ASPECTOS INTRODUCTORIOS
I. APROXIMACIÓN TEÓRICA
1. PLANTEAMIENTO DEL PROBLEMA
1.3 Las consecuencias de la incapacidad comunicativa del paciente intubado y despierto. despierto
1.3.1 Los efectos emocionales y conductuales del fallo comunicativo en los usuarios y sus interlocutores. interlocutores
Quando tranquilamente se entregava ao almoço, foi a nossa po- pulação tragicamente abalada por uma notícia, que tanto tinha de sensacional como de lúgubre.
3 Eco do Sul, Rio Grande, 3 de fevereiro de 1908, ano 54, no
28, p. 2.
Fora morto, a tiros de carabina, o Rei D. Carlos, de Portugal, e com ele seu filho D. Luís Filipe de Bragança.
Coube ao Eco do Sul, a tarefa desagradável de ser o primeiro infor- mante, afixando à pedra e fazendo distribuir profusamente pela cidade o seguinte boletim:
“GRAVE
SITUAÇÃO DE PORTUGAL
ASSASSINATO DO REI E DO INFANTE
Boletim do “Eco do Sul”
RIO, 2, (à 1 hora da tarde)
– O Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro foram assassinados, às cinco horas da tarde de ontem, a tiros de carabina, no Terreiro do Paço, quando regressavam de Vila Viçosa.
O infante D. Manuel, filho do rei D. Carlos, foi aclamado soberano de Portugal.
A Rainha D. Amélia saiu incólume. Faltam outros pormenores.
A legação portuguesa desta capital só recebeu estas notícias à 1 hora da madrugada.
—
N. da R. – Dada a importância do caso, telegrafámos para o Rio de Janeiro, pedindo a confirmação destas notícias, bem como pormenores, se os houver”.
—
Desde que anunciamos a triste nova, por meio de alguns foguetes e das providências que acabamos de apontar, grande número de pes- soas afluiu à frente das oficinas desta folha, comentado a lamentável ocorrência.
O regicídio português nas páginas da imprensa rio-grandina 49 O segundo colega a ocupar-se do sensacional acontecimento, foi O
Intransigente, que às 4 horas da tarde afixou telegramas à pedra.
Como é natural, a nossa população ficou deveras emocionada, cus- tando a acreditar na realidade do ocorrido.
Essas dúvidas acentuaram-se no seio da generosa e amiga colônia portuguesa do Rio Grande, onde hoje lavra o mais intenso pesar.
À vista disso, e embora tivéssemos plena confiança no despacho te- legráfico que recebêramos, pois havíamos reunido outros dados sólidos que lhe comprovavam a procedência, acarretando isso uma delonga de cerca de 3 horas, que medeiam entre o recebimento do recado e a sua afixação à pedra, resolvemos telegrafar aos nossos correspondentes do Rio de Janeiro e Porto Alegre, onde, sabíamos, havia notícia oficial do trágico sucesso.
A confirmação literal só nos veio à noite, bem como os pormenores que estampamos a seguir.
[. . . ]
PORTO ALEGRE, 2 – Confirmo a veracidade dos sucessos de Por- tugal.
A legação no Rio, segundo telegrama insuspeito para o Correio do
Povo, recebeu comunicação oficial do assassinato do Rei D. Carlos e de
seu filho Luís Filipe, Príncipe de Bragança. Esperam-se detalhes
(Corresp.)
RIO, 2 (à noite). É perfeitamente exato quanto transmiti. Ainda não chegaram novos pormenores. Enviarei o que souber.
(Corresp.)
[. . . ]
RIO, 2 (à noite). – A notícia sobre os sucessos de Portugal causou aqui funda sensação, emocionando a todos.
O Diário do Comércio publicou ótima edição, contendo notícias completas do atentado.
Um dos seus redatores foi quem avisou o encarregado dos negócios de Portugal da notícia dos assassinatos.
O encarregado tinha notícia enviada pelo ministro do exterior do seu país, mas como tivesse chegado tarde, sábado, e se achasse fati- gado, o seu criado não lhe entregou o recado, apesar de conter a nota urgente.
O governo brasileiro telegrafou à família imperial, o que fizeram todos os ministros aqui acreditados.
Chegam à legação portuguesa centenares de pêsames. A cidade apresenta aspecto de profundo pesar.
