Para Mintzberg, citado por Maximiano (2007) estudioso sobre atividades do administrador, agrupou os oito papéis em três: interpessoais, informacionais e decisórios.
3.6.1. Interpessoais
Envolve relações do gestor com indivíduos de dentro e de fora das organizações: colaboradores, colegas, chefes, clientes, autoridades, indivíduos da sociedade, fornecedores. Subdividem-se em: a) Imagem (símbolo), compreende todas as atividades nas quais o administrador age como um símbolo e representante de sua organização: falar em público,
comparecer a solenidades, relacionar-se com autoridades em nome da empresa. b) Líder, a liderança permeia todas as atividades gerenciais e não é uma atividade isolada. Todas as tarefas que envolvem persuasão, negociação, motivação e, de forma geral, relações humanas, sempre têm conteúdo de liderança, mesmo aquelas que não estão relacionadas com a condução da equipe de trabalho. c) Ligação, envolve a teia de relações humanas que o administrador deve manter, principalmente com seus pares. Por meio dessa teia ele mantém sua equipe integrada a outras. Permite o intercâmbio de recursos e informações necessárias para se trabalhar.
Para Mintzberg,
Os papéis interpessoais (símbolo, líder e agente de ligação) são aqueles que existem como decorrência direta da autoridade e status concedidos ao administrador em função de sua posição hierárquica formal e envolve basicamente suas relações pessoais dentro e fora da organização. (MINTZBERG, 1973, apud MAXIMIANO p. 139)
3.6.2. Informacionais
Ou seja, o processamento de informações em todas as suas atividades para tomar decisões, produzir ou analisar relatórios, avaliar desempenhos e trabalhar em grupos ou equipes. Subdividem-se em: a) Observador, compreende atividades que o administrador desempenha quando recebe ou procura obter informações sobre sua organização e no meio ambiente. Envolve a necessidade e a capacidade de lidar com uma grande variedade de informações, desde a literatura técnica até a informal denominada “Rádio-peão”. b) Difusor, da informação externa para dentro da organização, e da informação interna, de entre colaboradores. O administrador é responsável pela circulação interna das informações. c) Porta-voz, transmissão de informação de dentro para fora da organização.
Nos papéis informacionais (observador, difusor e porta-voz) o administrador é colocado como centro da rede de informações, sendo este fato explicado em função dos contatos interpessoais decorrentes do papel essencialmente interpessoal por ele exercido. (MINTZBERG, 1973, apud MAXIMIANO p. 139)
3.6.3. Decisórios
Tomar decisões é a essência do trabalho de administrar. As tarefas de planejar, organizar, liderar, executar e controlar são todas feitas de decisões interligadas. Subdividem- se: a) Empreendedor, o administrador atua como iniciador e planejador da maior parte das mudanças controladas em sua organização. Podem incluir melhoramentos na organização e a identificação e aproveitamento de novos negócios. b) Controlador de distúrbios, que são situações que estão parcialmente fora do controle gerencial, como eventos imprevistos, crises
ou conflitos. O administrador deve desempenhar o papel de controlador de distúrbios. c) gestor de recursos, alocação de recursos é o coração do sistema de formulação de estratégias de uma organização. A administração de recursos compreende administrar o próprio tempo, programar o trabalho alheio e autorizar decisões tomadas por terceiros. d) Negociador, frequentemente é o administrador quem lidera negociações com clientes, credores ou empregados individuais. Para lidar com essas situações, o administrador desempenha o papel de negociador.
Ainda para Mintzberg,
Papéis decisórios (empreendedor, regulador, distribuidor de recursos e negociador),
onde a autoridade formal do gerente exige que ele discuta e decida sobre os caminhos da organização. A síntese desses papéis nega que o trabalho do gerente, no contexto da crise, seja ordenado, contínuo, seqüencial, homogêneo, além de não ser derivado de suas próprias iniciativas nem de sua vontade transformada em decisões. (MINTZBERG, 1973, apud MAXIMIANO pág. 140)
Figura 5 Papéis segundo Mintzberg, adaptada de Maximiano (2007).
