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Høydepunkts frase – Uttrykksmessig kontrasterende til eksempel 3. 1

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Eksempel 3.2 Høydepunkts frase – Uttrykksmessig kontrasterende til eksempel 3. 1

ALDA DO ESPÍRITO SANTO*

E

ra um tempo, com o registo da memória co- lectiva no presente histórico, com repercussão no espaço evolutivo das nações-estados das antigas colónias do lusitano ocidente da Península Ibérica. No computador magnético de um cérebro ju- venil, à distância de cerca de meio século, o ano de mil novecentos e quarenta e oito é também um marco de início, do mergulho, do compromisso e de assunção dos jovens rebeldes, que a compas- so das mutações que o pós-guerra (1939-1945) apontou aos africanos, e suas diásporas do chama- do novo continente, se ergueram em grita, contra o gigante torpedeiro, que em nome de Impérios, se havia entrincheirado para perpetuar uma discrimi- nação, que no tempo, ignorava e ousava negar os Direitos Humanos a milhões, com a legitimidade constitucional, dos impérios da época.

Era um tempo, em que na capital de um impé- rio, os estudantes das colónias da Casa dos Estu- dantes do Império, por seu turno e com a legitimi- dade da exigência da implantação da linguagem dos Direitos Humanos, em suas respectivas na- ções, trilhavam “as longas marchas”, que teriam por força irresistível dos ventos da história de for- çar dominantes e dominados a sentarem-se nas tri- bunas de diálogo, com a mediação do forum das nações livres.

Era um tempo em que a Casa dos Estudantes do Império na senda do lendário fundador da cida- de do Tejo despoletava o Império nas próprias bar- bas do seu omnipotente empório.

O “Poder do Tempo” não obstante as ousadias juvenis (até da sua própria “Metrópole”) não admi-

tia a possibilidade do desmoronamento de um so- nho messiânico, que abarcava territórios inexpug- náveis, do Minho, da vizinha Galiza às ilhas atlânticas, do Portugal insular e da África tropical ao martirizado Timor Leste, entre a Austrália e a Indonésia. Nesse mesmo contexto a orografia esten- dia-se em progressão, da Serra da Estrela ao Pico de São Tomé... aos montes Ramelau (2920 metros de altitude) — parcelas de um imutável feudo.

Porque assim era o Poder do Tempo, a Casa dos Estudantes do Império e a sua heterogénea po- pulação, albergava nesse tempo um labirinto in- trincado de estratégias, com ramificações e chaves secretas, que talvez nem todo o acervo de depoi- mentos chegarão a decifrar por inteiro a completa articulação dessa Geração Desse Tempo, que trou- xe para o palco do tempo presente a “Geração da Utopia” e as memórias de Pepetela, que através da pena de um sociólogo ficcionista entrega à posteri- dade o registo de um depoimento que é constante nota de leitura reflexiva para todos aqueles que por intermédio das arestas de qualquer labirinto marcaram presença, como espectadores, visitantes ou participantes do “legado” da Casa dos Estudan- tes do Império.

Era um tempo em que uma vez a Secção de Es- tudantes de Cabo Verde da CEI promoveu um pe- ríodo de actividades dentre as quais se destacava uma palestra sobre uma conceituada figura de ciên- cia, desse chão de pedras de Cabo Verde. Recorde- -se que São Tomé e Príncipe estava integrada na Secção de Cabo Verde, por certo, pela coincidência de insularidade e de são-tomenses e cabo-verdianos,

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que através dos temas das secas, das fomes, se en- contraram nessa “residência dramática” (Mário de Andrade) das roças de cacau e de café, que é hoje na pátria livre de São Tomé e Príncipe território de são-tomenses e cabo-verdianos.

Como dizia anteriormente num relembrar re- cordar, que essa palestra foi proferida por Amílcar Cabral, que nesse tempo terminava com brilhantis- mo o curso de Agronomia. E nesse encontro na CEI me recordo que Amílcar ao terminar a pales- tra deixava no ar uma interrogação entre ambas as posturas de assunção de um cidadão da sua terra ou do mundo, entre a assunção da responsabilida- de de um homem de ciência e/ou da liderança po- lítica em serviço dos seus concidadãos e/ou da hu- manidade.

Eu me recordo também que em 1983 na cida- de da Praia, no país independente de Cabo Verde, tive a honra de participar no Simpósio sobre Amíl- car Cabral por ocasião do 60.o aniversário do nas-

cimento desse líder africano, organizado pelo Par- tido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

Nesse Simpósio o professor universitário portu- guês Ário Lobo de Azevedo (reitor da Universidade de Évora) apresentou uma comunicação versando sobre o painel cuja epígrafe era “A personalidade de Cabral no contexto da sua época” — a intervenção de Ário de Azevedo analisava a personalidade de “Amílcar Cabral agrónomo”. Nessa brilhante in- tervenção Ário de Azevedo que havia sido profes- sor de Cabral no primeiro ano de agronomia (1945-1946) refere que no decorrer de uma activi- dade profissional conjunta, quando em 1959 dis- cutia com Amílcar Cabral a possibilidade de preci- sar uma data para uma nova tarefa a realizar em Angola, Cabral informou-o de que se afastava da equipa visto que, por circunstâncias várias, a sua vida ia mudar de rumo.

Nesse ponto Ário de Azevedo apresenta como questão para reflectir a seguinte alternativa:

Transcrevo... “O trajecto político de Amílcar Cabral teria sido o mesmo (ou semelhante) se ele não tivesse sido engenheiro agrónomo?

Creio que a sua actividade como agrónomo o marcou, e lhe mostrou caminhos (e relembro o episódio que é o recenseamento agrícola da Gui- né). Mais não posso dizer. Amílcar Cabral foi um engenheiro altamente competente e um cientista promissor”.

