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A lucratividade das empresas do ramo financeiro está entre as maiores do país. Referente às empresas de capital aberto do Brasil, os bancos estão no topo da lista. Estudo elaborado pela consultoria Economática aponta que somado o lucro dos 25 bancos brasileiros é atingido R$ 49,44 bilhões, entre janeiro a setembro de 2011. O valor representa um avanço de 14,48% em relação ao ano anterior e 39,4% do valor total acumulado pelo grupo das companhias de capital aberto (Folha.com, 2012).

Segundo estudo divulgado pelo DIEESE e a CONTRAF-CUT (2012), em 2011, os cinco maiores bancos apresentaram um lucro líquido total superior a R$ 50,7 bilhões,

com crescimento de 9,8% em relação ao ano de 2010. Destacam-se, em valor absoluto, o lucro atingido pelo Itaú Unibanco (R$ 14,6 bilhões), o resultado do Banco do Brasil (R$ 12,1 bilhões) e o lucro do Bradesco (R$ 11 bilhões), os maiores lucros do Sistema Financeiro Nacional (vide tabela 7). Tais resultados apontam, ainda, para as maiores rentabilidades apresentadas entre todos os setores da economia nacional

Tabela 7

Lucro Líquido dos Cinco Maiores Bancos (Dez. 2011 - em milhares de reais): Dezembro

Banco

2010 2011 Variação %

Banco do Brasil 11.703.185,00 12.125.990,00 3,6%

Caixa Econômica Federal 3.764.411,00 5.182.525,00 37,7%

Bradesco 10.021.673,00 11.028.266,00 10,0%

Itaú Unibanco 13.322.963,00 14.620.621,00 9,7%

Santander (IFRS) 7.382.574,00 7.755.853,00 5,1%

Total 46.194.806,00 50.713.255,00 9,8%

Extraído de DIEESE/ CONTRAF-CUT (2012).

O Lucro do Itaú Unibanco, por exemplo, é o maior lucro da história dos bancos brasileiros de capital aberto. O resultado, ainda, foi maior que o lucro do próprio banco registrado em 2010, quando atingiu R$ 13.3 bilhões (alta de quase 10%).

Todavia, o banco que registrou o melhor resultado em termos de crescimento do lucro líquido foi a Caixa, com alta de 37,7%. O Banco do Brasil, apesar do valor também elevado, de mais de R$ 12 bilhões, apresentou a menor evolução nos seus lucros, relativamente a 2010, crescendo pouco mais de 3,6%.

3.1.1 Processo de Automação no Setor

Os dados sobre o setor bancário apontavam para 483 mil trabalhadores, em 2010, de acordo com estudo realizado pelo Dieese (2011), estimando-se 507 mil, em 2011 e em 508 mil no primeiro trimestre de 2012. Contudo, o número já foi bem superior

ao atual. Em 1990, a categoria contava com 732 mil bancários. Já em 2001, este número foi reduzido para 393 mil empregados.

Gráfico 2 - Evolução do emprego bancário, de 1990 a 2012 Extraído de DIEESE (2012)

Essas mudanças são resultantes da reestruturação produtiva ocorrida no setor, a partir da década de 1990. As novas tecnologias inseridas naquele período, principalmente, a microeletrônica e a informática são apontadas como responsáveis pela automação de diversos processos de trabalho, anteriormente realizado por bancários: “Entre os anos 70 e 90, um intenso movimento de criaçao e extinção de postos de trabalho acompanhou a adoção dos processos automatizados e as novas formas de organização do trabalho” (JINKINGS, 2006; p.114).

Segundo o autor, os movimentos de automatização e de reorganizaçao do trabalho afetam, agudamente, os níveis de emprego no setor bancário e intensificam o trabalho (JINKINGS, 2006; p.124).

A automação dos serviços transferiu parte considerável do trabalho bancário aos clientes, modificando, profundamente, o setor. Atualmente, a internet já se transformou no principal canal procurado pelos clientes para a efetivação de transações bancárias.

