OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
2. PERCEPCIONES DE LOS PROFESIONALES DE ENFERMERÍA DE UCI RESPECTO A LA COMUNICACIÓN CON EL PACIENTE CRÍTICO INTUBADO. RESPECTO A LA COMUNICACIÓN CON EL PACIENTE CRÍTICO INTUBADO
2.1.3 Determinantes relacionados con el usuario
As tensões bélicas que marcaram a Europa dos Setecentos trariam indeléveis consequências para a América, notadamente no que tange às disputas luso-hispânicas em torno da Colônia do Sacramento. Entre as décadas de cinquenta e sessenta do século XVIII se daria a Guerra dos Sete Anos, na qual, mais uma vez, atreladas às suas respectivas política de alianças com ingleses e franceses, Portugal e Espanha estavam em lados opostos do conflito, levando a mais uma leva de enfrentamentos na Banda Oriental e nas terras sul-brasileiras. Os espanhóis mais uma vez sitiaram e se apoderaram da Colônia do Sacramento, mas, desta vez, nem 1763, foram bem mais adiante, avançando em direção às fortificações de Santa Teresa e São Miguel, até invadirem o Povoado do Rio Grande. Ainda que se estivesse caminhado para a paz na Europa e tivesse havido a determinação da devolução das conquistas de guerra, os hispânicos mantiveram o domínio sobre o Rio Grande, onde permaneceram até a sua expulsão, em 1776.
O receio de uma invasão dos espanhóis foi um sentimento coletivo que acompanhou os colonizadores luso-brasileiros do Rio Grande do Sul desde as origens da povoação, entretanto, em 1763, o medo latente se transformaria em pânico generalizado, com a chegada efetiva do inimigo. Notoriamente em superioridade de forças na região, ainda mais pelo acréscimo de contingentes indígenas às suas tropas, os his- pânicos vinham levando vantagens nos conflitos até então e, naquele momento,
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o avanço foi avassalador em direção às conquistas lusas que ali haviam se estabelecido a um quarto de século.
Além das vantagens bélicas espanholas, ocorreu também uma série de falhas das autoridades governamentais e militares lusitanas. A Vila do Rio Grande estava em péssimas condições defensivas e o governa- dor Elói Madureira chegou a ser instruído com um projeto alternativo de deslocar a administração e os habitantes para o outro lado do ca- nal, saindo da povoação em direção ao Norte, no intuito de elaborar um melhor arcabouço de defesa. Outro plano era reestruturar as forti- ficações no extremo-sul, sendo para lá enviado um contingente militar comandado por Tomás Luiz Osório para dar conta de tal intento. Fo- ram muitos os desacertos entre o governante e o comandante militar, chegando ao ponto de ficar insustentável a situação.
A tais desacertos se somariam várias indecisões de modo que, com o avanço do inimigo, se desencadearia uma fuga desesperada e um ver- dadeiro caos em meio aos moradores que não encontraram nenhuma guarida de parte daquelas autoridades que deveriam defendê-los. Ao invés da projetada retirada para o Norte, com calma e ordenação, a qual o governador Madureira não providenciara, o que ocorreu foi uma evasão desenfreada, com os mais poderosos ocupando as poucas em- barcações para deslocarem-se para o outro lado da canal. Enquanto isso, o restante da população lutava para conseguir um lugar nos es- cassos barcos, chegando a oferecer seus pertences para pagar por tal passagem. Houve ainda alguns que se afogaram na tentativa calcada no desespero.
As tropas comandadas por Tomás Osório, por sua vez, além de não terem conseguido progressos na melhor fortificação na fronteira extremo-meridional, diante da visão dos adversários, acabou por sair em debandada, fugindo em direção ao Rio Grande. Já na Vila, os militares aumentaram o ambiente de pânico, roubando, depredando e atentando contra integridade física e moral dos habitantes, não pa- rando nem mesmo diante das autoridades civis, militares e religiosas. Em nome de uma política de terra arrasada, para não deixar nada aos
Textos do século XVIII para o estudo da ocupação lusitana
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inimigos, mas também refletindo a penúria em que viviam e a sensa- ção de desamparo por parte da Coroa naquelas longínquas terras, os soldados cometeram todo o tipo de desatino, contribuindo decisiva- mente para o caos cada vez mais predominante.
