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2   Communication Fundamentals

2.4   VSAT Equipment for a vessel

2.4.2   Above Deck Equipment

Coordenação Ianni Regia Scarcelli- Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo,

Brasil

As ações do psicólogo e a abrangência do campo da Psicologia ampliaram-se no Brasil a partir de reformas de Estado, influenciadas por movimentos sociais organizados durante o regime militar, na década de 1970. Os movimentos de Reforma Sanitária e Psiquiátrica foram protagonistas no processo de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). Estudos indicam que a atuação do psicólogo desenvolveu-se mais intensamente a partir do SUS, cujos princípios valorizam novas modalidades de atenção à saúde, nas perspectivas interdisciplinar, interprofissional e intersetorial. Na década de 1990, a Psicologia passa a pertencer oficialmente à área de saúde. Suas ações em colaboração com outros profissionais desenvolvem-se nos serviços de saúde (atenção primária, saúde mental, gestão, por exemplo) e/ou na interface com setores (arte, educação, assistência social, esporte, etc.) como formas criativas de trabalho, mas não sem obstáculos que se expressam numa dinâmica que oscila entre prazer e sofrimento. Os trabalhos que serão discutidos dedicam-se a temas dessa ordem e são parte de um Grupo de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da USP que se ocupa, entre outras questões, em estudar: o distanciamento entre a formação dos cursos de graduação em Psicologia e as diretrizes para o cuidado definidas pelo SUS; ressonâncias das políticas públicas sobre a vida de gestores, profissionais e usuários dos serviços de saúde; como a Psicologia, campo de conhecimento, contribui à compreensão das formas como políticas públicas se inserem na rotina dos serviços e as estratégias de que os diversos atores envolvidos se utilizam para aplicá-las.

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FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA PARA ATUAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE: REFLEXÕES A PARTIR DA ANÁLISE DE DOIS CURSOS DE GRADUAÇÃO

Tatiana de Aquino Mascarenhas

Universidade de São Paulo – Instituto de Psicologia – Programa de Pós Graduação em Psicologia Social - Brasil

No Brasil, ao longo da década de 70, a psicologia se tornou alvo de críticas, em função da preferência dos psicólogos pela atividade clínica privada, identificada como uma atividade de luxo e descomprometida com os problemas sociais. No entanto, levantamentos recentes apontam novas modalidades de ocupação profissional do psicólogo brasileiro, com grande número de profissionais assalariados, inseridos em instituições de saúde, especialmente as públicas. A despeito dessas mudanças, inúmeros estudos apontam para o descompasso entre a formação oferecida nos cursos de graduação em Psicologia e aquilo que o Sistema de Saúde brasileiro tem como diretrizes para o cuidado à saúde. Desse modo, é nosso interesse discutir o papel que as universidades têm assumido no que se refere à formação dos futuros psicólogos e, especialmente, como o tema da saúde tem comparecido em cursos de Psicologia. Para tanto, temos realizado uma análise de documentos de duas universidades públicas brasileiras, atentando para o tratamento que esses cursos têm dado ao tema da saúde e de que forma ele tem sido incluído nas diferentes disciplinas, estágios e demais atividades acadêmicas. Acreditamos que essas discussões acerca da a formação do psicólogo têm o potencial de fortalecer modos de investigação e prática em Psicologia voltados para uma atenção integral à saúde, que ofereçam uma alternativas aos olhares biologizantes e medicalizantes sobre os sujeitos.

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E ASSISTÊNCIA EM SAÚDE MENTAL: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARA UMA REFLEXÃO CRÍTICA

Allan Saffiotti

Universidade de São Paulo – Instituto de Psicologia – Programa de Pós Graduação em Psicologia Social - Brasil

Esta comunicação tem como objetivo discutir a organização do trabalho adotada em instituições de atenção em saúde mental através da apresentação de vivências do cotidiano de trabalhadores e refletir sobre adoecimento destes e a burocratização do cuidado. As tensões e contradições inerentes ao campo da Saúde Mental são encarnados por seus atores, que possuem formações e compreensões de saúde diferentes e conflitantes. A organização do trabalho, parte deste campo, ora aponta para relações mais horizontais, ora as verticaliza, centralizando o poder decisório em poucas pessoas. Os Centros de Atenção Psicossocial propõem o cuidado ao sujeito psicótico levando em consideração seu desejo e visando sua autonomia. A cessão dos serviços de saúde a entidades do setor privado trouxe graves consequências, já que deixam de ter como alvo o bem-estar, organizados sob uma lógica neoliberal. Os profissionais são pressionados a ter “produtividade”, levando à criação de relações frias e “mercadológicas”: a “saúde” passa a ser um produto e o usuário do serviço se reduz a “consumidor”. Como consequência, temos adoecimento dos trabalhadores e desenvolvimento de estratégias defensivas acompanhadas por um aumento do sofrimento subjetivo e neutralização da mobilização coletiva. Os trabalhadores também criam estratégias para dar campo à inteligência prática e engajamento no trabalho, como, por exemplo, através da cooperação mútua e reconhecimento. Discutiremos a contribuição da Psicologia na sustentação de uma reflexão crítica dos processos de trabalho como parte importante na construção de uma sociedade mais democrática e mais equânime.