Segundo pesquisa realizada pela Febraban, a opção pelas transações bancárias via internet atingiu 25%. O meio remoto é, até mesmo, superior aos lançamentos efetuados, automaticamente, por sistema (cobranças de taxas e impostos). Os serviços de mobile banking cresceram 49% em 2011, alcançando 3,3 milhões de correntistas. A estimativa da Febraban é que, com a popularização dos smart-phones e a descoberta dos tablets, os serviços bancários por meio de dispositivos móveis devem ser tão expressivos quanto a internet, a partir de 2018. (Zero Hora, 2012).

Os dados mostram que, em 2011, 42 milhões de correntistas usaram a internet para acessar os serviços bancários (internet banking), 11% a mais que em 2010 (38 milhões). Em 2002, os correntistas que tinham acesso a esse meio de utilização não passavam de 9 milhões. Segundo a Febraban, a média de crescimento anual foi 18% (Albuquerque, Agência Brasil, 2012).

Segundo a pesquisa, o número de terminais de autoatendimento (ATM), em 2011, chegou a 182 mil, contra 179 mil em 2010. O estudo aponta ainda que a taxa de penetração dos ATM no Brasil já chegou a níveis semelhantes aos observados em outros países. Em 2010, o Brasil tinha 9,1 terminais para cada 10 mil habitantes, com 4.295 transações por mês. Nos Estados Unidos, são 13,8 terminais, com 2.303 transações por mês. Na Austrália, são 10,2 terminais para cada 10 mil habitantes (dados de 2011), com 2.526 transações por mês (Albuquerque, Agência Brasil, 2012).

Uma das consequências desta transformação é a redução vertiginosa de trabalhadores no setor e a diminuição da procura pelas agências por parte dos clientes para efetivaçao de alguns serviços, como a compensação de cheques, por exemplo, que caiu 10%, em 2011.

A Contraf-CUT (2011) avalia que o leve crescimento verificado nos últimos anos para total de 483 mil bancários, como o verificado em 2010, se refere a transformação do bancário no interior das agências, que passou a atuar como um legítimo vendedor de produtos (CONTRAF-CUT - Caderno de Subsídios Campanha 2011).

3.1.2 Emprego e Desemprego no Setor Bancário

Segundo dados do Caged (2011), o setor bancário gerou 23.599 empregos em 2011. Toda a economia foi responsável por 1.944.560 novos empregos. Isso significa que os bancos foram responsáveis por 1,21% do total gerado em toda a economia.

Apesar da criação de 23.599 novos postos de trabalho em 2011, a PEB, elaborada pela subseção do Dieese na Contraf-CUT, também, mostrou, como já dito anteriormente, que as instituições financeiras intensificaram a estratégia de reduzir a folha de pagamento por meio da rotatividade.

Nesta perspectiva, o bancário admitido recebeu salário, em média, 40,87% inferior ao dos trabalhadores desligados, enquanto que, em todos os setores da economia, essa diferença é de 7,1%.

Gráfico 3 - Diferença de remuneração entre admitidos e desligados, no setor bancário e em toda economia - Brasil – 2009 a 2011

Fonte: MTE. Caged Extraído de: DIEESE (PEB, 2012)

O instrumento para implementar essa política, que diminui o salário dos bancários para aumentar os lucros dos bancos, foi à demissão sem justa causa, motivo de 50,19% do total de 36.371 desligamentos no ano.

“O problema maior que vejo no banco depois da fusão é a gestão das pessoas. O operador de telemarketing não é visto como alguém que mereça um tratamento mais respeitoso. Aonde eu trabalho tem poliglotas, médicos e parece que eles não percebem isso. Tem pessoas com trabalho paralelo, como é o meu caso, que atuo na área de minha formação acadêmica. O que ainda me segura no banco é que você tem os benefícios, participação nos lucros e resultados, dois vales, refeição e alimentação e uma carga horária menor. A minha remuneração bruta atualmente é cerca de R$ 3.000.00. É justamente este fator que estão levando em consideração no momento. Estão contratando pessoas com a mesma função que a minha pagando a metade do que recebo. A ideia é aos poucos ir eliminando quem ganha mais” (Teleoperador bancário nº6, 08 abr 2012).

