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OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

1. DISEÑO DEL ESTUDIO

Por notícias telegráficas transmitidas a esta folha, ao consulado português e a outros colegas locais e às quais tratamos desde logo de divulgar expondo-as ao público na porta desta redação, estão no do- mínio público da nossa população os horrorosos fatos que se acabam de dar em Portugal e dos quais resultam os bárbaros assassinatos de S. M. rei D. Carlos e príncipe herdeiro, escapando ferido levemente o infante D. Manuel incólume, a rainha D. Amélia, que por inaudita feli- cidade, não foi sacrificada da forma violenta e trágica porque o foram o seu esposo e filho.

De todas as nações que vivem em relações diretas com o Brasil, nenhuma há, cujos sucessos políticos nos impressionem mais profun- damente do que os que se desenrolam em Portugal.

País amigo, vinculado ao nosso pelos mais estreitos laços de ami- zade, de simpatia e de sangue, fazem essas circunstâncias com que acompanhemos de perto e com o maior interesse os sucessos políticos que se desenrolam na legendária e heroica terra dos nossos antepassa- dos, neste momento tão violentamente agitada pela aguda crise política que acaba de atingir o seu auge, com o bárbaro atentado que roubou as vidas aos seus infortunados soberano e príncipe herdeiro, sem que coisa alguma autorizasse a supor-se que seria essa a trágica solução de represália aos atos da coroa que procurava manter a integridade do

O regicídio português nas páginas da imprensa rio-grandina 115 trono contra a corrente democrática que nestes últimos tempos tem atingido em quase todo o reino a grandes proporções.

Não sabemos, nem podemos assegurar, apesar das notícias vagas já em nosso poder, quais os intuitos que determinaram o trágico acon- tecimento, que nos veio surpreender, como deve haver surpreendido a própria nação em cujo coração desdobrou-se.

Sejam, porém, quais forem as circunstâncias que para ele tenham concorrido, só temos palavras de reprovação para ato tão violento, e lamentamos profundamente que uma nação tão gloriosa como a portuguesa, cuja história foi sempre aureolada pelos mais heroicos feitos, veja o seu solo manchado pelo sangue de um regicídio, sem que outra solução mais humana e mais consentânea com a razão e com a justiça, pudesse evitar o desenrolar desse tristíssimo quadro que o povo português neste momento vê desdobrar-se ante os seus olhos.

O anarquismo, que de longa data vem convulsionando os povos do velho continente, parece, pelas notícias que nos são transmitidas, haver sido o único ou, pelo menos, o principal fator do trágico acon- tecimento, ficando assim o partido republicano português, que tem a dirigi-lo cabeças das mais eminentes da lusa terra, livre dessa man- cha que só poderia concorrer para que levantasse ele a sua tenda de triunfo sob um pedestal de ódio e de sangue.

E oxalá que se confirme essa versão, para honra da democracia portuguesa, que ainda suportando o ostracismo produzido por extre- mas medidas de rigor contra a sua ação pelos partidários da coroa, poderá ter glória a dizer que não teve as suas mãos manchadas nesse fatal e desumano desenlace que de forma alguma poderia aproveitar à sua causa.

À laboriosa colônia portuguesa domiciliada no Brasil, e, especial- mente, ao seu digno cônsul nesta cidade, bem como à parte dela que no nosso meio, conosco convive no profícuo labor quotidiano,

O Intransigente apresenta as expressões do seu maior pesar, lamen-

tando sinceramente as consequências do trágico acontecimento, que tão fundamente veio feri-la e surpreendê-la, como emociona triste-

mente também o coração brasileiro, ligado ao seu pelos laços da mais íntima solidariedade

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O telégrafo anunciou-nos ontem o assassinato do rei D. Carlos de Portugal e do seu filho, o príncipe herdeiro D. Luís Filipe.

Sabíamos pelas últimas notícias que a situação em Portugal era grave, mas não supúnhamos que ela tivesse um desfecho tão conde- nável, tão execrando, como esse de que lançaram mãos os inimigos do inditoso monarca.

