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Eksempel 4.1 Første del av vokalkor – lyrisk/mykt Vokal

— período de 1957 a 1959

O MAC foi criado em 1957, após a passagem de Viriato da Cruz por Lisboa, e permitiu reunir a grande maioria dos “Mais Velhos” que militavam no MUD Juvenil, PCP e Clube Marítimo Africano, ao numeroso grupo de estudantes da “Nova Vaga” mais ligados às actividades na CEI. Iko Carreira, Carlos Pestana e o autor foram designados pelos jovens da corrente nacionalista da CEI como seus representantes na direcção do MAC.

Este movimento agrupava estudantes de todas as colónias e tinha por finalidade a conscienciali- zação dos estudantes africanos em Portugal, ba- seado no ideário nacionalista, a fim de acelerar o processo da luta anticolonial. O MAC tinha rela- ções orgânicas com o grupo de Paris — Mário de Andrade, Marcelino dos Santos e Aquino de Bra- gança — e com o grupo da Alemanha — Viriato da Cruz, Carlos Horta e Luiz de Almeida, relações mantidas graças às frequentes viagens dos mais fortunados, Eduardo dos Santos e Arménio Ferrei-

ra. O MAC mantinha relações com os núcleos na- cionalistas em Bissau e em Luanda.

O regresso a Luanda de Agostinho Neto em Dezembro de 1959, e a saída para Paris e depois para Conakry dos elementos com maior maturida- de política, Amílcar, Lúcio, Eduardo e Hugo no ano seguinte, 1958-1960, enfraqueceu as capacida- des de actuação do MAC em Portugal. Por outro lado, quebraram-se os contactos com o exterior e com os nossos países, o que foi muito difícil de restabelecer mais tarde. Os mais velhos continua- ram lá fora a desfraldar a bandeira do MAC, no- meadamente na conferência de Tunes, em Janeiro de 1960. O documento apresentado nessa confe- rência é fundamental por dois motivos: primeiro, porque faz referência expressa ao “programa do MPLA”; e depois, porque refere “a oposição das

teses e princípios do MPLA em relação às teses antiquadas de todas as correntes políticas portu- guesas opostas ao fascismo (sobretudo o PCP)”,

assinando Viriato da Cruz, Lúcio Lara e Mário de Andrade. Nesse documento fundamental para a compreensão do movimento anticolonialista, faz- -se a apresentação internacional do MAC, movi-

mento iniciado em 1957.

Enquanto no exterior o MAC adquire uma di- mensão internacional na Conferência de Tunes em 1960, sem que os seus militantes em Portugal te- nham sido informados de tal facto, em Portugal o MAC estiola e desaparece. O MAC teve assim uma existência efémera (1957-58) em Portugal.

No entanto, esta organização nacionalista, sem ligações orgânicas com o PCP — embora com o seu apoio logístico (tipografia), — teve o enor- me mérito de demonstrar aos estudantes africanos a necessidade de ultrapassarem atitudes românti- cas e de passarem à prática política num quadro africano, independente do paternalismo das orga- nizações políticas portuguesas. O MAC estendia as suas actividades ao Clube Marítimo Africano, à CEI, a Luanda, a Bissau, a Paris e à Alemanha.

A consulta dos processos da PIDE/DGS na Torre do Tombo permite-nos verificar dois factos importantes:

a) que a PIDE desconhecia totalmente a exis- tência do MAC, em Portugal;

b) que o Movimento dos Estudantes Angola- nos, afectos ao MPLA, só foi detectado pela PIDE em meados de Maio de 1961 (docu- mento n.o 329/46/150 do processo referente

“o chamado MPLA começou a organizar os seus serviços e a criar ‘delegações’ em vá- rias localidades do Continente com vista ao recrutamento de todos os ultramarinos que se encontram na Metrópole. Conhecem-se pormenores de aliciamento feito em Lisboa, Coimbra e Porto e até a oficiais milicianos da Força Aérea e do Exército.” (Referência provável a Iko e a Pedro Pires).