Segundo outros dados da pesquisa, em 2011, a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.430,57, enquanto a dos desligados foi de R$ 4.110,26, uma diferença de 40,87%. No ano anterior, a diferença era de 37,60%.

“Isso demonstra o acirramento da estratégia espúria dos bancos de utilizar a rotatividade para reduzir a despesa de pessoal”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. “É uma política que prejudica toda a categoria, deixando os bancários permanentemente em tensão por medo de demissões. Enquanto isso, os cinco maiores bancos registraram um lucro líquido de R$ 50,7 bilhões, em 2011, número 9,8% maior do que no ano anterior, e aumentaram a remuneração de seus executivos” (CONTRAF-CUT, 2012). A Febraban alegou, em nota, que em relação ao salário médio de um trabalhador que está se desligando de uma instituição financeira, observa-se que esse sempre será maior comparado ao daquele que está ingressando, pois, o funcionário que está saindo já teria cumprido com um plano de carreira dentro do banco, usufruindo de promoções que resultaram em aumentos salariais (Bochini, Agência Brasil, 2012).

A entidade ressalta que setor bancário registra uma das mais baixas taxas de rotatividade, entre os vários segmentos da economia. Segundo o DIEESE (2012), a rotatividade no setor é de, aproximadamente, 7% (Bochini, Agência Brasil, 2012).

O Banco Central anunciou, em maio de 2012, que, a partir deste momento, os bancos, ao comprarem ou se fundirem com outros, terão que fechar um contrato formal, que deixe claro os benefícios que os correntistas das instituições terão com a operação. Segundo o chefe do departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Adalberto Gomes da Rocha, “os atos de concentração geram alguns ganhos com sinergia, como ganhos de produtividade. E devem ser compartilhados com clientes" (Froufe; Cucolo, Agência Estado, 2012). Além dos compromissos, as cláusulas também tratarão de penalidades caso o acordo não seja cumprido.

Antes era acordo informal; agora será formal, e isso será feito para que não haja ganho unilateral. É um compartilhamento. Sobre a disputa do BC com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em relação à atuação das instituições para avaliar a concorrência no setor, Rocha enfatizou que o papel cabe à autoridade monetária. "O problema do Cade foi achar que ele devia [fazer a análise] e isso foi parar na Justiça”. (Agência Estado, 2012). O teleoperador retrata as condições de trabalho após a fusão da instituição financeira, em que trabalha, com outro banco.

“Depois da fusão, as condições de trabalho ficaram muito diferentes. Considero o lugar onde trabalho, atualmente, como uma “terceirizada de luxo”. O método de trabalho mudou. Anteriormente, era focado mais nas pessoas, agora é somente no lucro. A média de ligações varia entre 50 e 100 ligações diárias e, posso dizer que hoje somos realmente monitorados. Tudo o que você faz, saída ao banheiro, lanche, tem que justificar tudo. Se você demora um pouco no banheiro, pode ser que você já seja questionado de imediato sobre onde você estava, o que é muito humilhante” (Teleoperador Bancário nº6, 08 abr 2012) Outro dos teleoperadores entrevistados explica o que ocorreu no banco em que atua, especialmente, depois da fusão com outra instituição financeira:

“O problema maior que vejo no banco, depois da fusão, é a gestão das pessoas. O operador de telemarketing não é visto como alguém que mereça um tratamento mais respeitoso. Onde eu trabalho tem poliglotas, médicos e parece que eles não percebem isso. Tem pessoas com trabalho paralelo, como é o meu caso, que atuo na área de minha formação acadêmica. O que, ainda, me segura no banco é que você tem os benefícios, participação nos lucros e resultados, dois vales, refeição e alimentação, e uma carga horária menor. A minha remuneração bruta, atualmente, é cerca de R$ 3.000,00. É justamente este fator que as pessoas estão levando em consideração, no momento. Estão contratando pessoas com a mesma função que a minha pagando a metade do que recebo. A ideia é de, aos poucos, ir eliminando quem ganha mais”. (Teleoperador bancário nº6, 08 abr 2012).

In document Indikatorrapporten 2017 (sider 69-75)