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In document (2003 – 2004) (sider 33-40)

Após a realização de todas as atividades orais, foi solicitado aos alunos que apresentassem novamente, através de um novo inquérito (apêndice 13), a sua perspetiva relativamente à Oralidade, com o objetivo de aferir a evolução da competência oral ao longo do ano letivo.

É bastante evidente a diferença de posição dos alunos entre o primeiro inquérito e este segundo. Verifica-se que, da análise deste inquérito, ou melhor, deste «diário de aprendizagem», há uma maior consciencialização do aluno para a importância do falar, da oralidade, enquanto promotor de aprendizagem. O próprio aprendente concluiu, a partir das experiências, aprendizagens que teve anteriormente, que esta competência exige dedicação e tenacidade, e que insegurança e nervosismo, ainda que próprios de um falante, só podem funcionar como estímulos, desafios à aprendizagem, ou não aprendesse o aluno por tentativa e erro.

Assim sendo, e atendendo à primeira questão apresentada, verificou-se o seguinte:

se, no primeiro inquérito, dez alunos não consideraram a sua língua difícil, quarenta e seis disseram que é «mais ou menos» difícil e vinte e quatro disseram que é difícil, neste segundo inquérito, catorze disseram que não é difícil, cinquenta e um que é «mais ou menos» e quinze continuam a achar que é difícil. Entende-se, portanto, que os alunos passaram a ser «mais positivos» relativamente à sua própria língua.

No que diz respeito à segunda questão, 17%

64% 19%

1 - Continuas a considerar a língua portuguesa difícil?

81 cinquenta e oito alunos afirmaram já saberem expressar-se melhor «às vezes» e vinte e dois apontaram que agora se expressam melhor «sempre» que solicitados ou voluntariamente. Presume-se que, ainda que os discentes já tenham mudado a sua ideia sobre a sua língua, ainda precisam de colmatar algumas das suas dificuldades orais, talvez promovidas pelas suas poucas bases linguísticas.

Do conjunto de causas para essas dificuldades propostas no inquérito, os alunos puderam escolher duas delas e verificou-se o seguinte:

Em comparação com os resultados relativos a esta questão, no inquérito anterior, entende-se que questões de personalidade já não são tanto um fator inibidor à prática da oralidade. Agora, dos oitenta alunos, apenas treze disseram ter vergonha de sere m gozados e trinta e um afirmaram que a timidez ainda funciona como obstáculo à prática oral. Mas, mais

72% 28%

2 - Agora sabes expressar-te melhor oralmente, em português, sempre que solicitado ou como voluntário?

Nunca Às vezes Sempre

31 13 9 35 29 4 5 1

sou mesmo tímido não quero que os outros se riam de mim sei que vou ser corrigido tenho falta de vocabulário tenho pouca competência linguística (sintaxe) nunca fui estimulado a falar não sei o que o professor pretende outra razão

3 - Se respondeste «nunca» ou «às vezes» à pergunta anterior, por que é que tens dificuldades em expressar-te (escolhe duas opções?

82 interessante que esses parâmetros são aqueles nos quais os alunos, por terem tomado consciência das suas capacidades comunicativas, através da realização de várias e diferentes actividades orais, evidenciaram que as suas dificuldades advêm da falta de vocabulário (trinta e cinco alunos) ou da sua fraca competência linguística (vinte e nove alunos). Saliente-se ainda que muito poucos alunos (quatro) consideraram que não foram estimulados a falar.

Ora, estes resultados demonstram que os alunos desenvolveram aquilo que se pretendia com este projeto – falaram, para conhecerem objectivamente as suas dificuldades e que estas podem ser superadas, se eles se consc iencializarem que é através da ação comunicativa que as vão superar.

Numa análise sequencial do inquérito, acaba por ser interessante verificar que, quando inquiridos sobre a necessidade de haver mais momentos dedicados à oralidade nas aulas de Português/Língua Portuguesa,

dos oitenta alunos, sessenta e três afirmaram ser preciso desenvolver mais a comunicação oral em contexto de sala de aula, e dezassete defenderam que não é fulcral proporcionar mais tempo à oralidade no decorrer das aulas, talvez porque estes são ou alguns dos que afirmaram ser mesmo tímidos ou alguns dos que admitiram falhas linguísticas e, consequentemente, querem proteger-se da exposição perante os restantes colegas.

Quando questionados sobre as duas atividades de que mais gostaram e que os ajudaram a aprender a comunicar, os discentes, talvez movidos pelas práticas orais que foram desenvolvendo ao longo do ano lectivo, responderem como a seguir se segue:

79% 21%

4 - Consideras que deveria haver mais momentos dedicados à oralidade nas aulas de português?

83 Da análise deste gráfico, conclui-se, uma vez mais, que a maior parte dos alunos prefere que o processo ensino-aprendizagem, a nível da interação verbal, seja desenvolvido a partir de situações que impliquem a participação de pares, pequenos grupos ou a turma no seu todo, como é o caso dos debates, dos diálogos ou das correções orais dos exercícios. Todas as atividades que impliquem a participação do aluno enquanto elemento singular apresentam menor número de escolha.

Depreende-se que a isto se deve o facto de os alunos terem entendido que conseguem ganhar mais autoestima e confiar nas suas competências linguísticas se acompanhados pelos seus colegas. Também poderão ser estes que entendem que é através dos trabalhos com os seus pares que mais facilmente vão perceber quais são as suas dificuldades, já que ha verá partilha de informação e interajuda na superação das dificuldades encontradas.

Quando novamente interrogados sobre a pertinência da oralidade na aprendizagem da sua língua materna, os alunos responderam que, apesar das suas dificuldades, aquele domínio é categoricamente importante para se aprender mais sobre o português, como se pode constatar no gráfico seguinte:

6 58 36 2 40 10 8 0 trabalhos individuais debates (pares/grupo) diálogos dramatizações correções orais de exercícios leituras em voz alta recitais outras

5- Que atividades orais desenvolvidas nas aulas mais te agradaram

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