No entanto, um mês antes da “fuga dos cem” a PIDE já possuía informações de que “um elevado número de indivíduos de cor, principalmente estu- dantes e outros relativamente novos e com alguma cultura, iriam tentar sair da Metrópole, com o fim de atingirem Paris, seguindo dali para outros paí- ses, a fim de darem a sua colaboração aos elemen- tos terroristas... A CEI funciona como o principal centro recrutador, tentando fazer sair de Portugal o maior número de estudantes ultramarinos e pa- triotas angolanos que desejassem trabalhar a favor da independência de Angola... Uns destinam-se a tomar parte activa na luta que actualmente se tra- va em Angola... Enquanto outros se destinam a to- mar parte na luta formando o escol intelectual... Em meados de Junho (de 1961) findo chegaria a Portu- gal um diplomata suíço que se encarregaria da ela- boração dos passaportes daqueles que iriam sair, pelo que deveriam entregar duas fotografias tipo passe... Deveriam seguir para a cidade do Porto, onde na estação de S. Bento estaria um agente de ligação à sua espera; que não poderiam levar mais do que cinco quilos de bagagem e que teriam que levar mil escudos cada que se destinava a pagar a passagem de barco para passarem a fronteira...” (doc. 329/46/150 PIDE/DGS, proc. CEI).

Este documento mostra que cerca de um mês antes da “fuga dos cem” a PIDE consegue detectar a existência do nosso Movimento clandestino dos Estudantes Angolanos, ligado ao MPLA, a intenção da saída de um grande número de estudantes... mas não consegue penetrar mais profundamente a orga- nização, nem conhecer a data e o local da fuga.

O Movimento dos Estudantes Angolanos, inspirado no Manifesto de 1956

(Amplo Movimento Popular de Libertação de Angola) — período 1959 a 1961

O Portugal de 1958 encontrava-se em plena efervescência com as eleições presidenciais que

culminaram, de maneira fraudulenta, com a derro- ta eleitoral do general Humberto Delgado. Duas semanas depois, malogrou-se o golpe improvisado da Sé, o que obrigou muitos dos intervenientes a “desaparecerem”.

Em Luanda, fervilhavam também as ideais na- cionalistas e anticolonialistas em torno da União da Populações de Angola (UPA) e do Movimento pela Independência de Angola (MIA) liderado por Ilídio Machado, Matias Miguéis, Viriato e Franco de Souza. Edmundo Rocha, um dos membros da “nova vaga” que esteve envolvido no golpe da Sé, pôde escapar-se discretamente para Luanda, onde entrou em contacto com os meios nacionalistas: Pe. Nascimento, Liceu Vieira Dias e outros. Esta viagem e os contactos com o padre Nascimento foram registados pela PIDE. Estes encontros per- mitiram-lhe avaliar a dimensão da luta política em Angola e, de volta a Lisboa, ser portador de docu- mentos e instruções que indicavam a necessidade urgente da organização dos estudantes angolanos em Portugal. Esses documentos foram-lhe trans- mitidos à partida por André Franco de Souza, um dos redatores e fundadores do Movimento pela In- dependência de Angola (MIA).

Após uma série de contactos com os estudantes angolanos mais politizados, foi criado, em princí- pios de 1959, um Movimento de Estudantes Ango- lanos. Em Lisboa, a cúpula dessa organização agru- pava estudantes da CEI, João Vieira Lopes, Edmundo Rocha, Alberto Bento Ribeiro, Pedro Fi- lipe, em representação dos estudantes protestantes, e Graça Tavares, em representação dos trabalhado- res angolanos agrupados no Clube Marítimo. Foi na Rua do Cabo, 17, 1.oque se realizaram a maior

parte das reuniões da direcção desse movimento e onde se encontram ainda hoje escondidos os ar- quivos tanto do MAC como do MEA.

Era uma organização muito fechada, articulada em células de três elementos. A grande maioria dos estudantes da CEI da corrente nacionalista-progres- sista e dos estudantes protestantes militaram nesse movimento: Gentil Viana, Henrique Carreira, Car- los e Augusto Pestana, Manuel Videira, Daniel Chi- penda, José Araújo, Gentil Traça, J. Hurst, Medei- ros, Paulo Jorge, Tuto, e muitos outros.

Esta organização caracterizava-se por ser cons- tituída essencialmente por jovens da nova geração, visto que os “mais velhos” tinham-se fixado em Conakry; associação entre os estudantes da CEI e protestantes, e os trabalhadores angolanos, tradu- zindo este facto o elevado grau de maturidade po-

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lítica da juventude angolana dessa geração. Enfim, pela independência em relação aos partidos anti- fascistas portugueses. Foi nesse período que foram distribuídos em Portugal o panfleto de Abel Djassi (aliás Amílcar Cabral) sobre “O Colonialismo Por- tuguês” em Julho de 1960 e, em Dezembro do mesmo ano, o panfleto “Mensagem ao Povo Por- tuguês” de denúncia do colonialismo e apelo à re- solução do problema colonial por vias pacíficas, assinado por estudantes universitários das colónias portuguesas.

A “Fuga dos Cem” estudantes africanos