Para os entrevistados, existe uma linha que separa autonomia do crescimento profissional, considerar que se tenha desenvolvido profissionalmente durante seu percurso profissional na empresa em que atuam, e estarem satisfeitos com este crescimento e evolução, não significa estarem satisfeitos com a autonomia que possuem na ação e na aplicação dos conhecimentos adquiridos.
Pode-se evidenciar que nos profissionais portugueses e brasileiros, a maioria dos entrevistados consideram terem crescido profissionalmente em termos de conhecimento e formação, muitas vezes esse desenvolvimento foi fruto de investimento por parte da empresa, em outras situações foram conquistas por esforço próprio. Especificamente, no que diz respeito ao investimento por parte das organizações, alguns entrevistados consideram que “além de evoluir nas funções e responsabilidades a empresa investiu em sua formação, consideram ter tido oportunidade de fazer muitos cursos inclusive em outras áreas e geografias, com isso, tonam-se multiplicadores do conhecimento, assumindo o compromisso de o disseminar entre a equipa de GRH.
Os brasileiros curiosamente apontam que “o crescimento proveniente dos investimentos por parte das empresas não tem sido constante e nem contínuo”, indicando que tal preocupação ocorreu em um dado momento, mas careceu de ser continuado e sistemático, sendo que atualmente exprimem “um sentimento de estagnação”. Apesar de apresentar algumas citações positivas por parte dos entrevistados, o desenvolvimento das afirmações não aponta satisfação com o momento de crescimento atual.
Já os portugueses consideraram estar em estado de evolução constante, os entrevistados referem existir “autonomia em seus processos e apontam perspetivas de contínua evolução profissional nas organizações em que trabalham atualmente”.
Tabela 16 - Citações Indicadoras de Satisfação com a Autonomia e Crescimento
BRASIL PORTUGAL
1. Iniciei nesta empresa como auxiliar de Departamento Pessoal, eu vi meus esforços reconhecidos, pois cada vez que me mais, mais oportunidade tinha.
2. Além de evoluir nas funções e responsabilidades a empresa investiu em minha formação, tive oportunidade de fazer muitos cursos fora e com o tempo tinha a oportunidade de multiplicar entre minha equipe e colegas aquilo que ia para fora aprender.
3. O RH é ouvido, tem acesso aos diretores, pode expressar sua visão dentro das situações que
1. Possuo autonomia dentro dos processos e que não me vejo limitado.
2. Dentro dos projetos que atuo acredito que possuo autonomia necessária, a própria descrição do projeto nos dá a base de limite até onde podemos atuar. 3. Evolui nesta empresa, de quando fiz
estágio até ter um contrato de trabalho, tudo que sei em temos de prática eu aprendi nesta empresa.
4. Não tenho autonomia, seguimos as diretrizes da SEDE, isso não me
ocorrem e se fizer sentido para os diretores, sim, é acatado.
4. Sinto que sou ouvida, aquilo que digo importa e é considerado em uma tomada de decisão.
5. Evolução sempre existe, como pessoa tenho crescido profissionalmente aprendi muitas coisas, foi minha primeira experiencia a frente de um serviço.
6. Em partes, possuo autonomia no meu processo, as limitações que a mim são impostas, são mais de cunho legal do que organizacional
7. Autonomia na execução das atividades, em minhas atividades diárias há muita coisa que preciso agir rápido e não posso aguardar a presença do meu superior para tomar decisão.
8. Evolui significativamente, cresci bastante profissionalmente, ainda tenho muito que aprender.
9. Os recursos humanos participam na elaboração das orientações estratégicas nesta empresa, normalmente por meio de reuniões com a direção. 10. Temos também acesso em apontar necessidade de adequações dentro daqui que percebermos no campo de observação, então levamos a saber da direção que autoriza ou não.
incomoda, as regras são claras, a comunicação é eficaz e mesmo não tendo autonomia,
5. Tenho acesso direto a quem pode me ajudar na resolutiva, e sou ouvido. O fato de não ter autonomia, não me faz sentir menos importante.
