Kap. 258 Forsking, utviklingsarbeid og fellestiltak i vaksenopplæringa
Programkategori 07.60 Høgre utdanning
A pedagogia da competência comunicativa tem como foco das suas considerações didáticas as necessidades comunicativas do aprendente, as suas intenções comunicativas acionais que deverá aprender e atualizar em atos de fala, mediante a utilização de elementos e estruturas de língua, em contextos situacionais, como diz António Franco (1988). Subjacentes a esta conceção, vislumbram-se ideias de Leech / Svartviki plasmadas na obra Communicative Grammar of English, propondo um ensino da gramatica com base em princípios semântico-gramaticais e não mais nos princípios da gramática tradicional, das estruturas formais. É o início da abordagem e ensino integrados da gramática, um ensino orientado para situações de comunicação, que se serve da língua per si, uma língua de funções de linguagem, indissociável das condições em que é usada na sociedade, do mundo real (apud Franco, 1988: 88).
Diz Franco que a obediência cega a um modelo gramatical único dá lugar a um método eclético, que exige do professor de LE uma outra atitude, a de orientador técnico da aprendizagem das normas linguísticas em vez do mestre, perfeito conhecedor das normas e regras que comandam essa língua. O professor é alguém preparado para transmitir conhecimentos que os alunos possam, ou sejam capazes de descrever e julgar em situações complexas (linguísticas e sociais) para melhor as compreenderem.
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Para o autor, é impossível ensinar uma segunda língua sem referência à gramática, seja qual for a terminologia que a rege.
Referindo-se ao método comunicativo, esclarece que o conceito de gramática tradicional não cabe nesta abordagem. A didática moderna de L2, sublinha, tem a “preocupação de incluir nos seus materiais e na sua práxis um conceito alargado, enriquecido de outras dimensões, nomeadamente da social, aproveitando e conscientemente integrando conhecimentos específicos de várias subdisciplinas afins” (idem: 90). Estamos assim perante uma abordagem centrada no aprendente como sujeito da aprendizagem e no próprio processo, não esquecendo a vertente do uso da língua, as condições reais de utilização da língua alvo em situações verdadeiramente comunicativas, no fundo considerando língua como instrumento do agir comunicativo..
É este também o ponto de vista de Gérard Vigner como podemos observar no seu texto que abaixo transcrevemos:
L'impératif de communication invite les élèves à s'approprier une langue nouvelle qui possède des propriétés particulières distinctes de leur langue d'origine. Toute la difficulté réside dans cette nécessité pour l'élève d'intérioriser les règles de cette nouvelle langue tout en la pratiquant dans le cadre de dialogues, saynètes et autres activités d'expression. Constatons qu'actuellement le souci d'engager les élèves dans la communication l'emporte sur la maîtrise de ce nouvel outil linguistique. Or les élèves ont besoin d'exprimer un sens en attente, sens qui ne peut trouver sa pleine expression et sa pleine efficacité dans l'échange que si le locuteur dispose de la maîtrise de cet outil(Vigner et al., 2004: 5).
Vigner explica que não se trata de reduzir a aprendizagem de uma língua à dimensão linguística, mas há que considerar que, para nos exprimirmos, temos necessariamente de ter em consideração particularidades da língua (referia-se ao francês) que vão sendo adquiridos pelos alunos num processo de formação em ambiente formal onde a referência uma gramática normativa é uma constante.
A aquisição da língua necessária à comunicação processa-se, segundo Vigner, em duas etapas - a interiorização de regras e a descrição gramatical. A primeira constitui um processo que decorre de forma pragmática, empírica e intuitiva, à medida a criança vai crescendo. Inicialmente, sem ter consciência do facto, a criança interioriza usos de linguagem e regras a partir das situações que vai vivenciando, construindo de forma intuitiva a “língua”, isto é, a sua forma ou estrutura linguística. Este primeiro passo constitui uma etapa fundamental para a aprendizagem de outra língua, pois e nos termos
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de Vigner, “L’acquisition d’une grammaire intériorisée est la première étape de l'apprentissage dans laquelle le locuteur met en relation ce qu'il croit percevoir en termes de régularité et de structure dans la nouvelle langue, par rapport à ce qu’il connaît dans sa langue d'origine”( ibidem).
A segunda etapa passa pelo recurso à descrição da gramática, ou seja, pela apresentação das normas e regras que evidenciam as regularidades da língua. Apesar de não constituírem a língua como um todo, torná-las acessíveis ao aprendente é essencial - “La nécessité de prendre conscience de l’existence d'une norme commune à l’ensemble des locuteurs s’impose” (ibidem).
A intuição linguística per si pode ser insuficiente para produzir com correção um enunciado. A exposição e variedade de situações comunicacionais que cada indivíduo experimenta, a par das diferentes capacidades de interiorização, próprias de cada um, determinam níveis igualmente diferenciados de competências, da gramatical inclusive. Não havendo da parte do aprendente contato regular com a língua alvo, cabe ao professor providenciar condições e meios pedagógicos apropriadosque promovam essa aquisição.
Estamos perante o que se designa por “gramática implícita” dominada pelos nativos da língua mediante uma exposição constante à língua materna. O recurso à gramática explícita, sempre válido, potencia o desenvolvimento das capacidades de autocorreção em situações de comunicação.
José Domingues de Almeida entende que esta gramática implícita é fundamental na aprendizagem de uma LE. Para este autor, a aquisição de uma LE “implique la connaissance de certaines règles (qu’il faut prendre au-delà du niveau grammatical, social, rhétorique, (…). Trata-se de um processo de interiorização que permite ao aprendente desenvolver uma certa intuição linguística que o torna capaz de julgar a aceitabilidade e gramaticalidade dos enunciados. Entendemos das palavras de Almeida que o aprendente não regista apenas atos locutórios mas e, naturalmente, efetua simultaneamente a sua gramaticalização. Há desde o primeiro momento de aprendizagem da FLE um processo de gramaticalização de enunciados cujos sentidos/significados são adquiridos de modo intuitivo e global. Almeida refere que o aprendente dispõe de uma competência pragmática proveniente da cultura de origem que lhe possibilita a aquisição/ interiorização de um novo idioma. Do professor espera- se que promova condições para que ajudem o aprendente a gramaticalizar de forma empírica os dados linguísticos da língua alvo. Na opinião deste autor, “Sans la maîtrise
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d’une grammaire intériorisée, sans la capacité de l’apprenant à automatiser l’usage de certaines formes, le recours à un enseignement explicite de la grammaire ne présente qu’un intérêt limité”.28
Parece-nos evidente a ideia de complementaridade da gramática no ensino aprendizagem da LE. Quer Vigner, quer Almeida assumem a sua pertinência na aprendizagem das línguas estrangeiras. Percebemos os moldes em que é feita essa apologia, que dista claramente das metodologias tradicionais pois não assenta na primazia do rigor forma, mas pressupõe o aprender “em torno da língua” (Gaspar, 2001: 97) a partir da comunicação das interações.