Mais acrescenta Ário de Azevedo ao findar a comunicação:

”Teria Amílcar Cabral perfeita consciência da opção que estava a fazer quando abandonou o gru- po de agrónomos com o qual colaborava? Creio bem que sim. Quanto a mim, relembrando esse dia, digo que a Agronomia e eu ficámos mais po- bres, mas que o mundo ficou muito mais rico.”*

... E essa palestra na CEI, leva-nos a recordar, quando ganhámos Amílcar Cabral para o nosso seio, para a nossa convivência.

Uma família de são-tomenses em Lisboa deci- diu fazer um pic-nic a Monsanto, que na altura era apenas um agradável parque de diversões e de me- rendas. Era no Verão de 1946 quando os membros da Família Espírito Santo, em que a maioria na al- tura era constituída por jovens, vimos surgir direi- to a nós, um jovem patrício, de sorriso aberto e comunicativo, que a partir desse momento se to- mou no Grande Amigo, com o qual nos gloriamos de pertencer à “Geração de Cabral” de acordo com a designação em primeira mão de Mário de An- drade.

A partir dessa altura eu me recordo igualmente que círculos de tertúlias tiveram lugar, iniciando- -se pela leitura de poemas de poetas já consagra- dos e inclusivamente dos modestos poemas daque- les que começavam a cantar a África através da sua lira. Autor dessa iniciativa foi Luís Espírito Santo Graça, um jovem médico são-tomense, ávi- do de dar ao continente e ao seu torrão natal, todo o ardor da sua juventude. Infelizmente destacado para exercer a sua profissão em Catió na Guiné, nos anos 1948-49, viria a morrer quase subitamen- te, vitimado por uma moléstia tropical, quando tanto poderia dar ainda à sua grei.

Essas tertúlias iniciadas na Rua Carlos Mardel, o “111”, residência da família africana onde resi- dia Luís Espírito Santo, prosseguiu na histórica Rua Actor Vale, 37 — 1.o Esq., “o 37”, conforme

era apelidado pelos jovens estudantes entre os quais figuravam Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Mário de Andrade, Francisco Tenreiro, Noémia de Sousa, António Pimentel Domingues, Marcelino dos Santos, Vasco Cabral, Julieta Espírito Santo, Maria Helena Vicheu Rodrigues, Guilherme Espí- rito Santo, Américo Boavida, Diógenes Boavida, Arlindo Espírito Santo, um jovem invisual cabo- -verdiano Medina, colega de Mário, um estudante português Plácido de Abreu, falecido em plena ju- ventude e outros.

* Continuar Cabral, Simpósio internacional Amílcar Cabral, Cabo Verde, 17 a 20 de Janeiro de 1983, pp. 127 a 132.

Interessa salientar que a anfitriã da residência do 37 era Andreza Graça Espírito Santo, falecida em Lisboa em 16 de Fevereiro de 1986. A tia An- dreza conforme era conhecida era a mãe-irmã, que acolhia e acarinhava os estudantes africanos das colónias de Portugal e abria a sua casa para as grandes aventuras do Centro dos Estudos Africa- nos, que desembocaram na CONCP e abriram ca- minho às lutas libertárias pelas independências dos países respectivos.

Recorde-se que Mário de Andrade, o eminente sociólogo angolano, reivindicado pelos países dos Cinco, proferiu em Lisboa o elogio fúnebre a An- dreza Graça.

Importa salientar que o professor são-tomense Januário Graça, constituiu a residência do 37, para que os seus filhos e familiares pudessem encontrar uma morada para se alojarem enquanto prosse- guiam os seus estudos. Essa histórica residência foi abrigo seguro dos estudantes africanos, de es- tudantes portugueses nossos parceiros nas lides contestárias desses tempos inolvidáveis. Pela mão de Mário de Andrade, Eduardo Mondlane também pisou a casa da tia Andreza onde eram confeccio- nadas iguarias das ilhas, que eram servidas nos convívios, que faziam parte das actividades sociais da Casa dos Estudantes do Império.

Eu me lembro também que em 1959, ao re- gressar de São Tomé, se realizava uma palestra na CEI em que era conferente Agostinho Neto. Mário Barradas declamava a seguir poemas da Antologia

de poetas africanos coligidas por Mário Pinto de Andrade.

Qual não foi o meu espanto ao ouvir declamar poemas da minha autoria, referente ao massacre de Fevereiro de 53 em São Tomé. Como um colar de contas entrelaçadas eu recordo que Agostinho Neto se solidarizou com o martirizado povo de São Tomé e Príncipe, nesses momentos trágicos, dedicando à sua amiga Alda Graça, o maravilhoso poema “Massacre de São Tomé”. Nessa mesma sequência, uma vez já nos anos oitenta em visita partidária a Angola, recebo das mãos de Lúcio La- ra, o original de uma denúncia sobre Fevereiro de 1953 que eu havia enviado clandestinamente para os Amigos, em Portugal.

E nesse recordar é impossível deixar de destacar Alfredo Margarido e a sua antologia sobre poetas de São Tomé e Príncipe — edição da CEI, a partici- pação desse africanista nessas lides e as vezes que Margarido me arrancava as folhas que ia produzin- do e guardando em desarrumados armários.

Para que conste e para que o tempo possa per- mitir que esse magro depoimento produzido a pe- dido de Tomás Medeiros, médico, escritor, comba- tente amigo, desses tempos duros, eu silêncio, este pequeno testemunho para cumprir a promessa e para aderir como membro à Associação da Casa dos Estudantes do Império de cujo cartão de mem- bro da CEI ainda conservo.

Preocupações políticas dos estudantes ultramarinos