PSICOLOGIA E SAÚDE COMO CAMPO DE INTERROGAÇÕES Rebeca de Cassia Daneluci

Universidade de São Paulo – Instituto de Psicologia – Programa de Pós Graduação em Psicologia Social - Brasil

O presente trabalho consiste na problematização da relação entre a Psicologia e a Saúde, a partir dos seguintes questionamentos: quais diferenças e proximidades entre essas áreas? A existência de uma remete a outra? Para tanto, apresentaremos as mudanças ocorridas no interior da Psicologia, tanto teóricas como de modelos e locais de atuação, com foco na área da Saúde, para chegarmos ao ponto mais preciso da nossa discussão, o qual se refere às fragmentações no interior do próprio campo da Psicologia. Como argumento para nossa defesa, utilizamos o conceito/campo interdisciplinar de Saúde, no qual a Psicologia deveria ser parte integrante. Ou seja, em nosso entender não haveria uma Psicologia sem uma concepção embasada de Saúde e vice-versa, remetendo, desta forma, a existência de uma a existência da outra. Pretendemos com este trabalho abrir questionamentos quanto aos lugares ocupados pelos psicólogos e à forma como isto tem sido feito, considerando o momento atual, em que se torna cada vez mais difícil estabelecer uma identidade profissional sem recorrer às especialidades. Deste modo, o psicólogo se definiria como um profissional de Saúde, e apesar das diferenças entre as profissões, passaríamos a considerar também as similaridades, haja vista todos serem profissionais de Saúde e a política ser igual a todos. Talvez o desafio seja ser profissional da Saúde (com atribuições gerais a todos os profissionais) e ser, concomitantemente psicólogo (com as singularidades de sua profissão).

UMA EXPERIÊNCIA ARTÍSTICO-POLÍTICA EM PSICOLOGIA SOCIAL PELA ARTE DA DANÇA E DA EXPRESSÃO CORPORAL: A OFICINA DE DANÇA E

EXPRESSÃO CORPORAL COMO AÇÃO DE PROMOÇÃO DE SAÚDE. Tatiana Alves Cordaro Bichara

Universidade de São Paulo – Instituto de Psicologia – Programa de Pós Graduação em Psicologia Social – Brasil; Universidade Nove de Julho – Brasil

Objetiva-se compartilhar uma experimentação metodológica em psicologia social, na perspectiva da promoção da saúde, pelo diálogo com o campo da arte: a Oficina de Dança e Expressão Corporal atua a partir de três princípios: 1. Ser um grupo informal, aberto (a todos que queiram dançar), gratuito e heterogêneo (visando a convivência com a diferença); 2. Pela ocupação e uso do espaço público de cultura 3. Pela arte da dança e da expressão corporal, visando construir uma estética da inclusão, uma arte em que todos cabem, de formas singulares e não discriminatórias. Os ensaios semanais da Oficina acontecem em uma sala totalmente envidraçada, localizada no centro da cidade de São Paulo, voltada para a rua. Essa experiência vem permitindo uma exploração estética, ética e política e a criação de uma arte provocativa e interventiva na cidade, que permite ao grupo transitar, fazer pontes e abrir passagens, para além do público e do privado, da arte e da psicologia, de si e do outro, do dentro e do fora, da sanidade e da loucura, etc. Esse movimento é dado pelo processo grupal de compor os espaços com movimentos dançados, ocupando a cidade, criando um lugar ponte para novas possibilidades de ser sujeito e potencializar a vida. Assim, a Oficina de Dança pode ser entendida como promotora de saúde porque permite, aos seus participantes e aos que a assistem, a vivência de encontros intensivos e a possibilidade da criação de laços de perseveração da vida pela potência de experimentar bons encontros.

PSICOLOGIA, POLÍTICAS PÚBLICAS E A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO: RELAÇÃO DIALÉTICA ENTRE SUBJETIVIDADE E PROCESSOS DE

TRANSFORMAÇÃO SOCIAL Roberta Boaretto

Universidade de São Paulo – Instituto de Psicologia – Programa de Pós Graduação em Psicologia Social – Brasil; Faculdade de Medicina do ABC - Brasil

No Brasil, as práticas em saúde podem ter como eixo a Saúde Coletiva, campo de atuação estruturado pela concepção do processo saúde-doença determinado socialmente. Conceitos como cidadania, sociedade civil e democracia fazem parte deste eixo teórico. A participação de psicólogos nos chamados movimentos sociais é imprescindível não só para a promoção da saúde, bem como para concretizar processos de transformação social que visem a autonomia dos sujeitos com quem se trabalha. A questão inicial para a discussão, a partir dessa reflexão, focará a inserção dos psicólogos nos movimentos, a relação entre os sujeitos, sua organização em grupos, sua prática política, as modificações no âmbito do social e os reflexos em seu processo de constituição. Assim, pretende-se abordar a relação dialética entre a subjetividade de psicólogos participantes de movimentos da Saúde Mental no Brasil e o processo de transformação social que pode ou não ser promotor de saúde, decorrente de sua prática política. A discussão versará sobre as motivações para que os sujeitos participem dos movimentos, quais suas estratégias para permanecer nos grupos ou o que os desmobiliza a participarem, quais são os espaços em que ocorre sua prática política e como a subjetividade é afetada por esses processos, repercutindo na saúde mental.

Regia Scarcelli

Nome da instituição a que pertence: Universidade de São Paulo

Morada onde pretende receber correio: Rua Desembargador Aragão, 248, 11A [email protected]

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SIMPÓSIO: “COMUNICAÇÃO EM SAÚDE: DESAFIOS ACTUAIS”