O avanço espanhol, sem maior resistência, foi inexorável, resul- tando na ocupação plena daquelas terras e submissão da parte da população que não conseguiu evadir. A invasão hispânica representa- ria um momento de inflexão histórica para aquela região extremo-sul brasileira31. Por quase três lustros o território ficou nas mãos dos in-
vasores, configurando um avanço que alterava o quadro geopolítico da região. A partir de então se estabeleceria um esforço luso-brasileiro pela reconquista, a qual só viria a se efetivar em 1776, a qual se se- guiria um período de recuperação e reconstrução até a consolidação daquele quinhão colonial lusitano.
Há uma vasta documentação sobre a invasão espanhola de abril de 1763 e, na forma de uma amostragem exemplificativa, foram sele- cionados cinco documentos transcritos a seguir32. O primeiro docu-
31 BARRETO, Abeillard. Tentativas espanholas de domínio no sul do Brasil, 1741-
-1774. In: História naval brasileira. Rio de Janeiro: Ministério da Marinha/Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1979. v. 2. t. 2. p. 133-213; BARRETO, Abeillard. Fontes para o estudo da história da ocupação espanhola do Rio Grande do Sul (1763-1777). In: Anais do Simpósio Comemorativo do Bicentenário da Restauração
do Rio Grande (1776-1976). Rio de Janeiro: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro;
Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, 1979. v. 2. p. 617-641; BARRETO, Abeillard. A ocupação espanhola do Rio Grande de São Pedro. In: Anais do Simpósio
Comemorativo do Bicentenário da Restauração do Rio Grande (1776-1976). Rio de
Janeiro: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, 1979. v. 2. p. 643-657; MONTEIRO, Jonatas da Costa Rego. A dominação espanhola no Rio Grande do Sul (1763-1777). In: Anais do Simpósio
Comemorativo do Bicentenário da Restauração do Rio Grande (1776-1976). Rio de
Janeiro: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, 1979. v. 4. p. 13-141; e RODRIGUES, Alfredo Ferreira. Os espanhóis no Rio Grande. In: Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1896. Rio Grande: Livraria Americana, 1895. p. 219-236.
32 Documentação publicada por: MONTEIRO, Jonathas da Costa Rego. Dominação
espanhola no Rio Grande do Sul (1763-1777): primeira parte – a invasão espanhola –
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mento demonstra as incertezas quanto à continuidade dos conflitos, aguardando-se as decisões diplomáticas na Europa e revela as rivalida- des entre o governante e o comandante encarregado da fortificação do extremo-sul, tão maléficas à defesa do território. O segundo apresenta a recomendação ao governador para a evasão em direção ao Norte, pela incapacidade defensiva da Vila, trazendo instruções para a reti- rada projetada e organizada, dando prioridade ao “povo”, além de dar alguns breves indícios quanto à promoção de uma política de terra ar- rasada. O terceiro confere ao comandante Tomás Luiz Osório a guarda da fronteira e, se necessário, uma saída organizada em direção ao Rio Grande e daí para o Norte, exatamente o contrário do que realmente aconteceu. O quarto traz em si uma desesperada tentativa dos ofi- ciais entrincheirados de eximir-se de qualquer culpa, destacando que se preparavam para a resistência, mas, tendo em vista a deserção e evasão dos soldados, só lhes restara, como última instância, optar pela retirada. Já o quinto traduz um ato desesperado do governador, um dos primeiros a abandonar seu posto, praticando um misto de busca de acalmar os soldados em debandada do extremo-sul, com a política de terra arrasada de não deixar nada para o inimigo, o que só serviria para agravar ainda mais as tensões e os medos.