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Além do Modelo Carnegie (tabela 9), que apresenta restrições, outros enfoques foram estabelecidos, abrangendo outras variáveis tais como os fatores psicológicos e emocionais – pressões afetivas, emoções, fatores de realização, expectativas intra e interpessoais e ambições – que influenciam no processo decisório. Podemos destacar os seguintes modelos:

5.12.1. Comportamental

Considera o processo decisório subordinado a diferentes expressões da razão, associadas aos sentimentos e emoções, com espaço particular para a intuição;

5.12.2. Incremental

Difere do modelo racional-compreensivo, visto que altera drasticamente as premissas que norteiam qualquer decisão. Logo, ele é apenas um incremento para correção da decisão anterior, segundo os objetivos pré-defenidos. Outro fator distintivo na tomada de decisão incremental refere-se à dimensão do incremento a ser adotado sobre a decisão de um período anterior. Entre as situações que inviabilizam as soluções incrementais, encontram-se: a insatisfação com as políticas adotadas, a descontinuidade da natureza dos problemas e dos meios existentes para lidar com eles.

5.12.3. Político

A tomada de decisão a ser implementada precisa de cooperação de todos os indivíduos que serão atingidos. Este modelo consiste em determinar o poder para se produzir efeitos por intermédio das pessoas. Para compreensão da decisão política, de acordo com Lindblon, é necessário separá-la em seus componentes e analisá-los separadamente.

Afirma Lindblon que

[...] o papel da análise no processo de decisão política é inevitavelmente limitado na medida em que a análise é falível; não se podem resolver completamente os conflitos a respeito de valores e interesses; é por demais lento e custoso e não se pode determinar, de modo conclusivo, quais os problemas que precisam ser abordados. (LINDEBLON apud MOTTA & VASCONCELOS, 2006 p. 119)

É necessário dar atenção para o risco de admitir, implicitamente, que o processo decisório ocorre de forma relativamente ordenada, considerando que cada parte esteja associada logicamente às outras.

5.12.4. Alerta

Os estudiosos que se baseiam em Fremont & Rosenzweig (1976) enumeram as seguintes percepções: a) ressalta a importância de ver um problema como alerta emitido pelo ambiente, sinais de mudança que chegam ao decisor. Estes podem dar idéia de novas metas, podem ser indício de um problema, mas também o presságio de uma oportunidade; b) estar atento a estes sinais, o decisor pode agir por antecipação, considerando, antes da ação, as implicações positivas e negativas desta; c)deduções feitas a partir de dados quantificados são referências importantes, mas não devem decidir no lugar do decisor; d) nem sempre a decisão é relevante. O decisor deve se perguntar sobre a importância da decisão antes de se preocupar com ela e das consequências se ela for descartada.

5.12.5. Intuição e decisão

Outros estudiosos, baseados em Motta e Vasconcelos (2002) e Fremont & Rosenweig (1976), afirmam que: a) decisão é uma sequência de análises e comparações, da qual resulta indicação das possíveis alternativas de ação, produzindo uma ou mais soluções para o problema; b) alternativas são submetidas a critérios e só são levantados os dados da alternativa que satisfazer o critério estabelecido; c) não há como separar a preferência pessoal de cada um em escolher uma entre várias alternativas que parecem igualmente boas; d) julgamento pessoal necessário na maioria das vezes porque não conhecemos a realidade por completo, devido à sua complexidade e ao tempo limitado para descobri-la.

5.12.6. Emocional

Tomamos decisões contrárias a nossos interesses econômico, mesmo cientes disso. Já na ausência de emoção é simplesmente impossível decidir. Conforme Damásio (1996) a formulação errada de Descartes ameaça a confiança das escolhas neste Século XXI. Não podemos nos surpreender, então, quando um guru como Malcoln Gladwell54 vem pregar –

apesar do crescente acesso à informação trazido pela tecnologia – as virtudes da decisão instintiva tomada, literalmente, num piscar de olhos?

