2 Communication Fundamentals
2.1 General Communication Fundamentals
Coordenadora- Maria Gouveia Pereira, Instituto Superior Psicologia Aplicada (ISPA-IU) Discussante - Cristina Martins, Instituto Superior Psicologia Aplicada (ISPA-IU)
As profundas transformações económicas, culturais e sociais ocorridas nas últimas décadas na sociedade portuguesa têm implicações psicológicas e emocionais tanto a nível individual como familiar. Todas estas mudanças obrigam a novos olhares sobre a diversificação e complexificação dos modelos familiares e dos processos psicológicos subjacentes à emergência dos comportamentos de risco. Uma abordagem eco-sistémica permite uma maior conhecimento e compreensão sobre o meio envolvente do individuo/adolescente, nomeadamente sobre as dinâmicas familiares e o grupo de pares, que podem assumir um papel protetor ou de risco nos comportamentos do adolescente. Quatro comunicações de Gouveia-Pereira e colaboradores mostram que, por um lado os comportamentos de delinquência estão relacionados com o (dis)funcionamento familiar e variáveis individuais, tais como o autocontrolo e a impulsividade; por outro lado, constatamos que a qualidade da relação familiar menos positiva é um fator etiológico relevante na depressão e ideação suicida dos filhos/adolescentes. Constatamos ainda que, as famílias com desemprego apresentam níveis mais elevados de ideação suicida do que as famílias com emprego, bem como o funcionamento
familiar é uma variável mediadora da relação entre o estatuto da família (com ou sem emprego) e a ideação suicida nos elementos familiares (pai, mãe e filho(a)/adolescente).
Finalmente, C. Martins reflete sobre os resultados de um estudo em que constata que as dependências das drogas nos rapazes e as perturbações alimentares nas raparigas, são perspetivados como uma procura de adaptação a valores sociais e familiares, refletindo crises da pós-modernidade na transição dos indivíduos para a vida adulta e desafios específicos dos "tornar-se homem" e do "tornar-se mulher".
ODESVIOJUVENILEOFUNCIONAMENTOFAMILIAR:RELAÇÃOMEDIADA
PELOAUTOCONTROLO
Hugo Gomes & Maria Gouveia-Pereira
ISPA-IU (Instituto Superior de Psicologia Aplicada)
Neste trabalho analisámos o efeito do funcionamento familiar no comportamento desviante dos adolescentes. Para isto, consideramos a Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990) que explica o comportamento desviante como uma manifestação da falta de autocontrolo dos seus actores. Não obstante Gottfredson e Hirschi (1990) atribuem grande importância ao contexto familiar. No entanto, a forma como a família se relaciona com o comportamento desviante é bastante discutível, se por um lado, autores como Olson (2000) descrevem uma relação curvilínea, outros têm vindo a demonstrar uma relação linear entre a desviância e, por exemplo, níveis mais baixos de coesão familiar (e.g. Minuchin, 1988).
A amostra em estudo foi constituída por 206 alunos de escolas da cidade de Lisboa, com idades compreendidas entre os 12 e 18 anos de idade. Os participantes responderam: Escala de Avaliação da Flexibilidade e Coesão Familiar (FACES IV) (Olson, 2011); Escala de autocontrolo (Fonseca, 2002) e Escala de Comportamentos Desviantes (Sanches & Gouveia- Pereira, 2013).
A análise dos resultados demonstrou uma relação linear entre o funcionamento familiar e a desviância juvenil, mais recorrente em relacionamentos familiares com níveis extremamente baixos de coesão familiar e extremamente elevados de flexibilidade familiar. Mas, por outro lado, o funcionamento familiar relacionou-se de forma curvilínea com o autocontrolo, tal como proposto no Modelo Circumplexo de Olson (2000). Além disto, pudemos ainda verificar a presença de um modelo de mediação, em que o efeito do funcionamento familiar no comportamento desviante juvenil foi mediado pelo autocontrolo dos jovens.