Observa-se que competências interpessoais estão presentes e são inerentes nas habilidades e nos papéis. Por exemplo, no momento de exercer sua habilidade humana ou o papel produtor o administrador tem como uma de suas atribuições motivar os colaboradores, função que só poderá ser bem exercida se tiver excelente relacionamento interpessoal. Na habilidade técnica e no papel de coordenador é o responsável por passar credibilidade aos colaboradores, ajudar nos trabalhos em equipe, funções onde o relacionamento interpessoal é fundamental.
Para ilustrar esses papéis descrevemos um drama cinematográfico “Apollo 13” com tradução em português Apollo 13 – do desastre ao triunfo.
Durante uma missão espacial corriqueira da NASA, três astronautas americanos a caminho de uma missão na lua sobrevivem a uma série de problemas com a nave e
precisam retornar rapidamente ao planeta Terra, pois correm o risco de ficarem sem oxigênio. Além deste problema, mesmo retornando, a nave pode ficar seriamente danificada, por não suportar o imenso calor na reentrada da órbita terrestre. O líder da missão possuía objetivos individuais bem definidos para lutar por eles. Mostra também a forma como mentor validava sua equipe valorizando o grupo e o papel desempenhado pelos astronautas. Também demonstra o compromisso com a qualidade dos resultados apresentados, que é uma preocupação do líder. Uma das cenas evidencia a clareza do papel de facilitador sabendo utilizar a liderança situacional31 para coordenar sua equipe, ora adotando um estilo, ora outro.
Neste novo século, a riqueza é o produto do conhecimento, o chamado capital intelectual. O conhecimento e a informação – não apenas o conhecimento científico, mas a notícia, a opinião, a diversão, a comunicação e o serviço – tornam-se matéria primas básicas e os produtos mais importantes da economia em seu período mundializado. Compramos e vendemos conhecimento, não podemos cheirar ou tocar, o clicar de um simples toque num controle de televisão é o resultado de uma administração inteligente. Hoje, os ativos capitais necessários à criação de riquezas não são a terra nem o trabalho físico, muito menos ferramentas mecânicas e fábricas: ao contrário, ativos baseados na somatória de conhecimentos que geram inteligência e sem a inteligência emocional e seus quesitos intra e interpessoal a economia está fadada ao caos.
Segundo Maria Tereza Fleury, diretora da escola de Administração da FGV em São Paulo:
[...] novas frentes de trabalhos se abrem neste século XXI e o administrador terá grandes chances de se sobressair pela sua visão global. Para isso o profissional deverá ser dinâmico a ponto de se envolver em ações políticas, sociais, econômicas, enxergando além dos muros corporativos. (FLEURY, 2009, p. 22).
Desta maneira podemos conceituar o administrador como um indivíduo cuja principal obrigação é dirigir, como um maestro, o comportamento dos outros; ele deve ser capaz de planejar metas do grupo que coordena e de organizar as atividades desse mesmo grupo de maneira eficaz que conduza às metas estabelecidas; deve possuir a aptidão de tomar constantes decisões que digam respeito a tais objetivos e aos meios escolhidos para alcançá- los, buscando, ainda, conquistar a aceitação para suas tomadas de decisões; e deve finalmente, conseguir torná-las efetivas na prática.
Para Chiavenato, em entrevista realizada em fevereiro de 2009,
[...] a crise mundial que enfrentamos agora, o futuro parece incerto e pouco animador. Por outro lado, em situações estruturais e duráveis o futuro do graduado em administração constitui um horizonte maravilhoso, uma espécie de céu de brigadeiro. Afinal boa parte de todo o incrível surte de desenvolvimento econômico e da melhoria da qualidade de vida aconteceu no decorrer do século XX foi alcançado graças ao surgimento da administração moderna. Para transformar suas
31 O papel do líder neste novo milênio é mais de mentor, de guia de orientador. Este estilo divide-se em direção,
invenções em produtos disponíveis para o mercado – seja na TI, engenharia, medicina, farmácia, as profissões precisam de organizações capazes de transladar suas descobertas e invenções em produtos e serviços que possam ser projetados, produzidos e comercializados. E é ai que entre o administrador moderno: o elemento indispensável para isso acontecer. (CHIAVENATO, 2009, p. 23)
Na verdade, e em poucas palavras, o administrador é o indivíduo a quem os outros recorrem para solucionar seus problemas.