54 Malcon Gladwell, jornalista britânico, autor de “Blink, a decisão num piscar de olhos” (Blink The Power of

Thinking Without Thinking,) analisa, de forma detalhada e fascinante, a importância do que chamamos de intuição. Trata das decisões instantâneas, da parte do nosso cérebro, conhecida como inconsciente adaptável, capaz de realizar raciocínios imediatos e chegar a conclusões antes que tomemos noção consciente do que está acontecendo. Trata a intuição como importante ferramenta de decisão, um diferencial que deve ser cada vez mais valorizado no mercado de trabalho e na vida pessoal.

Damásio (1996) demonstra em seus estudos que na ausência de emoção é impossível tomar qualquer decisão. Formulação errada de questões, conhecimento limitado, excesso de otimismo: a derrocada do homem racional de Descartes ameaça a confiança em nossas escolhas. O modelo teórico “Hipótese do Marcador Somático”, de Damásio, vem embasando estudo dos substratos neurológicos da Tomada de Decisão. Segundo concepções deste modelo, sinais emocionais atribuem valor a determinadas opções e cenários, funcionando como tendências ocultas ou evidentes, que induzem à decisão. Diante de uma situação de decisão, antes de aplicar qualquer análise de custo e benefício às situações e raciocinar visando à resolução do problema, o indivíduo depara-se com uma sensação corporal automática, que são os marcadores somáticos. Segundo Damásio (2003), a Teoria da decisão é processada a partir de duas rotas complementares: a) pressupõe ponderar opções para ação e antecipar resultados futuros através de estratégias de raciocínio; b) em paralelo, induz a ativação de experiências emocionais anteriores em situações semelhantes Neste último, a recordação de material emocionalmente relacionado, seja manifesto ou oculto, influencia o processo de Tomada de Decisão focando a atenção na representação de resultados futuros ou interferindo nas estratégias de raciocínio. Às vezes, o caminho B pode levar diretamente à decisão, como por exemplo, quando uma sensação somática incita uma resposta imediata. Desta forma, este modelo pressupõe uma clara integração entre os processos cognitivos e os processos emocionais.

Em A Quinta Disciplina, Peter Senge (1990) condensa com elegância a abordagem holística: “Indivíduos com alto nível de domínio intra e interpessoal evitam escolher entre a razão e a intuição, ou entre a cabeça e o coração, assim como não preferem caminhar com uma perna só ou ver com um olho só.” Afinal, piscar fica mais fácil quando usamos os dois olhos.

Para dois dos principais economistas da atualidade, Akerlof55 e Shiller, ha explicação

das emoções na tomada de decisão “Para entender como as economias funcionam e como gerenciá-las e prosperar, devemos prestar atenção nos padrões de pensamento que movem os “espíritos animais” e as idéias das pessoas.

Figura 10 modelo teórico “Hipótese do Marcador Somático de Damásio”, (1996)

Foram registradas, nas duas figuras a seguir, as decisões tomadas, a cada duas horas, para melhor compreensão, num dia normal de trabalho, por seis importantes gestores de conceituadas empresas. Percebe-se as áreas distintas (políticas, gerenciais, acadêmicas e Institucionais) verificadas no capítulo “O maestro do século XXI: o administrador”. Verifica- se como os administradores lidam com suas emoções e com as das pessoas (familiares, colaboradores, amigos) ao seu redor. Isto implica autoconsciência, motivação, persistência, empatia e entendimento e características sociais como persuasão, cooperação, negociações e liderança. Esta é uma maneira alternativa de ser esperto, não em termos de QI, mas em termos de qualidades humanas.

A eficácia do líder deve envolver, de um lado a qualidade das decisões e de outro a aceitação dessas decisões por parte dos subordinados.(...) Basicamente esse modelo supõe que a participação do interessado na decisão aumenta sua motivação em implementá-la. Essa cooperação deverá ser conseguida fornecendo ao subordinado o maior número possível de informações sobre o assunto ou tarefa em jogo. (Bergamini, 1994, p. 63)