Para nós, quaisquer que sejam as razões de ordem política, ainda mesmo aquelas que geram situações anormais, não justificam o as- sassinato político como o meio mais fácil de combater os que têm a responsabilidade do governo de uma nação.

Esses atentados só podem merecer aplausos de homens sem sen- timentos, mas nunca de homens civilizados, porque o crime, qualquer que seja a sua natureza, é sempre condenável.

Infelizmente, como um triste sintoma de regressão ao barbarismo, o assassinato político vai medrando em alguns países da Europa, pois não é o primeiro monarca que cai vitimado pelo punhal, pela bala ou pela bomba de dinamite.

Os telegramas que damos a seguir, pormenorizando o monstruoso crime que veio enlutar a gloriosa nação portuguesa, e que foram afixa- dos à porta do edifício de O Intransigente, é mais uma prova eloquente da atividade do nosso correspondente na capital federal e de que não poupamos esforços nem sacrifícios, para corresponder à confiança de nossos favorecedores.

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Ontem, desde o meio dia, hora em que recebemos o primeiro te- legrama, até à noite, o nosso escritório conservou-se cheio de pessoas

O regicídio português nas páginas da imprensa rio-grandina 117 gradas e dos principais membros da laboriosa colônia portuguesa, que procuravam conhecer as notícias que íamos recebendo do Rio de Ja- neiro e que eram afixadas na porta do edifício desta folha.

O Sr. Dr. Guilherme Guilinan Machado, digno cônsul de Portugal nesta cidade foi o primeiro cavaleiro que esteve em nosso escritório, onde voltou mais tarde, mostrando-nos o telegrama que havia recebido da legação portuguesa na capital federal, confirmando a notícia que nos fora transmitida sobre o lutuoso sucesso.

Nessa ocasião apresentamos a S. Exa. os nossos sentimentos de pesar, mandando hastear, em funeral, a bandeira nacional

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Rio, 2 – Até agora, meio dia, nenhuma notícia nova foi recebida de Lisboa.

As repartições públicas, clubes e outros estabelecimentos hastea- ram bandeiras em funeral.

O edifício da legação portuguesa conserva-se cheiro de pessoas, que apresentam condolências ao encarregado de negócios de Portugal nesta capital, Dr. Carlos Faria, que não recebeu notícia alguma.

Os jornais desta capital publicam edições sobre esses lamentáveis sucessos.

Rio, 2 – Os jornais publicam os retratos da família real de Portugal. O barão do Rio Branco, ministro do exterior, recebeu comunicação oficial do ministro do Brasil em Lisboa, dando conta dos pormenores do atentado que nesta capital causou profunda indignação.

Toda a imprensa condena tão abominável crime.

As ruas conservam-se cheias de povo que procura ler os boletins afixados às portas dos jornais.

Todas as festas foram suspensas. Os regicidas são estrangeiros.

O ministério reuniu-se em conselho permanente.

Todo o corpo diplomático telegrafou à rainha D. Amélia, apresen- tando condolências pelo lutuoso sucesso.

Rio, 2 (à noite) – todas as associações portuguesas desta capital estão deliberando sobre as homenagens a serem prestadas.

A grande comissão da recepção ao rei D. Carlos resolveu mudar de programa, sendo agora as homenagens puramente fúnebres.

[. . . ]

– O Barão do Rio Branco mandou apresentar pêsames à Legação de Portugal em nome do governo brasileiro.

Foram suspensas as obras do palácio Isabel, no qual se hospedaria o rei D. Carlos quando visitasse o Brasil.

– O primeiro telegrama que chegou a Petrópolis, às 11 horas da noite de ontem [1o

de fevereiro], dando notícia do triste acontecimento, foi endereçado ao Barão do Rio Branco e depois à imprensa.

TELEGRAMAS

Serviço especial de O Intransigente