos povos.

Assim pregavam na imprensa e na tribuna os próceres do mo- vimento reivindicador operado ativamente nos diversos recantos da gloriosa pátria portuguesa.

Mas a nada atenderam os fanáticos, que os há em todas as agre- miações.

Quiseram eles, insensatamente, apresar, por meios violentos e in- compatíveis com a natureza da causa esposada, o grandioso evento da proclamação da república.

E, assim vieram prejudicá-lo visceralmente, não só pela odiosidade que o regicídio despertou dentro e fora de Portugal, como pelos efei- tos contrários que determinou, perante as medidas de represália e a condenação numerosa de muitos republicanos ilustres não inclinados ao exercício de processos criminosos para obtenção de fins puros e alevantados.

Foi enorme o prejuízo da campanha republicana e, se o atentado de Lisboa não correu por conta exclusiva dos chefes da mesma, devem eles responsabilizar os seus correligionários pelo grande mal que lhes causaram.

A solução de continuidade aberta presentemente, equivale a um recuo inestimável.

[. . . ]

O Dia, de Santa Catarina, teve o pronunciamento que passamos a expor sobre os tristes sucessos de Portugal:

“Perdura com a mesma intensidade a dolorosa impressão causada pelo brutal atentado que vitimou dois ilustres membros da gloriosa dinastia portuguesa.

O povo catarinense, que sente palpitar dentro do peito o sangue generoso dos audazes navegantes que abriram ao mundo novos cam- pos para a atividade e o progresso, não podia deixar de irmanar-se

O regicídio português nas páginas da imprensa rio-grandina 81 de coração e espírito à nobre nacionalidade que nos apresentou no conceito das nações cultas.

Desde o humilde cidadão que na sua tenda de trabalho honra a pátria com o seu esforço honesto e fecundo, até os mais altos represen- tantes do poder público, todos procuravam demonstrar os sentimentos de pesar que lhes enchiam a alma diante da morte desse nobre mo- narca e do seu ilustre filho, tão cedo roubado à pátria e à família.

Diante da dor dessa augusta Rainha, que, depois de mitigar tantas lágrimas, julgava-se com o direito a merecer dos seus súditos todas as atenções, carinhos e desvelos, todos se curvam reverentes, suplicando a Deus lhe dê forças para, ao doce aconchego do seu ilustre filho sobrevivente, suportar a enormidade do golpe que a feriu.

Oxalá, no coração dos rebeldes fulgure ainda um lampejo de justiça que os faça, arrependidos do mal produzido, prestigiarem pelo resta- belecimento da ordem de que tanto necessita o glorioso povo, que tem papel saliente no vasto cenário da civilização humana.

***

RIO 8 – A Imprensa publica as declarações feitas por um amigo da infância de Bianca, aqui residente.

É este o resumo das mesmas declarações.

Manuel Reis da Silva Buíça nasceu em Vinhães, distrito de Bra- gança.

É filho do abade de Vinhães.

Tem três irmãs, domiciliadas no Brasil.

Uma delas, de nome Belmira, residente nesta capital, disse que os membros da sua família tem mau instinto.

Há tempos, uma tia de Buíça assassinou uma criada, por ciúmes do esposo.

Foi, por esse motivo, degradada para a África, onde ainda se acha. Buíça era provocador e atrevido, mas não dispunha de valentia. O informante foi colega de Buíça, no Liceu de Bragança.

Ali aumentou a perversidade, sendo mau estudante. Alguns mestres vaticinaram-lhe negro futuro.

Por fim, Buíça incompatibilizou-se em Bragança, visto os ódios que conquistou.

O pai de Buíça fê-lo sentar praça no 7o

regimento de cavalaria. Continuando em Bragança sofreu muitos castigos disciplinares. Em determinada época, desertou das fileiras.

Devido ainda à intervenção do pai, escapou das penas de castigo. Em consequência de maus atos, já sargento foi transferido para Elvas.

Certa noite, depois de tremenda orgia, atacou alguns soldados, esbordoando-os.

Foi então condenado à prisão e expulsão.

Cumprida pena, o pai obteve-lhe em Vinhães o lugar de ajudante de professor público.

Buíça dedicou-se ao estudo, regenerando-se.

Voltando à Bragança, obteve o diploma na Escola Distrital, conse- guindo a nomeação de professor do Colégio Nacional de Lisboa, onde voltou à vida desequilibrada, tornando-se o mesmo revolucionário da infância.

Ligando-se aos republicanos, Buíça exigia ações violentas, pregando a revolução por qualquer meio, em toda a parte.

Foi naturalmente no meio de gente suspeita e má que se preparou o atentado.

O informante não acredita que Buíça fosse subornado, porque ape- sar de malvado tinha caráter e ideias.

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