Hugo Gomes [email protected]
ADICÇÕES DOTORNAR-SEADULTONAPÓS-MODERNIDADE:
FAMÍLIAEGÉNERONOUSOEABUSODEDROGASEDIETAS Ana Cristina Martins
Equipa de Tratamento (de toxicodependentes) do Eixo Cascais-Oeiras ARS- Lisboa e Vale do Tejo/FPCEUP
Esta comunicação assenta nos resultados de um estudo qualitativo interdisciplinar, entre a Psicologia e as Ciências Sociais, sobre comportamentos adictivos típicos da adolescência, a família e o género. O quadro de referência teórico é a Adictologia, um campo de estudo e de intervenção interdisciplinar sobre as dependências, incluindo as dependências sem substância, adoptando a perspectiva de que este tipo de perturbações se referem a um certo tipo de relação com um objecto, experiência ou conduta. O contexto histórico e sociocultural no qual a adicção, nas suas diversas formas, se desenvolveu, desde os anos sessenta nas sociedades ocidentais, corresponde a uma fase de mudança do sistema familiar, com novas estruturas, papéis e
padrões relacionais, e também a um período de grandes transformações das identidades e papéis de género. As dependências de drogas nos rapazes e as perturbações alimentares nas raparigas, na sua incidência assimétrica no género, são perspectivados como uma procura de adaptação a valores sociais e familiares, reflectindo crises da pós-modernidade na transição dos indivíduos para a vida adulta, e desafios específicos do «tornar-se homem» e do «tornar-se mulher». Uma falta de confiança e de coerência mínimas na relação entre os adolescentes, a família e o contexto social parecem ligar-se à paragem do desenvolvimento, numa confusão de papéis e paradoxos que os encerram entre medo e o desejo de crescer, buscando a autonomia e cristalizando a dependência.
Equipa de Tratamento (de toxicodependentes) do Eixo Cascais-Oeiras ARS- Lisboa e Vale do Tejo/FPCEUP
Rua das Folias, 63, Penedo, 2786-528 S. Domingos de Rana [email protected]
EFEITOSDODESEMPREGOANÍVELINDIVIDUALEFAMILIAR
Maria Gouveia-Pereira, Cláudia Martins, Hugo Gomes, & João Pena
ISPA-IU (Instituto Superior Psicologia Aplicada)
A taxa de desemprego em Portugal tem vindo a aumentar, sendo a terceira maior taxa dos países que integram a ODCE. Este facto, tem implicações económicas, sociais, psicológicas e emocionais tanto a nível individual como a nível familiar. O desemprego leva ao aumento de sintomas depressivos nos pais e o seu estado emocional afeta o envolvimento parental e toda a dinâmica familiar (Yoder & Hoyt, 2005; Samm et al.,2009; Kolves, 2010), tornando-se menos cuidadores e mais punitivos na relação com os filhos (Khang et al. 2005). Estes comportamentos dos pais estão associados com a auto-estima, os sintomas depressivos e a ideação suicida dos filhos adolescentes (Yoder & Hoyt (2005), Samm et al. (2009), Au et al. (2009).
Contudo, não existem estudos que mostrem de forma clara qual o impacto do desemprego no funcionamento familiar ao nível da coesão e da adaptabilidade, segundo Olson ( 2011), quer a nível individual quer a nível familiar.
Assim, temos como objetivo analisar os efeitos do desemprego no funcionamento familiar, na sintomatologia depressiva e na ideação suicida em famílias com desemprego (pai, mãe, filho/adolescente).
A nossa amostra será constituída por famílias com filhos adolescentes onde um ou ambos os elementos do casal estejam desempregados e famílias com emprego.
Instrumentos: FACES IV (Gorall, Tiesel & Olson, 2006), BDI-II (Beck, Steer & Brown, 1996), Questionário de Ideação Suicida (Q.I.S) (Ferreira & Castela1993/94).
Esperamos que os nossos resultados apresentem diferenças significativas entre as famílias com desemprego e famílias com emprego. Os resultados serão discutidos à luz da literatura.