Os clubes ostentam bandeiras a meio pau.
Sei que o governo do Brasil tomará parte nas manifestações de dor e luto que pesam sobre Portugal.
[. . . ]
O Exmo. Sr. Dr. Quillinam Machado, cônsul português neste Estado, só à tardinha é que teve comunicação oficial do atentado, tendo tido a gentileza de vir ao Eco do Sul dar-nos informações a respeito.
Infelizmente tínhamos já a casa fechada, o que não nos impede de agradecer a S. S. semelhante cortesia.
Desta cidade foram passados inúmeros telegramas para o Rio de Janeiro, pedindo informes a respeito do lutuoso sucesso.
O Sr. Cônsul de Portugal serviu-se diversas vezes do cabo subma- rino e do Telégrafo Nacional.
Em resposta ao despacho que enviara para a capital da República, o comerciante José da Silva Fresteiro recebeu o seguinte telegrama “Rei e Príncipe assassinados. Boatos de revolução.”
O regicídio português nas páginas da imprensa rio-grandina 51 Logo que se soube do ocorrido, houve, no Casino, suspensão de divertimentos, por proposta do Sr. major Dr. Alcibiades Rangel Pestana como sinal de profundo pesar.
***
Também nesta cidade foram suspensas as retretas que a banda do 13o
batalhão de infantaria deveria efetuar nas praças públicas.
***
Os Srs. Manuel José Fernandes e José Rodrigues Portugal tomaram a iniciativa de convidar os seus patriotas a cerrarem as portas dos seus estabelecimentos comerciais durante três dias, associando-se assim ao luto da pátria golpeada.
Têm sido os mesmos cavalheiros solicitamente atendidos.
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O Consulado Português, o Congresso D. Luís I e a Sociedade Portu-
guesa de Beneficência estão com os seus pavilhões em funeral, devendo
adotar outras providências para comemorar o triste acontecimento.
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[. . . ]
Os consulados, associações, os navios surtos no porto, e muitas residências particulares conservam as suas bandeiras em funeral.
[. . . ]
—
O Clube Saca-Rolhas, ao ter conhecimento do assassinato do Rei D. Carlos e seu filho D. Luís, hasteou ontem, às 21 hora da tarde, seu pavilhão a meia haste e passou o seguinte telegrama:
Legação portuguesa – Rio de Janeiro – Agremiação Saca-Rolheira apresenta expressão imenso pesar miserável e duplo regicídio que fun- damente feriu alma brasileira. – Rodrigo Francisco de Sousa, presidente
—
A diretoria reunida, em seguida, tomou conhecimento dos fatos pelos telegramas recebidos pela imprensa e depois de ter lavrado em ata um voto de pesar, resolveu que o Clube Saca-Rolhas tomasse luto por três dias, conservando seu pavilhão em funeral e oficiasse ao Sr. Cônsul português e às sociedades Congresso Português, D. Luís 1o
e Be-
neficência Portuguesa apresentando pêsames pela morte de tão distin-
tos soberanos, filhos da pátria coirmã, e deliberou também associar-se a todas as demonstrações de pesar que forem promovidas.
Notas ligeiras
Despimos hoje a nossa fragmentada roupagem humorística para envergar a fatiota preta das ocasiões solenes.
É isso em homenagem ao amigo povo lusitano, que oficial e tam- bém particularmente está de luto pela morte do seu rei e do príncipe herdeiro, fato sensacional e lamentável ocorrido na bela capital do he- roico reino português, e que tão dolorosamente está ecoando no Brasil e em todo o mundo civilizado.
A nossa pátria que estava preparando matizados e virentes rama- lhetes para a recepção de El-Rei D. Carlos, transforma-os agora em pesadas coroas de saudades para ornar os féretros dos ilustres prínci- pes mortos e significar assim à nação amiga toda a mágoa que lhe vai no grande coração irmão, de aquém Atlântico.
Deploremos, pois, o triste desaparecimento desses dois grandes da Terra, levados ao seio da morte pela violência da paixão partidária e, quem sabe, se também pela culpa dos próprios amigos.
O regicídio português nas páginas da imprensa rio-grandina 53 E a nossa mágoa é profundamente sincera: O luto de Portugal atinge invariavelmente a nossa pátria.