6. Tenho 6 meses nesta organização, tudo é um processo de construção, sei que posso vir a ser melhor do que sou hoje, as oportunidades existem, só depende de mim.
7. Evolui bastante nestes 6 meses de trabalho, vivo uma realidade oposta da que vivia no meu emprego anterior. Como exemplo posso citar o fato de melhorar o meu inglês afalado e escrito, tratar como pessoas que vivem no estrangeiro, falam outra língua, me dá uma capacidade de raciocínio e argumentação em inglês que está a contribuir para o meu crescimento pessoal e profissional.
Fonte: Elaboração Própria
Tendo sido entendida, e mencionada, como sendo um fator separado da perceção de crescimento, no que diz respeito à autonomia profissional os resultados apontam que existe por parte do entrevistados uma busca por mais espaço e voz profissional, levantando-se a hipótese de que as empresas não estão dando a independência desejada pelos profissionais da GRH, a ausência de poder de decisão, a falta de autonomia faz transparecer, em específico para os profissionais brasileiros, que as empresas não investem em seu crescimento profissional, sendo este o maior fator indicativo de insatisfação para estes profissionais. Ter autonomia no trabalho pode ser um fator fundamental para a melhoria do rendimento e da qualidade, consequentemente para aumentar a satisfação profissional, este fator em específico, para a dimensão apresentada, surge como o indicativo de insatisfação mais relevantes para os profissionais brasileiros, a centralização das decisões por parte das organizações, a burocratização dos processos foi mencionada também em outras dimensões, raramente se apresentado no quadro indicativo de satisfação.
Tabela 17 -Citações Indicadoras de Insatisfação com a Autonomia e Crescimento
BRASIL PORTUGAL
1. Autonomia de ação no RH não possuo, tudo deve ser reportado.
2. Determinado momento estagnei e contínuo assim de um ano e meio para cá trabalho me sentindo estagnada
3. Estou em busca de novas oportunidades na área para sentir prazer em fazer o que faço novamente, porque aqui eu não tenho esperança
1. Não temos autonomia, por exemplo, se o contratante não quiser um estrangeiro, um homem, ou uma mulher para determinada função, mesmo que este tenha todas as competências indicadas para o cargo, o perfil psicológico, eu não tenho autonomia para o selecionar porque é o melhor. 2. Considero o clima muito competitivo entre
de progredir.
4. A elaboração das orientações estratégia da organização são departamentalizadas.
5. GRH não participa do processo, mas é cobrado pelo treinamento e desempenho do processo. 6. A falta de autonomia nos processos que dizem
respeito ao setor desmotiva.
7. Autonomia não temos, nem como setor, nem como profissionais, não existe diálogo, não existe comunicação o que existe é imposição que ou você segue, ou você é demitido.
meus colegas de profissão, mesmo diante das poucas oportunidades que surgem.
Fonte: Elaboração Própria
Comparando as duas realidades pode se evidenciar que os brasileiros se mostram satisfeitos especificamente com sua evolução e o seu crescimento profissional em termos de aprendizagem, experiência profissional adquirida, quando se trata de autonomia, demonstram total insatisfação. Os portugueses por sua vez evidenciam uma visão sistêmica para esta dimensão, consideram que dentro das atividades que lhes são atribuídas, possuem autonomia de ação para a maioria das situações, a falta de autonomia é citada isoladamente e vem associada a questões contratuais e não propriamente quanto à tomada de decisão para a resolução de problemas. Neste caso, e mais uma vez, os profissionais brasileiros demonstram completa insatisfação, se compararmos o número de citações negativas entre as amostras, são referidas três vezes mais menções de insatisfação, o que mostra que os profissionais portugueses apresentam uma visão mais clara de sua trajetória profissional associado ao papel que executam dentro das organizações.