Maria Gouveia-Pereira
Rua Jardim do Tabaco, nº 34 - Lisboa [email protected]
SERÁQUEPORPERSPETIVAROFUTUROSOUMENOSDESVIANTE?
Filipa Roncon & Maria Gouveia-Pereira
ISPA-IU (Instituto Superior Psicologia Aplicada)
O objetivo deste estudo foi analisar o efeito mediador da Orientação para o Futuro, na relação entre Impulsividade e Desvio, bem como analisar as diferenças ao nível do Desvio, entre os adolescentes com e sem contacto com a justiça portuguesa.
Por Perspetiva Temporal entende-se o conceito cognitivo-motivacional que se refere a pensamentos e atitudes face ao passado, ao presente e ao futuro (Mello et al., 2009); por impulsividade entende-se uma predisposição para reações rápidas e não planeadas a estímulos internos ou externos, sem que o indivíduo tenha em conta as consequências negativas que advêm dessas reações, para si próprio ou para os outros (Moeller et. al., 2001). Consideramos o desvio quando os adolescentes cometem comportamentos ilegais, que segundo o (Hirschi, 1969) acontecem quando os laços que ligam o indivíduo à sociedade são demasiado fracos. Os dados foram obtidos mediante a participação de 126 adolescentes, entre os 12 e os 18 anos de idade. Os participantes completaram as seguintes escalas: Escala de Comportamentos Desviantes (Sanches & Gouveia-Pereira, 2013); Escala de Orientação Temporal e BIS11 – Barratt Impulsiveness Scale 11.
Os resultados evidenciaram que a orientação para o futuro medeia a relação entre impulsividade e comportamentos desviantes, quanto mais orientação para o futuro manos impulsividade e menos comportamentos desviantes. Os adolescentes que têm duas ou mais medidas tutelares praticam mais comportamentos desviantes que os adolescentes que têm apenas uma.
Filipa Roncon Instituição: ISPA-IU [email protected]
QUALIDADEDARELAÇÃOFAMILIAR,DEPRESSÃOEIDEAÇÃOSUICIDANA
ADOLESCÊNCIA
Bruno Silva & Maria Gouveia-Pereira
ISPA-IU
Este trabalho tem como objectivo principal analisar o impacto da qualidade da relação familiar na depressão e na ideação suicida. Concomitantemente, analisa-se seexistem diferenças do género na qualidade da relação familiar, depressão e ideação suicida.
Patriciparam 145 adolescentes, 73 rapazes e 72 raparigas (média = 14,98; desvio-padrão = 0,87) , com ferquência no 8º, 9º e 10º anos de escolaridade.
Relativamente ao primeiro objectivo enunciado, os resultados obtidos permitiram constatar que a qualidade da relação familiar menos positiva é um factor etiológico relevante na depressão e na ideação suicida. Verificou-se, também, que a depressão, independentemente de resultar de uma dinâmica familiar desajustada, constitui um factor de risco na emergência da ideação suicida nos adolescentes. Assim, a harmonia familiar, operacionalizada em relações familiares percepcionadas pelo adolescente como de qualidade positiva, confere à família um carácter protector do aparecimento/desenvolvimento da depressão, assim como reduz a probabilidade de o adolescente apresentar ideação suicida. Desta forma, a percepção de uma boa qualidade das relações familiares desempenha um papel central na prevenção tanto da depressão como do suicídio e consequentemente, na ocorrência de comportamentos auto-destrutivos.
No que concerne ao segundo objectivo, verificámos que não existem diferenças entre o,s adolescentes do género feminino e masculino, no que respeita à percepção da qualidade da relação familiar, intensidade da depressão e ideação suicida.
Bruno Manuel de Oliveira Morão Lopes da Silva Instituto Superior de Psicologia Aplicada - ISPA-IU Avenida José Malhoa, nº2, esc. 3.6, 1070-325 Lisboa [email protected]